Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

I – A «GNOSE» CONCILIAR QUE TRAMA A CRISTANDADE no ideário do prof. Orlando Fedeli

SERPENTE

Arai Daniele

Os autores que trataram da questão crucial da «gnose», ou melhor, da «gnose espúria», como a explica o P. Ennio Innocenti no seu exaustivo estudo publicado recentemente (1). fizeram-no, ou localizando-a como doutrina, ou encarando-a como tendência mental. Ora, como a palavra «gnose» está para conhecimento, quando se pretende sob esse nome abarcar todo conhecimento humano e divino, como se fora uma super religião que o homem pode alcançar com uma inteligência intuitiva, trata-se de certo daquela falsa «gnose» que deve ser chamada «gnose espúria». Isto simplesmente porque ao homem não é possível conhecer por si sua origem, estado atual e fim último.

Para enfrentar a questão no nosso tempo, não há dúvida que se deve falar da «doutrina» que revela suas raízes, mas para estendê-la como envolvente as mentalidades religiosas atuais é mais próprio falar de movimentos. Tratar-se-ia então de uma tendência gnóstica; um «gnosticismo», que pode ser definido como um movimento filosófico-religioso melhor definido nos primeiros séculos da nossa era e diversificado em numerosas seitas que visam explicar os mistérios da divindade, do homem e da vida.

Esse gnosticismo relaciona-se com a cabala, com o neo-platonismo e com as religiões orientais em geral, visando conciliar todas as religiões por meio de sua «gnose».

É possível não ligá-lo ao movimento conciliar do Vaticano 2º que demonstra a mesma tendência seja na letra que no seu espírito e na prática ecumenista de seus promotores?

Aqui vamos pois apenas abordar esse tema extremamente complexo para compreender se e como ele toca a fundo a «variação religiosa» presente realizada com o Vaticano 2º.

Há quem tratou da matéria entre nós, como o prof. Orlando Fedeli, que via tendências gnósticas em toda a cultura moderna, e não só, mas que não quis chegar à conclusão que esta havia contaminado a «autoridade» e o «magistério» conciliar.

Vejamos algo do que diz no seu importante artigo «Gnose: religião oculta da história».

“Com a queda do marxismo, o que já se manifestava aqui e acolá se irradiou por todo o nosso cético século XX: houve uma grande explosão de misticismo. Só se fala em horóscopos, tarot, hinduísmo, homeopatia, alquimia, ocultismo, esoterismo e todos os tipos de superstição se alastram. E até ateus marxistas passaram a exibir em seus carros o dísticos “eu creio em duendes”. O fenômeno foi tão invasivo que a famosa revista internacional 30 Giorni começou a publicar repetidos artigos sobre o misticismo herético e sobre a Gnose. E o que era assunto de eruditos passou a ser tema amplamente divulgado e universalmente admitido. Assim, torna-se hoje bem claro que razão cabia bem a Simone de Pètrement que, ao analisar a literatura a partir do Romantismo, isto é, a partir da Revolução Francesa, concluiu: “a julgar por nossa literatura, nós entramos numa idade gnóstica”. Erich Voegelin, examinando os sistemas totalitários de nosso tempo – nazismo, fascismo, e comunismo – chega a conclusão de que eram sistemas gnósticos e os partidos que adotaram esses sistemas eram, na verdade, “ersatzs” da religião. Ele não hesita em colocar também a psicanálise e o progressismo no mesmo balaio da gnose: “Dizendo movimentos gnósticos entendemos referir-nos a movimentos como o progressismo, o positivismo, o marxismo, a psicanálise, o comunismo, o fascismo e o nacional-socialismo (nazismo)”. (2)

Essa tendência se estenderia à própria ciência, razão porque Jacques Lacarrière chama Einstein, Planck e Heisemberg “ces gnostiques de notre temps”  e o best-seller de Capra Fritjoff – “O Tao da Física”-, pretende ligar toda física moderna ao gnosticismo. Este gnosticismo é assinalado por Eric Voegelin, na continuidade entre as heresias gnósticas dos primeiros séculos da Era cristã e os movimentos ideológicos de massa modernos.

Orlando Fedeli sabendo que “quando se estuda a gnose entra-se num labirinto cheio de brumas, tentando descobrir segredos que permitirão chegar a um mistério”  não estranha que o tema se preste a confusões, considera portanto “necessário estabelecer distinções. A primeira é entre panteísmo e gnose. O próprio Dictionnaire de Théologie Catholique de A. Vacant e E. Mangenot cita, de cambulhada, doutrinas panteístas e gnósticas, sem distingui-las. Em seu elenco estão desde as religiões hinduístas, do Egito, China e Caldéia, passando por Heráclito e Parmênides juntos, pelo sufita Ibn Arabi, Campanella até Diderot, Kant, Novalis e os românticos. Ora, o panteísmo é a doutrina que considera que tudo – inclusive a matéria – é Deus. A gnose, ao contrário, em quase todos os seus sistemas condena a matéria como obra maligna.

“Simplificando um tanto o problema, cujos meandros não podem ser examinados nos limites deste artigo, pode-se dizer que o panteísmo representa uma corrente plutôt otimista, enquanto a gnose é pessimista. O panteísmo é naturalista, monista e tende ao racionalismo. A gnose é dualista, anti-cósmica e anti-racionalista. Mas essa é uma distinção que deveria em alguns casos ser matizada, porque alguns sistemas gnósticos são ambivalentes, com relação ao mundo material, que é dialeticamente amado e odiado ao mesmo tempo.

“Por outro lado, há sistemas panteístas que admitem a transformação da matéria em espírito, ao fim da evolução. Por exemplo, nota-se no sistema panteísta de Plotino uma clara tendência para gnose, embora esse autor neoplatônico tenha até escrito uma obra contra os gnósticos de seu tempo. Conviria dizer que o panteísmo é uma anti-câmara para a gnose, sistema reservado para espíritos mais tendentes ao misticismo orgulhoso do que ao sensualismo.”

A este ponto Fedeli diz: “Para conceituar a gnose, poderíamos dizer que ela pretende ser “o conhecimento do incognoscível. Evidentemente, essa conceituação revela uma contradição que é típica da gnose. Conhecer o incognoscível é contradição conceitual e lógica. Mas ocorre que a gnose repele a inteligência e a lógica como enganadoras. O verdadeiro conhecimento seria intuitivo, imediato e não discursivo e lógico. Conhecer o incognoscível, de fato, significa dar ao homem o conhecimento de Deus e do mal, coisas impossíveis de compreender. De fato não podemos compreender ou conhecer a própria essência de Deus que é ser infinito e transcendente, impossível de ser captado por nosso intelecto. Também não podemos entender o mal e o pecado: o mal enquanto ser não existe, e o mal moral não tem razão que o justifique. Assim, a gnose pretende oferecer ao homem um conhecimento natural que o colocaria em posição de compreender – e portanto superar – a Deus, de compreender a mal, e, ademais, de conhecer sua natureza mais íntima, que seria divina. A gnose é então a religião que oferece ao homem o conhecimento do bem e do mal. Ora, sabe-se que a árvore do fruto proibido do Éden era exatamente a árvore do conhecimento ou ciência do bem e do mal (Gen. II,10). Assim, teria sido a gnose a tentação de Adão. Com efeito, a serpente prometeu a nossos primeiros pais que, se comessem o fruto proibido, “seriam como deuses, conhecendo o bem e o mal” (Gen., III,5). A tentação de Adão e Eva foi a de se tornarem deuses. Essa é a grande tentação do homem, que, levado pelo orgulho, como Lúcifer, não admite sua finitude, não aceita sua contingência.”

“Essa tentação é, de fato, uma revolta anti-metafísica. Ora, é esse um outro modo de conceituar a gnose: uma revolta anti-metafísica. Se admitirmos essa interpretação da tentação adâmica, teremos que concluir existência uma continuidade da gnose na História. E é o que constatam os estudiosos: “a gnose apresenta-se realmente como uma religião ora oculta, ora pública, mantendo porém unidade e continuidade no transcorrer da História.”

O que devemos acrescentar ao que foi dito? Antes de tudo que no processo mental do conhecimento, isto é da verdadeira gnose, só há duas direções: ou se segue o que nos foi revelado sobre nossa origem estado e fim por Quem sabe, porque nos criou; ou se segue o que se pensa ou se ouve de outros pensadores sobre esse conhecimento arcano. Essa tal unidade e continuidade no transcorrer da História da «gnose» é só uma tendência.

Em síntese, colocando toda a questão do conhecimento, em especial sobre o homem, sua origem, estado presente e fim último, do bem e do mal, do qual não pode ser alheia a política social, temos que o dilema final é entre a posição objetiva da Fé e a subjetiva de uma qualquer gnose. Das duas posições, a da fé (pistis) está em receber o conhecimento sobre o que é bem e mal para o ser humano da realidade que funda o Direito natural; a do gnosticismo está em ditar o que esse «conhecimento» inventa para aplicá-lo ao governo dos homens.

Note-se que a filosofia de Sócrates e Aristóteles ia na direção da «pistis» pois iniciava no estupor «filosófico» diante do que não se conhece. Com a «gnose» isto é transferido pelo orgulho humano ao estupor pela própria capacidade de conhecer, que parece realizada por uma «ciência» adquirida. Trata-se, pois, de duas direções do pensamento: da Fé ou da «gnose espúria». Pela fé há que respeitar o Direito natural e divino que precede e é inerente à natureza do homem criatura; no gnosticismo o direito é produto da mente segundo as circunstâncias e o poder; a mesma noção de família seria mutável conforme o «progresso» social!

A este ponto sabemos quanto o homem precisa desse conhecimento sobre si e a sua sociedade através da Revelação do seu Criador.

Quem conhece a Revelação não ignora os grandes termos do mistério que envolve a vida e o pensamento humano no seu curso terreno, da luta que o mal move ao Bem; portanto de suas consequências para a mente humana que, atraída pelo mundo material reforça os poderes do mundo perseguidor do que è de Deus; adversa o sobrenatural.

É o complô metafísico que emaranha a vida humana e todos podem reconhecer que a Historia foi sempre escrita pelas ações de dois poderes opostos, como de dois impérios que se confrontam no campo do pensar e do crer. Na verdade, o mal neste mundo não é o resultado de desastres naturais, que pertencem ao universo material, mas da carência de bem e das opções contrárias ao bem que a mente humana faz no plano do crer; a primeira e a extrema rebelião humana concernem o ato de crer num ditame superior à mente humana, num mandamento superior para guiar a consciência, mas que o “homem livre”, em virtude dessa mesma liberdade, pode contestar; contestação que se manifesta justamente no campo do pensar e do crer. Eis o custo altíssimo que as criaturas racionais pagam pela própria liberdade e eis a origem da falsa gnose, da idéia sobre o deus mau que com os seus mandamentos conculca a liberdade e a criatividade humanas e com isto se opõe a um outro deus, que crê na bondade original do homem.

Eis o que sussurra o espírito de rebelião, desde o primeiro homem; o que imaginaram os maniqueístas do passado e o que repetem e impõem subrepticiamente os gnósticos do presente, cujo alvo final é pontificar suas idéias desde a mais alta cátedra terrena da verdade.

Por tudo isto, este fato obscuro da História é nomeado mistério da iniquidade no Evangelho: a ação final para ocupar o trono de Deus (2Ts). A esta luz o cristão pode entender também porque a extrema perseguição  vai se revestir do engano de uma geral apostasia, pela qual a realidade será incrivelmente obscurecida e deformada pelas aparências e a verdade pelo erro fatal de escolher o que mais apetece: surgirá no mundo um poder imenso, de catadura insuperável, que poucos ousarão mencionar e tanto menos enfrentar, porque representa nada menos que a coalizão de todos os poderes iníquos deste mundo: o poder anticrístico que está às portas.

O Mistério da iniquidade descrito por vários autores importantes, como Pierre Virion, está em vias de realizar-se ou jà aconteceu sem que as maiorias se dessem conta? Que parte tem nele a Maçonaria e a que fase chegou o seu plano para envolver a Igreja no seu mundialismo. Em que ponto está esse processo?

A gnose ecumenista entra nisto como um meio para atingir um fim? Ou será que, visto a inversão que ela implica para o culto, que passa do teocentrismo devido a Deus ao antropocentrismo do homem que se faz Deus, a gnose ecumenista seja o fim mesmo desse processo? Finalmente: que parte têm as profecias marianas nesse momento obscuro para a fé e para a razão ?

Eis a necessidade do que ensina a Religião única que confirma o revelado por Deus, enquanto a tendência do pensamento gnóstico é negá-lo, englobando toda especulação no campo do conhecimento como se fossem novas ciências.

Aqui temos então a grande ruptura atual da «religião conciliar» que é ecumenista e que portanto professa que são muitas as religiões que ensinam verdades sobre o homem e a vida humana.

Ora, se é verdade, como cremos, que a religião revelada fornece a verdadeira resposta às nossas inquietudes, então, assim como a aversão rebelde e pertinaz a esta é causa de crises pessoais, uma oposição organizada e demolidora da religião revelada, que priva o ser humano da “explicação divina”, representa a pior crise para a humanidade, o abate de quem representa a Palavra de Deus neste mundo: o Papa católico abatido com todo o seu séquito fiel, como visto no Terceiro Segredo de Fátima.

A esta luz, a nova “superstição ecumenista”, «liquidando» a autoridade única da Religião demonstra ser hoje a mais pérfida revolução total, que passou dos métodos violentos à sedição encoberta para destruir toda fé religiosa: é parte substancial nessa crise.

Quando se diz que há várias religiões verdadeiras, mesmo se opostas, insinua-se que a “explicação divina” é contraditória e que haveria um deus que se compraz a dispensar mentiras e a suscitar confusões entre os homens, seria o Deus ruim dos cristãos. Não é pois o caso de crer na existência do Verbo encarnado de Deus, nem na revelação sobrenatural do Cristianismo, cujo Deus quer a escravidão humana!

É a blasfêmia implícita desse ecumenismo. A este ponto, a obra de demolição religiosa operada em modo explícito pelos materialistas, através do ateísmo, demonstrou-se pouca coisa perto da maquinação ecumenista difundida pela Maçonaria, especialmente depois que esta passou a ser aplicada em modo implícito por uma nova classe de clérigos.

O cardeal conciliar Etchegaray disse na apresentação de um livro sobre a China (11.03): “Ser religioso significa ser inter-religioso”! É uma idéia gnóstica quanto à única Religião. Estes, que se apresentam revestidos da auréola de uma sacralidade acima de toda suspeita, própria dos ministros da religião revelada, inoculam o que demonstra ser o pior vírus para as consciências, o mais disfarçado engano para as almas, que as afasta do Criador justamente em nome da religião divina. Daí a constatação que essa idéia de uma religião global, utopia elaborada pelas lojas na ilusão de edificar o bem da paz, é na verdade o oposto da Religião, é a anti-religião do plano mundialista; um mistério de iniquidade terminal.

Sobre esta perversão conciliar continuaremos a falar.

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