Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O FALSO PERSONALISMO ATEU DA IGREJA CONCILIAR

J23 eleitoAlberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

A Santíssima Trindade constitui a expressão suprema, incriada, eterna e infinita do Ser. N’Ela reside VIRTUALMENTE toda a realidade, toda a beleza criada.

O Pai, com a sua propriedade pessoal de inascibilidade, consubstancia a Unidade, atributo transcendental do Ser; o Filho, que procede da inteligência do Pai, consubstancia a Verdade do Ser; o Espírito Santo, Amor substancial e eterno de Deus, que procede do Pai e do Filho, consubstancia a Bondade do Ser.

Em Deus existe apenas um único acto, infinitamente fecundo e simples, de inteligência, em que Deus Se conhece a Si mesmo, bem como a toda a realidade criada; e um único acto de vontade, também infinitamente fecundo e simples, no qual Deus Se ama a Si mesmo, bem como a toda a realidade criada, que de algum modo reflecte contingente e finitamente a Sua Essência.

Deus, no conhecimento da realidade criada, não depende dela mesmo, mas encontra esse conhecimento em Si mesmo, na Sua essência.

Deus conhece o mal por oposição ao ser, portanto por oposição a Si mesmo.

Deus É ESSENCIALMENTE DISTINTO DO MUNDO; este foi criado por Deus, mediante um acto livre da Sua vontade.

A PROVIDÊNCIA CONSTITUI O PLANO DO MUNDO, ETERNAMENTE PRESENTE NA INTELIGÊNCIA DIVINA.

Muito diferente é a falsa doutrina da falsa Igreja conciliar. Para esta, “deus” é, no limite, indiscernível do homem. É aliás no homem que “deus” se revela e exprime integralmente, adquirindo plena consciência de si. Jesus Cristo veio precisamente para revelar ao homem o divino que há nele, revelando o homem ao homem; a graça mais não sendo do que um meio de tornar o homem mais homem, isto é: mais “deus”. ORA TUDO ISTO É PURO ATEÍSMO. Nem é agnosticismo. É ATEÍSMO. Na exacta medida em que o agnóstico suspende o seu juízo, por considerar que não dispõe de elementos suficientes para julgar.

Todas estas barbaridades se filiam em Hegel (1770-1830). Para este dito filósofo os entes particulares constituem o desenvolvimento dialéctico da Ideia Universal; é a esta Ideia Universal que Hegel denomina “deus”. O ente finito constituiria assim um momento na vida do infinito, portando desprovido de acto metafísico próprio, de valor próprio. Ora a sacrossanta Fé Católica ensina-nos que todos os entes criados, MUITO ESPECIALMENTE OS RACIONAIS, ANJOS E HOMENS, possuem um acto metafísico próprio, um acto providencial próprio, não constituindo um desenvolvimento totalitário duma ideia.

Os progressistas – modernistas que tanto proclamam a dignidade do homem, são incapazes de contemplar o como as suas teorias deprimem a fundo a única dignidade verdadeiramente acessível ao homem: o ser criatura de Deus, na ordem natural, e filho adoptivo de Deus, pela Graça, participacão acidental, mas real, na natureza Divina, na Ordem Sobrenatural. Precisamente por isto é que os paladinos da “morte de Deus” acabam por redundar em autores da morte do homem. Os estruturalistas, por exemplo, não tergiversaram em proclamá-lo – o que é lógico! Efectivamente, se aquele que sendo, metafìsica e teològicamente, uma criatura de Deus, elevada à ordem sobrenatural, redimida por Nosso Senhor Jesus Cristo, proclama diabòlicamente a própria divindade, o resultado só pode constituir-se num processo de aniquilamento; psicológico, espiritual, moral – e finalmente SOCIAL. A esta fase derradeira estamos agora assistindo.

O individualismo e  capitalismo liberal, fruto directo e dilecto do maldito protestantismo, desarraigara o homem da família legìtimamente constituída segundo a Lei Divina; desintegrara-o do organismo corporativo onde realizava hieràrquicamente a sua função social; desvinculara-o do redil da Santa Madre Igreja, único Lar onde poderia auferir a Graça da salvação eterna; e finalmente abandonara-o, “livre”, com um Estado mínimo, sem referências substanciais, transcendentes, objectivas, imutáveis.

E NÃO EXISTE ENTE MAIS INFELIZ E DESPROTEGIDO DO QUE UM HOMEM NESTAS CONDIÇÕES. TODAVIA O REFERIDO INDIVIDUALISMO NÃO OUSARA AINDA PROCLAMÁ-LO “deus”.

O próprio Hegelianismo apenas apelidara de “deus” a Ideia Panlogista, simultaneamente abstracta e concreta, espiritual e material, que se explicitava no momento finito. E o marxismo, ainda que abominando o conceito de Deus, de algum modo incarnara-o no chamado fim da História, ou escatologia marxista, onde o homem reconciliado culturalmente consigo mesmo se assumiria colectivamente como sujeito absoluto de si mesmo.

Os “ateólogos” ou teólogos da morte de Deus que pontificaram no nunca suficientemente amaldiçoado concílio Vaticano II foram ainda mais longe do que Hegel e Marx; divinizaram não apenas o colectivo, mas também o individual, embora sem saberem como harmonizar ambos de forma coerente, por isso dizem que Jesus Cristo incarnou de certo modo em todo o homem.

Mas esta asserção, uma vez elaborada, produz O NADA; Psicológica, Moral, Espiritual e socialmente PRODUZ O NADA, como já referimos.

Não nos devemos surpreender ao verificarmos que em todas estas aberrações transparece uma comum realidade: A VERDADE E O BEM EM NEGATIVO.

Efectivamente, o acto criador (mediante o qual uma essência até aí virtualmente sendo em Deus é colocada a existir pelo princípio metafísico ESSE) imprime na criatura, essencialmente dependente, por necessidade metafísica, a CHANCELA DA CONTINGÊNCIA. Consequentemente, a operação da criatura, POR MAIS QUE QUEIRA NEGAR, E EFECTIVAMENTE NEGUE, O SEU CRIADOR – ACABA POR AFIRMÁ-LO, EMBORA EM NEGATIVO.

A História da filosofia, principalmente nos últimos 250 anos, bem o demonstra.

O chamado personalismo católico moderno, denominado justamente por alguns de “personalismo onanista”, mais não constitui pois do que uma síntese entre Hegel, Marx, Lutero e Voltaire. Dos dois primeiros hauriu o totalitarismo da Ideia que se desenvolve dialècticamente através do finito, constituindo em simultâneo o Tudo e o Nada, o espírito e a matéria; que em Marx sofrerá uma transposição Histórico-Cultural – por isso para os personalistas modernistas: O ÚNICO ABSOLUTO É O RELATIVO.

De Lutero e Voltaire os mesmos modernistas se tornam tributários ao pretenderem alienar a pessoa humana da sua própria essência, do seu próprio fundamento metafísico e teológico, com todos os desenvolvimentos religiosos, políticos e sociais que constituem o corolário dessa alienação.

Ao personalismo onanista devemos opor o personalismo ESSENCIALISTA: O ser humano nem é um momento na vida do infinito (Hegel), nem um átomo social sem valor próprio (Marx), nem um indivíduo, dono de si, sem vínculos, sem referências transcendentes, CONDENADO À LIBERDADE (Lutero, Voltaire); mas é uma pessoa criada à Imagem e semelhança de Deus; criada para conhecer, amar e servir a Deus Nosso Senhor neste mundo, e assim conquistar a sua eterna felicidade sobrenatural; possuidora de direitos e deveres sociais, hierarquizados na Santa Madre Igreja, na qual nasceu para Deus, e na sua Pátria, braço secular da mesma Santa Igreja, pela qual pertence a este mundo.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

LISBOA, 2 DE JUNHO DE 2013

3 Respostas para “O FALSO PERSONALISMO ATEU DA IGREJA CONCILIAR

  1. Frieda J. Farley junho 12, 2013 às 12:04 pm

    Nesta lógica, parece inevitável concluir que a capacidade humana de fazer ficção é consequência da sua faculdade de sonhar — que a construção de um espaço ficcional deriva da experiência onírica. Ou seja, a ficção existe porque o homem sonha. No entanto, essa afirmativa tão categórica e simplista poderia descartar inúmeras outras formas de interação com a realidade. Ainda assim, o primeiro contato que o Homem terá com uma experiência não-real e não-material será o seu próprio sonho. A partir disso, todo filme, toda novela , toda invenção será um sonho que se sonha acordado.

  2. Marva Q. Kaufman junho 21, 2013 às 12:35 pm

    Em senso comum , realidade significa o ajuste que fazemos entre a imagem e a ideia da coisa, entre verdade e verossimilhança . O problema da realidade é matéria presente em todas as ciências e, com particular importância, nas ciências que têm como objeto de estudo o próprio homem : a antropologia cultural e todas as que nela estão implicadas : a filosofia , a psicologia , a semiologia e muitas outras, além das técnicas e das artes visuais .

  3. Elvin Pena junho 23, 2013 às 4:44 am

    O «homem superior» já não acredita em Deus, mas, contudo, não se libertou totalmente da dependência em relação ao Ser Supremo. Com efeito, paira sobre os seus actos a sombra de Deus. O «não» ao ilusório «outro mundo» não se transforma em «sim» à terra. Um certo «instinto teológico» continua a envenenar a sua relação com o mundo, com a realidade em devir ou em mudança. Não se apercebendo de que com Deus morreu o Absoluto, a sua metafísica mantém os traços de uma teologia mascarada. Vive ainda segundo os pressupostos da metafísica que o Deus extinto fundamentava, ou seja, continua a desvalorizar o mundo do devir, a segregar o veneno do ressentimento. A «sombra de Deus» encobre a sua existência e estende-se sobre os novos ídolos (os novos absolutos) — a Razão, o Estado, a Pátria, a Justiça — que permitem ao homem desprezar o devir. Desaparecido o Senhor, este homem não abandona totalmente o papel de escravo. É demasiado débil para estar à altura de um acontecimento enorme no qual participou: a morte do Deus da culpa e do ressentimento. De tal modo assim é que o ressentimento define a sua relação com o devir, fonte de todo o sofrimento porque condena a vida ao desgaste, à insatisfação, à imperfeição. A sua procura do absoluto, mesmo sob forma não religiosa, é ainda o sintoma de uma vontade de poder negativa, que se recusa a dar valor próprio a «este mundo». Desconhecendo ou escondendo a si mesmo que nenhuma moral absoluta é possível sem Deus, o Absoluto, o «homem superior» revela-se como uma suprema decepção, um ateu débil e inconsequente. É incapaz de assumir o destino grandioso que a morte de Deus exige do homem, é impotente para levar às suas últimas consequências criadoras a denúncia da «mentira sagrada» ou «teológica». A sua negação de Deus é uma manifestação de impotência porque, para se proteger da realidade temível do devir, abriga-se à sombra de Deus, seguindo, em termos gerais, o tipo de moral que nele se fundava.

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