Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO ORIGINAL E A MISÉRIA DA CONDIÇÃO HUMANA

edvard-munch1

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XI, em excertos da encíclica “Caritate Christi,” promulgada em 3 de Maio de 1932:

«Se recordarmos, em espírito, a longa e dolorosa série de males que, triste herança do pecado, têm assinalado ao homem decaído as etapas da sua peregrinação terrestre, difìcilmente encontramos, desde o Dilúvio, um mal estar espiritual e moral tão profundo e tão universal, como o que agora atravessamos; até os maiores flagelos, que todavia deixaram vestígios indeléveis na vida e na memória dos povos, se abatiam ora sobre uma Nação, ora sobre outra. Agora, pelo contrário, é a Humanidade inteira que se encontra a braços com a crise financeira e económica, e tão tenazmente, que quanto mais se procura desembaraçar, tanto mais insolúveis  parecem os laços: não há povo, não há Estado, nem sociedade ou família, que dum modo ou doutro, directa ou indirectamente, mais ou menos,, lhes não sinta a repercussão (…)
(…) Mas ante este ódio satânico contra a religião, que faz lembrar o MISTÉRIO DA INIQUIDADE, de que nos fala São Paulo, não bastam por si sós os meios humanos e as providências dos homens, e nós julgaríamos faltar ao nosso múnus apostólico, se não quiséssemos mostrar à Humanidade os maravilhosos mistérios da Luz, os únicos que em si encerram a força para subjugar o desenfreado poder das trevas (…)
(…) Lembrados pois, da nossa condição de seres essencialmente limitados e absolutamente dependentes do Ser Supremo, recorramos, antes de mais nada, à oração. Sabemos pela Fé, qual seja a eficácia da oração humilde, confiante e perseverante; a nenhuma outra obra piedosa atribuiu o Senhor omnipotente promessas tão abundantes, tão universais e tão solenes, como à oração (…)
(…) Depois, a oração, fará precisamente desaparecer a própria causa das dificuldades hodiernas, a que acima aludimos, isto é, a insaciável cobiça dos bens terrenos. O homem que ora, olha para o Alto, isto é para os bens do Céu, que medita e deseja; todo se abisma na contemplação da admirável ordem estabelecida por Deus, que não conhece a paixão dos vãos triunfos, e não se perde em fúteis porfias de sempre maiores velocidades.» 

Nenhuma vicissitude deste nosso pobre mundo é explicável sem a realidade do pecado original e suas consequências. Efectivamente, o pecado original dissociou e subverteu, não apenas o ordenamento das hierarquias somáticas, psíquicas, intelectuais e espirituais do composto humano, mas também análogo ordenamento da natureza em geral.
Antes do pecado original, que foi actual para os nossos primeiros pais, a prática do Bem era espontaneamente fácil; mesmo os santos de Nosso Senhor Jesus Cristo, com as Graças do Novo Testamento, antes de atingirem aquele grau de Caridade, na qual o cumprimento da Lei Divina se converte numa fonte de felicidade Sobrenatural (frutos do Espírito Santo), tiveram de triunfar, no foro ontológico, numa batalha, muito dura, muito íntima, mas extremamente fecunda, contra as consequências mais profundas do pecado original. Já a Nossa Mãe do Céu não teve de travar (nem o podia fazer) esse tipo de batalha, pois a Fé, a Esperança e a Caridade constituíam, para Nossa Senhora, uma realidade e uma operação tão Sobrenaturalmente fácil e espontânea como eram para Adão e Eva, antes da queda original. Além disso, mesmo os maiores santos, a menos que confirmados em Graça, não se podem considerar impecáveis, ao passo que a Bem-Aventurada sempre Virgem Maria é ontolôgicamente impecável na sua Imaculada Concepção. A SANTIDADE RESIDE NA CARIDADE, NÃO NA DIFICULDADE DA CARIDADE.
A compreensão da subversão ontológica operada pelo pecado original é indissociável do estatuto de Adão e Eva como chefes do Género Humano, criados e colocados no Paraíso terrestre na posse de dons Naturais, Preternaturais e Sobrenaturais, dons que definiam um patamar ontológico que não podiam ultrapassar – a árvore da ciência do Bem e do Mal – e em cuja violação consistiu precisamente o pecado original.
As consequências do pecado original consubstanciam-se pois na TENDÊNCIA ONTOLÓGICA UNIVERSAL PARA O MAL.
A ferida na natureza e a perda dos dons preternaturais da imortalidade e da impassibilidade transtornaram toda a Terra; não só agora era preciso amassar o pão com o suor do rosto, como a vida em si mesma se tornava tão difícil como a prática do Bem. Os próprios animais tornaram-se participantes da hostilidade introduzida na Criação, passando a alimentar-se uns dos outros.
É de Fé Católica definida que sem, ao menos, a Graça medicinal o homem decaído não pode guardar habitualmente a Lei Natural.
A Graça medicinal destina-se a sarar tanto quanto possível as mais hiantes feridas da natureza, preparando-a para a recepção da Graça elevante; a Graça medicinal constitui como que a raiz preternatural da Graça elevante.
A maldita Igreja conciliar nega o pecado original, porque nega o próprio conceito de pecado, e nega o conceito de pecado, porque identifica “deus” com a Humanidade em evolução, rumo ao ponto ômega. Esquece, contudo, que quanto mais a Humanidade “evolui” mais se afasta de Deus Nosso Senhor, e mais as consequências do pecado original se volvem insuportáveis a olhos pios.
A condição humana, com todo o seu estendal de misérias, verdadeiro oceano negro de pecados, constitui o maior desmentido ao optimismo conciliar, particularmente o século XX, com o ateísmo atingindo o seu zénite e o monstro liberal vomitando o que de mais asqueroso encerra, provocando as guerras mais cruéis que alguma vez ensanguentaram a Humanidade. A guerra em geral constitui consequência directa do pecado original e actual.
A condição humana é um conceito filosófico elaborado a partir dos dados da Revelação, bem como dos da sã filosofia; constitui como que a síntese dinâmica de todas as virtualidades passivas e operativas da natureza humana; É A CONDIÇÃO HUMANA QUE, FORMALMENTE, EXPLICA A HISTÓRIA HUMANA, embora por vezes nos fundamentemos materialmente em certos dados Históricos, iluminados pela santa Fé, para construir o conceito de condição humana.
A Sagrada Escritura é o maior tesouro de que dispomos para haurir conhecimentos teológicos sobre a natureza do homem, elevado, caído e redimido; nunca olvidemos que a Sagrada Revelação ENCARNOU NUMA HISTÓRIA VERDADEIRA ONDE ESTÂO CONSIGNADAS REALIDADES QUE DEUS QUIS QUE INTEGRASSEM FORMALMENTE O PATRIMÓNIO SOBRENATURAL.
Todavia o conhecimento do Homem não constitui na Sagrada Escritura um fim em si mesmo – O FIM É SEMPRE A GLÓRIA EXTRÍNSECA DE DEUS UNO E TRINO.
A maldita Igreja conciliar é que pretende mostrar o Homem ao Homem como um fim em si mesmo, pois para ela o único “deus” é o Homem plenamente reconciliado consigo mesmo, culturalmente desenvolvido e dialècticamente adulto, e é ainda no homem que “deus” toma plena consciência de si mesmo. É esta a síntese doutrinal da grande apostasia de Teilhard de Chardin e da seita imunda que ele gerou.
Devemos saborear a História Sagrada como Palavra de Deus que realmente é; muito embora certos conteúdos sejam puramente humanos, na medida em que foram constituídos por Deus Nosso Senhor como Verdade de Revelação, são objecto de Fé Divina, ou mesmo de Fé Divino-Católica, definida ou não.
Pela História Sagrada obtemos perfeito conhecimento da natureza e consequências pessoais e sociais do pecado original E APRENDEMOS A PROCEDER À APLICAÇÃO DESSES PRINCÍPIOS AOS TEMPOS ACTUAIS; PORQUE ESTES MAIS NÃO SÃO DO QUE A SÍNTESE FINAL E PRÉ-ESCATOLÓGICA DE MALES QUE VÊM INCUBANDO DESDE HÁ SÉCULOS, E QUE O MALDITO CONCÍLIO DISPÔS EM SINERGIA.
NÃO É A FÉ QUE DEVE SER “REANALISADA” À LUZ DOS FUNESTOS ACONTECIMENTOS ACTUAIS, ESTES É QUE DEVEM SER PENSADOS À LUZ INTEGRAL DA FÉ.
O dom do Espírito Santo da Ciência ensina-nos a contemplar os acontecimentos e as realidades pròpriamente humanas e terrenas com intenção e inteligência verdadeiramente Sobrenatural, e ajuda-nos a tudo referirmos a Deus Nosso Senhor, movidos então pelo Dom do Conselho. Enquanto o entendimento nos faculta uma certa inteligência Sobrenatural dos Mistérios Sobrenaturais, o Dom da Ciência confere-nos a inteligência Sobrenatural das coisas naturais; ambos os Dons são necessários à leitura e útil compreensão da História Sagrada, supostas as directivas exegéticas do Magistério.
Precisamente porque Deus Nosso Senhor ao providenciar-nos a Sua Revelação quis ilustrar a nossa inteligência com uma Cultura Sobrenatural, infinitamente acima da cultura natural e humana. Aprovisionados com essa Cultura e dotados com o organismo Sobrenatural que Nosso Senhor nos mereceu na Cruz, possuiremos armas capazes de vencer as consequências do pecado original, de até certo ponto reconstituirmos a nossa inteligência e a nossa vontade, pois que a Graça Santificante e as virtudes Teologais e Morais elevam e transformam sobrenaturalmente a nossa natureza insuflando-lhe Padrões Divinos, Vida Divina. Não há limite Sobrenatural para o nosso crescimento nas coisas de Deus – O INFINITO NÃO TEM LIMITE, A VIA DA SANTIDADE NÃO TEM FRONTEIRAS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 13 de Janeiro de 2014

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: