Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A ALIENAÇÃO CONCILIAR DA ROCHA CATÓLICA : DE RONCALLI A BERGOGLIO

Meditation Room of the U.N.

Arai Daniele

O afastamento abissal desta geração da Palavra de Deus no mundo presente tem aspecto descomunal: parece marcar o retorno às fatais «alienações» de toda História humana.

Na Sagrada Escritura estão claramente marcadas três grandes «alienações»: a Original, quando Adão transgrediu a Ordem divina; a do Povo eleito, que recusou o Verbo de Deus; a final. apocalíptica, de uma Igreja que, usando a autoridade de Deus mesmo, fala como o Dragão inimigo (Ap 13, 11ss.). Que mais não é declarar a dignidade e o direito dos homens à liberdade de recusar o Verbo representado na Rocha da Sua Igreja divina?

Como entender essas visões e recusas espirituais que, numa fatal sequência marcam o curso da História, da negação «original» à atual apostasia «ecumenista»? Porque não usar aqui o termo «alienação», aplicado num sentido religioso e universal, apesar do uso abusado desse termo pelo Marxismo?

Marx reconhece uma hierarquia de valores materiais, no quadro das relações capi­talistas de produção, pelo qual o produto deve ser finalizado ao valor do uso humano, mais que ao dinheiro da troca, pois o produto do trabalho e as instituições são para o homem e não este para o lucro. Assim, o valor do uso e do trabalho humano não deve ser alienado pelo seu mercado, porque este é para o homem e não o contrário. Mas para que essa idéia se aplique à vida do homem de corpo e de alma, o valor devido ao homem deve ter em vista mais o homem espiritual do que o carnal. Em breve, sem a verdade sobre o fim último da vida humana, sobre o que deve ser de fato finalizado, da razão mesma da vida, que vai além do trabalho, do alimento, do corpo material, a questão é insolúvel: a visão materialista representa a mais completa «alienação» do valor da vida neste mundo.

Logo, o abuso ideológico e semântico do termo – alienação – consiste em tomar, como já vimos, a parte pelo todo, o secundário pelo principal, o meio pelo fim, o material pelo espiritual. Eis o ponto de encontro de toda revolução: a gnose da utopia de um paraíso neste mesmo mundo socialista como único fim do homem! Foi assim que a idéia de «progresso social» engendrou a «fé» revolucionária marxista que, para obter tal «bem», justificou os piores massacres e submeteu o mundo à medonha alienação comunista, inoculada pelos enganos de paz, liberdade e fraternidade que custou bem mais de cem milhões de mortos. Todavia, apresentava-se como uma verdadeira fé e religião finais!

Qual termo, melhor que este de «alienação», pode relacionar os enigmas dramáticos da história do homem, de seu início até hoje; da rejeição da palavra do Pai com a queda original.

Para repará-la houve a Encarnação divina do Filho, mas foi recusado pelo Povo eleito para recebê-Lo. Foi assim que o Verbo de Deus instituiu Sua Igreja, que revelou o divino Espírito nas Escrituras conservadas e confirmadas na Rocha de Pedro.

Que dizer agora, se uma análoga alienação for aplicada à mesma Igreja e Religião cristã, tomando a parte pelo todo, o secundário pelo principal, o meio pelo fim. Em breve, se nela for introduzido esta alienação religiosa em forma ecumenista, isto é, tomando o sentimento de «religiosidade» humana em qualquer crença – como se fosse um meio para o outro fim, para adaptar a Fé única na Palavra divina na Religião revelada por Deus ao culto do homem que se faz deus? Enfim de uma religiosidade subversiva; de uma Roma voltada para a ONU e para a URI (das religiões unidas); da Fé Católica ultimada à religiosidade relativista; dos sinais divinos, como o Segredo de Fátima adaptados à essa mutação ecumenista, indiferente e mesmo oposta às conversões? Tudo isto com a desculpa de seguir o progresso numa «fé mais universal», uma religião mais adulta e evoluída que a de Deus na Igreja católica?

Para evitar essa alienação recorrente desde a primeira, foi instituída a Igreja. Se nela faltar o amor pela Verdade isto será fatal aos homens com a perda de uma infinidade de almas! Tratar-se-ia da fé no homem a dano da fé divina; da invenção de «sinais dos tempos» modernistas contrapostos aos sinais da Providência, que só podem resultar em descristianização e apostasia geral. É a grande alienação de marca terminal, porque foi demolido o último bastião da Verdade católica, e tal alienação revela-se à luz da estreita analogia com as duas fatais alienações históricas, a original e a hebraica da recusa do Verbo de Deus.

Quanto à primeira porque se esvaece a realidade da Queda original. Quanto à segunda devido à presente afinidade do Vaticano «conciliar» com o novo poder terreno de Israel e a sua não ocasional aversão à Tradição católica. A tentativa de justificação da Antiga Aliança mantida pelo Povo Judeu é real relativização do juízo divino conhecido no Evangelho. E isto é agora aprovado por Bergoglio, que confirma assim indiretamente que vivemos em Roma a terceira grande alienação.

Certo é que o Vaticano atual adere à idéia da «nova ordem mundial», que é anti-cristã, como se a Ordem cristã tivesse perdido consistência e sentido como Idéia completa e perene.

É por isto que a consciência católica deve focalizar este verdadeiro e escandaloso «sinal dos tempos», porque, se o ensinado pelo Verbo divino há dois mil anos e confirmado pela Igreja se esvaece no horizonte da História, então as consciências devem perceber que o fugaz e transitório assumem o lugar do essencial e perene. Não se pode ficar alheio a tão inquietante sinal que focaliza a alienação obscura da mesma Idéia cristã; à demolição do que era uma certeza imperecível para conhecer o fim da vida humana e sua salvação.

Está tal hora tremenda da História ligada às Aparições de Fátima?

A primeira, de 13 de Maio, se revelou resposta ao recurso impetrado pelas orações especiais da Igreja invocadas pelo Papa Bento XV, responsável pela confirmação da Fé católica que é essencialmente fé da in­tervenção divina na terra dos homens. E no evento milagroso que seguiu, o Milagre do sol que comemoramos no dia 13 de outubro, havia todos os termos de resposta do Céu através da Regina Pacis ao pedido da Igreja em extrema aflição, por meio do Papa.

Todavia, a mensagem divina de ajuda em 1917 foi estranhamente alienada até hoje, apesar de ser Sinal tão admirável.

Assim, após aquele período de guerras devastadoras, da revolução comunista na Rússia e do retorno do antigo povo eleito a Jerusalém devido à declaração do ministro inglês Balfour, desde então o clima moral e religioso do mundo tornou-se cada vez mais vago e sórdido devido ao geral declinar da Fé causado, seja pelo materialismo ateu, seja pelo americanismo liberal. Imperou a falsa «liberdade de consciência na verdade»; o ardil mais sinuoso contra o dom da liberdade da consciência ordenada à verdade.

No plano dos fatos a tentação moderna a substituir a ordem natural cristã pela nova ordem mundial redundou no descalabro presente. Assim, na era da comunicação total, há notícias de crises e perigos terríveis, mas sobre suas causas e saídas só há confusão. A realidade hodierna é a decadência espiritual numa crise geral e profunda que atinge todos os níveis: da família ao estado, da justiça à política; onde não reinam violência e corrupção há ocultas perversões. Convive-se com libertinagens, crimes e perfídias. Nunca a autoridade foi tão necessária, nunca tão alienada, Jamais houve controles tão potentes; jamais tanta inconsciência. Não há mais como recorrer a poderes humanos para conter desordens nacionais e chacinas internacionais. Nunca a ajuda divina foi tão urgente, nunca tão ignorada

A Autoridade da Rocha Católica

Não há pois que negar a velada relação de causa-efeito entre as aberturas de Roncalli e sucessores até Bergoglio e a profunda revolução que demoliu a Fé nas consciências.

João 23 apelava ao sentimento de misericórdia para não acusar erros, mas abriu às «ideologias» de padres guerrilheiros, como Camilo Torres, que celebrava a missa ao lado da metralhadora e dizia: “João XXIII me autoriza a marchar com os comunistas”; morreu lutando para aniquilar a Ordem cristã!

Como negar que quando o Vaticano 2º justificou o direito universal da escolha da própria religião ou irreligião, tal juízo incluía todo outro, da moral à política? Não era este o «compromisso histórico terminal» entre a falsa religião e o ímpio laicismo?

À exposição dessa herança macabra no campo das idéias se aplicam nossos artigos que aquilatam, por exemplo, o efeito social da encíclica «Pacem in terris» (Ptr), tão apreciada em Moscou como nos meios socialistas e mações, porque visava atualizar a noção de livre consciência. Não estava claro isto no documento? Se não – porque devia evitar a reação católica – nem estava tão velada para dispensar o plauso da área iluminista que há séculos exigia da Igreja a declaração da liberdade de consciência e de religião, para que? senão para julgar autonomamente sobre o bem e o mal?

É a idéia que passou a ditar a vida no mundo até chegar a «alienação apocalíptica» final da Palavra de Deus. São as Sagradas Escrituras a descrever essas «alienações»: das raízes da Original e a Judaica, à esta terceira alienação: a da grande e final apostasia do mundo «cristão», no qual se exercitou a lavagem do cérebro sobre sua origem.

Ela ocorre hoje na «perfídia» dos incubadores do «vírus» modernista, de que foi portador Roncalli, para inoculá-lo no tecido da Igreja. Como uma doença inoculada nos homens por um inseto, certas idéias podem ser pior do que uma doença do corpo porque afeta as consciências. A comparação parece rude? Não foi assim, por exemplo, com as idéias de Lenin e Hitler?

Pois bem, à periculosidade das iniciativas de João 23 aludiu um dos mais célebres vaticanistas, o conde romano Fabrizio Sarazani, que sobre esse pontificado e suas conseqüências disse: “… o sinal deixado por Roncalli na história da humanidade supera de muito o impresso pelos Lenins e Stalins. Se estes liquidaram alguns milhões de vidas, João XXIII liquidou dois mil anos da Igreja católica” (Nichitaroncalli, p. 49).

Se a citação parece interna aos adidos do Vaticano, eis outra do literato mundano, o inglês Anthony Burgess, autor do tema da «Laranja Mecânica» que, retratando Roncalli no seu romance «The earthly powers», dizia que ele, por causa de seu pelagianismo anticristão, foi mais perigoso do que Hitler. Trata-se de localizar as «causas» do mal em idéias de aspecto religioso que, no nosso tempo, levam à agonia do Cristianismo.

Esta «agonia» é evidente, mas não a sua causa, ligada ao que assume forma de profetismo evocando sinais dos tempos, alheios à espiritualidade humana mas afins à utopia da evolução ilimitada do homem: é a religiosidade desviada dos falsos cristos e falsos profetas.

Assim, a débâcle da Idéia cristã no mundo ocidental, no qual serpeia o new age ligado à nova ordem de reconciliação global ecumenista, é efeito da utopia religiosa modernista de marca gnóstica, usada pela Maçonaria para impor «liberdades» em vista de substituir a Ordem cristã. Eis o planodo profetismo ecumenista demolidor da Cristandade para satisfazer a necessidade de um mundo globalizado em que vige o centro noaquita» planeador da religião humanitarista que aliena o Evangelho de Jesus Cristo!

Toda crise na terra reside na subtil diferença entre a íntima liberdade das consciências, criada por Deus, e «outra» liberdade de consciência em foro externo, ideada pelos «centros de pensamento» para difundir a revolução anticristã, sempre condenada pelos Papas católicos. Tal desvio havia que obter o favor dos «papas» modernistas e é a razão porque falamos do vírus modernista que, em nome do amor, faz fenecer sua fonte, que procede da Verdade.

João 23 tinha essa mentalidade, ou seja, da delirante «ideologia» que continua com os seus sucessores, apoiados no nefasto Vaticano 2º, porque fonte das piores liberalidades diante da moral, da qual a pedofilia é mero efeito colateral. Isto responde aos que exclamam: como pode um católico atacar assim um eleito papa?

Ora, o verdadeiro Papa católico representa e deve confirmar no mundo a Palavra e o «Pensamento» de Cristo. Se representa «outros», não é bom pensador, porque parece ser «papa», nem é papa porque parece pio pensador. Um filosofar atualizado aos tempos se viu nas parcas idéias de Roncalli, na invertida doutrina social de Montini, na trapalhada literária de Luciani, nas idéias existencialistas e antroposóficas de K. Wojtyla; depois, na apologia do iluminismo de J. Ratzinger, que chegou a recomendá-lo aos muçulmanos (22.12.2006)! E hoje com as divagações demagógicas de Bergoglio, pós-modernista que quer difundir uma nova teologia de baixo teor liberal-portenho.

Tudo de acordo com as aberturas ecumenistas conciliares em toda direção para levar a paz ao mundo moderno, já profusamente descristianizado! Um mundo esquecido que a Religião, ligada ao Pensamento divino, é guia também ao bem pensar, do qual a heresia é desvio ruinoso. A Fé não carece de iluminismos! No entanto, uma série de mestres modernistas foram festejados pelo mundo liberal, mesmo se religiosos, como Sangnier, Loisy, Duchesne, Mounier (de Esprit), antecessores dos vários Maritain, De Lubac, Congar, Urs Von Balthasar, Rahner, Kung, Ratzinger etc., que almejavam transformar a Sede suprema, de onde inocular suas idéias através de quem as ocultasse sob o aspecto pio, para depois aplicá-las a um concílio.

Eis como Roncalli, descrito de “genial simplicidade”, pelo seu cúmplice e amigo Jean Guitton, galgou o trono para abrir a Igreja ao perverso Modernismo, dominante nas versões intelectuais de Montini e Wojtyla, cujos matizes conciliares de existencialismo e personalismo foram ampliados por Ratzinger. Abrem ao iluminismo do direito à liberdade de consciência e de religião, como quer o mundo moderno. É o filosofar de aparência religiosa que mina profundamente o reto pensar e toda fé e o faz em nome do Cristianismo na Sé apostólica da Verdade, que evoluiria conforme a agenda de poderes mundiais. Deviam, pois, «atualizar» essa verdade e «purificar» toda fé com o «evoluído pensamento» que elucubraram subjetivamente.

Qual perfídia pode ser mais consumada?

É urgente então que o «resto» católico compreenda que a «autoridade conciliar» é estranha e alienou a reta consciência e portanto reaja a esta abominação da falsa autoridade dos «doutores conciliares» com suas doutrinas ecumenistas que foram além do condenado «pan-cristianismo» descrito na «Mortalium animos» de Pio XI, reconhecendo «Autoridade divina» nas mais diversas religiões, mas em especial no Judaísmo atual, apoiado por João 23 antes, como louvado agora por Bergoglio.

Há que testemunhar a falsa autoridade para a honra da Igreja e o bem das almas, tambem judias, já por demais enganadas pela fé conciliar que adultera a única Religião do Sacrifício divino que tem o poder de resgatar-nos para a eternidade: resgatar o homem velho de uma falsa liberdade que não salva, mas perde, e para a qual Nosso adorável Salvador sofreu a Sua paixão de dores indizíveis sobre cujo Sangue de Seu Sacrifício instituiu a Rocha de Salvação!

Laudetur Jesus Christus!


[1] – Entrevista ao «O Estado de São Paulo», 10.1.1982.

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