Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

DESEJO EXPLÍCITO DO PAPA PROFETIZADO POR NOSSA SENHORA

Espera-Advento

 Arai Daniele

A presença de Nosso Senhor Jesus Cristo como Cabeça de Sua Igreja para guiar os homens à ordem neste mundo e à salvação no outro através do Seu Vigário, o Papa católico, é parte integrante de nossa Fé. Segue-se que a submissão ao Papa representante deste Princípio na Igreja de Jesus Cristo é absolutamente necessária à harmonia da paz na Terra na Ordem da Caridade e à salvação na Ordem da Fé.

A existência da definição dogmática desse poder indireto inerente à Doutrina da Santa Igreja está na Bula “Unam Sanctam”, além da encíclica “Quanta Cura” e do Sílabo de Pio IX, e nas encíclicas “Immortale Dei” de Leão XIII e “Quas Primas” de Pio XI.

Todo o Magistério e a sua infalibilidade denotam a origem divina e portanto a presença da Palavra de Deus para regular a vida humana ao bem desta e da outra vida. E como todo governo legítimo tem por fim o bem da sociedade e a felicidade aspirada pelos homens, que só vem de Deus, aplicar a Sua Palavra lhe é de necessidade absoluta.

No Concílio de Nicéia I, sob Silvestre, foi proclamado: Qui tenet sedem Romae, caput est… cui data est potestas in omnes populos, ut qui sit vicarius Christi super cunctos populos et cunctam ecclesiam christianam; quicunque contradixerit, a synodo excommunicatur – (Aquele que detém a Sé de Roma é a cabeça … a quem foi dado o poder sobre todas as nações, é o Vigário de Cristo sobre todos os povos e todas as igrejas cristãs, quem o contradiz seja excomungado pelo Sínodo.)

Nenhum católico verdadeiro pode pensar que haja princípios para reger a ordem do mundo acima dos princípios de Jesus Cristo, Verbo de Deus encarnado.

Como para os «papas conciliares» até Bergoglio a Igreja deveria submeter-se aos princípios anti-cristãos da ONU, se vê que com isto contradizem e portanto demonstram ter suas mentes apartadas do poder vigário de Cristo, única Cabeça da Igreja.

A questão implica, pois, também a necessidade da certeza sobre quem é legitimamente, segundo a Fé e não as aparências, a pessoa que encarna essa autoridade à qual é devida submissão como Vigário de Cristo. Isto, porque, no plano terreno as aparências podem prevalecer sobre a realidade, e visto que é a mesma Fé o critério de reconhecimento, um  erro neste campo pode ensejar o risco de aderir a um «falso cristo» o que corresponde a incorrer no não menos grave risco de infidelidade ao obedecer antes a um homem que a Deus, que é, se reconheça ou não, insubmissão à Palavra de Deus ensinada na Igreja por dois mil anos, e lembrada no Magistério indicado acima.

O aviso desse perigo é evangélico e confirmado por santos, como São Vicente Ferrer que, embora ele mesmo tenha caído nesse erro, considerava-o ao nível da idolatria.

Quem garante a legitimidade do Papa, que na ordem sobrenatural recebe seu poder diretamente de Deus e não da Igreja, é a mesma Igreja que usa o critério da aceitação universal do papa eleito. É fé na comunhão dos santos que reconhece a fé do eleito papa. Sim, porque a condição para ser papa é de ser um confessor fiel da Fé católica. Inútil dizer que um clérigo que professa a «fé modernista» ou uma «nova teologia» implicante outra fé igualmente condenada pelo Magistério, não pode ser papa.

Ora, a Maçonaria, inimiga de Deus e dos homens, tem por objetivo prioritário o abate, ou pelo menos a redução do Poder Pontifício sobre todo o orbe. E já Voltaire afirmava que o Papa privado dessa soberania se reduziria a mero capelão do poder imperante.

Só na integridade da Fé católica subsiste o poder papal, cujos princípios vão reger o poder civil. Este só assim é verdadeiramente justificado perante Deus, podendo dispor da objetividade necessária à consecução eficaz de governo na tranqüilidade da ordem, para a elevação espiritual dos homens em vista de seu fim último.

Assim, quem não professa essa Fé, como poderia receber imediatamente de Deus a autoridade para pô-la em ato?

Aqui surge o tremendo problema de nosso tempo porque tais princípios foram alterados justamente por papas eleitos, que demonstraram favorecer os objetivos da Maçonaria através de atos e documentos conciliares claramente contestáveis, o que tira a certeza da legitimidade de uma autoridade que contraria a sua mesma razão de ser. Por exemplo, a de Paulo 6º que declarou o direito à liberdade religiosa e de consciência e alterou todo rito  litúrgico tradicional. Assim a objetiva incerteza se estendeu aos sucessores «conciliares» e só aumentou desde então em vista dos frutos nefastos de seus atos.

São as leis da mesma Igreja, além dos fatos, a negarem certeza a sua legitimidade na Fé. Todavia, neste mundo em que as aparências prevalecem sobre a realidade, no mesmo mundo católico tradicional prevalece de muito o número dos que aceitam e honram uma «indiscutível certeza» da legitimidade dos «papas conciliares», ao ponto de manter sob acusação o reduzido número dos fiéis que a negam e são acusados de sedevacantismo, quase que o testemunho de uma realidade gritante constituísse uma «nova doutrina»!

Neste sentido surge aqui a grave questão de qual seja a «doutrina» deste mundo de fideístas, isto é dos que antepõem a própria idéia de fé às verdadeiras razões da Fé?

Até hoje estes só segregaram confusões que põem em evidência uma «fé» baseada só na preocupação que perdura: – se essa ilegitimidade papal é real o que podemos fazer? Como não sabem, nem querem saber o que se pode fazer, então essa ilegitimidade não deve ser questionada! Eis a dedução cômoda e ilógica, até de consagrados e professores de tomismo que, na mesma medida que constatam a evidência dessa tremenda realidade, esgotam suas reservas de desculpas para justificar seu vão «habemus papam».

Vamos continuar a falar das causas cruciais da longa vacância papal, lembrando aqui diversos testemunhos importantes do tempo de Paulo 6º, que não refletiam sempre uma preocupação conexa com a realidade da Fé porque se é esta a estar em risco, claramente  a atitude católica deve ser de defesa antes de tudo do necessário e essencial, e depois do contingente, que está ligado às interpretações humanas sobre o que deve nortear o agir.

Entre as últimas tergiversações contingentes, viceja a idéia que mesmo sendo evidente a ausência do verdadeiro papa, ninguém tem autoridade na fé para julgá-la nem em consciência!

Sem essa autoridade se dilui a consistência da ação fiel de respeitar um só Evangelho, fundados na fé e na caridade de anatemizar quem traz outro, seja ele um anjo ou um de nós (Gl 1, 8 e II Jo 6, 11)

Com isto se contradiz o mandato apostólico que dá autoridade a todo fiel para testemunhar e defender a Fé, para si e para os outros fiéis que ouvirem seu público anátema.

A autoridade na fé entre quem traz outro evangelho, seja este um «anjo ou um de nós» (apóstolos), é do fiel que o repudia; este a exerce com a autoridade na Igreja. Esperemos que a «teologia» dos dom Rifan ou frei Lourenço não ouse pretender que o tal anátema só se aplica à autoridade do «apóstolo» que traz o novo evangelho, se vai nisso implicada a infalibilidade, mas que reconheçam esta na autoridade (passiva) do fiel sobre o infiel.

Este fato implica uma incompatibilidade intrínseca, portanto absoluta de autoridade na Fé de quem prega uma nova doutrina. Precisamente em tal incompatibilidade se apóiam Cajetanus e S. Roberto Bellarmino para emitir suas conclusões. Eis porque mesmo se a lei da Bulla Cum ex apostolatus, que não habilita mas invalida o «eleito papa» desviado da Fé, não constasse do Código Canônico, nem assim deixaria de ser sempre uma lei em pleno vigor na Igreja pelo fato de ser ao mesmo tempo lei de Direito divino e fundamento de Direito natural.

A não autoridade do infiel sobre o fiel resulta dessa incompatibilidade intrínseca, ontológica.

Ouçamos o que dizem os Papas. Inocêncio III: “Cum nimis absurdum sit ut Christi blasphemus in Christianos vim potestatis exerceat”, isto é, “ser totalmente absurdo que um blasfemador de Cristo possa exercer autoridade sobre os cristãos” (In. III em IV Lateranense). Não é blasfêmia a degradação da autoridade divina e universal de Cristo? E Leão XIII: “Cum absurdum sit opinari ”, seria absurdo pretender que quem está fora da Igreja possa nela presidir”. Pode quem abusa da autoridade da Igreja para criar outra, ser obedecido como papa?

Horácio na “Epistola ad Pisones” (também chamada Ars Poetica) descreve a monstruosidade ou quimera que resultaria do fato que um elemento estranho a um corpo possa tornar-se nada menos que sua cabeça, artifício que alteraria a natureza de tal corpo, constituindo um «outro», condicionando o seu proceder detectado pelo «sensus Fidei».

Disto há que falar, sobretudo depois de tantos estudos, e não último o de Mgr Tissier de Mallerais, sobre a nova igreja conciliar distinta radicalmente da Católica, em especial no que tange a sua unidade, unicidade e universalidade na Fé.

Nestes dias, voltou-se a citar o exemplo da resistência à Igreja de Paulo 6º, que foi a um tempo profético e pioneiro, do padre francês, o dominicano  Roger-Thomas Calmel (1914-1975). Aqui iremos publicar um seu escrito a propósito, traduzido por Júlio Fleichman da revista «Itinéraires» (206) e publicado em «Permanência» (140-141).

Agora nos basta lembrar algo de uma sua página da “Breve Apologia para a Igreja de todos os Tempos (pp. 48-51) lembrada no «Kyrie eleison» de Mons. Williamson (319), a fim de deixar claro que a nossa resistência em relação a do padre que morreu em 1975, sem ter conhecido tudo o que seguiu no espírito ecumenista de Assis, pode dizer algo mais que a sua importante, mas é limitada em relação ao que nós vivemos deste então na Igreja.

Hoje a resistência que deixa de lado a questão crucial da legitimidade papal é falha, se não nociva.

Padre Calmel dizia justamente: “Por mais tresloucadas que sejam (des aberrations de l’autorité hiérarchique) na Santa Igreja, padres não podem tomar o lugar dos bispos, e nem podem os leigos tomar o lugar dos padres. Estamos nós então pensando em criar uma liga ou associação mundial de padres e leigos cristãos para entrar no diálogo com a hierarquia e forçá-la a restaurar a ordem católica? É uma grande e tocante ideia, mas ela é irreal. Isso porque nenhum grupo que queira ser um grupo da Igreja, mas sem ser uma diocese, ou uma arquidiocese e nem uma paróquia e nem uma ordem religiosa, se encontrará sob alguma das categorias sobre as quais e pelas quais a autoridade é exercida na Igreja. Irá ser um grupo artificial, um artefato desconhecido para qualquer dos grupos reais da Igreja que são estabelecidos e reconhecidos como tais.”

O Fato hoje não é mais simplesmente – “des aberrations de l’autorité hiérarchique”, mas da tresloucada apostasia criadora de outra igreja para uma nova evangelização ecumenista demolidora da Tradição, da Piedade cristã e portanto da edificação do Reino de Jesus Cristo no mundo. Pode quem opera para tal destruição da Igreja ter autoridade sobre seus filhos? Podem os fiéis submeterem-se à essa hierarquia que, mais que infiel, trai os princípios cristãos e acelera a geral apostasia? Eis a resposta que  a resistência deve dar, pois é esta que, podemos crer, dariam os santos resistentes que já morreram, como os Padre Calmel, o Padre Putti e outros tantos, assim como leigos da têmpera de Gustavo Corção. Dom Mayer nos deixou o seu sofrido exemplo, sobre o qual tanto hesitou Mgr Lefebvre, que porém escreveu que havia anticristos no Vaticano e que chegaria a hora na qual deveria dizer que estes (papas conciliares) não são papas.

Pode uma verdadeira resistência voltar atrás sobre tudo isto sem desonrar seus primeiros heróicos exemplos? Nunca.

Então é preciso coragem na Fé, orar com toda Esperança e Caridade fiéis à Tradição, e cada qual na própria esfera testemunhar a realidade presente sem medo de assumir em consciência o poder e autoridade de nossa profissão católica, pela qual não só se pode, mas se deve anatemizar os portadores da nova religiosidade blasfema do poder universal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

E posto que a Soberania da Sua Vontade determinou que os Sagrados Corações de Jesus e Maria deverão reinar juntos, esta Vontade divina deve constituir o cerne da resistência católica hoje no ardente e explícito desejo de merecer que Deus suscite por fim o Vigário de Cristo de que a Igreja carece. Nesta Vontade reside o fundamento e o mesmo fim da Ordem cristã.

Para isto tivemos a promessa divina através do Segredo de Nossa Senhora de Fátima que, como souberam as crianças aterradas pela visão do massacre papal, descreve qual será a ação o Santo Padre católico que será suscitado por Deus para por fim cumprir a Sua adorável Vontade:: “Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé. Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar‑me‑á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: