Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A PROVIDÊNCIA DIVINA E A CÁTEDRA DE SÃO PEDRO

PIO XII MILAFRE DO SOL

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da encíclica “Satis Cognitum,”promulgada em 29 de Junho de 1896:

«E em primeiro lugar, é certa e evidente a necessidade da união dos Bispos com o Sucessor de Pedro; pois dissolvendo-se este vínculo, necessàriamente se dissolve e dispersa a própria multidão dos cristãos, de modo a não poder formar de nenhuma maneira um só corpo e um só rebanho. “A saúde da Santa Igreja depende da dignidade do Sumo Sacerdote, e se não se lhe confere um poder especial e superior a todos, haverá na Igreja tantos cismas quantos são os sacerdotes”- diz São Jerónimo. É bom portanto advertir que NADA FOI CONFERIDO AOS APÓSTOLOS SEPARADAMENTE DE PEDRO, MAS MUITAS COISAS A PEDRO SEPARADAMENTE DOS APÓSTOLOS. São João Crisóstomo ao comentar a afirmação de Cristo (Jo 21,15), pergunta-se: «Porque era o primeiro entre os Apóstolos, a boca dos discípulos, o chefe do seu colégio”. Efectivamente, sòmente ele era designado por Cristo como fundamento da Igreja; a ele fora entregue a faculdade de “ligar”e de “desligar”; era o único ao qual fora dado apascentar; pelo contrário, quanto de autoridade e de ministério receberam os Apóstolos, o receberam juntamente com Pedro: “Se a condescendência Divina quis que alguma coisa fosse comum entre ele (Pedro) e os outros Príncipes (Apóstolos), não a concedeu, a não ser por ele, aquilo que não negou aos outros. Tendo Pedro recebido sòzinho muitas coisas, nada passou para outros sem a sua participação. É evidente, portanto, que os bispos decaem do direito do poder de governarem, quando voluntàriamente se separarem de Pedro e dos seus sucessores(…)
(…) E pela verdade, sòmente a Pedro foram entregues as chaves do Reino Celeste, e a ele, junto com os outros Apóstolos, foi dado, pelo testemunho da Sagrada Escritura, o poder de ligar e de desligar; mas não se lê em nenhum lugar que os Apóstolos recebessem esse sumo poder “SEM PEDRO” ou “CONTRA PEDRO.” Na verdade não foi assim que o receberam de Jesus Cristo.»

A Providência constitui o plano do Mundo eternamente presente na Inteligência Divina. Distingue-se dos possíveis os quais abrangem as infinitamente variadas formas mediante as quais as perfeições incriadas são representáveis por realidades contingentes, mas que jamais serão criadas por vontade de Deus, isto é, permanecerão eternamente essências. A Providência refere-se ao plano do mundo EFECTIVAMENTE querido por Deus. O Governo do Mundo consubstancia A EXECUÇÂO desse plano no tempo. O eterno plano do mundo REALIZA-SE INFALÌVELMENTE, tal como foi concebido pela Inteligência infinita, todavia realiza-se, essencialmente, hieràrquicamente, SEGUNDO AS LEIS NATURAIS, FÍSICAS E MORAIS, DO PRÓPRIO MUNDO.
O Acto Criador de Deus é FORMALMENTE UNO E VIRTUALMENTE MÚLTIPLO, quer dizer, existe um só acto criador, enquanto tal, Infinito, Eterno e Imutável, e existe uma pluralidade de efeitos contingentes desse Acto – os Anjos, os Homens, o Universo visível. Tal como em Deus há um só acto, infinitamente fecundo de Inteligência, e uma multidão de objectos conhecidos; e um só Acto, infinitamente rico de Amor, e uma enorme pluralidade de objectos amados. Deus só pode amar o Bem positivo, Natural e Sobrenatural, cada ente é amado segundo a proporção de Bem positivo, ontológico e (ou) operativo que encerra. A criatura finita é amada por Deus de forma finita, mas este finito não reside em Deus mas na criatura.

