Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

ALGUMAS NOTAS SOBRE A ORIGEM DE TODO O PODER

moses

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Procedamos à leitura deste trecho do Livro da Sabedoria:

«Escutai pois, óh reis, e compreendei!

Instruí-vos, governantes de todos os países!

Prestai ouvidos, vós, que dominais as multidões, e vos ufanais das multidões dos povos!

POR DEUS VOS FOI DADO O PODER, E A SOBERANIA PELO ALTÍSSIMO,

O Qual examinará as vossas obras, e esquadrinhará as vossas intenções;

porque sendo ministros da Sua régia Autoridade, não governastes segundo o Direito, nem guardastes a Lei, nem procedestes segundo a vontade do Senhor.

Terrível e fulminante, Ele cairá sobre vós, PORQUE JULGAMENTO SEVERO SE FAZ DE QUEM ESTÁ NO ALTO.

Com efeito, o pequeno é digno de compaixão, mas os grandes, pelo contrário, serão tratados com todo o rigor, já que o Senhor de todos não teme a ninguém, nem tem consideração pela grandeza; porque o pequeno e o grande, Ele os fez, e cuida igualmente de todos; mas aos poderosos aguarda-os poderosa inquisição.

A vós, pois, óh príncipes, é que são dirigidas as minhas palavras, para que aprendais a Sabedoria, e não venhais a decair.

Porque só o que guarda santamente as sagradas Leis será reconhecido como santo, e encontrará defesa quem nelas se instrui.

Ansiai, portanto, pelas minhas palavras; procurai-as com ardor, e sereis instruídos. (Sab 6, 1-11)

A Santíssima e indivisível Trindade, fonte imarcescível de toda a Unidade, de toda a Verdade, e de todo o Bem, irradiando a partir da Sua Riqueza Infinita tesouros inexauríveis de santidade, para Sua maior Glória, e num acto libérrimo da Sua Vontade, criou o Céu e a Terra, as coisas visíveis e invisíveis; a acção de criar consiste em Deus manifestar extrìnsecamente, finitamente, as perfeições que em Si contém.

Pelo simples facto de ambos terem saído das mãos de Deus, existe uma analogia profunda entre as propriedades do espírito humano e as leis da natureza.

É falso que o espírito humano possua ideias inatas, seja actual, seja virtualmente; o que na realidade o espírito humano possui é a propriedade de ABSTRAIR QUALIFICADAMENTE O INTELIGÍVEL A PARTIR DO SENSÍVEL.

*

O Anjo, pela sua constituição ontológica, ao ser criado, dispõe já de espécies inteligíveis, representativas do mundo sensível, em número inversamente proporcional à sua (do Anjo) perfeição intrínseca; quanto maior o número de espécies, maior a PERDA DE SER. Os Anjos não estudam: não precisam de aplicar o intelecto às formas sensíveis para assim edificarem um mundo inteligível; as formas representativas desse mundo são concriadas com os próprios Anjos, os quais conhecem a Deus, intuitivamente, infalìvelmente, na Ordem Natural, através da plena transparência espiritual da sua própria excelência angélica.

A inteligência humana ao conhecer o mundo, necessàriamente o organiza (e se organiza) ontològicamente, segundo modelos que se fundamentam no significado que essa inteligência atribui às coisas que SÃO; ora esse significado é constitutivamente MORAL.

Todavia esse significado Moral enraíza-se, necessàriamente, numa verdade, numa estabilidade, num dinamismo, NUMA ORDEM, QUE O HOMEM NÃO PODE MUDAR, mesmo que possua semelhante veleidade.

A ORDEM POLÍTICA É UMA DELAS.

Ao longo da História Universal, no dobar dos séculos, por entre os mais diversos regimes, nas mais multifacetadas culturas, por entre as maiores hecatombes, UMA REALIDADE PERMANECE: A TENDÊNCIA DA NATUREZA A MODERAR O ARBÍTRIO INDIVIDUAL EM NOME DO INTERESSE E DA SEGURANÇA COMUM, COMO ÚNICO ALICERCE POSSÍVEL PARA O FUNCIONAMENTO ÚTIL DOS AGREGADOS HUMANOS. Ora, onde reside o fundamento último dessa Ordem necessàriamente vinculante da natureza humana?

