Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O DESEJO EXPLÍCITO DE UM PAPA CATÓLICO É QUESTÃO DE FÉ

Papa Paulo IVS. S. Papa Paulo IV

 

Arai Daniele

Os cristãos nos primeiros tempos da Igreja para saber do sucessor de Pedro, a quem Jesus confiara as chaves do Reino, só podiam resolver parcialmente a dúvida de quem seria esse pontífice e onde estava. A distância que separava as igrejas locais de Roma e a precariedade de comunicação entre grupos de fiéis distantes, provavelmente deixou muitos, mesmo bispos e sacerdotes, sem saber durante anos quem era o sumo Pontífice daquele tempo. E mesmo quando chegava finalmente uma notícia, era possível que já houvesse outro na Cátedra de Pedro.

Como fazer então para permanecer fiel ao Sucessor, ao Vigário de Cristo no mundo se o desconheciam e visto que a submissão ao Papa foi sempre acreditada como necessária porque princípio evangélico na Igreja de Jesus Cristo? Ora, se necessária, também deve ter sido em todos os tempos possível reconhecer que havia essa Autoridade apostólica vivente. Eis uma questão que durou séculos, sem afetar em nada a integridade da Fé na presença de Nosso Senhor Jesus Cristo, Cabeça de Sua Igreja, representada por um papa católico para guiar os homens à ordem neste mundo e à salvação no outro.

A Religião católica ensina que não há verdadeiros princípios para reger a ordem do mundo acima dos ensinados pelo Verbo de Deus encarnado, que para confirmá-los em todo tempo instituiu o Papado. O Concílio de Nicéia I, sob Silvestre, proclamou: Qui tenet sedem Romae, caput est… cui data est potestas in omnes populos, ut qui sit vicarius Christi super cunctos populos et cunctam ecclesiam christianam; quicunque contradixerit, a synodo excommunicatur – (Quem detém a Sé de Roma é a cabeça … a quem foi dado o poder sobre todas as nações, é o Vigário de Cristo sobre todos os povos e todas as igrejas cristãs, quem o contradiz seja excomungado pelo Sínodo.)

A existência da definição dogmática desse poder indireto inerente à Doutrina da Santa Igreja está na Bula “Unam Sanctam”, além da encíclica “Quanta Cura” e do Sílabo de Pio IX, e nas encíclicas “Immortale Dei” de Leão XIII e “Quas Primas” de Pio XI. Todo o Magistério da Igreja na sua infalibilidade denota origem divina e portanto a presença da Palavra de Deus para regular a vida humana ao bem desta e da outra vida, conforme ensinado por 260 Papas e 20 Concílios ecumênicos, para ser sempre lembrado.

E como todo governo legítimo, finalizado ao bem social, só pode vir da Palavra de Deus, tanto mais o governo espiritual – de necessidade absoluta – deve ser possível e acessível. A questão implica, pois, também a necessária certeza sobre quem é legitimamente, segundo a Fé e não as aparências, a pessoa que encarna essa autoridade à qual é devida submissão como Vigário de Cristo. Isto, porque, no plano terreno as aparências podem prevalecer sobre a realidade, e visto que é a mesma Fé o critério de reconhecimento, o erro neste campo pode ensejar o risco de aderir a um «falso cristo» o que significaria incorrer no grave risco de infidelidade ao obedecer antes a um homem que a Deus; uma insubmissão à Palavra de Deus no Evangelho, ensinada na Igreja durante dois mil anos.

O aviso desse perigo é evangélico e confirmado por santos, como São Vicente Ferrer que, não fora seu desejo explícito de aderir ao Papa católico, teria caído no grave erro que considerava ao nível da idolatria. O eleito Papa recebe não da Igreja, mas diretamente de Deus seu poder. Mas o que garante que o recebeu para ter legitimidade na ordem sobrenatural? Será a mesma Igreja que adota o critério da aceitação universal do eleito, na comunhão dos santos que reconhece a fé do eleito papa. Sim, porque esta é condição para ser papa: ser fiel confessor da Fé católica.

Só na integridade desta Fé subsiste o poder papal, cujos princípios vão iluminar o poder civil. E este, só assim é realmente justificado perante Deus, dispondo da objetividade necessária à consecução eficaz de governo na tranqüilidade da ordem, para a elevação espiritual dos homens em vista de seu fim último. Quem não professa a Fé, como poderia receber imediatamente de Deus a autoridade para pô-la em ato? Inútil dizer, pois, que um clérigo que professa uma «fé modernista» segundo uma «nova teologia», implicante outra fé igualmente condenada pelo Magistério, não pode ser papa.

Aqui surge o tremendo problema de nosso tempo porque tais princípios foram alterados justamente por papas eleitos, que demonstraram favorecer os objetivos da Maçonaria através de atos e documentos conciliares claramente contestáveis. Isto anula a certeza da legitimidade de tal «autoridade» que contraria a sua mesma razão de ser. Assim quando Paulo 6º declarou o direito à liberdade religiosa e de consciência, alterando todos os ritos sacramentais, a dúvida teve uma base mais que objetiva e se estende aos sucessores «conciliares», só aumentando desde então em vista dos frutos nefastos desses atos.

Pode uma razão de Fé se contrapor às atuais e autênticas razões da Fé?

São as leis da mesma Igreja, além dos fatos, a negarem certeza à legitimidade na Fé dos ‘conciliares». Todavia, neste mundo em que as aparências prevalecem sobre a realidade, no mesmo mundo católico tradicional o número dos que aceitam e honram a «certeza indiscutível» da legitimidade dos «papas conciliares», supera de muito o limitado dos fiéis que a negam e são acusados de sedevacantismo, como se o testemunho que acusa uma realidade gritante se baseasse numa «nova doutrina»! Neste sentido surge aqui a grave questão de qual seja a «base doutrinal» deste mundo fideísta, isto é dos que antepõem uma razão de Fé às atuais verdadeiras razões da Fé?

Neste momento histórico sabemos que a imensa maioria dos católicos aceitam os ditos «papas conciliares» por alguma razão elementar de fé que ignora igualmente legítimas e objetivas objeções de fé. Parece claro que essa razão elementar de fé para ser legítima deve estar ligada ao dito acima sobre o princípio do Papado. Seria o desejo explícito da presença do Vigário de Cristo no nosso mundo, além de qual seja a pessoa que possa se apresentar nesse cargo pontifical. Um desejo de visibilidade, que é de fé, porque confia na certeza da Igreja para não arriscar de, sem saber, acolher quem ensina erros contra a Fé. Como nos primeiros tempos cristãos, a ser pedida pela fé era a confiança na Igreja, mesmo sem conhecer e poder ver um papa. Mas hoje a mesma Igreja aparece demolida.

A perfeição que se busca na fé leva ao seu aprofundamento e à sua defesa, mas para as maiorias há o mínimo necessário que passa por esse explícito desejo filial que rege a confiança na Igreja. Assim como se viu que pode haver até um batismo de desejo e que este, nem se sabe como, pode ser implícito, tanto mais pode valer um desejo explícito sobre uma questão tão clara e imediata como seja a representação de Jesus na Igreja através do Papa. Em outras palavras, acredita-se no princípio do Papado ao ponto de não querer nem mesmo aprofundar a autenticidade de quem encarna essa representação.

O desejo explícito do Papa funda uma razão superior de Fé?

Ora, se esse desejo explícito do Papa católico funda uma razão elementar de fé, tanto mais pode fundar as razões superiores de fé de quem busca seu maior conhecimento e daí a defesa do bem inestimável da Fé íntegra e pura. Para a confirmação desta é que nosso Salvador fundou a Igreja e instituiu nela o representante de Sua Autoridade.

Aqui temos que voltar ao presente, pois foi nesse «Lugar santo» que surgiu a ofensa à Fé e é para essa Sede que se dirige o «desejo explícito» da presença de um Papa católico, como necessidade para a defesa e confirmação da Fé, do modo instituído pelo Salvador. Como se vê as condições são inteiramente diferentes das dos primeiros cristãos, mas têm em comum o mesmo desejo da liberdade e exaltação da Igreja da Fé Católica, que nenhuma parte tem com a igreja ecumenista conciliar e seus falsos pastores.

É evidente que não pode haver recuperação enquanto a Igreja permanecer ocupada pelos demolidores da Fé que a ocupam com o beneplácito de multidões, em vias de apostasia, que julgam satisfazer a fé católica aplaudindo os ocupantes, iludidos por um desejo implícito que estes sejam legítimos pastores reconhecidos e enviados por Nosso Senhor.

O desejo explícito do Papa e sua razão de Fé não pode ser sufocado. E quem constata que há falsos cristos ocupando a Sé de Pedro, deve desejar com força que este seja removido e um conclave ou um concílio imperfeito, como em Constança, restabeleça a legitimidade de um Papado católico, como indica a Bula «Cum ex apostolatus».

Por estranho que pareça – mas vivemos tempos deveras estranhos – há grupos católicos que acusam e mesmo se afastam dos impostores demolidores da Doutrina e da Liturgia católicas, mas seguem uma «tese» pela qual estes têm a posse legítima do cargo papal e não podem ser nisso contestados, e portanto afastados; são duramente contestados na Fé, mas não numa autoridade sobre esta Fé: ensinam erros e heresias, mas continuam a ser legítimos ocupantes da Santa Sé, porque eleitos num conclave presumido canônico!

Com isto se contesta a Lei da Igreja e em especial a Bula do Papa Paulo IV que trata da decadência dos desviados da Fé, e no caso papal, da nulidade da eleição mesmo se conta com a unanimidade do voto cardinalício e reconhecida, mesmo durante longo tempo. São questões que têm o apoio também de toda lógica, mas aqui esbarram no obstáculo do implícito desejo geral de ter um papa na Sede de Pedro. Desejo justo, mas aplicado às avessas, pois a sua razão é a defesa da Fé e nunca a sua demolição.

Até hoje só se segregaram confusões que põem em evidência uma «fé» baseada na preocupação que perdura: – se essa ilegitimidade papal é real o que podemos fazer? Como não sabem, nem querem saber o que a lei da Igreja manda fazer, então essa ilegitimidade não deve ser questionada! Eis a dedução cômoda e ilógica até de consagrados e professores de tomismo que, na medida que mais constatam a evidência dessa tremenda realidade, mais esgotam suas reservas de desculpas para justificar seu vão «habemus papam»; de «papas» que promovem e implementam uma liturgia adulterada.

O desejo explícito do Papa garante da continuidade litúrgica na Santa Missa

As observações do artigo anterior sobre a falta de intenção católica no «N. O. Missae» de Paulo 6º, com o exemplo da Missa do P. Paulo Ricardo, que a considera válida e não protestantizante, foram necessariamente breves. A questão central é o «impressionante» afastamento (ruptura) com a teologia católica de Trento e sua intenção: o Novus Ordo Missae (NOM) representa essa ruptura com a intenção formulada na Sessão XXII do Concílio Tridentino de… erguer “uma barreira intransponível contra toda heresia que fere a integridade do Mistério”, em seus três princípios: – distinção entre o Sacerdócio do celebrante e dos simples fiéis; –natureza de Sacrifício; – Presença Real de Jesus Cristo (Tudo o que os Protestantes negam), o NOM, já na supressão do Ofertório, tortuosamente quer induzir outra intenção contrária à da Igreja. Assim, nenhuma boa intenção do padre celebrante no novo rito – o NOM de Paulo 6º – pode anular a sua intrínseca intenção, que é protestantizante e portanto não católica como seus autores!

Assinalamos para ulterior análise dessa ruptura, e daí da invalidade católica do NOM, o texto recém traduzido e publicado oportunamente por Felipe Coelho em http://aciesordinata.wordpress.com/2013/09/18/textos-essenciais-em-traducao-inedita-ccxviii/

Vamos aqui continuar a falar das causas cruciais da longa vacância papal, lembrando diversos testemunhos importantes do tempo de Paulo 6º, que não refletiam sempre uma preocupação conexa com a realidade da Fé porque, se claramente é esta a estar em risco, a atitude católica só pode ser de defesa antes de tudo do necessário e essencial, e como não entender que isto depende do afastamento da falsa autoridade e restauração da Autoridade apostólica instituída pelo Redentor. Sem essa fica abalada a consistência da ação fiel de respeitar um só Evangelho, fundados na fé e na caridade de anatemizar quem traz outro, seja ele um anjo ou um de nós (Gl 1, 8 e II Jo 6, 11), a consciência está em grave risco de desviar e perder-se.

Se a integridade da Fé está em perigo, como é o caso do último meio século, o juízo católico pode tardar, mas não deve ficar suspenso para não transgredir a ordem da Caridade na Verdade, pela qual Nosso Senhor e Salvador sofreu seu santo Sacrifício.

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