Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE ASPECTOS DA NATUREZA PROFUNDA DA SANTA MADRE IGREJA

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, nalgumas passagens da encíclica “Mediator Dei”, promulgada em 20 de Novembro de 1947:

«Todo o conjunto do culto que a Igreja rende a Deus deve ser interno e externo. é externo porque assim o exige a natureza do Homem, composto de corpo e alma; porque Deus dispõe que “pelo conhecimento das coisas visíveis sejamos arrebatados ao conhecimento das coisas invisíveis” (1); porque tudo o que vem da alma é naturalmente expresso pelos sentidos; e ainda porque o culto Divino não pertence sòmente ao particular, mas também à colectividade humana e consequentemente é necessário que seja social, o que é impossível no âmbito religioso, sem vínculos e manifestações exteriores; e finalmente, porque é um meio que põe particularmente em evidência a únidade do Corpo Místico, acrescenta-lhe santos entusiasmos, consolida-lhe as forças, intensifica-lhe a acção: se bem que, efectivamente, as cerimónias, em si mesmas, não contenham nenhuma perfeição e santidade, são todavia actos externos de religião que, como sinais, estimulam a alma à veneração das coisas sagradas, elevam a mente à realidade Sobrenatural, nutrem a piedade, fomentam a Caridade, aumentam a Fé, robustecem a devoção, instruem os simples, ornamentam o culto de Deus, conservam a religião, e distinguem os verdadeiros dos falsos cristãos e dos heterodoxos.
Mas o elemento essencial do culto deve ser o interno. É necessário efectivamente viver sempre com Cristo, dedicar-se todo a Ele, a fim de que n’Ele, com Ele, e por Ele, se dê glória ao Pai. A Sagrada Liturgia requer que estes dois elementos estejam intìmamente ligados; o que ela não se cansa jamais de repetir todas as vezes que prescreve um acto externo de culto. Assim, por exemplo, a propósito do jejum, nos exorta ” a fim de que se opere de facto, em nosso íntimo, o que a nossa observância professa externamente”. (2)
De outro modo, a religião torna-se um formalismo, sem fundamento e sem conteúdo. Sabeis, veneráveis irmãos, que o Divino Mestre considera indignos do Templo Sagrado, e expulsa dele os que crêem honrar a Deus sòmente COM O SOM DE BEM CONSTRUÍDAS PALAVRAS E COM ATITUDES TEATRAIS, E ESTÃO PERSUADIDOS DE PODER PROVER DE MODO ADEQUADO À SUA SALVAÇÃO SEM ARRANCAR DA ALMA OS VÍCIOS INVETERADOS. A Igreja portanto quer que todos os fiéis se prostrem aos pés do Redentor para professar-lhe o seu amor e a sua veneração, quer que as multidões, como as crianças, que andaram ao encontro de Cristo, quando entrava em Jerusalém, com alegres aclamações, acompanhem o Rei dos reis, e o sumo Autor de todos benefícios, aclamando-O com o canto de Glória e de agradecimento, quer que haja orações em seus lábios, ora suplicantes, ora alegres e agradecidas, com as quais, como os Apóstolos junto do lado de Tiberíades, possam experimentar o auxílio da Sua misericórdia e do Seu poder; ou como Pedro, no Monte Tabor; a Deus se abandonem, e a todas as suas coisas, nos místicos transportes da contemplação.»

NOTAS- 1-Missal Romano; Prefácio da Natividade.
2-Missal Romano; Secreta da Féria V depois do II Domingo da Quaresma.

No século XVI, em pleno Sagrado Concílio de Trento, o Dominicano e teólogo do Concílio Ambrósio Catarino publicou em 1547 determinadas teses sobre a teologia dos Sacramentos, em que defendia que a intenção do Ministro do Sacramento de fazer o que faz a Santa Madre Igreja, já definida em termos menos profundos, por anteriores documentos do Papa Inocêncio III (1198-1216) e no decreto aos Arménios do Papa Eugénio IV (1431-1447), e plenamente confirmada em Trento, que a referida intenção seria meramente exterior, o seu objecto seria apenas o de cumprir sèriamente o rito sacramental ordenado pela Santa Igreja.

Segundo Ambrósio Catarino, só assim seria salvaguardada a necessária certeza e confiança que clero e fiéis devem depositar nas instituições de Direito Divino de que a Santa Igreja é depositária. Os já citados Sucessores de Pedro, bem como o Concílio de Trento, tal como lhes competia, não haviam procedido ao aprofundamento teológico da questão.
São Tomás no seu opúsculo “De Sacramentis” assinala que a intenção expressa no rito deve constituir uma intenção humana, segundo o homem todo, logo também interior. Todavia na Suma Teologica afirma: “O Ministro do Sacramento age em nome de toda a Igreja, da qual é ministro. Nas palavras, porém, que profere, é expressa a intenção da Igreja, a qual é suficiente para a perfeição do Sacramento, a não ser que o contrário seja expresso exteriormente pelo Ministro ou por quem recebe o Sacramento”(S.Th III Q. LXIV-art.8).
Seja como for, a maioria dos Tomistas consideram São Tomás como defensor da necessidade da intenção interna formal de fazer o que faz a Santa Igreja; Bellarmino, Suarez, Vasquez, Lugo defendem igualmente a necessidade da intenção formal interna. O capítulo VI da XIV sessão do Concílio de Trento diz o seguinte: “Que o penitente não presuma, de modo nenhum, da sua Fé, ao ponto de pretender ter sido absolvido, mesmo quando o sacerdote não tenha a intenção de agir com seriedade e na realidade o absolver.”

O Papa Alexandre VIII, em 1690, condenou a seguinte proposição: “É válido o Baptismo conferido por um ministro que observa todo o rito exterior, guardando a forma do Sacramento, mas diz firmemente para consigo mesmo – eu não tenho a intenção de fazer o que faz a Igreja.” Esta condenação vibrou um golpe mortal nas teses de Ambrósio Catarino.
Nosso Senhor Jesus Cristo, enquanto Deus, é a causa eficiente principal da Graça dos Sacramentos (poder de Autoridade); como Homem, Nosso Senhor é a causa eficiente instrumental em sentido eminente da mesma Graça Sacramental (poder de Excelência); o Ministro do Sacramento constitui, no rito próprio do Sacramento, a causa eficiente instrumental deficiente da mesma Graça.

Ora o Ministro humano age em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, com os poderes de Cristo, e age como ser espiritual, racional, e não como um autómato. A hipótese teológica de Ambrósio Catarino desenvolve um contexto “mágico,” caracterizadamente incompatível com a absoluta seriedade da Revelação Sobrenatural da qual a Santa Madre Igreja é depositária.
A intenção formal de fazer o que faz a Santa Igreja deve ser pois interna e externa, pois não basta querer fazer o que faz a Igreja, o Ministro do Sacramento deve cumprir exteriormente, efectivamente, aquilo que quis interiormente, AQUILO QUE A IGREJA QUER.

Aí reside a razão profunda por que a chamada “missa” nova não é válida, ainda que celebrada por uma sacerdote fiel à Tradição Católica; pois que este não procede, objectivamente, segundo a intenção da Santa Madre Igreja, mas SEGUNDO AS INTENÇÕES DE SATANÁS E DA MAÇONARIA INTERNACIONAL, OBJECTIVAMENTE CRISTALIZADAS NO RITO ESPÚRIO.

Neste quadro conceptual, poder-se-á então estabelecer que a heresia formal é radicalmente incompatível com a intenção formal de fazer o que faz a Santa Mãe Igreja, mas não a heresia material.

Para existir heresia formal não é sempre necessário receber, INDIVIDUALMENTE, as devidas advertências canónicas, basta delinquir externamente contra a Fé, CONHECENDO NITIDAMENTE E QUERENDO RESOLUTAMENTE o procedimento adoptado.

Já a heresia material configura um estado de confusão interior, momentaneamente incompatível com o acto, e até com o hábito da Fé, mas desprovido de clareza e de resolução efectiva. Todavia não é a heresia em si mesma que invalida a confecção do Sacramento, mas sim a incompatibilidade da mesma heresia com a determinação de,  formalmente, cumprir as determinações da Santa Igreja.

O Sagrado Magistério sempre ensinou que um judeu pode, pelo menos em certos casos, baptizar vàlidamente, na medida em que faça suas as intenções da Santa Igreja, em que respeite positivamente a instituição, vinculando-se objectivamente aos seus desígnios; todavia um sacerdote que tenha perdido, mesmo só internamente, a Fé já não poderá celebrar vàlidamente a Eucaristia, embora talvez ainda possa administrar vàlidamente o santo Baptismo.

Efectivamente a intenção do Ministro não é, nem ontológica, nem psicològicamente, a mesma para todos os Sacramentos.
O Direito Canónico só conhece e só pode conhecer ACTOS EXTERNOS, OU COM RESSONÂNCIA EXTERNA, AINDA QUE PURAMENTE PRIVADOS.

Ora a questão é a seguinte: Poderá existir uma total contra-intenção interna, que invalide a confecção do Sacramento, sem que dela possa conhecer o Direito Canónico, por não possuir ressonância externa?

Cumpre assinalar que não basta, para a confecção válida dum Sacramento, a ausência de contra-intenção ( querer não fazer) é necessária a intenção positiva (querer fazer) que pode ser actual, se existe no próprio momento do Sacramento, ou virtual, se formulada anteriormente, e nunca desmentida, continua existindo na hora de administrar o Sacramento, apesar das distracções presentes.

