Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A NATUREZA ESSENCIALMENTE HIERÁRQUICA DA CRIAÇÃO

São Pedro, Papa“A própria maldita igreja conciliar, prisioneira das suas próprias contradições (contra a Verdade), não prescinde da hierarquia, como cadeia de transmissão do mal.” Este mal manifesta-se na subversão da ordem na Igreja, utilizando o seu poder hierárquico a favor do conciliarismo, para subverter a sacra ordem monárquica, instituida por Jesus Cristo. Assim o «papa conciliar» avalizou o direito da liberdade de contestar toda autoridade humana e também a divina em nome de sua dignidade. Segundo a “Notre Charge Apostolique” de São Pio X, essa subversão é impensável na ordem religiosa, da relação da dignidade humana com a liberdade – O primeiro elemento desta (falsa) dignidade é a (falsa) liberdade, entendida neste sentido, que salvo em matéria de religião, cada homem é autónomo.

Pois bem, o Vaticano 2º com a sua liberdade religiosa vai além da subversão do Sillon, pois haveria dignidade e autonomia humana também para praticar o mal e ofender a autoridade divina. Eis que a “hierarquia conciliar” reconhecendo o direito ao mal, contra toda autoridade, desqualifica-se como Autoridade católica.

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos São Pio X, nalguns excertos da Carta Apostólica “Notre Charge Apostolique”, de 25 de Agosto de 1910:

« O Sillon coloca a autoridade pública primordialmente no povo, do qual deriva em seguida aos governantes, de tal modo, entretanto, que continua a residir nele. Ora, Leão XIII condenou formalmente esta doutrina em sua encíclica “Diuturnum Illud”, sobre o Principado Político, onde diz: “Grande número de modernos, seguindo as pisadas daqueles que no século passado se denominaram filósofos, declaram que todo o poder vem do povo; consequentemente, aqueles que exercem o poder na sociedade, não o exercem como sua própria autoridade, mas como uma autoridade a eles delegada pelo povo, e sob a condição de poder ser revogada pela vontade do mesmo povo, de quem eles a possuem. Inteiramente contrário é o pensamento dos católicos, que fazem derivar de Deus o direito de mandar, como de seu princípio natural e necessário”. Sem dúvida o Sillon faz descer de Deus esta autoridade, que coloca em primeiro lugar no povo, mas de tal forma que “sobe de baixo para ir ao alto, enquanto na organização da Igreja o poder desce do alto para ir até em baixo”(Marc Sangnier, discurso de Rouen 1MAS910). Mas além de ser anormal que a delegação suba, pois é próprio à sua natureza descer, Leão XIII refutou de antemão esta tentativa de conciliação entre a Doutrina Católica e o erro do filosofismo. Pois prossegue: “É necessário observá-lo aqui: Aqueles que presidem ao governo da coisa pública podem bem, em certos casos, ser eleitos pela vontade e julgamento da multidão, sem repugnância, nem oposição, da doutrina Católica. MAS SE ESTA ESCOLHA DESIGNA O GOVERNANTE, NÃO LHE CONFERE A AUTORIDADE DE GOVERNAR, NÃO LHE DELEGA O PODER, APENAS DESIGNA A PESSOA QUE NELE SERÁ INVESTIDO. (…)
(…) O sillon possui a nobre preocupação da dignidade humana. Mas esta dignidade é compreendida ao modo de certos filósofos, que a Igreja está longe de poder aprovar. O primeiro elemento desta dignidade é a liberdade, entendida neste sentido, que salvo em matéria de religião, cada homem é autónomo. Deste princípio fundamental tira as seguintes conclusões: Hoje em dia o povo está sob tutela, debaixo duma autoridade que é distinta dele, e da qual se deve libertar – emancipação política; está sob a dependência de patrões, que detendo os seus instrumentos de trabalho, o exploram, o oprimem, e o rebaixam – deve sacudir seu jugo, emancipação económica; enfim, é dominado por uma casta chamada dirigente, à qual o desenvolvimento intelectual assegura uma preponderância indevida nos negócios públicos, devendo subtrair-se à sua dominação – emancipação intelectual. O nivelamento das condições, neste tríplice ponto de vista, estabelecerá entre os homens a igualdade, que é a verdadeira justiça (…).
Ora a Doutrina católica nos ensina QUE O PRIMEIRO DEVER DE CARIDADE NÃO RESIDE NA TOLERÂNCIA DAS CONVICÇÕES ERRÓNEAS, POR SINCERAS QUE SEJAM, NEM NA INDIFERENÇA TEÓRICA E PRÁCTICA PELO ERRO E O VÍCIO, EM QUE VEMOS MERGULHADOS NOSSOS IRMÃOS (…).
(…) Ah! O Sillon que dava outrora tão belas esperanças, foi captado em sua marcha pelos inimigos modernos da Igreja, e hoje já não é mais do que um miserável afluente do grande movimento de apostasia organizada, em todos os países, PARA O ESTABELECIMENTO DE UMA IGREJA UNIVERSAL, SEM DOGMAS, NEM HIERARQUIA, NEM REGRA PARA O ESPÍRITO, NEM FREIO PARA AS PAIXÕES, E QUE SOB PRETEXTO DA LIBERDADE E DIGNIDADE HUMANA, RESTAURARIA NO MUNDO, SE PUDESSE TRIUNFAR, O REINO LEGAL DA FRAUDE E DA VIOLÊNCIA, E A OPRESSÃO DOS FRACOS E DOS QUE SOFREM E TRABALHAM.»

A hierarquia como conceito e como realidade constitui uma participação formal na própria Ordem criada e Incriada.

A Ordem modera e unifica a operação dos entes segundo uma finalidade, sensitiva ou racional, primária ou secundária, Necessária ou contingente.
Deus Uno e Trino criou o mundo com uma finalidade formalmente distinta do próprio mundo –  A GLÓRIA DE DEUS, A MANIFESTAÇÃO EXTRÍNSECA, CONTINGENTE, FINITA, DAS PERFEIÇÕES INFINITAS DE DEUS. A finalidade secundária da criação, essencialmente subordinada à finalidade primária, consiste na felicidade sobrenatural da criatura espiritual, como participação acidental na Natureza Divina.
Em Deus, o Seu acto infinitamente fecundo de conhecimento, que encontra a sua plena expressão no Verbo, é um acto essencialmente substancial; Deus conhece, não por uma faculdade ou por uma potência, mas com toda a Sua essência espiritual. Deus conhece por uma só espécie inteligível, que é a Sua própria essência, que num só acto infinitamente simples, esgota todo o ser, com total extensão e total compreensão, mesmo do mais mínimo individual.
Os Anjos conhecem por uma pluralidade de espécies inteligíveis, cujo número é inversamente proporcional à perfeição de cada Anjo. NENHUM SER FINITO PODE ABRANGER A UNIVERSALIDADE COM UMA SÓ ESPÉCIE E MÁXIMA DEFINIÇÃO DO INDIVIDUAL. A pluralidade de espécies inteligíveis consubstancia concomitantemente uma limitação no conhecimento e uma hierarquização da operação.
Os Anjos distribuem-se hieràrquicamente: os mais perfeitos, na Ordem natural e na Ordem Sobrenatural, contemplam a Deus numa suprema intimidade, numa eterna e inimaginável Luz de inteligência e amor sobrenatural, assistem imediatamente ao Trono Divino, recebendo as directivas de Deus Nosso Senhor, retransmitindo-as aos Anjos executantes (os Anjos comunicam entre si por actos de inteligência e vontade); todavia nem mesmo estes Anjos de suprema excelência podem compreender, perfeitamente, a Essência Divina, na exacta medida, em que sendo contingentes se encontram, metafìsicamente, infinitamente longe da Verdade Incriada.
Os Anjos de perfeição média (e não olvidemos que cada Anjo concentra em si uma perfeição específica) governam o Universo, sob as determinações Divinas, visto que o princípio hierárquico, que é um princípio de Ser, exige uma cadeia de operações, em que cada ente contribui com a sua própria capacidade, determinada pelo seu grau de perfeição, para o bem total. Deus Uno e Trino criou o Universo visível e invisível, sustenta-o no ser com a Sua Omnipotência, exerce o Seu concurso na operação da criatura, FAZ O QUE A DEUS TRANSCENDENTALMENTE COMPETE, AQUILO A QUE ELE MESMO, LIBÈRRIMAMENTE, SE OBRIGOU; todavia, o GOVERNO DO MUNDO exige a consecução de determinadas intervenções Divinas na ordem NATURAL da Criação, as quais são executadas por Anjos, pois a criatura material está imediatamente, providencialmente, sujeita à criatura espiritual.
Os Anjos de menor perfeição, mas mesmo assim imensamente superiores à criatura humana, possuem a função de guardar os homens individualmente, assim como as instituições e as Nações; São Miguel é o grande defensor da Santa Madre Igreja, mas cada sujeito baptizado possui o seu, assim como cada paróquia e cada diocese. Compete aos Anjos da Guarda executar os decretos governativos de Deus no que concerne às vicissitudes NATURAIS dos baptizados, integradas, contudo, de forma extrínseca providencial, no governo Sobrenatural das almas, por exemplo: a salvação num desastre, ou um auxílio extraordinário de ordem física ou intelectual. Note-se que os Anjos não podem fazer milagres, mas sim prodígios, não podem ausentar-se das leis naturais criadas por Deus Nosso Senhor; na salvação de uma criança que cai de uma janela, o Anjo da Guarda, sob instruções Divinas, e fazendo uso do seu poder ontológico, espiritual sobre a matéria, segura a criança – NÁO FORAM ULTRAPASSADAS AS FRONTEIRAS DAS LEIS NATURAIS, PORQUE É NATURAL QUE A CRIATURA PURAMENTE ESPIRITUAL DOMINE A MATÉRIA; DEUS PODIA TER PRODUZIDO DIRECTAMENTE O MESMO EFEITO, MAS A NATUREZA HIERÁRQUICA DA CRIAÇÃO EXIGIA QUE SE PROCEDESSE INDIRECTAMENTE.
O verdadeiro milagre exige que sejam excedidas as fronteiras das leis naturais, o que só Deus Nosso Senhor pode fazer, por exemplo: a ressureição dum morto. A natureza, enquanto tal, por definição estrita, é incapaz de produzi-lo. Já a multiplicação dos pães, bem como o acalmar da tempestade, o Anjo poderia realizá-las, sob Ordens Divinas, mas no caso evangélico foi Nosso Senhor Jesus Cristo que as operou, quer como verdadeiro Deus, causa eficiente principal, quer como verdadeiro Homem, causa eficiente instrumental em sentido eminente.
Os homens são compelidos a proceder hieràrquicamente, mesmo quando praticam o mal, quer dizer: mesmo no mal os homens permanecem MATERIALMENTE sujeitos à Lei Eterna.
Os regimes comunistas apostados na destruição de todas as desigualdades e de todas as sujeições, geraram em si, automàticamente, diabòlicamente, tudo aquilo que pensaram poder destruir – MESMO EM NEGATIVO A LEI ETERNA SURGE.
A própria maldita igreja conciliar, prisioneira das suas próprias contradições, não prescinde da hierarquia, como cadeia de transmissão do mal; isto acontece, porque o mal, ontològicamente, metafísicamente, não é ser, mas privação qualificada de ser, resultante da operação moral da criatura espiritual estar privada da forma da Lei Divina; nesse caso, o dinamismo do ente inteligente, embora privado do ser moral que lhe compete, continua operando, não orientado para Deus, mas para a criatura, e porque só pode conceber as suas ideias e prosseguir os seus fins, numa cadeia de espécies inteligíveis que procedam do geral para o particular, bem como, numa divisão qualificada de funções intelectuais, culturais, e sociais – INFERE-SE COMO COROLÁRIO, QUE POR MAIS MAL QUE PRATIQUE, O HOMEM ANUNCIA, QUER QUEIRA, QUER NÃO, A NATUREZA HIERÁRQUICA, ORDENADA, DA CRIAÇÃO, À QUAL TEM DE SE SUBMETER.
Toda a hierarquia, todo o vínculo de obediência, toda a subordinação, natural ou Sobrenatural, possuem a Verdade e o Bem como FUNDAMENTO ÚNICO e FINALIDADE TAMBÉM ÚNICA. Pois que o homem promana de Deus, por criação, e para Deus deverá voltar, mas terá de fazê-lo INTEGRADO ORGÂNICAMENTE (1), ESSENCIALMENTE, NO CONJUNTO DA CRIAÇÃO. NÃO HÁ, NEM PODE HAVER, OBEDIÊNCIAS ABSOLUTAS A AUTORIDADES HUMANAS, AINDA QUE APARENTEM REPRESENTAR DEUS. Nosso Senhor Jesus Cristo constituiu a Sua Igreja como hierárquica de modo a que a Verdade e o Bem sejam acolhidos adequadamente por todos e por cada um.
As hierarquias humanas, religiosas, familiares e civis só existirão até à Parusia final, até à transfiguração do Universo pela vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo; no Céu, a única hierarquia entre os homens será a da Santidade; o mais ínfimo, humanamente falando, dos fiéis, poderá obter uma coroa de glória superior à de Papas e Reis. O chamamento da Graça é ESTRITAMENTE SOBRENATURAL, embora possua uma proporção EXTRÍNSECA PROVIDENCIAL com as realidades naturais. Após a transfiguração final, os Anjos já não necessitarão governar um Universo glorificado, nem guardar os homens, os quais terão já atingido o seu estado escatológico – Céu e Inferno. A Soberania de Deus Uno e Trino será perfeita; a Sabedoria da Providência como ideia do mundo eternamente presente na Inteligência Divina, a chave do mistério do mal presente no mundo, permitido por Deus, para daí fazer resplandecer o maior Bem, ilustrará então, para todo o sempre, a alma dos justos.

NOTA 1- A organicidade determina – na filosofia essencialista, católica – que cada ente racional (e também, genèricamente, não racional) possui um estatuto e uma função na sociedade, facultada pelo nascimento, e de que ele não pode dispor livremente ( a não ser por excepção). A hierarquia é um aspecto da organicidade.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 30 de Dezembro de 2013

3 Respostas para “A NATUREZA ESSENCIALMENTE HIERÁRQUICA DA CRIAÇÃO

  1. GERALDO MAJELA FERREIRA CONDÉ janeiro 2, 2014 às 2:56 pm

    Está se cumprindo o III segredo de Fatima . Bergoglio é sem dúvida o ante papa. Nao podemos nos esquecer que em 1963 em Garabandal(Espanha) nossa Senhora disse aos videntes”Depois deste que acaba de morrer, só restam três(03), e então será o fim” Vieram Paulo VI, Joao Paulo I e Joao Paulo II.

  2. Letha A. Hooper janeiro 13, 2014 às 9:08 am

    Dentre os anjos da tradição cristã está o tipo do anjo da guarda , chamado fravashi pelos seguidores de Zoroastro , e ao anjo da guarda, como o nome diz, é confiada individualmente cada pessoa ao nascer, protegendo-a do mal até onde a ordem divina o permita, fortalencendo corpo e alma e inspirando-a à prática das boas ações.

  3. Lorie Crane janeiro 16, 2014 às 3:58 am

    Nossa Mãe não desvia nossa atenção, mas nos aponta os males desse mundo … c nossa indiferença também!

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