Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

INFLUÊNCIA ONTOLÓGICA DA VONTADE SOBRE A INTELIGÊNCIA

SERPENTE

A tentação de Adão e Eva pela serpente diabólica e a expulsão deles do Paraiso, representadas na Capela Sixtina

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos São Pio X, na sua encíclica “Pascendi Dominici Gregis” de 8 de Setembro de 1907:

SEGUNDA PARTE

Para mais a fundo conhecermos o modernismo, e o mais apropriado remédio acharmos para tão grande mal, cumpre agora, veneráveis irmãos, indagar algum tanto das causas donde se originou e porque se tem desenvolvido.

– Não há que duvidar QUE A CAUSA PRÓXIMA E IMEDIATA DO MODERNISMO É A ABERRAÇÃO DO ENTENDIMENTO. As causas remotas reconhecêmo-las duas: O AMOR DE NOVIDADES E O ORGULHO.

O amor de novidades basta por si só para explicar toda a sorte de erros. Por esta razão, o nosso sábio predecessor Gregório XVI com toda a verdade escreveu (encíclica “Singulari Nos” de 7 de Julho de 1834): [Muito lamentável é ver até onde se atiram os delírios da razão humana, quando o homem corre atrás das novidades, e contra as admoestações de São Paulo, se empenha em saber mais do que convém, e confiando demais em si, pensa que deve procurar a verdade fora da Santa Igreja Católica, onde ela se encontra sem a menor sombra de erro.]

Contudo, o orgulho possui muito maior força para arrastar ao erro os entendimentos; e é o orgulho que residindo na doutrina modernista como em sua própria casa, aí acha à larga do que se cevar, e com que ostentar as suas manifestações. Efectivamente o orgulho fá-los pensar tanto em si, que se julgam e se dão a  si mesmos como regra aos outros. Por orgulho loucamente se gloriam de serem os únicos que possuem o saber, e dizem desvanecidos e inchados: Nós cá não somos como os outros homens; e de facto, para não o serem, abraçam e devaneiam toda a sorte de novidades, até das mais absurdas. Por orgulho, repelem toda a sujeição, e afirmam que a autoridade deve aliar-se com a liberdade.»

Um dos sintomas mais monstruosamente aberrantes da chamada “filosofia moderna” consiste na negação do livre-arbítrio. Todas as concepções que pretendam negar as próprias bases do senso comum da vida humana, ou padecem de grave atraso mental, ou estão de má fé, em qualquer caso não constituem filosofia, em absoluto.

Desde a desagregação das grandes sínteses Tomistas Medievais, a História da Filosofia mais não constitui do que uma longa e profunda decadência, que nos três últimos séculos atingiu os limites da patologia.

Não é que se devam considerar “Loucos” aqueles que, coerentemente, fundamentados num sistema com um mínimo de objectividade, afrontam a Fé Católica nos planos teológico e filosófico. Não. Mas não é menos verdade que a destruição do princípio fundamental da Fé Católica degenera necessàriamente num relativismo que facilita aos espíritos menos fortes a sua precipitação na boçalidade do delito comum, A QUAL AFECTA DIRECTAMENTE A INTELIGÊNCIA – CORROMPENDO-A.

Efectivamente, a inteligência e a vontade constituem duas faculdades ou potências operativas; estas procedem à vinculação entre a essência da alma e os actos, puramente acidentais, de inteligência e de vontade.

Pelo simples facto de SER a alma racional, forma substancial do corpo, simultâneamente inteligível e inteligente, encontra-se transcendentalmente ordenada para a Verdade; numa primeira fase, a Verdade inteligível, imanente na realidade dos entes sensíveis (Objecto proporcionado); ulteriormente, em sentido lógico, a Verdade do Ser, enquanto Ser (Objecto perfeitamente adequado). Exactamente porque é SER, a alma racional possui em si, de FORMA ONTOLÒGICAMENTE INFALÍVEL, os primeiros princípios da razão, e da própria inteligibilidade do SER: Princípio da identidade e não contradição, princípio da analogia metafísica do SER, e princípio da razão suficiente. Todavia essa infalibilidade ontognoseológica torna-se falibilidade no exercício actual e fenoménico da inteligência.

Adão e Eva, no estado de inocência, não podiam errar intelectualmente naquela ordem de realidades que lhes era própria; e eles mesmos não podiam, sem pecar, ultrapassar essa ordem. Podiam IGNORAR, mas não errar; além de possuírem a sua inteligência natural ainda incólume, gozavam ainda da ciência infusa ordenada à sua função de Chefes da estirpe humana, bem como dos Dons Preternaturais da Impassibilidade e Imortalidade; além disso habitavam num mundo COSMOLÒGICAMENTE AINDA NÃO FERIDO PELO PECADO ORIGINAL E PELOS PECADOS ACTUAIS. Todavia, depois do pecado de Adão e Eva tudo entrou em decadência:

Perdidos os Dons Sobrenaturais e Preternaturais, a vida do espírito tornou-se-lhes pesada, opaca; os primeiros princípios da razão, permanecendo intactos enquanto tais, perderam a sua ilustração ao incorporarem-se ao fluxo fenoménico das vicissitudes da vida; por seu lado o mundo, também sofrendo as consequências do pecado original, perdeu a sua Luz, e entrou em desconcerto, por exemplo: os animais que até aí comiam erva, vivendo pacificamente em comum, passaram a alimentar-se uns dos outros; os profetas sempre consideraram a comunhão de vida animal como um dos grandes sinais da paz Messiânica (Is 11, 6-9).

O mesmo sucedeu com a vontade: Para Adão e Eva a virtude era luminosa e fácil, espontânea. Na realidade os nossos primeiros pais, para pecarem, tiveram de exercer tanto esforço, como nós para não pecarmos (pelo menos os principiantes na virtude).

Os atributos transcendentais do SER não são apenas a Unidade e a Verdade, é igualmente a Bondade, à qual a vontade está ordenada. A alma racional, pelo simples facto de SER, ordena-se transcendentalmente, não sòmente à Verdade, mas, como já se afirmou, ao Bem; e assim como possui os primeiros princípios da razão, também possui, ontològicamente, infalìvelmente, os primeiros princípios operativos do AGIR: Pratica o bem, foge do mal.

No estado de inocência, esses princípios incorporavam-se harmònicamente nas vicissitudes do humano agir; Adão e Eva tal como não podiam errar, também não podiam pecar; a menos que violentassem, como violentaram, o redil Preternatural e Sobrenatural onde se encontravam.

Perdida a inocência original, a tendência ontológica para o Bem, redundou em tendência ontológica para o mal. O pecado original arrasta como consequência uma grande dificuldade (mas nunca uma impossibilidade) na prática do Bem.

No Anjo, a inteligência é instantânea e intuitiva no resplendor das espécies inteligíveis da sua constituição natural; nesta ordem não pode errar, nem pecar. Ao serem elevados à Ordem Sobrenatural, e submetidos a uma prova, muitos Anjos pecaram; todavia a sua constituição ontológica, perfeitíssima, impedia-os, eternamente, de qualquer tipo de penitência:TAL COMO PECARAM, ASSIM ETERNAMENTE FICARAM.

Contemplamos desta forma que existe uma unidade de ser muito profunda entre inteligência e vontade; quando esta última peca contra a ordem natural e (ou) sobrenatural, a repercussão na inteligência é imediata.

Quando a consciência do homem peca directamente contra a sua própria sinceridade interior, contra qualquer tipo de Ordem objectiva, nem mesmo materialmente pode participar da Lei Eterna, tal homem deve ser considerado um mero criminoso de delito comum (ainda que não pratique nenhum crime externo), e a sua inteligência torna-se prisioneira dos mais torpes Juízos temerários, das mais infames fabulações.

Quando a consciência do homem é interiormente certa, sincera e objectiva, mas NÃO É RECTA, pois destrói a Ordem Sobrenatural e com ela oblitera o princípio fundamental da Fé Católica, pode ainda participar, MATERIALMENTE, da Lei Eterna, MAS NÃO SE PODE SALVAR ( a menos que faça penitência). O dano na inteligência é menor, MAS REAL; visto que a Graça Santificante providencia EXTRÌNSECAMENTE, uma intensificação da inteligência natural.

Na falsa Igreja conciliar, na nunca suficientemente amaldiçoada ex-Igreja Católica, encontramos em geral heresiarcas, a quem a destruição do princípio fundamental do catolicismo, abalou de tal forma os alicerces naturais da sua personalidade, que transformou muitos deles EM CRIMINOSOS DE DELITO COMUM; concomitantemente a sua inteligência natural foi de tal modo obnubilada pelo pecado, que não dizem coisa com coisa, proporcionando, mesmo a não crentes, um penosíssimo espectáculo. Conscientes da sua própria ruína religiosa, intelectual e moral,  eles apenas encontram refrigério atormentando sàdicamente os verdadeiros católicos.

Imploremos a Deus Nosso Senhor, a Sua Mãe Santíssima, a Graça da indefectibilidade na Ordem Sobrenatural, garantia primeira e última da mais profunda dignidade da Espécie Humana.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 22 de Agosto de 2013

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