Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A PRESENÇA NATURAL E SOBRENATURAL DE DEUS

milagredosol3

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Procedamos à leitura do seguinte trecho do Livro do Profeta Isaías:
«Levanta-te e enche-te de luz Jerusalém, porque chegou a tua luz, e a Glória do Senhor nasceu sobre ti. As trevas cobrirão a Terra, e a escuridão os povos; sobre ti, porém, nascerá o Senhor, e a Sua Glória será vista em ti. As Nações caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor da tua aurora. Levanta os olhos à tua volta e repara: Todos estes se reuniram para virem até junto de ti; teus filhos virão de longe, e tuas filhas surgirão de todos os lados. Então verás e estarás na abundância; o teu coração espantar-se-á, e ficará fora de si, quando se encaminharem para ti as riquezas do mar, e o poder das Nações vier ter contigo. Ver-te-ás inundada de uma multidão de camelos, de dromedários de Madian e de Efá; todos virão de Sabá, trazendo-te ouro e incenso, e publicando os louvores do Senhor.» (Is 60, 1-6)

O conceito de presença é necessàriamente analógico: existe a presença física, a presença moral, a presença natural, a presença sobrenatural, a presença temporal e mediata, a presença eterna, imediata e indefectível.
Pela Criação, na Ordem natural, Deus está fìsica, e mesmo moralmente presente a todo o ente, inorgânico ou orgânico, vegetal, animal, ou racional, Anjo e Homem; e está presente como Criador e como Conservador do já criado; efectivamente, a Criação recairia no nada se Deus a não sustentasse no ser com a sua omnipotência. Além da Criação e da Conservação, Deus concorre também fìsicamente, na Ordem Natural, com a actividade dos entes, como fonte transcendental da sua energia; uma tal energia, por definição, nunca pode ser detectada na ordem fenoménica, pois que é, essencialmente, metafìsicamente, incomensurável com tal ordem. No Anjo, e na Ordem Natural pela sua perfeição ontológica, Deus é necessàriamente intuído na excelsa transparência espiritual angélica.
Em Deus não há pluralidade de actos; na realidade, Deus não conhece nem quer através duma faculdade ou duma potência, mas substancialmente, com toda a Sua Essência espiritual, que é perfeitamente una; anàlogamente não existe uma pluralidade de actos Divinos “ad extra”. Existe sim um único acto infinitamente fecundo de inteligência, CONSTITUTIVO DO VERBO DE DEUS, pelo qual Deus Se conhece a Si mesmo, bem como a todo o possível e todo o Criado; e um único acto infinitamente fecundo de vontade, CONSTITUTIVO DO ESPÍRITO SANTO, pelo qual Deus Se quer e ama, necessàriamente a Si mesmo, e a tudo o mais livremente.

Toda a acção “ad extra” de Deus é infinitamente livre; existe um único Acto Divino “ad extra” –  formalmente uno e virtualmente múltiplo.
Quando na Ordem Natural (considerada aqui hipotèticamente, pois que a Ordem Sobrenatural é totalmente gratuita da parte de Deus, e totalmente obrigatória da parte do homem) um ente racional se dirigisse formalmente a Deus, num plano puramente natural, Deus tornar-se-lhe-ia presente também numa dimensão essencialmente moral, mas natural.
A Graça constitui uma participação REAL, MAS ACIDENTAL, na Natureza Divina, na Inteligência Divina, na Caridade Divina, constitui uma participação na vida íntima da Santíssima Trindade. AQUILO PELO QUAL DEUS É, SUBSTANCIALMENTE, TORNA-SE ACIDENTE NA CRIATURA ESPIRITUAL. Toda a alma em estado de Graça vive em união sobrenatural com Deus; além duma presença física e moral, na Ordem Natural, como em qualquer ente criado, Deus está também física e moralmente presente a essa alma, na Ordem sobrenatural.
Todavia a alma peregrinante neste pobre mundo terreno ainda não possui Deus de forma indefectível, eterna, indissolúvel; em primeiro lugar, a sua união com Deus pelo conhecimento, se bem que facultada por espécies inteligíveis sobrenaturais, (o que é infinitamente mais rico do que uma união mediante espécies naturais) tais espécies são criadas, o que constitui uma mediação objectiva entre Deus e a alma; sòmente no Céu, quando a PRÓPRIA ESSÊNCIA DIVINA INCRIADA CONSTITUIR POR SI MESMA, NA NOSSA INTELIGÊNCIA, O ÚNICO MEIO DE CONHECIMENTO DIVINO, ENTÃO SIM, A NOSSA UNIÃO COM DEUS SERÁ ETERNA, ABSOLUTA E IMUTÁVEL, TANTO FÍSICA COMO MORALMENTE.
Quando neste mundo nos encontramos unidos a Deus Nosso Senhor pela Graça Santificante, a Santíssima e indivisível Trindade está presente sobrenaturalmente em nós, física e moralmente, mas o Verbo Encarnado, ENQUANTO VERDADEIRO HOMEM, está sòmente presente moralmente, NÃO FÌSICAMENTE.
Na Sagrada Eucaristia, Nosso Senhor Jesus Cristo está fìsicamente presente, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade; por isso mesmo a Santíssima Trindade encontra-se toda Ela sobrenaturalmente presente a um título absolutamente inefável; na realidade a Sagrada Eucaristia constitui o grau mais excelso, mais sobrenaturalmente elevado, mais infinitamente rico, de presença de Deus no mundo terreno.
Na sarça ardente, no Santo dos santos do Antigo Testamento, na coluna de fogo noturna no deserto, Deus estava sobrenaturalmente presente, nunca porém de forma tão rica como no Novo Testamento. Durante a sua vida na Terra, antes e depois da Ressureição, e mesmo durante o tempo do sepulcro, ONDE ESTAVA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO ESTAVA A SANTÍSSIMA TRINDADE A UM TÍTULO SOBRENATURALMENTE ESPECIALÍSSIMO; efectivamente, na morte do Senhor, apenas a Alma se separou ontològicamente do Corpo sacratíssimo, o Verbo de Deus continuou hipostàticamente unido ao Corpo e à Alma; por isso, onde estava o Corpo do Senhor, estava toda a Trindade, mas não a alma do Senhor. Se se tivesse celebrado o Santo Sacrifício da Missa com o Senhor morto, no Pão estaria só o Sacratíssimo Corpo do Senhor, sem o Preciosíssimo Sangue e sem a alma, e no Cálix estaria contido só o Preciosíssimo Sangue, sem o Sacratíssimo Corpo e sem a alma do Senhor. A presença de Nosso Senhor Jesus Cristo na Sagrada Eucaristia é estritamente SOBRENATURAL, por isso o Corpo do Senhor está presente IMEDIATAMENTE, pela própria substância, e não pela comensurabilidade circunscritiva dos acidentes do Sacratíssimo Corpo do Senhor com o lugar em que Se encontra.
Quando a alma sobrenaturalmente unida a Deus reza, dirigindo-se formalmente ao seu Criador e Redentor, a sua união moral sobrenatural com Deus enriquece-se essencialmente, o mesmo acontecendo quando assiste piedosamente ao Santo Sacrifício da Missa.
A nunca suficientemente amaldiçoada Igreja conciliar, premeditadamente, gosta de equiparar a Sagrada Eucaristia às Santas Escrituras no que concerne à presença de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como já vimos, quando a alma enriquecida pela Graça Sobrenatural medita e se nutre nas Santas Escrituras, está unida física e moralmente à Santíssima Trindade, mas não está unida FÌSICAMENTE à Humanidade do Verbo, só MORALMENTE. Além de que a presença Sobrenatural da Santíssima Trindade na Sagrada Eucaristia é essencialmente mais rica do que a presença da Santíssima Trindade na alma do justo ornamentada com a Graça Santificante. Neste quadro conceptual, se a presença Eucarística é ontològicamente equivalente à presença do Senhor, quando invocado através da Sagrada Escritura – ENTÃO A PRESENÇA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO NA EUCARISTIA É SÒMENTE MORAL E NÃO FÍSICA. Toda a nova liturgia está essencialmente repassada, eivada, envenenada, desta tremenda heresia deicida, DESTA APOSTASIA.
Habituemo-nos a contemplar as riquezas infinitas de Deus Nosso Senhor sobrenaturalmente presente no meio de nós, cumprindo a Sua santíssima vontade, o mais possível segundo um só princípio sobrenatural – QUE É O PRINCÍPIO DA FÉ CATÓLICA, NA UNIDADE INDISSOLÚVEL DO DOGMA E DA MORAL.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 14 de Novembro de 2013

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