A Acção de criar não adiciona, formalmente, mais Ser ao Ser, simplesmente manifesta o Ser de Deus, em Si mesmo Infinito e Incriado, MANIFESTA-O DE FORMA EXTRÍNSECA, CONTINGENTE, FINITA – MAS REAL, e nessa medida é conhecido e amado pelo mesmo Deus. Afirmámos que o governo do mundo se processa hieràrquicamente, suavemente, de acordo com as leis do próprio mundo, físicas e morais – portanto o milagre só pode constituir excepção.

  • Não nos olvidemos do princípio teológico: DEUS NÃO DISPENSA OS HOMENS DE FAZER O QUE ELES PODEM FAZER. ASSIM, POR GRAÇA DE DEUS, O QUEIRAM ELES.

Milagre, em sentido estrito, significa toda a acção sensível que realizada na natureza criada, supera, em maior ou menor grau, as leis próprias dessa mesma natureza, por exemplo, a Criação não constitui milagre, visto não constituir uma acção enxertada na Natureza – muito pelo contrário, é a Criação que produz a mesma Natureza. O Santo Sacrifício da Missa, a Sagrada Eucaristia, é um milagre, ontològicamente, muito superior à ressurreição dum morto (moralmente, possui um VALOR INFINITO), todavia, constituindo objecto de Fé Teologal, Sobrenatural, não consiste, nem podia consistir, numa realidade sensível, proporcionada aos nossos sentidos, e nessa compreensão mais estrita não se considera milagre, no sentido vulgar do termo. Na já referida ressurreição dos mortos, trata-se dum milagre em sentido estrito, Sobrenatural, pois ultrapassa infinitamente as possibilidades das leis da natureza, enquanto tais.

