Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A «REVOLUÇÃO CULTURAL» QUE DESCRISTIANIZOU O MUNDO: Do ideário de Salazar ao de Bergoglio

Salazar e Cerejeira 

Arai Daniele

A «revolução cultural moderna» não desdenha pôr a Religião ao serviço de um projeto social. Aqui vamos ver como esta tendência já existia com Salazar e como hoje está em ato no Vaticano conciliar de Bergoglio, que já a trouxe confeccionada da capital dos pampas, onde a elaborou em conjunto com membros da coletividade judia.

De fato, a primeira pessoa da alta hierarquia dessa coletividade judia argentina que recebeu em audiência privada no dia 25 de abril último no Vaticano foi Sacca, judeu ortodoxo de 48 anos, com que realizara tais reuniões preparatórias para a grande confraternização.

«Propusemos que os jovens, cada um no seu âmbito, cada um com suas idéias e crenças, elaborem projetos de trabalho voluntário em iniciativas comunitárias, gerando nas futuras gerações a aceitação e a tolerância para com os que pensam de modo distinto, que não se assustem do outro, nem se rechacem ou se agridam por pensar de modo diferente ou ter distintas religiões», explica Sacca.

Esse líder religioso, fundador e presidente da Organização Mundial para a Juventude Menorá, com sede central em Buenos Aires e outras em Tel Aviv, Jerusalém, Xangai, Nova York e Odessa, entre outras cidades, propôs que os jovens apresentem seus projetos a um conselho de rabinos e sacerdotes católicos e outros cultos, também do Islão, para avaliação.

A chave da questão é claramente a de neutralizar a Religião porque: «Las creencias, si se utilizan mal, pueden llegar a destruir la sociedad; si se utilizan bien, resultan en beneficio de la sociedad, pueden traer paz y bendición», afirma explicitamente Sacca.

Não há dúvida, portanto, que se trata de pôr a Fé ao serviço de iniciativas sociais e não o contrário, numa clara inversão dos princípios cristãos e não só.

Quem lê as análises esclarecedoras sobre questões da «revolução cultural» na história recente feitas por autores atuais de primeiro plano como sejam o P. Paulo Ricardo e o professor Olavo de Carvalho, deveria observar o evoluir desses projetos. É importante, porque, como tenho escrito, tantas análises particulares evitam quase sempre a visão geral católica de que há uma só guerra cultural, que de certo não é simplesmente entre comunismo e capitalismo; engano que, com outros, foi desmascarado por esses autores, porém não basta. De fato¸ é inútil acusar isto ou o gnosticismo, o socialismo fabiano, o gramscismo e a subversão da Escola de Frankfurt, continuada por Marcuse para a revolução estudantil de 68, se depois continuamos a ignorar que a maior e mais tortuosa falcatrua cultural é de ordem religiosa, da homologação da Fé ao serviço político-social.

Sabemos como certos bons autores tratam com desassombro as questões políticas, mas desligando-as da Religião una. Assim o P. Paulo Ricardo reconhece uma face sombria no Vaticano 2, padrasto até da teologia da libertação, mas depois sobe nos tamancos para defendê-lo como se fosse católico apesar de seguir um plano modernista. Será que ele não percebe que, mesmo se o Mal vem de longe, foi esse funesto evento conciliar, de calibre globalista, a escancarar-lhe as portas para demolir a Cristandade?

O fato é, como observa justamente Olavo de Carvalho falando de Cristianismo e de Gnosticismo, que vivemos envoltos por uma tempestade de idéias gnósticas geridas por essas revoluções. Sim, mas a novidade de nosso tempo é que elas escalaram seu último reduto de real resistência, que é a Igreja Católica, através dos «papas conciliares»!

Colocando toda a questão do conhecimento, em especial sobre o homem, sua origem, estado presente e fim último, do qual não se pode desinteressar a política humana, temos que o dilema final é entre a posição objetiva da Fé e a subjetiva de uma gnose. Das duas posições, a da fé (pistis) está em receber o conhecimento sobre o que é bem e mal para o ser humano da realidade que funda o Direito natural; a do gnosticismo está em ditar o que esse «conhecimento» nventa, para aplicá-lo ao governo dos homens. Pela fé há que respeitar o Direito natural e divino que precede e é inerente à natureza do homem criatura; no gnosticismo o direito é produto da mente segundo as circunstâncias e o poder; a mesma noção de família mudaria segundo o «progresso social».

