Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O ANTI-TOMISMO NEFASTO DE MARITAIN E PAULO 6º NA VISÃO DE GUSTAVO CORÇÃO

Maritain e P6

 

Arai Daniele

Inicio este tema, ligado à Filosofia, convidando o leitor a cogitar na relação entre o pensamento de Aristóteles e as conquistas de seu discípulo Alexandre Magno. Assim também do pensamento de Santo Agostinho sobre as «Duas Cidades» com a importância do Império Romano. E finalmente, na doutrina de Santo Tomás de Aquino sobre a necessidade da Ordem cristã e o conceito de guerra justa. Nestas relações pode-se ler a ligação entre o pensamento e a civilização: o bem pensar produz frutos que se expandem no mundo.

Na razão inversa se considere agora a relação entre as idéias modernas e seu poder assumido até na «religião conciliar», que se demonstra causa da crescente degradação espiritual hodierna.

Sim, porque, em verdade, pode-se falar do poder de um cientismo moderno que no nosso tempo suscitou o filosofismo modernista, sendo batizado por Paulo 6º como a religião do homem que se faz deus (disc. no fechamento do Vaticano 2º). A este culto de homem em evolução foi reconhecido direito à liberdade, e Paulo 6º iniciou sua anti-cruzada para acabar com as nações católicas no mundo. O Catolicismo aparecia como obstáculo ao progresso humano!

Na sequência desta relação de causa-efeito há, porém, que registrar a evidente decadência no que diz respeito ao pensamento humano, provado de modo abundante pelo registro da desordem neste mundo dominado por tal «cientismo». Definimos esse termo como «atitude segundo a qual se procede como se a ciência desse a conhecer as coisas como são, resolvendo todos os reais problemas da humanidade e, portanto, seria suficiente para satisfazer todas as necessidades legítimas da inteligência humana. Dai que os métodos científicos deveriam ser estendidos sem exceção a todos os domínios da vida humana, abrangendo todo o pensamento do homem!

Ora, esta divisão hoje delimita também duas igrejas com dois pensamentos antagônicos sob o nome da Católica Apostólica Romana e isto se conclui justamente, em vista da atitude diante da lei natural e evangélica a partir do Vaticano 2º. Cada uma está ligada à ordem de pensamentos definíveis pelo verdadeiro Tomismo. Na Igrega da Tradição o pensamento segue princípios universais em que se baseia toda ciência. Para a nova igreja conciliar o pensamento científico tem o seu próprio campo livre e «autoridade» acima destes princípios.

Será o assunto deste artigo, que se refaz ao Tomismo essencial, este sim, Ciência do pensamento que deve ser estendido sem exceção a todos os domínios da vida humana, qual «campo unificado» que abrange toda a ciência do bem pensar humano para a Verdade.

Esta, pela nossa formação católica, impõe obrigação segundo nosso estado e capacidades pessoais nesta cidade terrena, condicionando a saúde de nossa alma. Nesse sentido falaremos do pensamento abissal de Paulo 6º e Maritain, visto através da lupa católica de Corção, preclaro autor de «Lições de Abismo».

Iniciemos com uma comparação usada por Mgr Lefebvre no início de sua resistência, quando mencionou a situação da Igreja como a de «uma cidade ocupada». Aludia ao título do livro de Jacques Ploncard d’Assac – L’Eglise occupé (1974) -, no qual o autor já concluía então que: “Rien ni personne ne peut faire que l’erreur devienne vérité. La secte moderniste peut bien ‘occuper’ l’Eglise, elle ne saurait prétendre être l’Eglise.” (Nada nem ninguém pode fazer com que o erro se torne verdade. A seita modernista pode «ocupar» a Igreja, mas ela não pode pretender ser a Igreja).

