Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O NÓ DO DEBATE ENTRE OLAVO DE CARVALHO E ALEXANDER DUGIN

The most crucial issue of our time – the destruction of Christianity from the very Rome – was not discussed here by Olavo nor by Dugin. Why?

Dugin X Olavo 
“E’ mais importante o inimigo que o amigo, escolhe-o com cuidado porque tal escolha vai influir nas tuas decisões”, disse Carl Schmitt, mentor de Alexander Dugin. O inimigo número um de Dugin é o liberalismo, que ele define como uma forma de darwinismo social no qual os mais ricos sobrevivem e crescem, enquanto o resto da humanidade sofre e morre física e espiritualmente. Dugin o exprime num debate com o pensador brasileiro Olavo de Carvalho, mas o que faliu nessa ocasião?

“O liberalismo é o pior mal dos nossos tempos, porque é inevitável; a partir dos anos ’90 é uma imposição que não escolhemos” segundo Alexander Dugin, jovem professor da Universidade de Moscou, “ídolo na sua pátria; com conferências repletas; os seus numerosos livros tratam dos mais variados argumentos que vão da cultura pop à metafísica, da filosofia à teologia, dos negócios estrangeiros à política interna”.

A descrevê-lo é Israel Shamir no seu artigo (veja http://www.agerecontra.it/public/pres30/?p=11862#more-11862) .

Dugin… “Fala diversas línguas, é um leitor voraz e tornou popular na Rússia muitos filósofos ocidentais pouco conhecidos. Se presta a sondar as águas ainda mais fundas do pensamento místico e heterodoxo com uma coragem desconcertante. É personagem controverso; adorado e odiado ao mesmo tempo, nunca aborrecido. É um estudante praticante de misticismo, que lembra Mircea Eliade e Guénon, praticante ortodoxo tradicionalista, estudante ousado das teorias da conspiração a partir dos Templares e do Santo Graal, passando pela Arctogaia de Herman Wirth; é um mestre teórico na aplicação das teorias de Jean Baudrillard e Guy Debord; mas sobretudo é um lutador infatigável pela liberdade do homem da tirania liberal americana e até da Maya, virtual realidade pós-moderna, com meios políticos. Como Alain Soral e Alain de Benoist, considera obsoleta a dicotomia entre Esquerda e Direita. O que conta é a escolha entre Conformidade ou Resistência à Nova Ordem Mundial. Dugin é pela Resistência. Para este fim, ele se move como um cão feroz entre as diversas teorias políticas. Fé, tradicionalismo, revolução, nacionalismo e comunismo são os ingredientes de que se serve… O liberalismo, e a liberdade levam a uma destruição social; livram o homem da família, do estado, da sua identidade sexual e até de sua humanidade. O liberalismo acabará por levar à substituição do homem pelo cyborg geneticamente modificado.”

Dugin propõe-se resolver o problema ontológico profundo da alienação e negação do Ser com as palava de Martin Heidegger, segundo o qual os antigos gregos confundiam o Ser-em-si (Sein) com a experiência humana do Ser-no-mundo (Dasein), e esta confusão, no tempo, nos levou ao progresso tecnológico e introduziu o Nada. Isto é o que queria superar introduzindo o Ser-no-mundo como o mais fantástico ator da história. Para os liberais o individuo é o mais importante, para os comunistas é a classe social, para os nazistas a raça, para os fascistas o estado, e para Dugin e o seu Quarto Paradigma é o Ser-no-mundo. Assim o escuro profundo da alienação pode tornar-se luz do Ser, diz Dugin.

“Quanto à Rússia, ele vê a sua terra como base possível para a resistência à Nova Ordem Mundial, junto a outros estados que desafiam a imposição americana. Não crê que a Rússia esteja pronta para o grande desafio, está por demais evasiva e dividida, mas é do que dispomos por hora. A sua vantagem nuclear poderia defender os primeiros germens das novas idéias de justiça sumária do xerife do mundo.

A Quarta Teoria Política é um bom início para expor as idéias de Dugin aos leitores ocidentais. Afinal, também a recusa do niilismo ocidental de Heidegger é uma idéia do ocidente. Dugin “delineou uma ideologia para Putin, o qual usou as suas palavras, livrando-se dos pensamentos que estavam na sua base… examinou cada conceito ou idéia do Este e do Oeste, mesmo aqueles proibidos e esquecidos, sempre que pudessem favorecer a Resistência. Usou o comunismo, mas também as idéias derivadas dos grupos mais tradicionalistas e radicais, de modo que nem mesmo Hitler e Mussolini fossem suficientemente extremos. Uniu teologia, política e metafísica numa única meta-narração. Tudo com um estilo lúcido e agradável para Israel Shamir.

A quarta teoria política, publicada por Arktosh, tem o mesmo título de um dos mais recentes e importantes livros de Dugin, embora seja bem diverso na substância; o título mais adequado seria ‘Dugin Reader’, ou ‘Essential Dugin’. Foi particularmente pensado para um leitor ocidental de língua inglesa. Elemento importante: posso eu mesmo testemunhar, escrevendo seja em russo que em inglês, que, sendo culturas políticas tão diversas não é por nada simples tornar facilmente compreensível em inglês um testo de filosofia política russa. Deste modo o livro fornece um bom ponto de partida para conhecer Dugin como filósofo político.

“O título A Quarta Teoria Poltica vai contra três dos mais importantes paradigmas (teorias políticas) do século passado, ou seja  Liberalismo, Marxismo (incluindo Comunismo e Socialismo) e Fascismo (incluindo o Nacional-socialismo). Numa luta secular, o liberalismo venceu e derrotou as outras duas (“Fim da História”). A Quarta Teoria (ou melhor, paradigma) propõe-se superá-lo e enterra-o. O objetivo de Dugin não é o de apresentar uma teoria que substitua as outras três, mas sim de assentar as bases  para a criação e o desenvolvimento de uma nova visão. Esta nova teoria não se propõe explicar como funciona o mundo, mas quer mudá-lo; quer inspirar uma cruzada contra o liberalismo ocidental, aquela da segunda guerra mundial contra o nazismo. Em outras palavras, não é tanto uma teoria quanto una doutrina de luta, uma chamada à reconstrução do nosso mundo.”

Fonte: www.thetruthseeker.co.uk Link: http://www.thetruthseeker.co.uk/?p=73879
da traduzione di Cristina Reymondet Fochira para www.comedonchisciotte.org

Embora a Quarta Teoria seja etiquetada de arma anti-liberalismo, é possível ver nela um impulso que possa superar os miseráveis problemas presentes?

Ora, antes de tudo devemos reconhecer aqui as vigorosas «intuições» da alma russa, como foram as de Vladimir Soloviev, que sabia dever dirigir seu olhar, mais que a Ocidente simplesmente, em especial para Roma.

Lemos, pois, o que Israel Shamir descreve de Dugin sob uma certa luz, visto que não se entende o «pensamento ocidental» sem referência, no bem e no mal, à Roma, capital da Cristandade, cuja restauração os bons pensadores e o Olavo, deveriam almejar.

Aqui, porém, o «pensamento ocidental» a restaurar no presente tem por referência no mal, a degenerada mentalidade da Roma conciliar, uma vez capital da Cristandade, mas hoje ocupada pelos que entendem entregá-la ao liberalismo mundialista.

Trata-se justamente daquela «aberração liberal» que nós católicos tentamos enfrentar, volvendo o olhar para os valores eternos da verdadeira Roma, mas também para a Rússia, da qual a Mãe de Deus pronunciou o nome em Fátima.

Ora, visto que os homens e os povos se governam com o pensamento, é preciso saber o que esta falsa romanidade, que se tornou acéfala (veja visão profética da terceira parte do «Segredo» de Fátima, mais clara em 1960 – http://wp.me/pWrdv-aT ) consegue impingir na mentalidade universal para arruinar as defesas do homem espiritual, como Deus o criou.

O que foi senão a falsa liberdade desse desregrado liberalismo introduzido na Religião? Mas Dugin e Olavo de Carvalho não tiveram esta preocupação nesse debate, como se fosse questão alheia à mentalidade decadente que impera na hora presente.

Ora “Dugin é pela liberdade, mas recusa o individualismo”. Conceitualmente, submete os direitos individuais a uma áspera crítica: o liberalismo é a favor de débeis direitos humanos, que são só os direitos de pequenos homens submetidos aos grandes do poder. A liberdade do homem é liberdade para um só homem, diz. Eis que Dugin propõe resolver o problema ontológico profundo da alienação e negação do Ser seguindo Martin Heidegger, para superar a confusão que levou à tecnologia do Nada.

Isto introduzindo o Ser-no-mundo como o mais fantástico ator da história!

Com o “Quarto Paradigma” Dugin quer assim superar o que impede ao homem atingir este ideal mais importante, que “para os liberais é o indivíduo, para os comunistas é a classe social, para os nazistas a raça, para os fascistas o estado”. Para ele o verdadeiro bem seria sempre o Ser-no-mundo. Assim, do fundo escuro da alienação poder-se-ia ascender à luz do Ser.

Como raciocinar catolicamente sobre tal dilema, deixando de lado o existencialismo de Heidegger e as más experiências históricas das ideologias modernas? Naturalmente voltando à verdadeira liberdade humana, que tem por referência a Verdade (que nos torna livres em Jo 8, 32).

Pois bem, a primeira verdade é que o mundo e o homem existem segundo uma Ordem precedente o nosso pensar e querer «Ser-no-mundo». Esse mundo existe como obra de Quem é o único a poder dizer: «Eu sou o que È»; O Ser supremo que criou esse mundo e o ser humano para um fim do Seu Ser. A história humana segue bem ou mal tal Fim. Bem ou mal, porque o homem, com a sua consciência livre, é o protagonista desse drama.

O livro do Apocalipse, encerrando a história humana, contem visões e sinais cifrados para cada tempo. Se foram revelados, é porque servem para fazer entender o que nos parece velado, mas é sujeito de entendimento no curso de eventos reais.

A queda do homem da esfera sobrenatural ao mundo tecnológico, atraído como está pela tentação de usufruir ao seu bel prazer das próprias liberdades, é drama profundo da alma humana, uma realidade de todos os tempos, de fundo religioso.

A questão do «liberalismo» histórico estaria no Apocalipse?

Hoje, para discernir sobre o sentido das presentes quedas «epocais», que determinam o destino humano – de dimensão deveras apocalíptica – há que voltar a uma sábia interpretação de um passo dramático desse Livro. Trata-se de uma notável exegese para os tempos modernos, que indica como causa de horrores morais assoladores do mundo, o abuso da liberdade, o uso fatal do poder de abrir o poço dos abismos de iniqüidade. Tal exegese refere-se às falsas liberdades do nosso tempo apocalíptico; é uma interpretação do passado recente e justamente de quem tinha o poder pontifício das chaves. E o termo «chave» tem um significado muito importante para esclarecer os enigmas da fé católica, que deve guiar as consciências, pois chave está para um sábio «fechar», enquanto o liberalismo está para um irresponsável «abrir».

Trata-se aqui do Papa Gregório XVI na sua Encíclica «Mirari vos» (15.8.1832):

“Removidos os limites que contém no caminho da verdade os homens, que pela sua natureza propensa ao mal são atraídos ao precipício, podemos dizer que em verdade foi aberto o poço do abismo, do qual São João viu sair um tal fumo que obscureceu o sol, saindo dele incontáveis gafanhotos para devastar a terra. ”

É a menção do Apocalipse (9, 1): “E o quinto anjo tocou a trombeta; E vi um astro cair do céu sobre a Terra. E foi‑lhe dada a chave do poço do abismo. E abriu o poço do abismo…

Na encíclica Mirari Vos o Papa Gregório XVI acusa: “O delírio do indiferentismo religioso… pelo qual em qualquer profissão de fé pode a alma conseguir a salvação eterna, conformando‑se ao que é justo e honesto”; “O erro venenosíssimo de que se deva admitir e garantir a cada um a liberdade de opinar, a liberdade de consciência, diante da religião…”

Trata‑se do conceito moderno de liberdade religiosa e direitos humanos sancionado pelo Vaticano 2º e apregoado desde então contra os perigos que os Papas denunciaram: A este ponto o “astro”, estrela caída do Céu é a autoridade que abriu a Cristandade à idéia de direito à liberdade religiosa. Um falso profeta que abriu a Cidade de Deus à demolição do mundo liberal, para que o testemunho cristão de fidelidade e penitência fosse eliminado em favor de uma pastoral baseada na justiça e paz da ONU. Efeito da política inspirada por um iluminismo naturalista e agnóstico, infestante o mundo para induzir a indiferença e o relativismo ecumenista, verdadeiro atentado contra a Fé, para cuja preservação, confirmação e unidade no mundo, Jesus conferiu as chaves a Pedro.

De outro modo muitas versões religiosas, mesmo opostas, seriam divinas e Deus havia iludido os crentes! É a blasfêmia da abertura à variação ecumenista conciliar.

A exegese papal indicava a abissal ruína a que leva o abuso da liberdade em todos os campos, mas o pior seria no campo da religião, fato denunciado continuamente pelo Magistério da Igreja. No entanto, hoje, o que este condenava, foi justificado pela “liberdade religiosa” justamente no sentido contrário ao Magistério, e no nome desse poder pontifical das chaves para frear o mal; do verdadeiro Pontífice, cujo poder das chaves foi instituído para  conter “no caminho da verdade os homens” – mas foi usado para abrir e tirar as barreiras que continham as falsas liberdades para o mal.

Desse modo o texto sagrado indica quem abre tal abismo usando a chave; não certo os inimigos desprovidos dessa autoridade, que sempre estavam prontos para fazê-lo, mas nunca tiveram a suprema chave espiritual do poço para abri-lo.

Quem abre o depósito que preserva as verdades necessárias para a ordem da vida humana na terra para os que vão abusar da liberdade para negá-las e destruí-las, é alguém que caiu da esfera espiritual e obtêm, quem sabe como, a chave desse abismo em que os erros, enganos e iniqüidades estava selado pela verdade de Cristo: quem poderia abrir esse fatal arsenal contra a verdade e a moral se não alguém em nome de Cristo? Diz Gregório XVI: «Desta corruptíssima fonte de indiferentismo vem a absurda e errônea sentença, em verdade delírio, que se deve admitir e garantir para todos uma liberdade de consciência (em foro externo). Tratar-se-ia de uma liberdade feita lei… e aí temos o «liberalismo global» para dano da Igreja e do Estado.

Daí ser evidente que removidos os selos que contém as bombas contra a verdade, os homens propensos ao mal, depois de aberto o poço do abismo, este se propaga como gafanhotos incontáveis para devastar a terra. (cf. Apocalipse).

O que poderia ser mais mortal para a alma que a liberdade do erro?

Atenção, aqui o Papa não aludia a visões própria a filmes de terror, mas tratava de uma questão doutrinal de máxima gravidade e atualidade para a vida humana, pessoal e social, embora representada simbolicamente. Trata-se da questão do abuso da liberdade que na sociedade moderna tornou-se pavorosamente real porque apareceram desde então ideologias letais em nome da mesma liberdade de consciência de alguns para decidir sobre a vida de todos, como se viu. De fato, a partir de certa data, o uso da liberdade ao invés de ser contido sob a justiça e as chaves da lei dos princípios cristãos, sempre confirmados pela Sede de Pedro, foi de repente liberado e assumiu um uso invertido que protege mais o direito de liberdade do criminoso, dos rebeldes, dos transgressores, que do dever da polícia, dos professores e dos governantes de manter a ordem; havia sido operada uma abertura à liberdade humana de transgredir às custas de toda a ordem e moralidade das sociedades. Mas como estas dependem de uma ordem superior, religiosa, compreende-se o símbolo de São João e do Papa invocando a profecia apocalíptica para tempos finais.

Aqui é indicado o desencadeamento de toda libertinagem terrena, cuja conseqüência fatal para a alma humana é a liberdade de conculcar a mesma verdade sobre o culto devido ao Criador para adorar a obra da criatura (cf. Rm 1, 25); o culto do homem! Não mais guiar a vida pessoal e social com princípios imutáveis, mas com a política, o oportunismo ou a vertigem da hora, escolhido pelo livre exame como própria verdade!

Eis o que aconteceu depois do Vaticano 2º: o que era condenado pelos Papas como desvio fatal, é justificado por uma “liberdade religiosa” de perdição, justamente no sentido contrário ao Magistério, mas em nome do poder pontifício das chaves, que exalta a «dignidade humana» até de danar e perder-se! O poder instituído por Jesus Cristo para conterno caminho da verdade os homens, que pela sua natureza propensa ao mal são atraídos ao precipício – é agora usado para abrir a toda falsa liberdade; ao liberalismo que cedo ou tarde leva o mundo inteiro ao abismo!

Nisto então encontramos uma pobre convergência destes autores, pela simples razão que não volveram o olhar para a Roma católica que se tornou Babilônia (I Pd 5, 10)

O que pode ser mais mortal para a alma que a liberdade do erro?

O Papa trata aqui de uma questão doutrinal de extrema gravidade e atualidade, mesmo se representada simbolicamente. A questão do abuso da liberdade desde então assumiu uma dimensão crucial para a Igreja e para o mundo, mas depois de uma certa data, ao invés de haver na Sede de Pedro, quem mantivesse a chave da Autoridade sob controle, quem ocupou essa Sede, usou-a para abrir à máxima liberdade, que é aquela diante de Deus, a «liberdade religiosa». Portando deve-se concluir que o «obstáculo ao erro», descrito por São Paulo na 2ª carta aos Tessalonicenses, foi de fato «tirado do meio» (II Ts 2, 7). É também o que mostra a visão da terceira parte do Segredo de Fátima. Em seguida à morte do Papa católico, houve a elevação a esta Sede do iníquo: o astro, isto é o bispo caído do Céu na terra. Um liberal modernista e mação. Foi o máximo mal para todas as gentes da terra, desde Roma à América, da Rússia à China, etc.!

Conclusão: liberalismo da consciência ou consciência da verdadeira liberdade?

Esta seria a pergunta a fazer a estes dois estudiosos da política, porque Olavo acaba por defender a liberdade americana, que é no mundo o liberalismo que não só Dugin, mas a verdadeira Tradição condena. Isto se pode compreender mais a fundo nos termos  da importante encíclica papal, aqui citada E diga-se de passagem, ocasião única em que um papa se refere ao Apocalipse para descrever as tendências mundiais.

Ora a ordem e o bem da sociedade humana dependem do grau de justiça em que se formam as consciências dos homens e portanto da Verdade que nos revela o fim da mesma vida humana e nos dá os meios para alcançar a salvação no Ser Eterno.

Isto não é assunto restrito à Religião, mas relativo a toda discussão sobre o governo das sociedades humanas, como foi esta que referimos, mas na qual esteve ausente.

Sim, porque o principal de toda política é garantir a formação desta consciência para o justo uso da sua liberdade para o bem e a ordem, porque “a ordem consiste na superioridade hierárquica da Fé sobre a razão, da Graça sobre o livre arbítrio, da Providência divina sobre a liberdade humana, da Igreja sobre o Estado; e, para dizer tudo de uma vez, na supremacia de Deus sobre o homem. Da restauração destes eternos princípios no âmbito religioso e na ordem política e social depende a salvação das sociedades humanas. Tais princípios não podem ser reativados senão por que os conhece, e ninguém os conhece senão a Igreja católica”. (Juan Donoso Cortés)

Parece que evocamos aqui algo de abstrato, nebuloso ou superado? Este è o grande erro presente que não foi abordado nessa discussão; os princípios relativos ao bem e ao fim da vida humana são perenes e não mudam com as épocas e as modas. Isto è o que pensam os miseráveis modernistas, que reduziram a Religião a um antro ecumenista.

Já dizia o Papa San Pio X (Notre Charge Apostolique, nº 40): “Não se edificará a sociedade diversamente do modo com que Deus a edificou; não se edificará a sociedade se a Igreja não puser as suas bases e não dirigir os seus trabalhos; não é preciso inventar a civilização, nem é preciso pôr a nova sociedade nas nuvens. Esta existiu e existe; é a civilização cristã, é a sociedade católica. Trata-se só de instaurá-la, restabelecê-la incessantemente sobre as suas bases naturais e divinas contra os ataques da malsã utopia e da impiedade rebelde.

Nenhum programa sócio-políico pode ter um mínimo sucesso durável se não pôe em primeiro lugas o restabelecimento da verdadeira Fé e da sua liberdade dirigida à formação das consciências na «liberdade humana» como foi criada por Deus para todos, que é o contrário da «liberdade de consciência», da qual alguns ideólogos se servem para impor a sua «liberdade» de decretar qual seja o novo bem comum: que seria aquele da ideologia por eles elucubrada! Nesta discussão me pareceu que era contra essa «liberdade individual» que Dugin atacava. Mas não ficou claro.

Em todo o caso ficou claro que enquanto o atual liberalismo ideológico, materialista, mondialista e financeiro prevalecer, continuarão a dominar «regimes» liberais, mas assassinos, que podem livremente programar até o que seja o novo «bem» da submissão de povos inteiros em nome da «liberdade». É o futuro com o governo do Anticristo dominante por causa da grande apostasia. Logo, a única solução è de um retorno das consciências à única verdade do Supremo Ser criador do mundo para o fim do Seu Bem.

A posição de Dugin demonstrou-se mais preocupada com a geral decadência espiritual, que a do grande pensador católico brasileiro, Olavo de Carvalho, que se demonstrou pragmática e americanista.

O fato é que não devemos temer falar do avanço do devastador reino do Anticristo nas ondas do liberalismo. E Dugin teve a hombridade de fazê-lo nesta conclusão contra-corrente que segue em inglês.

Against Post-Modern World

Spiritually the globalization is the creation of the Grand Parody, the kingdom of the Antichrist. And the United States is in centre of its expansion. The American values pretend to be “universal” ones. That it is new form of ideological aggression against the multiplicity of the cultures and the traditions still existing in the other parts of the world. I am resolutely against the Western values that are essential Modernist and Post-Modernist ones and promulgated by the United States by force or by the obtrusion (Afghanistan, Iraq, now Libya, tomorrow Syria and Iran) .

So, all traditionalists should be against this West and the globalization as well as against the imperialist politics of United States. It is the only logical and consequent position.

So the traditionalists and the partisans of the traditional principles and values should oppose the West and defend the Rest (if the Rest shows the signs of the conservation of the Tradition – partly or entirely).

There can be and there are really men in the West and in the United States of America who don’t agree with the present state of things and don’t approve the Modernity and Post-Modernity being the defenders of the spiritual tradition of the Pre-Modern West. They should be with us in our common struggle. They should take part in our revolt against Modern World and Post-Modern world. And we would fight together against a common enemy. Unfortunately that is not the case of Mr. Carvalho. He shows himself partly critical of the modern Western civilization, but partly agrees with it and attacks its enemies. It is a kind of “semi-conformism” so to say.

 

Links de artigos correlatos:

Duelo a lembrar: Orlando Fedeli X Olavo de Carvalho (http://wp.me/pWrdv-ec)

Duelo a relembrar: Orlando Fedeli X Olavo de Carvalho  – O que faltou dizer sobre a Sede vacante (http://wp.me/pWrdv-LC)

PODEM OLAVO DE CARVALHO E P. PAULO RICARDO IGNORAR A SUMA REVOLUÇÃO? (http://wp.me/pWrdv-WU)

O «MISSING LINK» DO NOTÁVEL DEBATE OLAVO x DUGIN   (http://wp.me/pWrdv-11g)

«MAD GLOBALIST PRIDE» NO DEBATE OLAVO XDUGIN ? (http://wp.me/pWrdv-17d)  

7 Respostas para “O NÓ DO DEBATE ENTRE OLAVO DE CARVALHO E ALEXANDER DUGIN

  1. Pro Roma Mariana julho 19, 2013 às 11:07 am

    —– Original Message —–
    From: Alberto Carlos Rosa Ferreira Das Neves Cabral Neves Cabral
    To: arai.daniele@gmail.com
    Sent: Friday, July 19, 2013 11:43 AM

    Felicitações pelo seu artigo sobre Dugin. Quem sabe se a Rússia,ou parte dela, ainda regressará a Nosso Senhor Jesus Cristo. Nossa Senhora de Fátima garantiu que sim. Mas ignoramos o como e o quando.
    Saudações em Jesus e Maria.
    Alberto Neves Cabral

    Respondo ser de conforto para mim que uma pessoa de seu valor concorde com a direção que dou a estes artigos.
    Penso que seguir o que nos foi dado em Fátima seja justo e sábio:
    O mundo precisa de um grande milagre na ordem «política»; do Reino de Jesus e de Maria!
    Saudações nos Seus Sagrados Corações.
    Arai Daniele

  2. Lucy V. Dorsey agosto 4, 2013 às 12:49 pm

    Durante a construção, Hallet trabalhou sob a supervisão de James Hoban, que também estava ocupado trabalhando na construção da Casa Branca . Apesar dos desejos de Jefferson e do presidente, Hallet modificou o projeto original de Thornton referente à fachada oriental e criou um pátio central que se estende a partir do centro, acompanhando as alas que abrigariam os dois órgãos legislativos. Hallet foi demitido por Jefferson em 15 de novembro de 1794 . George Hadfield foi contratado em 15 de outubro de 1795 como superintendente da construção, mas solicitou demissão três anos depois, em maio 1798 , devido à insatisfação com o projeto de Thornton e com a qualidade do trabalho realizado até então.

  3. Felicia Pacheco agosto 4, 2013 às 5:19 pm

    A liberdade é o conjunto de direitos reconhecidos ao indivíduo, considerado isoladamente ou em grupo, em face da autoridade política e perante o Estado; poder que tem o cidadão de exercer a sua vontade dentro dos limites que lhe faculta a lei.

  4. Orlando X. Payne agosto 8, 2013 às 4:21 am

    Em 1953, já no fim de sua vida, Ortega y Gasset escreveu sobre o Estado:“Em la evolución del Estado, la legislación se ha hecho cada vez más fecunda, y en los últimos tiempos se ha convertido en una ametralladora que dispara leyes sin cesar. Esto trae consigo que el individuo no pueda proyectar su vida, y como la función más sustantiva del individuo es precisamente eso: proyectar su propria vida, la legislación incontinente le desencaja de sí mismo, le impede de ser”.Esta é outra bela maneira – profunda – de dizer que há uma contradição abissal entre o anelo pela liberdade do homem e a forma como o Estado está constituído nos tempos atuais. Ortega completa afirmando o caráter surdo e inexorável das leis. Quero aqui meditar sobre essa constatação do filósofo. Ele acrescenta: “Por su propria forma la ley es inexorabelmente inhumana y anti-natural – buen ejemplo de cómo todo lo social es humanidad deshumanizada, mineralizada”.Antes, convém lembrar para que o Estado foi criado. Na origem o Estado resultou da visão de homens excepcionais que, diante do perigo, organizaram o Estado para defender a comunidade. Portanto, é o Estado um instrumento da luta dos homens contra os perigos externos à comunidade, sejam estes naturais, sejam (o que é mais freqüente), os perigos oriundos de populações humanas inimigas.

  5. fundacao.promariana@gmail.com setembro 30, 2013 às 3:58 pm

    De fato há uma engenharia social, ou melhor anti-social, que opera através de uma façsa legislação feita de decretos, portarias, regulamentos que nem sempre se sabe de onde provêm. Hoje é mais claro para algumas matérias vitais. Como por exemplo o aborto, que é planeado pela mesma ONU e seus programas implementados por governos tipo este do PT no Brasil: engenharia anti-social de alta virulência. Mas só um justo governo num justo estado poderia impedí-lo. Onde está? e quando será possível?
    Não sou especializado no verbo do Olavo, mas já o ouvi falar dessa agressão anônima em aparência, feita por esse sistema de «portarias». Ele vê por onde se infiltra o mal. Mas ao mesmo tempo me parece que fala da impossibilidade do Estado cristâo – a Cristandade de outrora? Se a referência é à dificuldade, tudo bem, com esses anticristos no Vaticano é praticamente impossível sua volta. Mas no campo ideal essa é justamente a questão chave. Parece-me que Putin-Dugin já o estão entendendo. Salve Nossa Senhora de Fátima!

    • Pro Roma Mariana novembro 11, 2013 às 9:07 pm

      Muito se divagou sobre a importãncia desse debate, mas aqui o pensamento do bem para o nosso tempo focaliza Fátima. Ora, o Olavo de Carvalho não faz segredo de crer que para a ordem no mundo falta satisfazer à pedida consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Não só, mas que vê uma falha grave dessa assim chamada Igreja conciliar ao aspirar uma «nova ordem globalizante», como apontou na encíclica de Bento 16, «Caritas in Veritate» (Um globalismo cristianizado? Diário do Comércio, 10 de julho de 2009). O escrito deixa claro o seguinte:
      “Em qualquer texto doutrinário que vise a influenciar de algum modo a vida política, é preciso distinguir três níveis: (1) os princípios morais e políticos gerais proclamados ou implícitos; (2) a análise da situação concreta, e (3) as ações sugeridas ou apoiadas. No primeiro nível, a Encíclica Caritas in Veritate proclama a necessidade de fundar toda política social na caridade, e está na verdade: “Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é a luz que dá sentido e valor à caridade.” No segundo nível, oferece um diagnóstico totalmente falso das causas da presente crise econômica. No terceiro, sugere como remédio aos males da economia atual a intensificação e ampliação das mesmas causas que os determinaram. Por mais que eu respeite a pessoa do Papa e a santidade do seu ofício, não posso ver aí verdade nenhuma, nem portanto caridade, exceto se por esta palavra entendermos as boas intenções ineficazes que a própria Encíclica condena.”
      Concluindo diz: “Se, em aparente compensação, Bento XVI exorta os planificadores globais a orientar suas ações num sentido cristão, ele não fornece nem a mais mínima sugestão prática de como realizar essa cristianização do globalismo. A proclamação dos valores cristãos paira no céu das generalidades abstratas, enquanto, no plano da ação prática, só o que se sugere é a ampliação dos controles globais. Sem conexão com as medidas efetivas sugeridas, o apelo à verdade e à caridade funciona, nesse documento, tão-somente como um adorno retórico, embelezando um programa político que não tem com ele a menor conexão lógica e que oferece, como solução do mal, a ampliação das causas que o geraram. Os líderes do G-8 estão livres para brandir a Encíclica Caritas in Veritate como um poderoso argumento em favor de políticas que já haviam escolhido de antemão.
      “Para piorar formidavelmente as coisas, é público e notório que o poder globalista em expansão, longe de se inspirar no que quer que seja de genuinamente cristão, tem como um de seus objetivos professos – intimamente associado às suas políticas econômicas – a implantação de uma religião universal biônica, na qual a Igreja Católica, expurgada de seus elementos tradicionalistas, se integre como um instrumento dócil da maior farsa espiritual já tentada no universo (v. documentação cabal em Lee Penn, False Dawn. The United Religions Initiative [URI], Globalism and the Quest for a One-World Religion, Hillsdale, NY, Sophia Perennis, 2004). Ao longo do texto, Bento XVI esperneia, aqui e ali, contra o relativismo e a descristianização, como se estes males viessem do ar e não do mesmo establishment globalista
      “O dilema em que esse documento coloca os católicos é temível: deverão eles, por obediência ao Papa, colaborar com o fortalecimento do mesmo poder global que os estrangula e vai tornando inviável o exercício público da sua fé, ou, ao contrário, devem voltar-se contra o Sumo Pontífice, aprofundar ainda mais a divisão na Igreja e dar munição à campanha mundial anticatólica? Qualquer das duas alternativas é inaceitável.”
      Devo então voltar a falar desta U.R.I., que também pode ser vista como: Movimento de animação espiritual para a democracia universal» MASDU, para demonstrar como isto tudo não é alheio à «nova consciência conciliar» do Vaticano 2º e seus «papas», como está no nosso livro «Segredo de Fátima ou Perfídia em Roma?» no qual a questão da URI está em anexo (veja http://wp.me/pWrdv-11g).

      • Leonardo novembro 17, 2016 às 5:59 pm

        Globalismo ou não? Há possibilidade de um globalismo cristão? Bento XVI foi um papa globalista (Caritas in Vertitate)?

        Tantas divagações…

        Imaginemo-nos ao lado de Abraão que conduz seu filho no caminho ao monte do sacrifício ordenado por Deus. Haveria dois estados de coração possíveis nessa ocasião: ou creio firmemente que Deus conduz todas as coisas ao seu desígnio com Sabedoria, e não me abalo pelo aparente “erro” do caminho ao qual Ele me chamou a seguir, ou meu coração se preocupa, ataca Abraão que ouve “irrefletidamente” Sua voz, que não “enxerga” como errados são os seus passos e o destino para o qual caminha…

        Com o segundo coração vejo nossos irmãos diante da Igreja no mundo de hoje. Não têm fé o suficiente para aguentar o passo mantido da Santa Igreja nessa peregrinação terrestre. Passos do Concílio, da orientação papal, que insistem em desqualificar e apontar o “erro” do caminho!

        Fé, amados!

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