Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

HÁ MENÇÃO NOS ESCRITOS DE FÁTIMA DE UMA MISTERIOSA VACÂNCIA PAPAL ?

  • “The prophecies of the Apocalypse show that Satan willBergoglio monofisita imitate the Church of Christ to deceive mankind; he will set up a church of Satan in opposition to the Church of Christ. Antichrist will assume the role of Messias; his prophet will act the part of Pope, and there will be imitations of the Sacraments of the Church. There will also be lying wonders in imitation of the miracles wrought in the Church.” (The Church of Christ, 119) “There seems to be no reason why a false Church might not become universal, even more universal than the true one, at least for a time.” (ibid. 155, Tradução mais adiante))

Rev Father theologian Sylvester Berry (1927):

Arai Daniele

Nos escritos de Fátima há repetida menção de que o Papa terá muito que sofrer. Trata-se do papado, que se compreende também pela menção feita por Jesus a Lúcia sobre a culpa de retardarem o cumprimento de Seu pedido: como seguiram o exemplo do Rei da França (reino) ao tardarem no atendimento ao meu pedido, o seguirão na desgraça! E Jesus fala do Reinado que recebeu o pedido de Seu Sagrado Coração!

O Rei foi guilhotinado. Eis que na visão da terceira parte do Segredo, esta «eliminação» (por um tempo) acontece com o Papa católico. E quando o Papa morre há uma vacância. Quanto dura? Tudo indica que isto pode ser aquilatado pela ausência na função papal, que é representar e testemunhar a Verdade, que é Nosso Senhor Jesus Cristo mesmo. Portanto, essa ausência pode ser reconhecida na falta do Espírito de Verdade na atual Sé conciliar (como expus no meu escrito sobre a autenticidade do Segredo publicado em 2000; https://promariana.wordpress.com/2010/10/05/da-validade-do-segredo-publicado-em-2000/; http://wp.me/pWrdv-aT).

Em outro artigo: «O Exorcismo de Dom Mayer para a Liberdade da Igreja», expus o fato que a conjura histórica contra a Igreja é contra a Verdade de Jesus Cristo. De fato, a grande conjura de que tratamos não é fruto da imaginação de “complotistas”, que em tudo vêem elementos de uma fantasmática “história do complô”. Não, essa história, da qual tudo indica vivemos etapas conclusivas, remonta à Religião revelada do livro da Gênese e à tentação do Pecado Original, a realidade mais comprovada da história humana de todos os tempos.

O Antigo Testamento explica o Novo e Eterno Testamento de Cristo pela “conspiração” que levou ao Seu Sacrifício na Cruz para nos redimir da queda que foi conseqüência da “conspiração original”. Hoje há quem põe a questão: Deus podia permitir ou querer todo o desatino e crueldade resultante desse deicídio?

Nós, seguindo o ensinamento da Igreja, sabemos que esta questão está ligada ao Pecado original, culpa do desvio com o qual os primeiros pais apartaram-se da Graça divina. Daí a causa de todo mal de que foram capazes os homens no curso da história. O desprezo e desobediência da Palavra divina teve por conseqüência nefasta todo o mal deste mundo.

Foi, portanto, inicialmente com imensa surpresa, que se ouviu quem se apresenta como Vigário de Deus falar da natural bondade do homem e portanto do mundo humano, ao qual a Igreja devia abrir-se. Isto aconteceu com o Vaticano 2º e hoje, já nem mais causa surpresa ouvir um prelado da cúpula eclesial dar essa conciliação do Papa com o mundo moderno, condenada por Pio IX, como obrigatória. De fato, Dom Oscar Rodríguez Maradiaga, o cardeal guindado pelo «papa» Bergoglio para liderar o seu Conselho de Cardeais, explica que essa reconciliação com o modernismo estava no centro do “1789 na Igreja”.

Tratar-se-ia da revolução do Vaticano 2º, louvada pelo Cardeal Suenens como o principal evento na Igreja no século XX porque significou o fim às hostilidades entre a Igreja e o modernismo, que havia sido condenado no Concílio Vaticano I. Para eles, nem o mundo é lugar do mal e do pecado, nem a Igreja é reino do bem e da virtude. E o Modernismo não foi senão reação contra essa visão injusta que menosprezava toda dignidade e direitos da pessoa humana, conquistadas em 200 anos de Iluminismo.

Ora, isto já havia sido explicado também pelo Cardeal Ratzinger em 1984 ao jornalista Messori. Depois, quando se tornou Bento 16, pôs isso em prática, na linha de seus predecessores, por exemplo ao visitar Auschwitz dizendo: “diante de tantos horrores, onde estava Deus escondido?”. Note-se a inversão: a responsabilidade do mal não seria dos homens neste mundo, mas de Deus que não o impedia. Por isto, permitia-se naquela ocasião interpelá-Lo escandalosamente. Sim, porque nunca antes um católico poderia imaginar um clérigo em veste papal a interpelar um «sono» de Deus, como fez então

Bento 16. Na esfera espiritual assim ficaria  invertida a referência da consciência diante da absoluta bondade e verdade divina, pois haveria homens mais prudentes e bondosos que Deus, que por isto poderiam acusar a falta de atenção e compaixão divina!

Esta enormidade é citada aqui para explicar o que se entende como falta do Espírito de Verdade na Sé conciliar. Uma ausência atual porque agora é Bergoglio a contestar o que está escrito sobre os Apóstolos, dizendo que  “eram um pouco intolerantes”, fechados na idéia de possuírem a verdade, na convicção que “todos os que não têm a verdade, não podem fazer o bem”. E “isto está errado”… (“Evangelho” segundo Bergoglio/Francisco no «L’Osservatore Romano, ed. quotidiana, Anno CLIII, n. 117, 23/05/2013)

As questões de Ratzinger/Bergoglio e demais «papas conciliares» definem assim a religião de clérigos que se envergonham e se desculpam pela Religião de Deus, que na versão gnóstica criou um mundo cruel! Isto afasta da Religião católica, que ensina e celebra o Sacrifício do Filho de Deus vindo a remir homens caídos no mal da contínua conspiração original, à raiz da História. Assim, Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado, não teria vindo ao mundo “sofrer” todo o mal físico, de carências, dores e morte, e o seu mal espiritual de ódio, engano, vilipêndio e traição, para remir o homem decaído com esse legado de bondade e amor, mas como vítima da vontade de um deus insensível e cruel! Eis a horrivel «verdade» gnóstica!

Os filhos de Sua Igreja o testemunharam desde então pelos séculos com o martírio físico e espiritual no exemplo de Jesus Cristo, porque Ele é a Verdade da presença de Deus no mundo. Os horrores deste mundo se devem ao repúdio da Verdade revelada pelo Verbo de Deus no Evangelho e de Seu divino Sacrifício. A Igreja representa essa presença, mas os «papas conciliares» fizeram surgir no seu lugar outra igreja – iluminista, para interpelar o «escondimento de Deus»!

No tempo cristão, o ser humano buscava a verdade e o bem da presença divina na consciência, sabendo que a estas verdades não podiam chegar por si.

Hoje há quem chegou ao ponto, com o culto do homem, de sentir-se livre e capaz de julgar a Deus diante de eventos que são justamente derivados de seculares alienações da Fé no plano divino de redenção. Assim, nestes tempos, a voz para o «culto do homem vítima de Deus», provem nada menos que de quem pretende pontificar como papa! É o sumo engano do espírito gnóstico da anti-religião, diametralmente oposta à Católica, que interpela a bondade divina num mundo que quer o direito até para a falsa liberdade.

Foi o que pontificou a igreja conciliar com os seus documentos, em particular o da «Dignitatis humanae», pelo qual os homens julgam ter direito até para o mal! Quão poucos percebem e testemunharam contra isto.

No seu tempo Dom Mayer o fez, reconhecendo que, desde Paulo 6º, com seu discurso de fechamento do Vaticano 2º, se configurava a «nova Igreja» iniciada com João 23, alterando a questão da liberdade de consciência, até esta de Bento 16/Bergoglio, cuja «consciência conciliar» leva a pronunciar frases dignas do ofídico conspirador original.

Dirão: este não foi, porém, o testemunho de Dom Mayer no seu tempo. De fato, ele reconheceu que o Vaticano 2º configurava uma nova igreja, mas só no fim percebeu que seu testemunho devia ir além da denúncia contra a liberdade religiosa e de consciência conciliar; devia desautorizar seus autores. Já vimos antes no «caso Rifan» que uma tortuosa ação «traicionalista» barrou muitas vezes o que o Bispo entendia testemunhar.

Duas religiões diametralmente opostas

Poucos percebem hoje, no meio da grande apostasia, como se pode falar de duas opostas religiões, diante das palavras edificantes a favor da família, da moral e mesmo de Jesus, vindas de aplaudidos chefes conciliares.

Devemos assim voltar ao início para saber o que opôs e o que favoreceu a conspiração demoníaca contra a Palavra divina, que permitiu todo o mal que seguiu o Vaticano 2º.

Ora, numa hipotética Teodicéia[1], porque teria Deus permitido o mal do erro e do engano neste mundo, segundo a sua Igreja, senão em vista de um bem maior?

Explica-se isto dizendo que Deus, sendo a perfeição do Bem e do Amor, “precisava” comunicá-lo a seres que o reconhecessem e aderissem a Ele livremente. É o bem maior das criaturas espirituais, cuja filial dignidade à imagem e semelhança do Pai, têm a liberdade, embora esta implique o grande risco da escolha do mal. E assim havia sido com os anjos que escolheram o próprio culto e a danada conspiração universal que quiseram transmitir à criatura humana, posta na encruzilhada da matéria e do espírito.

Ora, ao mal espiritual do erro, do engano, do pecado e dos vícios da inveja e ódio, assim descritos no Catecismo católico, vão corresponder os males físicos de defeitos, doenças, sofrimentos e da morte. Quando o homem é livre de escolher por si até contra a Palavra de Deus, Verdade e Vida, só pode cair no seu contrário de falsidade e morte; males derivados do que deveria ser o bem da liberdade humana, que foi mal usada.

Para bem usá-la, Deus suscita nas consciências as virtudes para enfrentar os males e os vícios e nisto não somos livres de escolher e ditar o bem e o mal. Mas foi justamente a esta árvore que o conspirador original dirigiu o apetite de Adão e Eva. Hoje faz o mesmo com todos, mas tem por tentador adjunto um papado e clero conciliar, que declararam o “direito humano” à liberdade de consciência e de religião!

Eis o contrário do Espírito de Verdade dos Mandamentos, para o qual existe a Religião! Resultado: «consagrados» chegam ao ponto de  interpelar Deus, como vimos, trajados de Vigários de Cristo na Sua mesma Igreja e assim são recebidos por quantos querem ser considerados bons católicos. O engano chegou ao seu ápice na Terra contra o Espírito de Verdade.

E como explica o teólogo, Padre Sylvester Berry: As profecias do Apocalipse mostram que Satanás imitará a Igreja de Cristo para enganar a humanidade, ele vai criar uma igreja de Satanás em oposição à Igreja de Cristo. O Anticristo irá assumir o papel de Messias, o seu profeta vai fazer o papel do Papa, e haverá imitações dos Sacramentos da Igreja. Haverá também prodígios enganosos em imitação dos milagres operados na Igreja. “(A Igreja de Cristo, 119)” Não parece haver nenhuma razão porque uma falsa Igreja não possa se tornar universal, ainda mais universal do que a verdadeira, pelo menos por um tempo. “(ibid. 155)

Uma Super-Igreja ecumenista com um falso papa? Sacramentos de imitação? Portentos enganosos de beatificações para enganar a humanidade? Os fiéis reduzidos a um pequeno «resto»? Nesse tempo de confusão eclesial, depois de cinco décadas da demolição do Vaticano 2º, isso é uma realidade visível ou fantasia de alguns? Na verdade essa realidade é tão apavorante que parece absurda para muitos dos chamados católicos?

Mas a certificação dessa verdade já está no fato que uma multidão já não reconhece um absurdo teológico quando ouve ou vê encontros ecumenistas pelos quais Deus teria feito muitas revelações, até mesmo contraditórias entre elas! Que judeus e muçulmanos e outros crentes e não crentes podem dispensar e desprezar a Palavra de Cristo e assim mesmo, sem se converterem, serem queridos pela misericórdia divina!

Só uma intervenção extraordinária poderia enfrentar uma tragédia espiritual dessa dimensão no nosso tempo de grandes guerras e revoluções. Esta iniciou em Fátima em 1917 e continua. Mas no ano antes da morte do Papa de Fátima, Pio XII, Nossa Senhora fez saber, através da Irmã Lúcia, que revelou-o ao Padre Agostino Fuentes, postulador da causa dos pastorinhos (http://wp.me/PWrdv-uZ), que estava muito triste porque “não se deu atenção à sua mensagem de 1917. Nem os bons nem os maus tomaram conhecimento… o demônio está desencadeando a batalha decisiva contra a Virgem Maria, e o que mais aflige o Coração Imaculado de Maria e de Jesus é a queda das almas religiosas e sacerdotais. O demônio sabe que sacerdotes e religiosas, descuidando de sua excelsa vocação, arrastam muitas almas para o inferno…

Quem foi formado no discernimento católico entre o bem e o mal, entre o verdadeiro e o falso, entre a Igreja de Cristo e o aparato de Satanás, ainda tem condições de defender a Verdade e repudiar o assustador engano de aspecto religioso dos falsos cristos e falsos pastores no Vaticano, mas só se aderirem à ajuda especial de Nossa Senhora.

A presente Paixão da Igreja ocorre sob a marca do engano

Esta Paixão da Igreja é bem diversa da inicial dos primeiros cristãos. De há pelo menos dois séculos, as forças que queriam destruí-la, sabendo que isto se revela impossível, passaram ao plano alternativo: ocupá-la para transformá-la segundo idéias liberais, maçônicas e judaizantes da política mundial moldada pela Revolução e depois pelo Vaticano 2º. Hoje não há mais segredo sobre o que liga as idéias do modernismo com os planos maçônicos.

Trata-se do mega ecumenismo capaz de abraçar não só as mais diferentes religiões, como a judaica, mas as mais obscuras ideologias, como a da nova ordem mundial. O plano da URI o desvela. Ora, compreende-se que tal programa representava uma última manobra dialética que só poderia ser aplicada por um “poder” dentro da Igreja. Eis que o principal plano maçônico nesse sentido era o de eleger uma “nova autoridade” para assumir o comando da Sé de Pedro, tramando para obter o poder papal segundo a intimação maçônica de não mais procurar a conversão de ninguém. Eis a oposição dos conciliares com Fátima e o o culto do Sacrifício divino.

Diante da contradição alucinante dos que se reconciliam com os poderes do mundo ocupando o Trono da Verdade, rezemos multiplicando nosso testemunho com o exorcismo referido a que a Igreja e o mundo precisa de modo urgente, repetindo o quem foi escrito pelo Papa Leão XIII (e traduzido aqui por Dom Mayer), invocando a proteção de São Miguel Arcanjo, para ser usado no fim da Missa: “As hostes astuciosíssimas encheram de amargura a Igreja, Esposa Imaculada do Cordeiro, e inebriaram‑na com absinto; puseram‑se em obras para realizar todos os seus ímpios desígnios. Ali onde está constituída a sede do beatíssimo Pedro, e Cátedra da Verdade para iluminar os povos, ali colocaram o trono da abominação de sua impiedade, para que, ferido o pastor se dispersassem as ovelhas.”

Que cada um medite em consciência se não é isto que vivemos.


[1] – Termo cunhado por Leibniz para designar a doutrina que procura conciliar a bondade e onipotência divinas com a existência do mal no mundo.

4 Respostas para “HÁ MENÇÃO NOS ESCRITOS DE FÁTIMA DE UMA MISTERIOSA VACÂNCIA PAPAL ?

  1. Giulia d'Amore janeiro 4, 2014 às 2:35 pm

    Ultimamente, tenho chegado a 2 conclusões, analisando os fatos, a lei, o aspecto jurídico…

    1) Temos duas Igrejas. Isso é fato. Se temos duas Igrejas (uma invisível e Santa e outra visível e herética), então não há sequer de se questionar se Bergoglio é ou não é Papa, se era católico antes de ser eleito Papa (o que poderia anular sua eleição), ou qqr consideração a respeito. Se temos duas Igrejas, ele é tão papa da Igreja Católica qto o Dalai Lama.

    Eu já perdi tempo questionando pelo aspecto jurídico e/ou canônico sobre a “catolicidade” de Bergoglio, mas ultimamente tenho sossegado meu coração e minha mente: quem pode declará-lo herege? quem pode conclamar um novo conclave? Rezando pela conversão dele e obtendo essa graça, ele é AUTOMATICAMENTE Papa?… Agora, simplesmente me limito ao que me corresponde ou seja a 2ª conclusão:

    2) Como não me compete declarar um Papa herético, como não me compete dirigir a Igreja e seu destino, como aparentemente o assunto não altera minhas obrigações de estado e da saúde da alma, cheguei à conclusão de que a razão que Deus nos deu PODE, sim, chegar a conclusões a respeito do tema, pode “perceber” que de fato a Igreja Católica e a Igreja conciliar são religiões distintas e que não estão ligadas por nada, que Bergoglio (e outros antes dele, desde o CVII), ainda que fosse Papa, disse heresias (portanto, estaria fora da Igreja e estando fora da Igreja não pode comandá-la), mas que eu devo cuidar da salvação de minha alma e da almas dos que me foram confiados e, no tanto que for possível, de todos os demais católicos, com orações, advertências, conselhos.

    Não ter um Papa não acaba com a Igreja. Isso já vimos na História por diversas vezes e, inclusive, por um lapso de tempo maior que o nosso. Mas não creio que seja imprescindível declarar-se sedevacantista ou gritar que não temos papa ou coisas assim.

    O presente artigo é útil para reflexão, pq devemos usar a razão! Como cristãos não devemos nos manter impassíveis, ou obedecer por obedecer, ou “ir até o inferno com o papa” como dizem os modernistas. Fazer uso da razão e cuidar da própria alma! Isso é o papel do leigo e até mesmo do clero.

    Não creio que Deus precise de mim para resolver os assuntos dEle. Nem que se importe com “rótulos”…

    Good job!

    • Arai Daniele janeiro 5, 2014 às 1:09 pm

      Respondo à amiga Giulia d’amore, que concluiu justamente, em vista de fatos e da lei, que há hoje duas Igrejas sob o nome da Católica Apostólica Romana. Como a verdadeira e santa parece invisível e a «outra» visível é herética, estamos vivendo um momento crucial da história humana, que pede uma posição das pessoas conscientes desse engano desastroso. Esta, pelo que nossa formação católica indica, implica uma obrigação segundo nossas capacidades pessoais de estado, que condicionam a saúde de nossa alma.
      Vejamos uma comparação. Mgr Lefebvre no início de sua resistência mencionou a situação da Igreja como a de «uma cidade ocupada»; segundo o título do livro de Jacques Ploncard d’Assac – L’Eglise occupé (1974) -, no qual o autor já concluía então que: “Rien ni personne ne peut faire que l’erreur devienne vérité. La secte moderniste peut bien ‘occuper’ l’Eglise, elle ne saurait prétendre être l’Eglise.” (Nada nem ninguém pode fazer com que o erro se torne verdade. A seita modernista pode «ocupar» a Igreja, mas ela não pode pretender ser a Igreja). E isto se aplica aos «papas modernistas conciliares»; metamorfose na Sé de Pedro que Mgr Lefebvre notara desde o início citando a obra citada: “O livro reporta documentos indicando a evolução ocorrida no interior da Igreja durante o último século. Eu só quero remontar a 1960 [quando o 3º Segredo seria mais claro], aliás 1958: neste período aconteceu algo na Igreja? O que? È impossível conhecer os fatos a fundo: pessoalmente os desconheço; mas percebemos estas mudanças desde 1958, desde o conclave que elegeu João XXIII.” (Mgr Lefebvre, «J’accuse le concile»). A demolição eclesial que seguiu é inegável, e tem a marca das idéias modernistas e maçônicas, de que era reconhecido portador Roncalli. Nesta direção e num crescendo, porque muitos católicos acharam que nada havia a fazer, chegamos a Bertoglio, com a devastação de ordem também espiritual que se conhece na ordem histórica. Não temos nada a ver com isto? Mas se a comparação acima era para entender na ordem visível que a nossa cidade fora ocupada pela seita inimiga, podemos ficar com o coração e mente sossegados com a dúvida de quem pode declarar os ocupantes hereges e, se não conclamar, pelo menos rezar por um conclave católico, ao invés de iludir-se com a conversão dos invasores? Certamente não nos compete dirigir a Igreja e seu destino, mas declarar o que se ouve como fala herética, isto compete a todo o que tenha fé e caridade; pelo bem dos outros, pela honra da Igreja e por amor ao que é de Deus. A questão é se devendo cuidar da salvação da própria alma e das almas dos que nos foram confiados, podemos, conhecendo tudo isto, deixar de testemunhá-lo quanto possível, o que no nosso caso vai além de contentar-se, como as maiorias, só com orações para que seja Deus a sanar a invasão e demolição de Sua Igreja. Esta foi instituída para nós, e Deus age através dos homens. Por isto a Apóstolo insta a testemunhar a tempo e contra tempo se preciso for desde os telhados.
      Quanto à ser «imprescindível declarar-se sedevacantista ou gritar que não temos papa ou coisas assim», a simples reflexão indica a utilidade de usar a razão para bem colocar o verbo «ser». De fato, quem teme o «opróbrio de SER sedevacantista» coloca a despropósito o verso «ser»; nessa questão o ser ou não ser não é pessoal – refere-se à Sede que deve ser de Jesus Cristo – para representar a Sua Palavra; diversamente não É, apesar de toda aparências às quais multidões crêem embasbacadas e prontas a “ir até o inferno com o papa” como dizem os modernistas, para os quais não há realidade fora do espetáculo fenomênico do mundo. Creio que Deus «quer precisar» de cada católico para resolver os assuntos de Sua Igreja, da qual somos filhos e para tal concedeu a cada um «talentos», dos quais no fim prestaremos contas.
      Bom testemunho a todos no meio das tormentas que o Ano novo inevitavelmente trará com a Igreja de Deus ocupada e abandonada.

      • Giulia d'Amore janeiro 5, 2014 às 11:57 pm

        Prezado Arai, talvez não soube me expressar. Minha atitude não é de alienação ao problema, nem de ficar estática em oração esperando uma conversão na qual minha mente humana NÃO acredita. Somente um milagre – e dos grandes – poderia ocasionar isso. Talvez um milagre comparável ao da conversão dos Judeus, pelo número de pessoas envolvidas.

        Eu falava apenas de mim, uma mulher, mãe de família e esposa. Eu “sei” que a Sé está vacante. Não por que Bergoglio seja herético (e, de fato, o é, independente de ser papa ou não), mas porque a Igreja visível, apesar da “opinião” de DOM Fellay, NÃO é a Igreja Católica. E se Bergoglio governa a Igreja conciliar… quem governa a Igreja Católica?

        Minha alma está tranquila, qto à questão, pelo simples fato de que tudo o que ocorre tem a permissão de Deus. E se Ele cuida das coisas… pq me preocupo? Não sei, mas aprendi que o coração deve repousar sua confiança em Deus.

        Vou meditar melhor sobre o texto e tb sobre a resposta que gentilmente me deu. Muito obrigada.

        Juntos em oração e combate. Poucos, mas bons!

        G.

  2. Arai Daniele janeiro 6, 2014 às 10:52 am

    Obrigado Giulia pelo seu bom comentário. De fato porque a situação da Igreja é tão grave, sendo sua visibilidade obscurecida pelo brilho mundano da falsa, é que precisamos de um grande milagre. Este foi-nos dado em Fátima, mas requer seu acolhimento fiel. Juntos em oração, combate e sacrifícios, os católicos conscientes do pequeno «resto» isolado podem testemunhá-lo; poucos, mas bons!
    Seu nome é italiano e romano. O mesmo de minha mulher, filha e neta.
    Fique com Desu nos Sagrados Corações. Arai

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