Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO É REI

resurection

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o seguinte trecho da encíclica “QUAS PRIMAS”, promulgada pelo Papa Pio XI, em 11 de Dezembro de 1925:

«4-Desde há muito tempo, foi costume chamar a Nosso Senhor Jesus Cristo com o apelativo de Rei, por causa do sumo grau de excelência que possui, de forma supereminente, entre todas as coisas criadas. Com efeito, dessa maneira se afirma que Ele reina “nas mentes dos homens”, não sòmente pela grandeza do Seu pensamento e pela amplidão da Sua ciência, mas também porque Ele é a Verdade; é necessário que os homens hauram e d’Ele recebam, com obediência, a Verdade; da mesma forma “nas vontades dos homens”, quer porque n’Ele à santidade da vontade Divina correspondem a integridade perfeita e a submissão da vontade humana, quer porque com as Suas inspirações influi sobre a nossa vontade livre, a fim de inflamar-nos para as coisas mais nobres. Finalmente, Nosso Senhor Jesus Cristo é reconhecido Rei dos corações, por aquela Sua “Caridade que ultrapassa todo o entendimento humano” (Ef 3,19) e pelos atractivos da Sua mansidão e benignidade: com efeito, nunca nenhum homem foi tão amado, nem nunca o será, no porvir, quanto Jesus Cristo. Todavia para entrar no argumento, todos devem reconhecer que é necessário reivindicar para Nosso Senhor Jesus Cristo-Homem, no verdadeiro sentido da palavra, o Nome e os Poderes de Rei; com efeito, sòmente enquanto é Homem é que se pode dizer que tenha recebido do Pai ” o Poder a Honra e o Reino” (Dn 7, 13-14), porque como Verbo de Deus, sendo da mesma substância do que o Pai, não pode não possuir em comum com o Pai o que é próprio da Divindade, e por conseguinte, Nosso Senhor Jesus Cristo possui o Império sumo e absolutíssimo sobre todas as coisas criadas.»

A propriedade metafísica fundamental dos entes contingentes É NÃO POSSUÍREM, EM SI MESMOS, O SEU PRÓPRIO SER. Efectivamente, o Anjo e o homem podem e devem produzir a seguinte asserção: EU NÃO SOU O MEU SER.

Todavia, para o Anjo esta asserção resulta espontânea da sua própria constituição ontológica – O ANJO, NA SUA ESPIRITUALIDADE TOTALMENTE TRANSPARENTE, NÃO ESTORVADA POR QUALQUER PRINCÍPIO MATERIAL, NA ORDEM NATURAL, CONTEMPLA IMEDIATA, INTUITIVA E NECESSÀRIAMENTE, QUE NÃO É O SEU SER, E QUE A RAZÃO DO SEU SER RESIDE EM DEUS – NÃO HÁ ANJOS ATEUS, EXISTEM SIM ANJOS QUE ODEIAM A DEUS, QUE TAIS SÃO OS DEMÓNIOS.

Adão e Eva, no estado de pureza original, enriquecidos de dons preternaturais e dons sobrenaturais, não podiam intuir Deus da mesma forma do que os Anjos, todavia, na Ordem Natural, CONHECIAM-NO RACIONALMENTE PELA CONTEMPLAÇÃO DAS SUAS OBRAS, e na Ordem Sobrenatural, POSSUÍAM A REVELAÇÃO QUE DEUS OUTORGARA, ORIGINALMENTE, AOS NOSSOS PRIMEIROS PAIS; POSSUÍAM A FÉ, A ESPERANÇA, E A CARIDADE, A GRAÇA SANTIFICANTE, OS DONS DO ESPÍRITO SANTO; NO PLANO PRETERNATURAL POSSUÍAM, SEM AS TER APRENDIDO, MEDIANTE AS IDEIAS INFUSAS, TODAS AS NOÇÕES QUE LHES ERAM NECESSÁRIAS COMO CHEFES DO GÉNERO HUMANO.

QUEM NÃO POSSUI EM SI MESMO A RAZÃO DA SUA EXISTÊNCIA, É, NECESSÀRIAMENTE, INDIVIDUAL E COLECTIVAMENTE, UM ENTE METAFÌSICAMENTE DEPENDENTE. A SUA RAZÃO, EMBORA REAL, NADA É SE NÃO FOR SUSTENTADA PELA RAZÃO DIVINA.

Os modernistas não suportam essa dependência metafísica, essencial, o seu horror pelo dogma é completamente instintivo; particularmente, a absoluta imutabilidade do Deus Santo, a indefectibilidade incriada da Lei Eterna, constituem para os modernistas fonte de invencível náusea. Daí o conceito evolutivo e vitalmente criativo da Tradição.

A ausência de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Sua Igreja, como realidade social e cultural, neste nosso mundo, constitui, essa sim, a fonte envenenada da mais profunda náusea; este mundo, sempre foi, mas hoje mais do que nunca, a ante-câmara do Inferno.

Sua Santidade Pio XI, na encíclica “Quas Primas” veio reafirmar de modo irrefragável, a soberania supereminente de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre toda a criatura, a título de Criador e a título de Redentor, Substancialmente Sacerdote e Vítima, na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural, e não apenas sobre os baptizados, mas sobre toda a criatura, Anjos e Homens. Contudo, a Santa Madre Igreja possui sobre os não baptizados poder espiritual, Sobrenatural, indirecto, possuindo o Estado Católico poder espiritual e temporal directo.

Constitui uma grave heresia estabelecer, NO PLANO DE DIREITO, uma independência soberana à Ordem Natural face à Ordem Sobrenatural. A questão colocou-se a propósito das civilizações pré-colombianas face ao Império Romano-Germânico e ao seu direito católico de conquista, como braço secular da Santa Madre Igreja. Evidentemente que qualquer direito de conquista baseado na rapina materialista deve ser severamente condenado; todavia, Francisco de Vitória, dominicano espanhol (1492-1546), declarou que “O Imperador Sacro-Romano e Rei de Espanha, Carlos V, depois de haver proposto a Fé Católica aos índios, no caso destes a recusarem, não possuía direito de conquista, salvo para garantir a pregação do do Evangelho em território índio”. Vitória considerava herèticamente que os Impérios pagãos possuíam um direito natural próprio, uma independência ontológica e política na Ordem Natural, que o Império Espanhol tinha que respeitar. Vitória não foi herético em sentido formal porque nunca recebeu as necessárias advertências canónicas, e porque as suas asserções podiam ser interpretadas num plano de facto; todavia o Papa Sisto V (1585-1590) estava decidido a inscrever no Index algumas das obras de Vitória, mas faleceu antes de assim proceder; o seu sucessor, o Papa Urbano VII, espanhol, acedeu aos pedidos de Filipe II, e a referida inscrição no Index foi cancelada.

Evidentemente que o Imperador Espanhol não possuía qualquer direito de conquista para se apoderar das riquezas dos índios, nem para os escravizar, MAS ÙNICAMENTE PARA DILATAR O REINO SOBRENATURAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, UTILIZANDO A FORÇA, SE NECESSÁRIO. A ORDEM NATURAL POSSUI UMA DETERMINADA AUTONOMIA, PORQUE TAMBÉM ELA FOI CRIADA POR DEUS, MAS ESSA MESMA ORDEM NATURAL DEVERÁ CEDER HIERÀRQUICAMENTE (NÃO SER DESTRUÍDA) PERANTE AS RIQUEZAS INFINITAS DA ORDEM SOBRENATURAL.

Francisco de Vitória, para grande escândalo dos seus contemporâneos, chegou a declarar que o Império Espanhol não era polìticamente superior ao império índio. Vitória também pecou quando expendeu considerações sobre o poder temporal do Papa contrárias à Bula “Unam Sanctam” de Bonifácio VIII (1302). Pretendia Vitória que a Cátedra de São Pedro não possuísse, funcionalmente, senão poder espiritual, Sobrenatural; o poder temporal constituiria apenas uma consequência puramente acidental e extrínseca desse mesmo poder espiritual, e em ordem ao espiritual; é certo que Vitória admite que em casos extremos de infidelidade o Papa possa depor os príncipes cristãos, no uso mais amplo do seu poder espiritual; todavia o poder temporal de César, para Vitória, promana da própria Ordem Natural. A Bula “Unam Sanctam” afirma, ao invés, que o Romano Pontífice, para além das suas prerrogativas sobrenaturais, possui um PODER PRÓPRIO TEMPORAL, OUTORGADO POR NOSSO SENHOR, SEMPRE EM ORDEM AO SOBRENATURAL; É AINDA ESSE PODER TEMPORAL, QUE TAMBÉM POR DISPOSIÇÃO DE NOSSO SENHOR, O PAPA DEVERÁ CONFIAR, ORDINÀRIAMENTE, A CÉSAR.

Não se trata pois, para a Bula “Unam Sanctam”, de destruir a Ordem Natural, mas sim de salvaguardar a sua perfeita autonomia SUBORDINANDO-A, ESSENCIALMENTE, À ORDEM SOBRENATURAL; QUEM PODE O SOBRENATURAL, PODE O NATURAL, SEMPRE EM ORDEM AO SOBRENATURAL.

Vitória, tal como mais tarde Francisco Suarez (1548-1617), deverão ser acusados de naturalismo, pois que conferem uma magnitude exagerada à Ordem Natural, não a subordinando devidamente à Ordem sobrenatural.

A encíclica “Quas Primas”, numa época de ateísmo de Estado e de gigantesca actividade maçonica, veio ratificar a doutrina da Bula “Unam Sanctam”, proclamando a sujeição de toda a criatura, na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural, bem como de toda a Criação, a Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 29 de Outubro de 2013

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