Sobre as raízes do problemático subjetivismo moderno, muitos concordam em vê-las no «cogito ergo sum» da dita «filosofia cartesiana» com que Descartes, consciente ou não do problema tornou-se a “charneira entre a gnose antiga e a moderna” (Jean Vaquié). Mas ele consta como católico piedoso que teve até parte na conversão à Fé da Rainha Cristina da Suécia, filha de Gustavo Adolfo, luterano inimigo feroz dos católicos (embora financiado pelo card. Richelieu para abalar o Império católico dos Habsburgos). Pode o católico comungar com quem em vestes cardinalícias opera para demolir a união da Cristandade européia? E hoje, é possível a comunhão na fé com quem em vestes papais tenta introduzir a «nova evangelização» do relativismo libertário e ecumenista do Vaticano 2 para atualizar a Igreja ao mundo? Sim, porque é disso que se trata: pôr a Fé na Igreja do Santo Sacrifício à serviço de um plano social de cunho socialistoide!

Aqui vamos ver como, ao ignorar onde estava esta linha de defesa, até o governo do católico Salazar, considerado exemplo da resistência às confusões políticas e monetárias deste desvairado mundo moderno, falhou nesse julgamento. Agia pensando que o poder político pudesse suprir na defesa da Nação, mesmo contra os ataques aos princípios da Religião, que são aqueles defendidos pelo Pontífice Romano, Vigário de Cristo. Hoje estes são invertidos pelos «falsos Cristos» conciliares.

Trata-se do engano de usar ao invés de servir a Religião, por alegadas razões de coesão e paz político-social. Isto foi feito por Mussolini em Roma na Concordata com a Igreja de 1929; não foi muito diferente do que fez Salazar em Portugal, como veremos em seguida.

Não se pode “consagrar” uma ação civil e patriótica sem referência na Verdade, que é uma só sobre a natureza humana, criada para um só fim determinado pelo Criador. O mesmo se diga quanto à direção de toda sociedade e de seus governos que se proclamam cristãos. Algumas falhas destes e grandes passos dos adversários e temos a geral descristianização do mundo inteiro, com a Fé traida e abandonada na apostasia da Roma conciliar .

A INFIDELIDADE AO CATOLICISMO DO ESTADO NOVO PORTUGUÊS

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Infelizmente o desconhecimento, religioso e político, de muitas pessoas, condú-las a proclamar haver sido o Estado Novo Português (1926-1974) um regime católico e fiel a Nosso Senhor.

Ora nada mais falso. Pois que o referido regime CONTEMPLOU A SACROSSANTA RELIGIÃO CATÓLICA, NUNCA COMO UM VALOR ABSOLUTO EM SI MESMO, MAS SIM COMO UM PURO MEIO DE COESÃO POLÍTICO-SOCIAL. Efectivamente, a Constituição de 1933, criminosamente, durante os seus 41 anos de vigência, nunca reconheceu a Santa Madre Igreja como sociedade perfeita, nem como autoridade de Direito Público, nem ainda reconheceu a Soberania dos Corações de Jesus e Maria como único fundamento da ordem social.

A Concordata de 1940 prosseguiu o laicismo da Constituição, e só foi assinada pela Santa Sé porque esta se consciencializou de que não podia obter mais.

São Tomás de Aquino ensina que tem de existir uma proporção ontológica entre o meio político- social e as leis que nele são incorporadas, caso contrário a lei pode produzir mais mal do que bem; mas acrescenta: QUANTO MAIS É NECESSÁRIO TOLERAR O MAL NUMA COMUNIDADE, MAIS IMPERFEITA É A SUA FORMA POLÍTICO-SOCIAL.

Por muito descristianizada que estivesse a sociedade portuguesa em 1933 (e estava) é falso que não suportasse uma Constituição verdadeiramente confessional, católica; tanto mais que esta se apoiaria num regime que dispunha de considerável poder coactivo.

O Magistério Tomista ilustra-nos perfeitamente na certeza de que uma cristianização ou recristianização da sociedade não se processa toda de uma só vez, mas sim firme e faseadamente. Simplesmente, a Santa Sé verificou que o Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, nunca colocaria o poder coactivo do Estado Novo ao serviço da Fé Católica – e não o faria porque, verdadeiramente, a não professava, embora lhe procurasse auferir os benefícios de ordem político-social.

O ENSINO

Quem escreve estas linhas viveu a sua adolescência e princípio da juventude ainda no Estado Novo, conheceu bem a NEUTRALIDADE PECAMINOSA do seu ensino: UMA TAL NEUTRALIDADE EQUIVALE A ATEÍSMO. A aula de religião no ensino secundário, aliás não estritamente obrigatória, era amplamente desvalorizada, e os alunos sentiam que essa desvalorização vinha de cima. Os manuais de filosofia permaneciam muito aquém do que devia constituir os “Preambula Fidei”.

Na Universidade não existia qualquer profissão solene de Fé Católica, necessàriamente obrigatória para os alunos que tomavam diploma; e pontificavam livremente muitos professores ateus. O regime tinha muito cuidado com os professores comunistas, por motivos políticos, e procedia bem, mas com os aspectos religiosos não nutria a mínima preocupação. A política do livro ÚNICO era muito positiva; pena foi que esse livro único não fosse católico.

MISSÕES

A primeira república portuguesa (1910-1926) havia instituído as chamadas “Missões laicas” que substituiriam as missões religiosas. Todavia cedo arrepiou caminho por verificar que nada, a não ser o amor de Deus, poderia motivar as pessoas a sacrificarem a sua comodidade, e por vezes a sua saúde e a sua vida, para levar a salvação aos povos africanos. Todavia o que estava em causa, quer para a primeira república, quer para o Estado Novo, NÃO ERAM RAZÕES RELIGIOSAS, MAS SIM O PERIGO DA DESNACIONALIZAÇÃO. Não é que o objectivo da nacionalização não seja louvável, evidentemente que o é; simplesmente na hierarquia dos seres e dos fins o serviço e o culto da Verdade Católica encontram-se em primeiro lugar.

Neste quadro conceptual se compreende que o Estado Novo auxiliasse positiva e oficialmente as corporações missionárias, com salário e aposentação garantidos; ao passo que assim não procedia para com o clero secular da Metrópole, para além de certas isenções fiscais.

Acrescente-se que por acordos internacionais o Estado Português estava obrigado a autorizar a presença de “missões” protestantes no seu território ultramarino.

FAMÍLIA

Em 1867 a monarquia constitucional portuguesa (1820-1910) havia constituído o chamado “casamento civil,” com o objectivo de subtrair à Santa Madre Igreja a jurisdição sobre o matrimónio dos baptizados; procedia assim em obediência às instruções da maçonaria internacional, da qual inteiramente dependia.

Em 1910 o regime republicano instituiu o divórcio; tornando estritamente obrigatório o registo civil, deixou de reconhecer, inteiramente, a jurisdição canónica.

Em 1940 depois de muita insistência da Santa Sé, e sob pena de não haver concordata, Oliveira Salazar lá acedeu a que o Estado Português se declarasse incompetente para dissolver casamentos canónicos, aos quais reconhecia validade intrínseca, limitando-se o Estado a assegurar os seus efeitos civis. Todavia o Núncio Apostólico, Pedro Ciriaci, chegou a apelidar Oliveira Salazar de “demónio” porque o encontrava pouco aberto à supressão do divórcio para os casamentos canónicos, pasme-se!!!

É conveniente recordar que em Espanha, segundo a Concordata de 1953, os baptizados apenas podiam contrair matrimónio canónico; e a recepção do santo Baptismo gozava de presunção de Direito. Não havia pròpriamente casamento civil, visto que os baptizados não o podiam celebrar, só os não baptizados. Era um edifício constitucional único em todo o mundo, em que o Estado fazia sua toda a Doutrina da Igreja, e no presente caso igualmente todo o Direito Canónico no concernente ao Matrimónio.

Mas pouco vigorou, pois o Concílio Vaticano II viria a desautorizar radical e formalmente toda a Concordata de 1953.

Voltando a Portugal, cumpre assinalar que em 1966, por ocasião da promulgação de novo Código civil, houve uma tentativa de expurgar do divórcio o referido Código, tentativa que infelizmente se gorou.

IGREJA E ESTADO

A questão que se colocava para o Estado Novo, ou melhor, que se devia ter colocado, não era regressar a um regime pervertido de união entre a Igreja e o Estado, tal como existia na monarquia constitucional, e que era totalmente controlado pela maçonaria, tal como acontecia em todos os países europeus e latino-americanos de antiga tradição católica. Num regime desse tipo o regime de união não é concebido como submissão constitucional do Estado à Santa Madre Igreja, mas, diabòlicamente, como um meio para o Estado tentar destruir a Igreja de Deus.

Nem se colocaria a questão de regressar ao regime de despotismo iluminado, como existiu na Europa na segunda metade do século XVIII. Não. O Estado Novo deveria, sim, ter instituído um regime católico são, com subordinação constitucional do Estado à Santa Igreja, e respeito desta pela legítima autonomia temporal do primeiro. Um regime em que NOSSO SENHOR JESUS CRISTO CONSTITUÍSSE TUDO PARA TODOS. Assim não procedeu, manifestando ingratidão para com Nossa Senhora de Fátima que tanto tem protegido terras Lusitanas.

Aliás repetidamente o Cardeal Cerejeira procurava fazer recordar a Oliveira Salazar o que ele devia a Nosso Senhor e a Nossa Senhora – mas sempre inùtilmente.

Em 1959, ano de revisão constitucional, um grupo de deputados da Assembleia Nacional providenciou uma tentativa de introduzir no texto Constitucional uma referência formal ao Santíssimo Nome de Deus. Todavia Oliveira Salazar facultou instruções em contrário à referida Assembleia.

E que argumentos apresentava Oliveira Salazar? Ei-los:

1- Não é confessional o Estado Português.

2- Uma invocação constitucional do Nome de Deus, se houver em Portugal uma profunda modificação de regime, poderá, por si mesma, provocar uma nova onda de perseguição à Igreja.

3- Nos territórios ultramarinos portugueses existem muitos ateus e seguidores doutras religiões; que pensariam eles duma invocação constitucional do Nome de Deus?

Tais foram os argumentos, perfeitamente ateus, de Oliveira Salazar.

Era certo que o Estado Novo não era confessional. Era jurìdicamente tão laico como a primeira república. Mais ainda, foi o Estado Novo QUE CONSOLIDOU A SEPARAÇÃO DA IGREJA E DO ESTADO.

O argumento de perseguição à Igreja é dos tais que só podia ter sido esgrimido por um ateu, e um ateu muito manhoso.

O argumento das populações ultramarinas constitui, com plena exactidão, o tipo de argumento que utilizam todos os que contemplam a sacrossanta religião católica, não como um absoluto em si mesmo, mas como um puro instrumento de coesão político-social, como já foi referido.

TODOS ESTES ACONTECIMENTOS E ESTAS NEGAÇÕES CONFIGURAM UM DEICÍDIO DE ESTADO DE UMA NACÃO CONSTITUCIONALMENTE AMALDIÇOADA.

Os anos subsequentes assistiram a uma profunda decadência da Pátria Portuguesa, os quais só podem ser interpretados como castigo do Céu. Em 1961 começou o mais selvático terrorismo em terras de Angola e a União Indiana conquistou o Estado Português da India. Em 1964 iniciou-se o terrorismo em terras da Guiné e Moçambique. Depois a revolução maçonico-comunista-eclesiástica de 25 de Abril de 1974, com o respectivo colapso do Império civilizacional Português, e sua entrega em mãos comunistas. Actualmente Portugal interroga-se sèriamente se possuirá condições de prosseguir como Nação independente; todavia duma realidade já está plenamente consciente: Será sempre um país muito pobre num contexto europeu.

NOTA: Em 1971, em nova revisão constitucional, o Nome de Deus entrou FRAUDULENTAMENTE na Constituição, para legitimar uma infame disposição que igualava jurìdicamente todas as “religiões”.

Até aí a legislação discriminava positivamente a religião católica, não pelo seu valor intrínseco, mas pelos já explanados motivos de coesão político-social.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 26 de Maio de 2013

Uma resposta para “A «REVOLUÇÃO CULTURAL» QUE DESCRISTIANIZOU O MUNDO: Do ideário de Salazar ao de Bergoglio

  1. Nichole A. Bradshaw maio 29, 2013 às 3:23 am

    Santuário de Madre Paulina, localizado em Nova Trento, no estado de Santa Catarina. Na localidade, os fieis podem visitar a antiga igreja de Santa Paulina. Numa elevação bem próxima fica localizado o santuário, construido em uma arquitetura bem moderna, confortavel, sem ostentação. Ótimo lugar para se visitar, conhecer a história da santa brasileira e se encontrar com a paz espiritual. Para quem tem dificuldade de locomoção, o santuário pode ser acessado por uma estrada lateral que vai até a entrada principal do santuário.

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