Sabe-se que Alfred Loisy (1857-1940)  que depois de ter perdido totalmente a Fé, tornando-se um ateu, continuou, porém, celebrando Missa e desenvolvendo normal actividade eclesiástica e litúrgica, não era ainda, tècnicamente, canònicamente, um herege formal, pois não se produzira ainda qualquer repercussão externa, só mais tarde confessou aos amigos o seu estado, sendo aliás por estes violentamente recriminado como defraudador das almas, mas – CELEBRARIA E ADMINISTRARIA ELE, VÀLIDAMENTE, OS SACRAMENTOS?
A resposta é NÂO! Mesmo antes de dar a conhecer a sua apostasia, toda a sua actividade sacerdotal era absolutamente inválida. Tendo em conta que o exercício dos sagrados poderes sacerdotais é necessàriamente objectivo e público, de Direito Divino, a sua invalidade, mesmo sem repercussão EXTERNA MATERIAL, possuía uma repercussão EXTERNA FORMAL E MORAL, e como tal constituía uma realidade pública de Direito.

Todavia só depois dessa mesma apostasia haver tido repercussão externa material, e só depois, Loisy tombava sob a excomunhão “ipso facto” que o Direito Canónico reserva para cismáticos, heréticos e apóstatas, e excomungado ficaria mesmo que essa pena não viesse, por qualquer circunstância extrínseca, a ser canònicamente declarada.
Sabemos que muito especialmente desde a revolução de 1789, a maçonaria internacional apostou na infiltração  da hierarquia da Santa Mãe Igreja por agentes seus, encarregados de a ir minando, até conseguir usurpar a mais elevada hierarquia.

Portanto, neste enquadramento, contemplamos não apenas um problema  do exercício dos poderes da Ordem Sagrada, como também um problema de Jurisdição; todavia, teológicamente, o problema apresenta-se como mais fácil; aqui a filiação na maçonaria, bem como a conspiração para destruir a Santa Madre Igreja, consubstanciava, directa e imediatamente, uma realidade pública de Direito, perfeitamente externa, e tendencialmente notória, e portanto uma total indisposição para receber (no caso dos Bispos maçónicos) a instituição canónica, ou perdê-la, caso tenham sido vàlidamente instituídos, e ulteriormente tenham conspirado para destruir a Santa Igreja.
O mesmo sucede na Cátedra de São Pedro, função a mais excelsa de todas, supremamente Sobrenatural e de Direito Divino, que é, sem dúvida, compatível com momentos de humana fraqueza, de grande desânimo, mas não de heresia formal, mesmo privada, mesmo puramente interior, POIS TAL HERESIA É INCOMPATÍVEL COM A SOBERANA INTENÇÃO DE DESEMPENHAR A FUNÇÃO PAPAL, segundo os conceitos já explicados, já que a assistência Sobrenatural que Deus Nosso Senhor prometeu outorgar ao Seu Vigário NÃO POSSUI CARÁCTER DE MILAGRE MORAL, antes se hierarquiza suavemente nas Leis da Providência Ordinária que governa harmoniosamente as criaturas na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural.
Todavia, como o Sucessor de Pedro, enquanto sucessor de Pedro, não está nem pode estar submetido a nenhuma Jurisdição humana, eclesiástica ou civil, a Providência Divina nunca permitirá, como não permitiu, que a defecção, a apostasia, dum usurpador do Sólio Pontifício permaneça apenas no foro íntimo deste (mesmo que, pelas razões acima apontadas, tal apostasia constituísse já uma realidade pública de Direito); Não, Deus Nosso Senhor não o permitiu – ESTÁ À VISTA DE TODO O MUNDO, E A COMEÇAR PELOS ÍMPIOS QUE SÃO ESMAGADORA MAIORIA, A APOSTASIA DOS USURPADORES DA CÁTEDRA DE SÃO PEDRO.
COMPETE ÀS AUTORIDADES AINDA CATÓLICAS DECLARAR, DECLARAR SÓ E APENAS, A VACATURA DO SÓLIO PONTIFÍCIO.

Nenhuma autoridade humana pode nada contra o Papa, enquanto papa, É O PRÓPRIO DIREITO DIVINO SOBRENATURAL, BEM COMO A PRÓPRIA RAZÃO HUMANA NATURAL, QUE DEMONSTRA A NEGAÇÃO OBJECTIVA, INTERNA, EXTERNA, PÚBLICA E NOTÓRIA, DA VERDADE, A NEGAÇÃO DA BONDADE, A NEGAÇÃO DA SANTIDADE, A NEGAÇÃO, INCLUSIVE, DO PRÓPRIO CONCEITO DE RELIGIÃO NATURAL – CABE A QUEM DE DIREITO, NESTE CASO AOS BISPOS CATÓLICOS – DECLARÁ-LO. DECLARÁ-LO PARA MAIOR GLÓRIA DE DEUS E SALVAÇÃO DAS ALMAS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 18 de Janeiro de 2014

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