Isto se aplica aos «papas modernistas conciliares»; eram os ocupantes – alheios à Verdade – cuja metamorfose operada na Sé de Pedro o eminente Bispo Lefebvre notara desde o início citando a obra citada: “O livro reporta documentos indicando a evolução ocorrida no interior da Igreja durante o último século. Eu só quero remontar a 1960 [quando o 3º Segredo seria mais claro], aliás 1958: neste período algo ocorreu na Igreja? Impossível conhecer os fatos a fundo: pessoalmente os desconheço; mas percebemos estas mudanças desde 1958, desde o conclave que elegeu João XXIII.” (Mgr Lefebvre, «J’accuse le concile»). A demolição eclesial que seguiu é inegável, e tem a marca das idéias modernistas e maçônicas, de que era portador Roncalli. Nesta onda e num crescendo chegamos a Bergoglio, com a devastação de ordem espiritual que se conhece.

O que se deve deduzir disto, não só na ordem religiosa, mas do pensamento? Ora, a comparação acima era para entender que se na ordem visível a nossa cidade foi ocupada pela seita inimiga, isto seguiu um plano de idéias modernistas que contaminaram a mente desses ocupantes hereges. A resistência na «Cidade de Deus» deste mundo, que é a Igreja, deve armar-se de seu reto pensar e agir.

Para a análise do pensamento do leigo Maritain convidado por Paulo 6º como consulente do Vaticano 2º, podemos nos valer do resumo da apresentação do livro do padre Julio Meinvielle, «De Lamennais a Maritain» (Theoria, Bs. Aires, 1967). Em ANEXO

A «cidade» do homem moderno no pensamento de Maritain, acusada por Gustavo Corção

O grande escritor sempre foi atraído, como todos nós, pela erudita cultura francesa. Por isto, depois de ter-se convertido ao Catolicismo, procurou ali de que nutrir melhor sua ortodoxia. Maritain teve lugar preeminente nisto. Vejamos o que diz no seu «O Século do Nada»

Nos dias em que acordei para o mundo, já a guerra civil da Espanha estava terminada. Só ouvia vagas e sinistras alusões à hecatombe de padres e freiras feitas por católicos que nosso grupo, fiel a Jacques Maritain, tido por mestre quase infalível, via com certo desprezo. Eram os reacionários. A verdade é que, nas pequenas amostras que examinei com mais atenção, os defensores da Espanha do Alzamiento serviam mal à causa de Franco, enredando-a na do integralismo indígena, e assim comprometendo a causa que merecia melhores advogados. Empenhado em estudar a filosofia tomista, e a Sagrada Doutrina, agarrei-me, ia dizer colei-me à pele de Jacques Maritain e tomei, sem maior exame, a posição que o mestre tomara. Escrevendo hoje estas linhas, no limiar de um livro que desde já me dói como um descolamento de peles machucadas, pondero como é escuro o universo dos fatos, e como andamos nele às apalpadelas, com um pequenino flashlight a buscar veredas entre paredes e abismos. Além disso, pondere o leitor que naquele tempo eu tinha sete deveres de estado, família grande, aulas… tive de aproveitar as brechas de tempo para estudar intensamente a doutrina perene. Em 1939 e 40 eu caia das nuvens, e não acreditaria o que já estava acontecendo na gauche catholique, em Paris. Foi preciso viver e sobreviver largamente para um dia ter tempo de voltar atrás e de descobrir, entre outras coisas, o que a dita gauche catholique fez com Robert Brasillach…Nesse meio tempo, como atrás já disse, achei-me obrigado a estudar como nunca estudara, para me colocar de pé nos meus quarenta e  tantos anos de vida nova que mais adiante, certamente exigirá do animal-professor a sua atitude fundamental. Cabe aqui um reparo sobre o Movimento Litúrgico, que foi uma espécie de trem andando que tive de tomar. Só se cuidava da Liturgia, só se ensinava a significação da Missa e dos Sacramentos. Havia nesse movimento um boa tomada de consciência da participação que os fiéis devem ter no mysterium fidei, mas havia também qualquer coisa que não combinava bem com o pouco que já aprendera de catecismo. Lembro com alegria de minha primeira iniciação catequética… da necessidade e o valor das proposições simples, e das fórmula nítidas, para a custódia dos mais profundos mistérios da Fé. Já possuía o primeiro compêndio que está no Símbolo dos Apóstolos. Naquele tempo os rústicos pescadores da Galiléa sentiram a mesma necessidade e trataram logo de gravar o primeiro Credo do Povo de Deus. O que havia de comum entre os primeiros apóstolos e o engenheiro de 1937 ou 38 era o bom senso de quem sabe que o homem não pensa só com a cabeça, mas também com as mãos. Nós outros, engenheiros ou pescadores, sabemos assim, por várias vias, que o homem deve ser dócil e obediente à realidade das coisas. O “intelectual”, ao contrário, é aquele refinadíssimo indivíduo que acha certa vulgaridade no real, e por isso prefere pensar a conhecer, isto é: prefere jogar com os entes de razão que ele mesmo fabrica ou compõe. Digo estas coisas, com o risco de nunca acabar esta introdução, e por mais forte razão o livro, porque parece-me que nunca é demasiado insistir no valor que tem o bom senso para a mais alta vida do espírito… O materialismo ateu, e especialmente o marxismo, modéstia à parte, sempre me pareceram estúpidos demais. Naquele tempo, não era a existência de Deus a coisa mais difícil de aceitar de joelhos. Era o pão da vida, eram as chagas de um Deus escandalosamente crucificado por mim. E era sobretudo o mistério da Igreja a perpetuar com homens e para os homens a distribuição do preciosíssimo sangue.

Nos anos da guerra, já convertido e muito ajudado pelos amigos beneditinos e por Fábio Alves Ribeiro, comecei a ler Gardeil, Garrigou-Lagrange e Santo Tomás. Escrevi nesse tempo o meu primeiro livro, A Descoberta do Outro, que alcançou um inesperado sucesso: em menos de quinze dias esgotou-se a primeira edição, e em poucos meses a segunda e a terceira. Começaram a aparecer pessoas a me procurar no Centro Dom Vital. Minha vida tornou-se então dificílima na execução das tarefas, mas facílima nos critérios. Devia estudar filosofia, teologia, desejar a vitória da Inglaterra, combater o “fascismo” e a ditadura Vargas. E principalmente devia desejar ser perfeito como o Pai Celestial é perfeito, ou, pelo menos, devia nunca deixar de desejar esse desejo. Nossa filosofia política se resumia no credo democrático às vezes excessivamente simplificado, mas incontestado. Nesse tempo todos nós, do São Bento, do Centro Dom Vital e d’O Pingüim, tínhamos convicções tranqüilas e bem definidas. O Pingüim era uma loja de discos e músicas na Rua do Ouvidor…”

Esse encanto democrático se rompeu quando Gustavo Corção ouviu: «os russos entraram em Berlim!

Singular e cínico paradoxo: para cumprir um tratado e para evitar a partilha da Polônia, a Inglaterra e a França aceitaram finalmente o ônus de uma guerra mundial contra o pacto germano-soviético; agora, depois da vitória sobre o nazi-comunismo, entregava-se a Polônia inteira ao comunismo que também foi vencido, e que só comparece entre os vencedores no quinto ato da comédia de erros, graças a um aberrante solecismo histórico, que nem sequer podemos imputar à habilidade e à astúcia do principal beneficiário. A impressão de uma direção invisível nessa comédia de erros impõe-se irresistivelmente…

Terminada a guerra, voltávamos à rotina da vida. E nosso grupo dia a dia aumentava com famílias inteiras que chegavam, e de amizades que se multiplicavam na proporção de combinações de objetos 2 a 2, sem jamais nos passar pela idéia a mais tênue suspeita de que, dentro de uns poucos anos, um furacão passaria sobre o mundo com devastação maior do que a de todas as guerras somadas, e então veríamos os padres abandonarem as batinas, as freiras esquecerem os votos e os modos, e os bispos se transformarem em diretores, secretários, presidentes e vice-presidentes de uma organização burocrática incumbida de publicar falsas notícias e de difundir doutrinas e esperanças ainda mais falsas. Mas não antecipemos.

Uma noite, creio que em 1948… veio o Fernando Carneiro… Em matéria de doutrina social tínhamos divergências porque estendeu o mais que pôde seu crédito às esquerdas. Eu, que já havia pago meu pedágio à estupidez humana nessa matéria, não sentia a menor disposição de ((voltar ao vômito”, mas estávamos todos longe de supor, de pressentir o que ainda desceríamos sofrer nesse capítulo. Naquela noite, Carneiro perguntou Você já ouviu falar no Padre Lebret?Eu não ouvira falar, e Carneiro continuou: Olhe, o negócio é assim: Aristóteles, Santo Tomás, Lebret. Fiquei meio alarmado, mas não pestanejei. E Carneiro explicou-me quem era esse frade dominicano que se dedicara a levantamentos sociológicos entre os pescadores da França, que fundara um movimento chamado ((Economia e Humanismo” e que agora viera estudar o Brasil . Naquele tempo poderíamos saber, se estivéssemos acompanhando de perto a evolução da esquerda católica e da infiltração comunista na ordem dominicana, se conhecêssemos a história da revista Sept, a que morrera de gripe espanhola” mas logo ressuscitara em Temps Présent, revista apresentada por Mauriac e outros como sendo totalmente diversa de Sept (condenada por Pio XI), et cependant da mesma cepa, se conhecêssemos as escapadas de Maritain na revista Vendredi, poderíamos saber que o Pe. Joseph Lebret em 1948 trazia ao Brasil os primeiros… vírus do esquerdismo católico que vinte anos depois produziria o escândalo dos dominicanos que em São Paulo transformaram o Convento das Perdizes em reduto de guerrilheiros… Andava no ar desse tempo um ativismo que nos concitava a levar… nosso testemunho cristão, a um engajamento maior e mais direto na luta por uma ordem temporal mais justa. Por um mundo mais cristão, para inclusive poder ser mais humano. A obra de filosofia política e cultural de Maritain nos despertava para um dever de participação mais consciente e se inseria em nossa aversão pela ditadura de Vargas. De Journet recebêramos a frase “uma nova cristandade quer nascer”!

O «vírus filosófico» de Maritain infetou a igreja conciliar

Gustavo Corção logo percebeu que esse «mestre quase infalível» e seus camaradas nessa bajulada intelligentzia progressista francesa era, pelos seus efeitos, letal para a integridade e pureza da Fé. Depois de sua morte no ambiente de «Permanência», Maritain ainda era tido como excelente em filosofia, fraco em Teologia. Nada mais enganoso que separar os campos do reto pensar. Eis a gota de veneno que envenenou toda a sopa filosofal dessa camarilha do poder progressista em todos os campos e que afeta mortalmente a religiosidade das massas crédulas na inteligência de tais mestres. A razão é simples e pode-se lembrar com uma simples frase: não há ciência e muito menos sabedoria que possa sustentar-se fora de uma base unificada pela Metafísica. Esta vinha de Aristóteles e ninguém a aprofundou melhor que Santo Tomás de Aquino, porque a ligou ao Pensamento de Deus, do qual todo o ser provem, seja material – do bosão às galáxias – e toda a vida – dos vermes ao homem. Isto não é apologética fideísta católica, é lembrança da base de toda ciência.

A idéia dos progressistas conciliares, de João 23 a Paulo 6º, e deste até Bergoglio, é que para conciliar a Igreja com o mundo há que dividir o religioso do científico; o 1º piedoso e o 2º inteligente. É a falseta revolucionária secular que introduzida na religião, só criou pensamentos abortivos porque privados da razão mesma de ser.

Nesta luz compreende-se melhor aquela misteriosa frase de São João sobre o anticristo: (I Jo 4, 1-4) “Caríssimos, não deis crédito a todos os que se dizem inspirados; antes, examinai os espíritos, para saberdes se são de Deus, pois muitos falsos profetas já vieram para o mundo. Nisto se conhece o espírito de Deu: todo o espírito que confessa que Jesus Cristo encarnou é de Deus; Todo aquele espírito que divide Jesus, não é de Deus, mas esse é um Anticristo, do qual já ouvistes que vem, e que já está no mundo (por meio dos seus precursores hereges).”

Dividir ou dissolver Jesus (Latim solve) como se não fosse verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Isto equivaleria a desvincular algo da vida, do pensamento e da história humana de Seu Reino; como se o governo e a justiça universal dos povos pudessem não ser vinculados à Sua Palavra; como se o Cristianismo fosse opcional para o bem e o destino das nações.

Nesse sentido sabemos hoje que para abater a Espanha católica de Franco operava o mesmo «consórcio» (veja Olavo de Carvalho no debate com Dugin) desse mundo democrático da alta finança e das mais baixas tramóias anti-cristãs, do solve et coagula, como ocorre hoje contra a Síria e o Líbano

Nesse sentido Corção inicia seu livro com um « Honra e glória à Espanha católica de 1936… aos doze bispos mártires e aos quinze mil padres, frades e religiosas “verdadeiros mártires em todo o sagrado e glorioso significado da palavra” (Pio XI). Honra e glória a todos que morreram testemunhando com SANGRE: “Viva Cristo Rey”!

 

*   *   *

ANEXO

Resumo da apresentação do livro do preclaro padre Julio Meinvielle, «De Lamennais a Maritain» (Theoria, Bs. Aires, 1967) :

“El “Humanismo Integral” hoy tiene más actualidad y vigencia que entonces. En efecto, mientras la tesis de una animación cristiana de la civilización moderna, que defendía Maritain, ha sido compartida luego por teólogos como Journet, Chenu, Congar, H. Urs Von Balthasar [e De Lubac expoente da «Nova teologia» condenada pela «Humani generis» de Pio XII], y ha penetrado en la mentalidad corriente de los católicos, nutriendo la peligrosa línea del progresismo cristiano, el proceso de disolución de esa misma civilización ha continuado hasta amenazarla con su total autodestrucción. Si el mundo moderno, que, en cierto sentido tiene una raíz católica, ha de ser salvado –decimos en cambio- lo ha de ser por la Ciudad Católica, tradicional, por aquella de la que San Pío X decía “no está por inventar ni por construir en las nubes sino que ha existido y existe, es la civilización cristiana, es la ciudad católica”… Detrás de esta discusión entre la Ciudad Católica y la Nueva Cristiandad desarrolla otra más profunda sobre el carácter ”progresista” de la historia. Tanto para Lamennais como para Maritain y para los que comparten sus ideas [Paulo 6º, que o traduziu], la historia se desarrolla en un ritmo que, aunque puede ser momentáneamente accidentado y regresivo, en definitiva, es necesariamente progresista… Podrá haber en el hombre -ser heterogéneo y de muchas dimensiones- aspectos parciales de progreso y regreso simultâneos. Pero el hombre en cuanto hombre, la humanidad en cuanto humanidad, y la historia humana en cuanto historia humana, progresará o regresará. Progresará si se acerca más a Dios y regresará si se aparta de Dios… Maritain parece no admitir sino el progreso. En “Los, derechos del hombre” afirma categóricamente que hay que aceptar el progreso si no se quiere desesperar del hombre y de la libertad, lo cual es de por sí un principio de suicídio histórico. Y para que no quede duda al respecto invoca la autoridad científica de un autor típicamente progresista, la de Pierre Teilhard de Chardin, y allí dice textualmente: “He tenido el placer de encontrar desde el punto de vista de su autor, concepciones parecidas en una conferencia recientemente pronunciada en Pekín por el paleontólogo Teilhard de Chardin; en ella indica que por vieja que la prehistoria parezca hacerla a nuestros ojos, la humanidad es aún muy joven, y muestra que la evolución de la Humanidad debe ser encarada como la continuación de la evolución de la vida íntegra, donde progreso significa ascensión de la conciencia y donde la ascensión de la conciencia está ligada con un grado superior de organización; «si el progreso debe continuar no se hará por sí sólo: la Evolución por mecanismo de su síntesis, se carga cada vez más de libertad» “. Y para que se comprenda el alcance que en su concepción tiene la idea de progreso terrestre de la Humanidad, Maritain cierra el capítulo con la siguiente insólita afirmación que constituye una especie de dogma del progresismo: “Se puede aún señalar, dice, con el mismo sabio que cualquiera sea su creencia o falta de creencias religiosas, los hombres que admiten o que niegan la marcha hacia adelante de la humanidad, toman, de ese modo, posición de lo que es prácticamente decisivo desde el punto de vista de la vida de las sociedades humanas”. Ya no es Dios ni el acercamiento a Dios lo decisivo para el hombre en su vida terrestre. Y así Maritain añade: “Con respecto al Reino de Dios y a la vida eterna, la aceptación o el rechazo del dogma religioso, señalan la diferencia esencial entre los espíritus. Con respecto a la vida temporal y a la ciudad terrena, la aceptación o el rechazo de la vocación histórica de la humanidad”. Es claro que si se acepta esta tesis del carácter necesariamente progresista de la historia, hay que convenir que el mundo moderno con el naturalismo, el liberalismo y el comunismo, que vienen después de la ciudad católica medioeval, sería más humano que ésta; y que por tanto, la nueva ciudad católica -la Nueva Cristiandad de Maritain -la laica- no ha de renunciar a ese naturalismo, liberalismo y comunismo de la revolución anticristiana. La conclusión no puede ser más impía. Sin embargo, fluye en buena lógica de los principios.

En la “Nueva Cristiandad” de Maritain el catolicismo esta en “diálogo” con el hombre de hoy modelado por los cinco siglos de Historia moderna, la que si bien contiene adquisiciones valiosas en el campo de las ciencias y Técnicas – se halla asimismo impulsada por un afán de independencia pura. El hombre actual no quiere depender de nada ni de nadie… en esto consiste la Revolución, que se llama Libertad, Igualdad, Fraternidad. Revolución del Hombre que no quiere reconocer su carácter de creatura y que no quiere reconocer su carácter de creatura caída.

… Y entonces quieren conciliar la Revolución y la Iglesia, el mundo moderno y Cristo, el comunismo con el cristianismo. Pero esta conciliación de la Revolución con la Iglesia del actual «progresismo Cristiano no es sino repetición del intento formulado por Lamennais en L’ Avenir y por Maritain en su Humanismo Integral, y que, de una manera u otra, adoptan los teólogos que están impulsando las actuales corrientes de la Teología Pastoral… el Progresismo cristiano, sea por error involuntario o deliberado, concibe de tal suerte las relaciones de la Iglesia y el Mundo, de la Humanidad y Cristo que, lejos de sanar al Mundo levantándolo hacia arriba, hacia la Iglesia, pretende utilizar a la Iglesia para la construcción de la nueva Ciudad del Hombre. De allí que todos los esfuerzos de los progresistas cristianos se dirijan a unirse con los socialistas y comunistas en la tarea común de una Ciudad de la Fraternidad y de la Paz universal. Esta es la Ciudad de la Revolución… Intento perverso por cuanto busca la salud del hombre en el hombre mismo. Intento perverso por cuanto emplean a Cristo y a la Iglesia como una de las tantas corrientes que han de colaborar con las otras en esa salud del hombre. Intento perverso por cuanto ha de terminar en la ruina del Hombre.”

Anúncios

3 Respostas para “O ANTI-TOMISMO NEFASTO DE MARITAIN E PAULO 6º NA VISÃO DE GUSTAVO CORÇÃO

  1. Carlos Nougué janeiro 8, 2014 às 9:38 pm

    Magnífico artigo. Felicito-o, Arai Daniele. Nada tenho que opor-lhe, muito pelo contrário. Gostaria apenas de arrolar a sequência que para mim levou Maritain ao ponto ignominioso a que chegou.
    1) Antes de tudo, ausência quase total de relação vital com a doutrina de S. Tomás, ou seja, em quase nada a seguia Maritain em espírito e letra. Observe-se porém que, quanto ao mais estritamente filosófico, o Francês é em grande parte caudatário de João de Santo Tomás.
    2) Uma impressionante quantidade de erros no campo da Lógica e do método científico.
    3) Logo, também no campo da Física e da Metafísica, com graves concessões ao pensamento moderno, que, como já se disse, é em grande parte um caso de psicopatologia.
    4) A incrível distinção radical entre pessoa humana e indivíduo humano, distinção caudatária, por sua vez, de uma infeliz tese de Garrigou-Lagrange (que depois a abandonou, mas sem criticar publicamente a Maritain).
    5) Desta distinção, saltou Maritain para reincidir no erro gravíssimo de Dante, segundo o qual o homem teria dois fins últimos – mas S. Tomás prova na Suma Teológica que nada pode ter senão um só fim último.
    6) Da tese dos dois fins últimos, salta enfim o Francês para seu Humanismo Integral, que foi o berço onde se acalentou e amamentou o próprio VII – no qual, segundo o mais estrito maritainismo, se destronou a Cristo. Naturalmente, não o destronou de fato, porque sua Realeza é inderrocável; só o destronou por uma ilusão de óptica herética. Mas que consequências teve e tem tal ilusão para o destino eterno de uma incontável multidão de almas! Maritain e o VII são culpados do pior dos regicídios – de fato, um segundo deicídio – e do pior dos homicídios multitudinários – o homicídio da morte perene no fogo da geena.

    CARLOS NOUGUÉ

    • Pro Roma Mariana janeiro 8, 2014 às 10:54 pm

      Muito agradeço ao ilustre professor e amigo, Carlos Nougué, que com o seu iluminante comentário enriquece o tema tratado. A sua frase sobre o «Humanismo Integral» (aliás, traduzido para o italiano por Montini, futuro Paulo 6º) é lapidar: “foi o berço onde se acalentou e amamentou o próprio VII – no qual, segundo o mais estrito maritainismo, se destronou a Cristo. Naturalmente, não o destronou de fato, porque sua Realeza é inderrocável; só o destronou por uma ilusão de óptica herética.” De fato, ver autoridade católica em todo e qualquer produto do V2, que pretendeu destronar Jesus Cristo, é grave ilusão de ótica.
      Lembro que já nos anos Setenta o grande Gustavo Corção, que no início de seus estudos de filosofia seguira Maritain, se interrogava perplexo come este festejado autor, tanto na teoria como na prática. havia podido desviar-se tanto do bem pensar católico e apoiara movimentos heretizantes que confluíram na abominação teologal do Vaticano 2º. Lembro Corção meditativo a repetir: porque? Na última vez que o encontrei na casa das Laranjeiras, onde fui levar-lhe um livro que me encomendara, diante das notícias do que acontecia na Igreja, repetia a perplexa dúvida quanto a Paulo 6º: como é possível? Nesse sentido, me é grato lembrar aqui o artigo em que saudei postumamente o grande escritor católico, o lutador pela Causa da Verdade, que sempre me foi de exemplo (http://wp.me/pWrdv-xs).

  2. Antoinette Pace janeiro 24, 2014 às 5:26 pm

    Cada uno, con su circunstancia histórica concreta en la Europa del s. XX, significa una respuesta contemporánea a la búsqueda actual de Dios: Gabriel Marcel, con su experiencia en la Cruz Roja durante la Segunda Guerra Mundial, situación en la que se dio cuenta cómo la filosofí­a que él habí­a estudiado no le serví­a para afrontar las duras situaciones vitales provocadas por el enfrentamiento bélico y le impulsaron a desarrollar un tipo de pensamiento centrado en la persona; en el caso de Marí­a Zambrano, se puede señalar su profunda convicción católica y a la vez su confianza en los ideales culturales de la República, y en la potencia intelectual que fue posible durante los años previos a la Guerra Civil en la universidad madrileña, con la figura de Ortega y Gasset, su propio maestro a la cabeza. Su propio pensamiento derivó hacia la “razón poéticaâ€.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blondet & Friends

Il meglio di Maurizio Blondet unito alle sue raccomandazioni di lettura

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: