Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

CASTIGOS INDIVIDUAIS E CASTIGOS COLECTIVOS

castigo

Alberto Carlos Rosa Ferreira Das Neves Cabral

Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos” (Mat 27,25)

O fundamento de todo o castigo reside na Lei Eterna, causa exemplar providencial de toda a Ordem, criada ou possível.

A criatura espiritual, anjo e homem, foi criada para anunciar formalmente a Glória extrínseca de Deus, reconhecendo-O, amando-O e servindo-O; se assim não proceder, tal Glória será anunciada pelo castigo, temporal (ou) e eterno.

Tal não resulta dum decreto arbitrário de Deus, por ser intrìnsecamente, METAFÌSICAMENTE, conforme à natureza infinita e incriada – QUE É DEUS UNO E TRINO.

Os documentos conciliares e pós-conciliares cessaram de todo de proclamar os castigos de Deus, “olvidando” que para isso teriam de rasgar todas as páginas da Sagrada Escritura.

Efectivamente, o conceito de castigo Divino constitui como que a respiração sobrenatural de toda a Bíblia, Antigo e Novo Testamento; suprimido este conceito, é a própria noção de Deus que se extingue – POR NÃO IMPOR RESPEITO A NINGUÉM. Só por isso a Igreja conciliar terá de ser classificada de seita ateia.

O Dogma Católico ensina-nos que todo o homem, terminado o curso da sua vida terrena, será por Deus julgado, sendo de imediato pronunciada a sentença pelo JUSTO JUIZ.

Todo o homem que vem a este mundo vai necessàriamente edificando moralmente o seu ser à luz objectiva de Deus; mesmo que O rejeite, não perde a sua condição de criatura contingente, e a criatura não é o seu próprio ser.

A Doutrina Católica ilustra-nos sapientemente na sobrenatural certeza que, ao contrário do hegelianismo e do marxismo, o ente finito racional não constitui um momento na vida do infinito, mas possui um valor próprio, e é objecto do amoroso cuidado providencial de Deus Nosso Senhor.

O mérito da criatura é real, ainda que tenha seu fundamento POSITIVO na Divina Predestinação. O demérito também é real, mas neste caso o fundamento é puramente NEGATIVO – constitui uma não Predestinação.

Ao comparecermos perante Deus Nosso Senhor, levaremos connosco a forma moral do nosso acto de ser; a Graça Santificante e a Caridade, semente de infinita glória; ou a privação dessa Graça, e consequente condenação eterna. A Sanção Divina constitui a ratificação suprema, objectiva, da nossa opção fundamental, mas não se apresenta como possuindo uma natureza heterogénea a essa opção.

Todos os racionalistas acusam a Santa Madre Igreja de estabelecer uma falsa moral baseada na “caça” à recompensa. Mas se a alma fiel cumpre os santos Mandamentos é precisamente porque eles consubstanciam a vontade de Deus, porque eles são intrìnsecamente conformes ao Bem absoluto e incriado, como já se referiu, e não em virtude duma recompensa que seja diferente de Deus, como se de realidades terrenas se tratasse.

A ÚNICA RECOMPENSA PARA QUEM AMA A DEUS É O PRÓPRIO DEUS.

Para quem não ama a Deus, a sanção Divina ratificará então a suprema privação por toda a eternidade (pena do dano) e adicionar-lhe-á o castigo do fogo, ou pena do sentido, como punição do apego desordenado à criatura.

Não existe terceira via: o Céu ou o Inferno. O Limbo não constitui terceira via porque se destina a seres que  não gozaram do uso da razão neste mundo, pela pouca idade, ou por doença. O Purgatório muito menos, porque não é eterno.

A Igreja conciliar primeiro negou o Inferno, transformando-o num hotel de cinco estrelas para quem não aprecia Deus. E logo a seguir, necessàriamente, metafìsicamente, negou o Céu; e depois já não pôde conceber sequer a imortalidade da alma, e finalmente negou a Deus Pessoal. Evidentemente. BONUM EX INTEGRA CAUSA.

A VERDADE E O BEM CONSTITUINDO NO LIMITE O PRÓPRIO DEUS, OU SÃO, OU NÃO SÃO. O erro e o mal podem subsistir, e por definição metafísica, necessàriamente subsistem, parcial e limitadamente; não assim a Verdade e o Bem. Por isso vemos a ex-Igreja católica descer ao mais profundo dos infernos do erro e do mal.

Portanto existe uma relação pessoal, transcendental, de todo o homem (e também do Anjo) com Deus. E essa relação implica necessàriamente uma sanção eterna, objectiva e absoluta: O Céu ou o Inferno.

Todavia, neste mundo o homem vive, ESSENCIALMENTE, em sociedade. Os Anjos, em virtude da sua constituição ontológica, não edificam uma sociedade como os homens; e a razão é esta: Em primeiro lugar trata-se de seres puramente espirituais; além disso cada anjo constitui por si mesmo uma só espécie, e não um indivíduo; o conjunto dos Anjos é pois um género. A espécie é, ontològicamente, incomparàvelmente mais rica que o indivíduo.

Enquanto membro da sociedade, o homem possui deveres e direitos; em articulação orgânica com os outros membros do seu grupo social, pode o homem, ( mas não o Anjo) PERANTE DEUS, ser sujeito de castigos e de galardões, MAS SÓ TEMPORALMENTE. Os castigos colectivos, como tais, não podem possuir uma correspondência eterna, exactamente o mesmo acontece quanto aos galardões.

Os membros justos, e até santos, dum determinado agrupamento (família, tribo, nação, ou mesmo o conjunto da Humanidade) podem ter de sofrer castigos colectivos Divinos, impostos por algum crime, imputável a esse mesmo agrupamento, como um todo, ou a membros qualificados do mesmo.

Os Judeus, de todas as épocas e lugares, são colectivamente culpados de deicídio: “QUE O SEU SANGUE CAIA SOBRE NÓS E SOBRE OS NOSSOS FILHOS” (Mat 27, 25). A SANTA MADRE IGREJA NÃO TEM PODER PARA OS ABSOLVER COLECTIVAMENTE DESSE PECADO. Efectivamente, a Santa Igreja não pode absolver as colectividades dos castigos TEMPORAIS que Deus lhes queira enviar.

A Santa Igreja só tem poder para remitir (postas as devidas disposições) da pena eterna e da pena temporal individual devida ao pecado, infligida neste mundo, através do Sacramento da Penitência, bem como das indulgências aplicadas aos vivos; a Santa Igreja não possui jurisdição sobre as almas do Purgatório; ùnicamente o poder do sufrágio. Tal não impede que a Santa Madre Igreja procure socorrer as vítimas duma colectividade que sofra um castigo Divino óbvio, concretizado numa guerra ou numa catástrofe natural. Pode e deve ainda oferecer o Santo Sacrifício da Missa com finalidade EXPIATÓRIA E IMPETRATÓRIA.

Muitas vezes Deus utiliza materialmente um acto vil para operar formalmente um castigo. As barbaridades sofridas pelos Judeus durante a segunda guerra mundial, conquanto exageradas, foram reais, comportando um exemplo concreto do castigo temporal infligido a uma comunidade pelo deicídio cometido. Os crimes nazis foram monstruosos e Deus não os podia querer formalmente em si mesmos; MAS NO PLANO GLOBAL DA CRIAÇÃO FRUTO DA DIVINA PROVIDÊNCIA tais crimes foram assumidos como instrumento material para um castigo formal, colectivo e TEMPORAL, decretado pela Sabedoria Providencial Infinita de Deus Nosso Senhor desde toda a Eternidade.

A acção de Judas constituiu um horrível deicídio, mas numa perspectiva global da Criação, essa acção foi o instrumento material da nossa Redenção.

Neste quadro conceptual é absolutamente de louvar a excelsa atitude de Pio XII que providenciou, tanto quanto pôde, a salvação dos judeus perseguidos durante a segunda guerra mundial. Todavia, o decreto Eterno de Deus contra a colectividade Judaica não pode ser elidido pelo poder da Santa Igreja.

É falso que os verdadeiros católicos nutram sentimentos de ódio. Eles apenas procuram trabalhar pela Glória de Deus Uno e Trino, proclamando que n’Ele reside, OBJECTIVAMENTE, toda a verdade e todo o BEM, e que fora d’Ele são só trevas e dor. O contrário é que constitui a verdade: são os progressistas que odeiam os defensores da Santa Fé; reconhecendo-se apóstatas, e contemplando a sua própria ruína intelectual, espiritual e moral, só obtêm refrigério atormentando os fiéis.

E isto é tanto mais verdade quanto a Humanidade sofre actualmente o maior, mais terrífico, e mais extraordinário castigo colectivo que se pode imaginar: O DESAPARECIMENTO DA IGREJA CATÓLICA COMO REALIDADE SOCIAL E CULTURAL, PELA CONQUISTA DOS SEUS ELEMENTOS HUMANOS PELA MAÇONARIA INTERNACIONAL.

As duas guerras mundiais haviam já constituído poderoso castigo pelos pecados do protestantismo, do liberalismo e do comunismo; mas agora ficámos orfâos, sem a nossa Mãe Igreja.

Não desesperemos porém, porque na adoração suprema a Deus Nosso Senhor, na ilimitada veneração a Maria Santíssima, congregados na Caridade, auferiremos decerto, nós que somos o Corpo Místico, da desvelada protecção daqueles santos que nos amaram tanto, que tudo deram pela nossa salvação.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 14 de Maio de 2013

4 Respostas para “CASTIGOS INDIVIDUAIS E CASTIGOS COLECTIVOS

  1. Solange Ribeiro maio 18, 2013 às 4:40 pm

    Para sempre!!!

    ________________________________

  2. Solange Ribeiro maio 21, 2013 às 10:42 am

    Solange Ribeiro maio 20, 2013 às 6:26 pm (Editar)
    Perdão, mas os textos que tenho recebido de vocês, em alguma expressões,
    demonstram serem contra o Papa Francisco. Eu sou leiga, mas saiba o meu sim
    a Deus, une-se em obedecer a voz daquele que Deus colocou para pastoriar sua
    Igreja Catolica Apostolica Romana. Podem ser mais claros nos textos. Se
    forem contra o Papa, eu não tenho interesse de receber.
    Deus abençoe a todos.
    Responde Alberto Cabral:
    Defendemos ardorosamente a Cátedra de São Pedro, mas atacamos impiedosamente aqueles que nos últimos 55 anos corromperam essencial e constitutivamente a função papal, que é estritamente de Direito Divino; utilizando a aparente dignidade papal que ostentam para depravar espiritual, moral e intelectualmente a Santa Igreja e o mundo.

  3. Renee Patel junho 1, 2013 às 3:02 am

    — Examina a conduta do enfermo. Fixando a mente na extrema .<região dos impulsos automá­ticos», seu padrão de comportamento é efetivamente sub-humano. Volta a viver estados primários, dos quais a individualidade já emergiu há muitos sé­culos. Em outros casos menos graves, a medicina atual vem utilizando a terapêutica do choque, àmaneira do experimentador que investiga nas som­bras, examinando efeitos e ignorando as causas. Cumpre-nos, no entanto, reconhecer que o belo es­forço da psiquiatria moderna merece o maior ca­rinho de nossas autoridades espirituais, que patro­cinam os médicos diligentes e devotados, orientan­do-os para o bem comum, simultâneamente em di­versos centros culturais; por enquanto, não po­dem aceitar a verdade como seria de desejar, em virtude da necessidade de guardar-se a medicina terrena em campo conservador, menos aberto aos aventureiros; todavia, mais tarde os sacerdotes da saúde humana compreenderão que o choque elétri­co, ou a hipoglicemia, provocada pela invasão da insulina, constituem apelos vivos aos centros do organismo perispirítico, convocando-os ao reajusta­mento e compelindo os neurônios a se readaptarem para o serviço da mente em processo regenerador. A bem dizer, é de notar que esse recurso às reser­vas profundas do cosmo psíquico não é novo. Ou­trora, as vítimas da loucura eram conduzidas a poços de víboras, a fim de que a aborrível comoção operasse a transformação súbita da mente dese­quilibrada; é que, desde remota antigüidade, com­preendeu o homem, intuitivamente, que a maioria dos casos de alienação mental decorrem da ausên­cia voluntária ou involuntária da alma à realidade. E, em nosso campo de observação mais clara, po­demos adir que todo desequilíbrio promana do afas­tamento da Lei.

  4. Damian J. Jennings junho 3, 2013 às 10:38 pm

    XVI. Chamo homem vicioso a esse amante vulgar, que mais ama o corpo do que a alma. O amor está par toda parte em a Natureza, que nos convida ao exercício da nossa inteligência; até no movimento dos astros o encontramos. É o amor que orna a Natureza de seus ricos tapetes; ele se enfeita e fixa morada onde se lhe deparem flores e perfumes. É ainda o amor que dá paz aos homens, calma ao mar, silêncio aos ventos e sono a dor.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: