Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A QUESTÃO DO ABORTO – A MAIOR HIPOCRISIA HUMANA

Feto rosado

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Santo Padre Pio XII, na sua encíclica “Fulgens Corona”, de 8 de Setembro de 1953:

«23- Isso nos ensina e exorta a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria, Nossa Senhora, nossa dulcíssima Mãe, que nos ama com verdadeiro amor, sem dúvida mais do que todas as mães terrenas. Como sabeis, veneráveis irmãos, os homens de hoje têm grande necessidade dessas exortações e convites para que voltem para Nosso Senhor Jesus Cristo, e se conformem diligente e eficazmente com o Seu Magistério, quando tantos tentam desarraigar da sua alma a Fé Cristã, ora astuciosamente e com insídias ocultas, ora com uma propaganda e exaltação clara e obstinada dos seus erros, propalados com tanta ostentação como se constituíssem glória do progresso e do esplendor deste século. Mas rejeitada a nossa Santa Religião e negadas as determinações Divinas que sancionam o Bem e o mal, é sumamente evidente que para quase nada servem as Leis, e como que fica reduzida ao mínimo a autoridade pública; por via de consequência, os homens, perdidas a esperança e a certeza dos Bens Eternos, com essas enganadoras doutrinas, procuram imoderadamente, por sua própria natureza, os bens terrenos, cobiçam àvidamente os do próximo, e quando a ocasião e a possibilidade se lhes proporcionar, apoderar-se-ão deles, mesmo pela força. Daqui nascem os ódios, as invejas, as rivalidades, bem como as discórdias entre os cidadãos; daqui nasce a perturbação da vida pública e privada, e gradualmente se arruínam os fundamentos do Estado, que difìcilmente poderão ser mantidos e reforçados pela autoridade das leis civis e dos governantes; daqui deriva finalmente a depravação dos costumes, pelos espectácuos licenciosos, pelos livros, jornais, e crimes sem conta.

24- Reconhecemos que nesse campo a autoridade não pode fazer muito; na verdade, a sanação de todos esses males só pode encontrar-se numa fonte mais elevada; é necessário recorrer a uma força mais forte que a humana, para que esclareça os ânimos com a Luz Celeste, os penetre e renove com a Graça Divina, e os nobilite com o Seu auxílio.»

Uma das mais tristes e graves consequências do pecado original consiste na hipocrisia. Nosso Senhor Jesus Cristo insistiu particularmente no carácter hediondo deste pecado, julgando-o, inclusivamente, pior que os pecados da carne (Mt 21,31).

A Hipocrisia constitui como que um cimento agregador, uma cumplicidade na mediocridade, em todas as sociedades e em todas as épocas.

A doutrina Católica, como doutrina de Verdade, é essencialmente, constitucionalmente, anti-hipócrita; o que infelizmente não impediu que, ao longo dos séculos, muito clero e muitos fiéis sucumbissem a este pecado.

A hipocrisia, como mentira em acto, atenta directamente contra a racionalidade da humana natureza, violando assim torpemente a Santidade da Lei Eterna.

A questão do aborto constitui um dos temas mais hipócritas e repulsivos do pecado da humanidade. Atravessa todas as classes sociais; mas na civilização ocidental propende a ser mais ignóbil, mais insolente, e sobretudo mais TOTALMENTE IMPUNE nas classes chamadas superiores.

Produzem-se por vezes asserções, no mínimo ingénuas, tais como: Os regimes laicos do século XIX e princípios do século XX não legalizaram o aborto, por isso não eram tão depravados como os actuais. Pura Falácia. Tais regimes laicos e utilitaristas não iriam legalizar o aborto numa época em que o próprio parto comportava um risco. Não foi a intensificação da malícia humana que provocou a legalização do aborto, mas sim o progresso médico-cirúrgico, a par da complexificação técnica das funções do Estado.

Um agnóstico ou um ateu, um protestante, um modernista, ou simplesmente um indivíduo filosófica e religiosamente indiferente (1), só pode ser a favor da legalização do aborto, mesmo SINCERAMENTE e sem nenhuma hipocrisia. Efectivamente, UMA VEZ DESTRUÍDO O PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DA FÉ CATÓLICA, OS DIREITOS E O BEM ESTAR DOS SERES HUMANOS CONCRETAMENTE EXISTENTES SURGIRÃO MAIS IMPORTANTES DO QUE AQUILO QUE NÃO PODERÁ DEIXAR DE SER CONSIDERADO UM DIREITO HIPOTÉTICO DE SERES HUMANOS EM PROJECTO.

Mas a grande maioria dos indivíduos não são verdadeiramente, nem católicos, nem modernistas, nem indiferentes, nem ateus, nem agnósticos – NÃO SÃO NADA. Esses, na questão do aborto, como em muitas outras, regem-se por automatismos psíquicos determinados pela representação momentaneamente mais forte; o que não constitui, de maneira nenhuma, esses indivíduos como inimputáveis – qualifica-os sim como imprevisíveis e criminosos de delito comum.

Uma vez destruído o princípio fundamental da Fé Católica, qualquer outra argumentação que se pretenda utilizar para combater o aborto (legal ou clandestino) derreterá no embate com a vida, tal como um monte de gelo aos raios ardentes do Sol.

Devemos ser frontalmente contra o aborto, seja legal, seja clandestino. CONSTITUI UMA MONSTRUOSA HIPOCRISIA PRETENDER APENAS QUE O ABORTO NÃO POSSUA COBERTURA LEGAL, E NÃO VER PROBLEMA ALGUM NO ABORTO CLANDESTINO.

Em Portugal, há cinquenta anos, havia o dobro dos abortos que há hoje; eram todos clandestinos e hoje são quase todos legais. Todavia não foi a legalização que diminuiu o número dos abortos, mas sim a muito maior sofisticação e disseminação dos meios contraceptivos (também pecaminosos, convém não esquecer).

Não olvidemos que as campanhas de legalização do aborto dos últimos 60 anos se destinaram, fundamentalmente, a introduzir esse tipo de “operações” no Serviço Nacional de Saúde, pago integralmente pelo Estado.

Os Estados laicos, tendencialmente, nunca acalentaram qualquer verdadeira medida para combater o aborto clandestino. É fácil compreender porquê: As classes dirigentes, os legisladores, os magistrados, nunca nutriram o menor respeito por qualquer disposição ilegalizando o aborto, PORQUE VIVERAM SEMPRE, NESTE ASPECTO, EM TOTAL IMPUNIDADE; JÁ QUE O PODER ECONÓMICO E A POSIÇÃO SOCIAL CONSTITUÍAM, PARA ELES, A LEI.

Em França, por exemplo, a lei repressiva do aborto e da contracepção de 1920 foi concebida ÙNICAMENTE POR MOTIVOS DEMOGRÁFICOS, visto que a nação francesa perdera na Primeira Guerra Mundial 1300000 (um milhão e trezentos mil) homens, dez por cento da sua população masculina válida (2). Que eficácia pode possuir uma disposição assim? Perante os problemas que a vida coloca aos casais, quem irá pensar em termos demográficos?

Em 1942, o regime do Marechal Pétain agravou extraordinàriamente as penas para os que se dedicassem à actividade abortista, incluindo a pena de morte, a qual foi concretizada duas vezes; todavia era em nome da vitalidade demográfica da raça, e de modo algum em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo ofendido, que essas graves penas eram aplicadas. Ora numa nação quase completamente descristianizada (declarada País de Missão em 1945), com uma classe política ateia, pese embora certas aparências cristãs do Regime de Vichy, é evidente que tais legislações não possuem, à Luz da Sacrossanta Fé Católica, nem causa exemplar, nem causa eficiente, nem causa final. Evitar o depauperamento demográfico é um óptimo objectivo, MAS NUM ENQUADRAMENTO FORMALMENTE CATÓLICO, sem este, tudo é vazio, tudo é inútil, TUDO É HIPÓCRITA.

Anàlogamente, a falsa Igreja Conciliar, a ex-Igreja Católica, aparentando combater o aborto, na realidade, premeditadamente, incentiva-o extraordinàriamente, como? Tendo subliminalmente operado a transição da Doutrina Católica de um registo real e objectivo para um registo poético ornamental, a ex-Igreja Católica provocou deliberadamente um vazio tremendo, descomunal, entre um alto ideal MATERIALMENTE PROPOSTO, e a sonegação efectiva, PREMEDITADA, dos meios SOBRENATURAIS necessários ao cumprimento desse ideal; procurar-se-á ulteriormente preencher esse vazio na precipitação, cada vez mais desordenada, sobre as realidades materiais:  droga, luxo, sexo e aborto, pois que a procriação surgirá, evidentemente, como uma maldição.

Em síntese: Sòmente o amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas e amor ao próximo por amor de Deus; sòmente uma união perfeitamente acrisolada, profunda, habitual, com Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Santíssima Mãe; sòmente uma elevada docilidade aos Dons do Espírito Santo, eles próprios nobilitadores das virtudes Cardeais e das virtudes Teologais; sòmente tudo isso nos poderá facultar plena serenidade, varonil fortaleza, coragem determinada, perante as amargas vicissitudes da vida que a Providência colocar no nosso caminho – tudo o mais é engano vil e hedionda hipocrisia.

NOTAS: 1- Indiferença aqui significa que o indivíduo recusa colocar perante si mesmo a problemática das realidades religiosas e filosóficas.

2- A hecatombe sofrida pela França na Primeira Guerra Mundial só pode ser interpretada como o justo castigo pelos crimes contra Deus cometidos por esta nação nos três séculos precedentes.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 28 de Julho de 2013

2 Respostas para “A QUESTÃO DO ABORTO – A MAIOR HIPOCRISIA HUMANA

  1. Erik Gibson julho 31, 2013 às 11:05 pm

    Quem é a luz do mundo? em Jo 8,12 encontramos a resposta dada por Jesus Cristo: “Falou-lhes outra vez Jesus: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue, não andará em trevas, mas terá a luz da vida.” No entanto, em Mt 5,13, o próprio Jesus Cristo, Nosso Senhor, diz a seus discípulos: “Vós sois a luz do mundo”, ou seja, segundo as Sagradas Escrituras, Jesus Cristo e seus discípulos são a luz do mundo. Será isso uma contradição?

  2. Gold Price agosto 16, 2013 às 2:17 pm

    Tiago 3:13-17 (Phi) Há alguém sábio e com entendimento entre vocês? Então deixem que sua vida seja um exemplo brilhante da humildade que é nascida da sabedoria verdadeira. Mas se seu coração for cheio de ciúme amargo e rivalidade, então não se gabe e não negue a verdade. Você pode adquirir uma certa sabedoria, mas não vem de cima – vem deste mundo, de sua própria natureza mais baixa, até mesmo do diabo. Pois onde quer que você encontre ciúmes e rivalidades, você encontrará desarmonia e todos os tipos de mal. A sabedoria que vem do alto é em primeiro lugar, pura, amante da paz, gentil, fácil de se aproximar, cheia de pensamentos misericordiosos e ações amáveis, direta, sem nenhum traço de hipocrisia.

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