O dom da imortalidade do corpo, atribuído a Adão e Eva no Paraíso terrestre, constituía um dom preternatural, isto é, um dom próprio duma natureza de ordem superior (os Anjos, a alma separada) mas que neste caso é facultado a uma natureza inferior (o corpo humano); os dons preternaturais são conferidos sempre em ordem aos Sobrenaturais; todavia a ressurreição constitui um dom sobrenatural, pois Deus só o pode realizar numa Criação elevada ao Estado Sobrenatural. A ressurreição dos condenados é um dom à Glória Sobrenatural extrínseca de Deus, na exacta medida em que é a própria dignidade ontológica do condenado (enquanto ente criado por Deus) a exigir, absolutamente, o castigo eterno.
As ressurreições operadas por Nosso Senhor Jesus Cristo foram realizadas, quer enquanto verdadeiro Deus, Causa eficiente principal, quer enquanto verdadeiro Homem, causa eficiente instrumental; na exacta medida em que a alma ontològicamente separada do corpo mantém com este uma relação trancendental, só Deus, apoiado ou não numa causa instrumental, só Deus, pode reatar a continuidade do fenómeno vital interrompido pela morte. Todos os milagres podem integrar uma causa instrumental, pois que a sua realização por muito que transcenda as leis da natureza APOIA-SE NA MESMA NATUREZA. Deus não pode outorgar a uma criatura o poder instrumental de criar, precisamente porque o acto da Criação não possui, por definição, um ponto de apoio ontológico e metafísico no seio da própria natureza. Todavia, nenhum milagre de Nosso Senhor envolveu criação, fosse como fosse.
Deus governa o Mundo, não através de milagres, mas fundamentalmente através do Ministério dos Anjos, e os Anjos não podem operar milagres; as criaturas puramente espirituais actuam por ordem de Deus, sobretudo através do poder que possuem sobre a matéria, actuando sobre esta com capacidades imensamente superiores às dos homens, mas sem poderem transcender essencialmente as leis intrínsecas da natureza; podem curar as mais graves doenças, deslocar planetas, sugerir extrìnsecamente, materialmente, bons ou maus pensamentos aos homens, mas não podem ressuscitar mortos, a não ser como poder instrumental facultado por Deus – em síntese, podem operar prodígios, mas não milagres. Deus realiza através dos Anjos tudo aquilo que estes podem fazer, princípio hierárquico da subsidiaridade aplicado ao Governo do Universo, permanecendo a conservação da existência do mesmo, bem como o concurso metafísico às actividades dos entes, na esfera de atribuições de Deus Uno e Trino, Omnipotente e Eterno, e não incluído formalmente no conceito de Governo Providencial.
O Ministério dos Anjos integra-se no âmbito do Governo Providencial Ordinário, por vezes no Governo Providencial extraordinário; não existe um Governo Providencial milagroso, pois tal violaria a suave analogia hierárquica que se fundamenta na Lei Eterna – EXISTEM MILAGRES, A TÍTULO EXTRAORDINÁRIO, MAS NÃO GOVERNO PROVIDENCIAL POR MILAGRES.
O Governo da Santa Madre Igreja processa-se fundamentalmente segundo as leis da Providência ordinária. Mesmo a assistência prometida por Nosso Senhor Jesus Cristo às prerrogativas funcionais da Cátedra de São Pedro processa-se segundo um auxílio Divino especial, concebido como erradicação de erros e remoção de obstáculos, em ordem à missão do Sucessor de Pedro de explicitar, defender, conservar e propagar a Verdade e a Santidade Católica.(1) Pode admitir um milagre moral, mas só a título excepcional. Mesmo Nosso Senhor quando prometeu aos futuros cristãos perseguidos pelas autoridades um auxílio especial para saberem como se defender a si e à sua  Santa Igreja, de forma alguma prometeu milagres físicos ou morais, mas sòmente uma assistência especial.
Todavia nos primeiros cem ou duzentos anos da História da Igreja, esta gozou, sem dúvida, dum Governo de Providência extraordinária da parte de Deus Nosso Senhor, tendo em vista a sua rápida propagação e consolidação, Providência esta que se corporizou, essencialmente, nos Carismas – dons extraordinários conferidos, não primàriamente para a santificação do sujeito desses Carismas,  MAS SIM PARA A EDIFICAÇÃO DA SANTA IGREJA. Todavia estas providências extraordinárias constituíam sobretudo prodígios e só excepcionalmente milagres, por exemplo: glossolalia, dom da interpretação das Escrituras, curas extraordinárias e até ressurreições.
Podemos esperar, nestes nossos desgraçados tempos, uma reconstituição desse Governo de Providência extraordinária de Deus Nosso Senhor para com a Sua Igreja. É A SANTA FÉ, A ESPERANÇA, E A SACROSSANTA CARIDADE QUE NOS GARANTEM ESSE AUXÍLIO, PARA QUE A SANTA IGREJA, AINDA QUE REDUZIDA À EXPRESSÃO MAIS SIMPLES, PERMANEÇA FIRME ATÉ À PARÚSIA FINAL. Mas não nos olvidemos do princípio teológico acima enunciado: DEUS NÃO DISPENSA OS HOMENS DE FAZER O QUE ELES PODEM FAZER. ASSIM, POR GRAÇA DE DEUS, O QUEIRAM ELES.

NOTA- 1- O Papa Sisto V (1585-1590), aquando da confecção duma nova versão corrigida da Vulgata, arrogou-se atributos funcionais que não possuía, pois que a partir da sua ciência filológica particular, que não era muita, pretendeu que a sua autoridade de Sucessor de Pedro imperasse, em matérias de crítica textual, sobre a autoridade científica de filólogos consumados. Pouco antes de morrer Sisto V reconsiderou o absurdo das suas exorbitâncias e os exemplares que atestavam os seus erros foram retirados de circulação. O seu quarto sucessor, Clemente VIII (1592-1607), publicou ulteriormente a Bíblia Sisto-Clementina, expurgada já dos erros anteriores. As prerrogativas funcionais da Cátedra de São Pedro compreendem a explicitação do Depósito da Fé, formal e objectivamente revelado, portanto na referida explicitação NUNCA PODE HAVER NOVIDADES, apenas clarificação e se julgado oportuno pelo Pontífice reinante, definição, não de novidades, mas do tesouro já revelado. Evidentemente que a proficiência nos saberes humanos não integra, de forma alguma,nem podia integrar, as atribuições da função papal.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 23 de Janeiro de 2014

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: