Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A «Humani generis» de Pio XII já havia condenado a visão «sobrenatural-natural» do Vaticano 2º

gethsemane«33. Alguns acusam a filosofia ensinada em nossas escolas [católicas de então] do defeito de atender só à inteligência no processo do conhecimento, sem levar em conta o papel da vontade e dos sentimentos. O que certamente não é verdade; de fato, a filosofia cristã jamais negou a utilidade e a eficácia das boas disposições de toda alma para conhecer e abraçar plenamente os princípios religiosos e morais; ainda mais, sempre ensinou que a falta de tais disposições pode ser a causa de que o entendimento, sufocado pelas paixões e pela má vontade, se obscureça a ponto de não mais ver como convém. E o Doutor Comum crê que o entendimento é capaz de perceber de certo modo os mais altos bens correspondentes à ordem moral, tanto natural como sobrenatural, enquanto experimentar no íntimo certa afetiva “conaturalidade” com esses mesmos bens, seja ela natural, seja fruto da graça (Cfr. S. Thom., Summa Theol. IIa IIæ, quæst. I, art. 4 ad 3; et quæst. 45, art. 2, in c.); e claro está quanto esse conhecimento, por assim dizer, subconsciente, ajuda as investigações da razão. Porém, uma coisa é reconhecer a força dos sentimentos para auxiliar a razão a alcançar conhecimento mais certo e mais seguro das realidades morais, e outra o que intentam esses inovadores, isto é, atribuir às faculdades volitiva e afetiva certo poder de intuição, e afirmar que o homem, quando, pelo exercício da razão, não pode discernir o que deva abraçar como verdadeiro, recorra à vontade, mediante a qual escolherá livremente entre as opiniões opostas, com inaceitável mistura de conhecimento e de vontade.

34. Nem há que admirar se ponham em perigo, com essas novas opiniões, as duas disciplinas filosóficas que, pela sua própria natureza, estão estreitamente relacionadas com a doutrina católica, a saber, a teodicéia e a ética, cuja função acreditam não seja demonstrar coisa alguma acerca de Deus ou de qualquer outro ser transcendente, mas antes mostrar que os ensinamentos da fé sobre Deus, ser pessoal, e seus preceitos, estão inteiramente de acordo com as necessidades da vida e que por isso mesmo todos devem aceitá-los para evitar a desesperação e obter a salvação eterna; tudo isso está em oposição aberta aos documentos de nossos predecessores Leão XIII e Pio X e não se pode conciliar com os decretos do concílio Vaticano. Não haveria, certamente, tais desvios da verdade que deplorar se também no terreno filosófico todos olhassem com a devida reverência ao magistério da Igreja, ao qual compete, por divina instituição, não só custodiar e interpretar o depósito da verdade revelada, mas também vigiar sobre as disciplinas filosóficas para que os dogmas católicos não sofram dano algum da parte das opiniões improbas.»

  • A criatura não possui direito algum a ser criada; mas uma vez criada, possuirá aqueles direitos inerentes ontològicamente à sua natureza, podendo ainda ser, de forma totalmente gratuita, elevada à Ordem Sobrenatural.
  • Mas vá relembrar este fato a um sofisticado «novo teólogo»!     – Eu criatura contingente? Jamais de la vie!

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QUAL O SIGNIFICADO MORAL DO PERDÃO DAS OFENSAS?

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Procedamos à leitura do seguinte trecho extraído do Livro do Profeta Jeremias:

«É isto o que diz o Senhor Deus: Maldito o homem que confia no homem, apoiando-se num ser carnal, e cujo coração se afasta do Senhor: será como a urze na charneca, e não verá chegar o bem; pelo contrário, habitará na terra calcinada do deserto – em terra salgada e inabitável. Bem-Aventurado o homem que confia no Senhor, e de quem o Senhor é a Esperança: Será como a árvore plantada à beira das águas, a qual vai embeber as suas raízes na humidade, não receando, por isso, a força do calor, a sua folhagem continuará verdejante, e em tempo de seca não sofrerá míngua; nem jamais cessará de dar fruto. Perverso e impenetrável é o coração do homem: Quem o poderá conhecer? Eu sou o Senhor que esquadrinha o coração, e que sonda os afectos: Eu dou a cada um segundo o seu proceder, e segundo o mérito das suas obras – diz o Senhor Omnipotente.»  (Jer 17, 5-10)

Entre a criatura (Anjo e Homem) e o Criador existe uma distância infinita. Nenhuma realidade pode convir UNÌVOCAMENTE ao Criador e à criatura. A acção de criar não acrescentou formalmente ser ao Ser de Deus, apenas exprimiu, extrínseca e contingentemente, as perfeições Divinas; assim como o saber contido num livro não se pode adicionar ao saber do seu autor, apenas o demonstra exteriormente. O ser do mundo está todo ele, VIRTUALMENTE, contido na Causa primeira. Por isso a criatura, segundo São Tomás, está em relação real, transcendental, com Deus, O Qual, por sua vez, tem uma relação de razão com a Criatura; pois que nada existe nesta, que não exista, VIRTUALMENTE, em Deus.

A maldita Igreja conciliar, a ex-Igreja Católica, desconhece, em absoluto, tudo isto; o seu “deus” é a própria humanidade em evolução, rumo ao ponto ómega de que falava o miserável coveiro da Fé Católica que foi Teilhard de Chardin. Por isso, para a Igreja Conciliar não existe, nem pode existir, pecado – apenas danos sociais.

Quando Nosso Senhor Jesus Cristo nos manda perdoar as ofensas, não nos sonega o direito de legítima defesa – MAS SUBORDINA-O ESSENCIALMENTE À HIERARQUIA OBJECTIVA DOS SERES E DOS FINS. Cada homem, pelo simples facto de ter sido criado por Deus, possui uma dignidade ontológica fundamental, da qual irradiam um conjunto de deveres e direitos, naturais e sobrenaturais (no caso de elevação gratuita a esta Ordem), avultando como primeiro direito, constitutivo da sua condição de criatura – O DIREITO À VERDADE. (1)

É a nossa própria dignidade ontológica que exige um castigo, temporal ou eterno, se a nossa operação se não integrar na Lei Eterna. O perdão das ofensas significa que  DEVEMOS PROCEDER COM ABSOLUTA OBJECTIVIDADE, POIS DEUS NOSSO SENHOR, E NÃO AS CRIATURAS, É QUE CONSTITUI O FUNDAMENTO ÚLTIMO DA DISTINÇÃO ENTRE O BEM E O MAL.

A criatura, enquanto tal, nunca pode reivindicar, com prioridade ontológica, a condição de ofendido. Teològicamente, o verdadeiro ofendido é sempre Deus.

Enquanto criaturas, possuidoras de uma objectividade real, mas infinitamente subordinada à de Deus, temos o direito de nos defendermos, sempre em consonância com o nosso estatuto ontológico e metafísico, mas sem ódio pessoal, subjectivo; procedamos hieràrquicamente, objectivamente, sempre contemplando a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Teològicamente, amar não é gostar; somos obrigados a amar o próximo, porque amar é querer O BEM OBJECTIVO NATURAL E SOBRENATURAL (o qual pode incorporar castigos) para o próximo. Não somos obrigados a gostar de toda a gente, porque são inevitáveis as antipatias naturais, derivadas da oposição entre caracteres. Mas devemos operar no sentido de socorrermos o próximo em aflição, mesmo os inimigos, providenciando-lhes igualmente todo o Bem Sobrenatural que pudermos.

Nada disto se opõe a que processemos judicialmente os que, injustamente, nos prejudicaram, PORQUE TODA A JUSTIÇA VEM DE DEUS, E A ELE SE ORDENA. Todavia, embora seja natural e humano, que a inflicção duma ofensa nos cause, subjectiva, mas ORDENADAMENTE, uma ferida, mais ou menos dolorosa; logo que o autor da ofensa se arrepende, devemos fazer o possível, com a Graça de Deus, para sarar essa ferida, ou ao menos para torná-la menos viva.

Porque todos, em maior ou menor grau, necessitamos do perdão de Deus.

Não constituem manifestação de ódio pessoal, mas sim de Justiça objectiva E SANTA, os castigos (mesmo o de morte) que a Santa Madre Igreja, bem como o Estado, braço secular da mesma Igreja, infligiram aos hereges, ao longo dos séculos; constituindo Deus Nosso Senhor o fundamento e o fim último de todo o nosso ser e de toda a nossa vida, é totalmente absurdo e um verdadeiro pecado mortal não punir severamente qualquer ofensa ao Rei dos reis; a questão nem se põe.

Quando conseguirmos sublimar e unificar a nossa vida, sempre segundo O ÚNICO PRINCÍPIO DA FÉ CATÓLICA, adquiriremos, com a Graça de Deus, aquele hábito prudencial sobrenatural que nos permitirá enobrecer todas as virtudes, em todos os nossos actos; então compreenderemos, com o auxílio dos Dons da Sapiência e do Entendimento, como a Caridade de Deus, transformante e purificadora, constitui realmente uma participação na Natureza Divina, na Simplicidade Divina, na Santidade Divina.

Quando Nosso Senhor Jesus Cristo nos solicita a oferecer a outra face, pretende sòmente que nós jamais nos orientemos por critérios subjectivos; PORQUE MESMO QUANDO DEFENDEMOS, LEGÌTIMAMENTE, OS NOSSOS DIREITOS, É EM NOME DE DEUS, E POR AMOR DE DEUS, QUE O DEVEMOS FAZER. Neste quadro conceptual podemos e devemos defender-nos, bem como ao nosso próximo, de qualquer agressão injusta, utilizando MEIOS PROPORCIONAIS, que podem ir até ao uso de armas letais, MAS SEMPRE COM OS OLHOS POSTOS EM DEUS E NA SUA SANTÍSSIMA LEI ETERNA.

O amor aos inimigos é prerrogativa única da verdadeira religião revelada, fora da qual não há salvação; e compreende-se bem porquê: O AMOR AOS INIMIGOS DEMONSTRA E TITULA, EM ABSOLUTO, A PUREZA OBJECTIVA DA NOSSA LINHA DE CONDUTA, DEMONSTRA A TRANSCENDÊNCIA SOBRENATURAL DAS NOSSAS REFERÊNCIAS, BEM COMO O NOSSO ACRISOLADO APAGAMENTO PESSOAL PERANTE A NECESSIDADE UNIVERSAL DA LEI ETERNA. Ora todas estas realidades, todas estas infinitas riquezas, só podem consubstancializar-se NA VERDADEIRA RELIGIÃO.

Devemos irradiar sempre, como princípio unificante do nosso agir, a plenitude daquela verdadeira Caridade, padrão e medida sobrenatural de toda a virtude, a qual demonstra estarmos na Terra, sim, mas pertencermos de Direito ao Céu.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

NOTAS: – (1) Em sentido antecedente, estritamente teológico e metafísico, a criatura não possui nenhum direito, mas todos os deveres; e Deus possui todos os direitos e nenhum dever. A criatura não possui direito algum a ser criada; mas uma vez criada, possuirá aqueles direitos inerentes ontològicamente à sua natureza, podendo ainda ser, de forma totalmente gratuita, elevada à Ordem Sobrenatural.

Lisboa, 28 de Agosto de 2013

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