Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

PORTUGAL – 250 ANOS DE ATEÍSMO DE ESTADO

Marfquês

Marquês de Pombal

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Em 1645-46, as Cortes de Lisboa, sob proposta de El-Rei D. João IV, tomaram como Rainha Padroeira de Portugal a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, sob a invocação da Imaculada Conceição, comprometendo-se a pagar o feudo anual de 50 cruzados de ouro à Capela de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

O Rei, o Príncipe herdeiro, e os três Estados, juraram dar a vida, se necessário fosse, para confessar, e defender sempre que Nossa Senhora foi concebida sem pecado original. Para conferir um carácter imorredoiro ao acto, foi mandado que em todas as entradas de cidades, vilas e lugares do Reino se colocasse uma lápide com inscrição comemorativa.

Na universidade de Coimbra, os lentes fizeram o solene juramento de defender o Mistério da Imaculada Conceição, ficando os alunos igualmente obrigados a pronunciá-lo quando tomassem qualquer grau.

Recorde-se que em 8 de Dezembro de 1661, o Papa Alexandre VII reafirmou (mas não definiu) a crença na Imaculada Conceição na bula “Solicitudo”.

Este terá constituído o derradeiro acto de Profissão solene e absoluta de Fé Católica, COMPROMETENDO FORMALMENTE O ESTADO PORTUGUÊS.

No reinado de D. João V (1705-1750) iniciou-se a decadência. Pretendendo imitar a monarquia francesa, este torpe rei possuía uma concepção decorativa da religião.

A criação do Patriarcado de Lisboa em 1716, insere-se nesta política, QUE DA PARTE DO REI, não possuía nenhum conteúdo, nem propósito sobrenatural, conquanto D. João V tivesse auxiliado o Papa Clemente XI na batalha de Matapão, contra os turcos.

O título de “Fidelíssimo” que o rei procurava obter, e obteve, destinava-se sòmente a satisfazer o orgulho humano do monarca.

Paralelamente, na sua vida privada, o rei e parte da nobreza dedicavam-se a transformar conventos em lupanares de luxo, exercendo verdadeiro lenocínio sobre as freiras, de forma sistemática e totalmente amoral – FOI A ÉPOCA DOS “FREIRÁTICOS”; e neste particular a corte portuguesa terá ultrapassado em devassidão as suas congéneres europeias.

O castigo não podia tardar: Efectivamente, em 1 de Novembro de 1755, um violentíssimo terramoto destruiu Lisboa, provocando cerca de 30000 mortos.

Um sacrificado missionário Jesuíta Italiano, o Padre Malagrida, não tergiversou em publicar opúsculos denunciando justamente o terramoto como um castigo divino – ACABOU GARROTADO NO ROSSIO, POR ORDEM DO MARQUÊS DE POMBAL.

Expoente máximo do despotismo iluminado em Portugal, o Marquês de Pombal, primeiro-ministro do fraco rei D. José I (1750-1777), foi quem, indiscutìvelmente, tornou ateu o Estado Português, ainda que, evidentemente, salvaguardasse todas as aparências do Estado Confessional – UTILIZANDO A IGREJA CATÓLICA, ÙNICAMENTE, COMO FACTOR DE COESÃO POLÍTICO-SOCIAL.

Pombal laicizou completamente a Inquisição, transformando-a de Direito num Tribunal de Estado, o que de facto já era; laicizou o ensino, seguindo as orientações dos intelectuais iluministas, anti-católicos; declarou livres os índios do Brasil para os subtrair ao controle das beneficentes reduções jesuítas, ordem que também expulsou em conluio com as cortes iluminadas europeias; aconselhava-se Pombal com ateus notórios como Ribeiro Sanches, judeu, que o encorajou a suprimir a distinção entre cristãos velhos e cristãos novos, o que o mesmo é dizer, inoculou o mais mortal veneno no sangue da Nação Portuguesa, cujo berço fora a Sacrossanta Fé Católica.

Para além disso Pombal foi igualmente um criminoso de delito comum, na forma como lidou com os proscritos filhos de Santo Inácio e sobretudo pela pendor vil com que arrematou bodes expiatórios para o atentado contra D. José I; sabe-se também que não pagava as dívidas pessoais, contando com o temor que inspirava aos credores.

Dona Maria I, o monarca português mais piedoso, tentou restabelecer as instituições tradicionais, conferindo-lhes conteúdo verdadeiramente católico, mas foi vencida nesse combate; francamente traumatizada com os excídios da revolução de 1789, acabou por perder a razão; foi ardente impulsionadora do culto do Sagrado Coração de Jesus; obteve do Papa Pio VI a concessão da festa respectiva, com Missa e ofício próprio.

As invasões francesas e consequente hegemonia inglesa consolidaram as ideias revolucionárias no território português e conduziram à revolução liberal de 1820, a qual oficializou a preponderância absoluta da franco-maçonaria que caracterizou a monarquia constitucional (1820-1910).

A Constituição de 1822, e depois a Carta Constitucional, outorgada por D. Pedro em 1826, em vigor até 1910, estatuía um regime totalmente pervertido de união da Igreja e do Estado (exactamente como ocorria nos outros países europeus de antiga Tradição Católica, bem como nas novas repúblicas sul-Americanas); nesse regime espúrio a união entre Igreja e Estado destinava-se A OPRIMIR, E SE POSSÍVEL, A DESTRUIR, A SANTA MADRE IGREJA, e não a considerar o Estado como braço secular da Igreja, fundamento imarcescível de todo o Direito Público externo Eclesiástico.

Dissolvidas as Ordens Religiosas (1834), o clero secular foi totalmente submetido ao arbítrio do Ministério da Justiça e dos negócios eclesiásticos, onde pontificava a maçonaria; a decadência do corpo Episcopal foi igualmente impressionante, visto que os candidatos apresentados pelo Governo à Santa Sé revestiam sobretudo um cunho político, muito mais do que religioso, alguns eram mesmo franco-mações, como Alves Martins e Ayres de Gouveia.

Em 1862, o Papa Pio IX admoestou o episcopado português pela sua mediocridade e subserviência ao governo maçonico; fazendo uso da prerrogativa do beneplácito régio, em vigor desde 1367 (1), os governos liberais maçonicos censuraram a encíclica “Quanta Cura” e respectivo “Sílabo”(1864) bem como a encíclica “Humanum Genus,” que condenava explìcitamente a maçonaria (1884).

Durante quase todo o século XIX reinou em Portugal A MAIS VERGONHOSA E ANTI-CATÓLICA LIBERDADE DE IMPRENSA, todos os insultos à Santa Igreja eram, não apenas permitidos, mas estimulados; os protestantes começaram a organizar-se. No reinado de D. Luís, a campanha contra a Igreja consubstanciava já, nìtidamente, a intenção de a destruir em Portugal, pois a tirania do Ministério dos negócios eclesiásticos ia ao ponto de determinar o conteúdo dos livros de estudo nos Seminários. Por essa época houve figuras heróicas pela sua combatividade contra a impiedade como o Cardeal Patriarca de Lisboa D. José Sebastião Neto (1841-1920), e o sábio Jesuíta  Padre Manuel Fernandes Santana (1864-1910).

Em 1867, o governo liberal, à semelhança dos procedimentos concretizados em muitos outros países de antiga tradição católica, INTRODUZIU, SACRÌLEGAMENTE, O CHAMADO “CASAMENTO CIVIL” PARA ESTIMULAR OS BAPTIZADOS A CONTRAÍREM UM FALSO MATRIMÓNIO À REVELIA DO DIREITO CANÓNICO.

Em síntese: a monarquia constitucional constituiu um antro da mais profunda impiedade, bem como da mais profunda imoralidade, TUDO FACILITADO PELO REGIME HIPÓCRITA DE UNIÃO IGREJA-ESTADO. Neste quadro conceptual, muitos, sinceramente, saudaram com alívio a proclamação da República, e consequente separação da Igreja e do Estado; todavia, até 1918, essa separação foi apenas nominal, visto que o demoníaco Afonso Costa (1871-1937) não abdicava de exercer a tutela disciplinar sobre o clero secular, continuando a considerar os sacerdotes como funcionários públicos, à semelhança da monarquia constitucional. Foi proibido todo e qualquer ensino religioso, mesmo nas escolas particulares; foi proibido qualquer culto público fora das igrejas, bem como o uso de vestes talares; introduziu-se o divórcio, tornando-se o registo civil obrigatório (este já existia, mas era facultativo); as leis troçavam, oficialmente, premeditadamente, do clero, acenando com pensões “para as viúvas dos sacerdotes”; foram constituídas as chamadas “Missões laicas” que deveriam substituir as Missões religiosas, mas perante o seu fracasso, a República teve que inverter as suas disposições neste particular, enfrentando o perigo iminente da desnacionalização.

Em 1926, o sistema implantado em 1910 foi derrubado, mas manteve-se o regime republicano, ainda que num sentido autoritário de tipo paternalista; NOSSO SENHOR JESUS CRISTO CONTINUOU COMPLETAMENTE ESQUECIDO.

O novo poder contava, para sobreviver, com o apoio dos republicanos conservadores, e estes nunca transigiriam na questão da manutenção obrigatória dum estrito laicismo de estado; foi nesta composição de forças que António de Oliveira Salazar (1889-1970) foi chamado ao governo. Neste enquadramento, pode e deve afirmar-se QUE O ESTADO NOVO (1926-1974) NUNCA ENCAROU A RELIGIÃO COMO UM FIM EM SI MESMO, MAS APENAS COMO UM MEIO DE COESÃO POLÍTICO-SOCIAL (à semelhança de Pombal, e ao contrário da Monarquia Constitucional e da República).

Do ponto de vista jurídico-político o Estado Novo foi um regime tão laico quanto a primeira República, embora vitalizado por uma estratégia diferente, que era: SERVIR-SE DA IGREJA E NÃO SERVIR A IGREJA.

O ensino era rigorosamente NEUTRO, as aulas de religião e moral não eram estritamente obrigatórias, sendo amplamente desvalorizadas pelo próprio sistema; o divórcio continuou nos Códigos, embora pela Concordata não pudesse ser aplicado a matrimónios realizados depois de 1 de Agosto de 1940, o registo civil continuou obrigatório (excepto para os matrimónios canónicos, como tais reconhecidos pelo Estado).

A hipocrisia mais requintada reinava, sobretudo na burguesia urbana e na classe política, onde a frequência do aborto era elevadíssima. Sacerdotes que, como o Padre Oliveiros de Jesus Reis (1921-1990), lutaram pela introdução do Santíssimo Nome de Deus na Constituição (1959), foram perseguidos; cumpre assinalar que a recusa oficial (por determinação de Oliveira Salazar) de inserir o Santo Nome de Deus na Constituição, sancionou, definitivamente, o carácter MALDITO deste regime, conclamando em altos brados O JUSTO CASTIGO DE DEUS.

E o castigo não tardou: As vagas terroristas que a partir de 1961 assolaram repetidamente o Ultramar Português, constituíram o justo castigo de Deus para os laicismos deicidas do Estado Novo; e finalmente, a revolução maçonico-comunista do 25 de Abril de 1974 coroou o açoite Divino.

O regime saído desta revolução encontrou, não já a Santa Madre Igreja, mas a maldita Igreja Conciliar, portanto qualquer perseguição careceria de sentido; muito pelo contrário, o referido regime encontrou na Igreja conciliar uma aliada natural, CONSTITUINDO AMBOS UMA EMANAÇÃO DA MAÇONARIA INTERNACIONAL.

O problema hodierno é que ao fim de 250 anos de ateísmo de Estado, este se volveu tão natural, tão óbvio, QUE NINGUÉM O NOTA, NINGUÉM FALA DELE, PORQUE JÁ NINGUÉM PODE SEQUER CONCEBER O SEU OPOSTO, A COMEÇAR PELA EX-IGREJA CATÓLICA.

Mas também o futuro de Portugal nunca se configurou tão problemático; afirmo mesmo: É FÁTIMA QUE CONFERE SENTIDO A PORTUGAL, E ESTE SÓ SE JUSTIFICA POR CAUSA DE FÁTIMA. Em Fátima reside a chave da reconstituição da Santa Madre Igreja, bem como de uma possível ressurreição católica das Nações.

NOTA- (1) O Beneplácito Régio de 1367 não consubstanciava um laicismo, ou um anti-clericalismo, constituía antes um dispositivo administrativo para prevenir rescritos falsos ou baseados em pressupostos falsos.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 14 de Setembro de 2013

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Uma resposta para “PORTUGAL – 250 ANOS DE ATEÍSMO DE ESTADO

  1. Z. Batiz setembro 23, 2013 às 4:05 pm

    Os meus comentários:

    “Um sacrificado missionário Jesuíta Italiano, o Padre Malagrida, não tergiversou em publicar opúsculos denunciando justamente o terramoto como um castigo divino – ACABOU GARROTADO NO ROSSIO, POR ORDEM DO MARQUÊS DE POMBAL.”

    Me parece que houve uma grande ‘liberdade’ de expressão quando os ‘liberais’ mandavam …

    “O problema hodierno é que ao fim de 250 anos de ateísmo de Estado, este se volveu tão natural, tão óbvio, QUE NINGUÉM O NOTA, NINGUÉM FALA DELE, PORQUE JÁ NINGUÉM PODE SEQUER CONCEBER O SEU OPOSTO, A COMEÇAR PELA EX-IGREJA CATÓLICA.”

    E a piada é que na visão de alguns este governo é de direita!!!!! Tenho pena deles.

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