Evidentemente que reside na Lei Eterna, princípio ordenador, necessário, de toda a natureza criada ou possível, intrìnsecamente conforme à Verdade e ao Bem Incriado; Verdade à luz da qual foram criadas todas as coisas, visíveis e invisíveis.

Quer o homem queira, quer não queira, a sua humana natureza foi criada por Deus, depende totalmente de Deus, e reflecte, nos mais variados planos, a Sabedoria e a Santidade Divinas.

MESMO QUANDO LUTA ACTIVAMENTE CONTRA DEUS NOSSO SENHOR E SUA SANTA MADRE IGREJA, MESMO NO ÂMAGO DAS MAIS ATROZES GUERRAS, E DOS MAIORES GENOCÍDIOS, A NATUREZA HUMANA, NO SEU TODO, REFLECTE, AO MENOS MATERIALMENTE, A VERDADE DIVINA.

Quando o tirano, em qualquer época ou lugar, conculca sistemàticamente todos os direitos Divinos e humanos, respeita mesmo assim, DE FORMA TOTALMENTE INCONSCIENTE, certos equilíbrios ontológicos inerentes ao seu próprio agrupamento, e sem os quais este se desintegraria – É A RAZÃO DIVINA PRESENTE NA SUA OBRA.

Se não existisse pecado original, nem pecados actuais, TODA A CONDIÇÃO HUMANA REFLECTIRIA INTEGRALMENTE, INFALÌVELMENTE, A VERDADE E O BEM DIVINOS. Existiria perfeita integridade, e perfeita coerência, em todo o agir humano, formalmente considerado.

A decadência moral do mundo é directamente proporcional ao seu desprezo pela Doutrina Católica e pela Santa Madre Igreja; ao longo dos séculos, foi o Magistério da Santa Igreja que ensinou aos governantes O CARÁCTER EMINENTEMENTE PÚBLICO E SAGRADO DA SUA FUNÇÃO; incessantemente recordou a Imperadores e Reis que o seu poder promana de Deus, NÃO DIRECTAMENTE, MAS SIM ATRAVÉS DA CÁTEDRA DE SÃO PEDRO. Pois que o Poder vem de Deus, EM SENTIDO SUBSTANCIAL, não em sentido meramente formal, já que pertence às prerrogativas do Vigário de Cristo CONSTITUIR SUBSTANCIALMENTE, ESPECÌFICAMENTE, O NÚCLEO FUNDAMENTAL DAS FUNÇÕES GOVERNATIVAS SUPREMAS DOS ESTADOS, CONSIDERADOS BRAÇOS SECULARES DA SANTA IGREJA.

As monarquias chamadas absolutas, ao esquecerem este princípio, e utilizando a Santa Madre Igreja como simples meio de coesão político-social E DE PODER REAL APÒSTATAMENTE ABSOLUTO, foram as grandes responsáveis pelo desencadear da Revolução de 1789.

O poder espiritual da Santa Madre Igreja é absolutamente universal, directo sobre os baptizados, indirecto sobre os não baptizados.

É falso um pretenso direito soberano dos povos em estado natural a constituírem-se independentemente da Santa Madre Igreja e da Ordem Sobrenatural, como advogou Francisco de Vitória (1492-1546). Possuindo uma autonomia relativa, sim, mas essa autonomia encontra-se necessàriamente subordinada à Ordem Sobrenatural; tal como um matrimónio legìtimamente constituído na Ordem Natural se pode e em certos casos deve dissolver a favor da Fé Católica.

A Verdade e o Bem Sobrenatural constituem fonte extrínseca dos maiores bens naturais; Infelizmente, ao longo da História Universal, escassas vezes tal realidade terá sido notada, na exacta medida em que a nível pessoal e social, sempre foi muito rara a assimilação verdadeiramente profunda, objectiva, transformante, das infinitas riquezas sobrenaturais da sacrossanta Fé Católica. E hoje, desgraçadamente, já nem possuímos, como realidade social, a Santa Madre Igreja, que nos faculte o PÃO DA SÃ DOUTRINA. Não desesperemos porém, na inefável certeza de que Nosso Senhor Jesus Cristo, Sua Mãe Santíssima, São José, todos os santos do Céu, todos estão connosco, naquela Santidade do Corpo Místico, que constitui a única via da Eterna Salvação.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 3 de Setembro de 2013

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