Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

INFALIBILIDADE E CONTRADIÇÃO

  • Quando João 23 promulgou a Pacem in TerrisDiavolo ecumenicoconvite” implícito para a “liberdade religiosa conciliar”-, todos os inimigos históricos da Santa Igreja – comunistas, socialistas, maçons, protestantes,  – todos exultaram porque imediatamente verificaram UMA INVERSÃO RADICAL DO PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DO PENSAMENTO, QUE DE TEOCÊNTRICO SE REBAIXOU A ANTROPOCÊNTRICO.

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos alguns excertos da Constituição Dogmática “Pastor Aeternus” emanada na IV sessão do Sagrado Concílio Ecuménico Vaticano I, de 18 de Julho de 1870:
« Afinal o Espírito Santo não foi prometido aos Sucessores de Pedro para que manifestassem, por sua revelação, uma nova doutrina, mas que com a sua assistência custodiassem santamente e expusessem fielmente a Revelação transmitida aos Apóstolos, isto é, o Depósito da Fé. A sua Doutrina Apostólica foi acolhida por todos os veneráveis Padres, respeitada e seguida pelos santos doutores ortodoxos que sabiam perfeitamente que esta Sé de Pedro permanece sempre imune de todo o erro, segundo a promessa Divina de Nosso Senhor e Salvador ao Príncipe dos Seus Discípulos: “Eu orei por ti, para que tua Fé não desfaleça, e tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos”.
Este carisma de Verdade e de Fé, nunca deficiente, foi concedido por Deus a Pedro e aos seus sucessores sobre esta Cátedra, para que exercessem este excelso múnus para a Salvação de todos, para que o Universal rebanho de Cristo, afastado por obra da isca envenenada do erro, fosse nutrido com o alimento da Doutrina Celeste, toda a Igreja fosse conservada na Unidade, e estabelecida sobre o seu fundamento, se erguesse inabalável contra as portas do Inferno.»

Perante a asserção, por alguns produzida, de que não existe contradição entre a Santa Madre Igreja e a falsa Igreja conciliar, a resposta só pode ser uma: QUEM ASSIM PENSAR, NÃO SÓ NÃO POSSUI A FÉ CATÓLICA, COMO ESTÁ SENDO, INTELECTUALMENTE, extraordinàriamente DESONESTO.

Efectivamente, quando foi promulgada a “Pacem in Terris”, todos os inimigos históricos da Santa Igreja – comunistas, socialistas, protestantes, maçons – todos exultaram, e exultaram porquê? Porque imediatamente verificaram UMA INVERSÃO RADICAL, UMA INVERSÃO DE CENTO E OITENTA GRAUS, DO PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DO PENSAMENTO, QUE DE TEOCÊNTRICO SE REBAIXOU A ANTROPOCÊNTRICO.
Não é necessário ser católico para proceder a tal certificação; só que não é social e polìticamente correcto reconhecê-lo pùblicamente.
É uma questão essencialmente LÓGICA, não teológica.
Os anti-sedevacantistas não só não possuem a Fé Católica, como são intelectualmente desonestos – como já se afirmou.
Também é uma monstruosidade sustentar que, para cada momento Histórico, existe uma posição oficial do Magistério da Santa Madre Igreja, a qual constitui a verdade para essa mesma época. Efectivamente, o Magistério da Santa Igreja não “EVOLUI,” APROFUNDA-SE, HOMOGÈNEAMENTE, SEMPRE SEGUNDO O MESMO PRINCÍPIO, A MESMA DEFINIÇÃO, A MESMA EXPRESSÃO; O MESMO SUCEDE, ANÀLOGAMENTE, COM A GRAÇA SANTIFICANTE, A QUAL CONSTITUI SEMPRE UMA PARTICIPAÇÃO REAL NA NATUREZA DIVINA, NA INTELIGÊNCIA DIVINA, NA CARIDADE DIVINA, MAS EM GRAU MAIOR OU MENOR, SEGUNDO A SANTIDADE DE CADA UM.
Diz Nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 13, 51) que todo o Doutor da Lei instruído acerca do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira coisas novas e velhas do seu tesouro. Na realidade a Revelação goza de perfeita Unidade, de perfeita Verdade, de perfeita Santidade, CONSTITUI UM TESOURO DE INFINITO VALOR.

A Santa Madre Igreja nunca amputou, nem acrescentou, nem podia amputar ou acrescentar nada, a esse Tesouro da Revelação. Quando a Santa Igreja define um Dogma, simplesmente lhe reconhece e lhe confere, objectivamente, o grau supremo de certeza Sobrenatural com que o referido Dogma integra, e pode integrar, o Tesouro da Revelação, e portanto a suprema obrigatoriedade com que esse Dogma compromete a Fé de toda a Igreja.
Antes de 8 de Dezembro de 1854, a Imaculada Conceição já constituía uma verdade de Fé, não definida, por acto do Magistério extraordinário da Igreja ou do Papa; vários Pontífices, tais como Sisto IV (1477, bula “Praecelsa”), São Pio V (1570, bula “Super Speculam”), Paulo V ( 1616, bula “Regis Pacifici”), Gregório XV (1622,  bula “Sanctissimus”),  e Alexandre VII (1661, bula “Sollicitudo omnium ecclesiarum”) haviam já, solenemente, professado a Imaculada Conceição, proibindo qualquer proposição pública ou privada, oral ou escrita, contra a piedosa crença. Igualmente, o próprio Sagrado Concílio de Trento manifestara não ser sua intenção incluir Nossa Senhora nos seus decretos sobre o Pecado Original.
Santo Agostinho terá sido a primeira grande figura da Santa Madre Igreja a expor teològicamente a Doutrina da Redenção não liberativa, mas preservativa. Seja como for, os Dogmas da Santa Mãe Igreja não nascem do nada, nem são impostos cegamente, não, são verdades formalmente, objectivamente, reveladas, conquanto, subjectivamente, apenas subjectivamente, só progressivamente tal objectividade se estabeleça, clara e nítida, para a inteligência docente da Santa Igreja. UMA TAL PROGRESSIVIDADE É QUERIDA PELA PROVIDÊNCIA DIVINA, NA SUA ETERNA E PATERNAL PEDAGOGIA.

A explicitação do Dogma não é uma evolução do Dogma, corresponde a uma hierarquia intrínseca à própria Revelação, a qual terminou, objectivamente, com a morte do último Apóstolo. A infalibilidade não existe apenas no Dogma de Fé definido, manifesta-se igualmente nas verdades do Magistério Universal e Ordinário, quer da Santa Madre Igreja, quer do Papa, todavia aqui constitui como que uma síntese organicamente articulada de todos os actos do Magistério. As verdades de Fé Divina, enquanto reveladas, são também infalíveis, embora não especialmente propostas à Igreja discente, por exemplo: Em 2ªTim 4, 13, São Paulo comunica a Timóteo que deixara em Trôade, em casa de Carpo, uma capa e uns livros. Ora este oráculo é Divinamente revelado, há estrita obrigação de crê-lo, quem nele não acreditasse, sem obstinação, uma vez suficientemente proposto, cometeria pecado mortal, mas não seria herético em sentido estrito, nem perderia, a Fé Teologal, sòmente a perderia se a sua atitude envolvesse indiferença e desdém tais que fosse atingido, mesmo só indirectamente, o Depósito de Fé, solene e oficialmente proposto aos fiéis pelo Magistério Extraordinário ou Ordinário da Santa Madre Igreja.
A Santa Madre Igreja é igualmente infalível no seu Magistério filosófico, pois quem detém a custódia da Revelação Sobrenatural deve igualmente poder sustentar infalivelmente as verdades naturais e intelectuais, sem as quais, os Mistérios Sobrenaturais se não poderiam manter; esta esfera de atribuições do Sagrado Magistério denomina-se “virtualmente revelado” ou ainda “conclusões teológicas”. Por exemplo: Determinadas explicações da União Hipostática, bem como da Santíssima Trindade, em campo filosófico, realizadas pela inteligência natural, extrìnsecamente iluminada pela Graça Sobrenatural. Na realidade, o Depósito de Fé, constituindo Aquilo que é, FORMALMENTE, encerra virtualmente imensas riquezas de Ordem Natural e Sobrenatural, as quais não existem em si mesmas, no seu próprio ser, mas segundo o ser em que são, ou seja, do próprio Depósito da Fé. Exactamente como o ser do mundo existe todo ele, VIRTUALMENTE, em Deus, Causa Primeira.

Normalmente as riquezas virtuais da Revelação só podem ser conhecidas no confronto da Revelação em sentido formal com a realidade criada. Quem não acredite em tais riquezas, quando propostas pela Santa Mãe Igreja, comete pecado mortal, mas não é herege em sentido estrito, tal como já foi explanado no atinente às proposições de Fé Divina.
A definição do Dogma da Infalibilidade Pontifícia não constitui qualquer petição de princípio ou círculo vicioso, na exacta medida em que a Santa Madre Igreja é infalível na infalibilidade do próprio Deus Uno e Trino e portanto tal infalibilidade deverá necessàriamente repercutir-se nas atribuições do seu Orgão fundamental: A Cátedra de São Pedro. Este Dogma, tal como todos os outros, não é arbitrário, foi formalmente revelado na própria definição da Constituição da Santa Madre Igreja por Nosso Senhor Jesus Cristo. A definição de 1870 veio corroborar, reforçar institucionalmente, de forma suprema, a Fé multissecular da Mãe Igreja.
A canonização dum Santo envolve a infalibilidade da Santa Igreja, bem como do Papa que a proclama; na exacta medida em que todo o processo canónico envolve elementos humanos, a nota teológica correspondente é a de “Facto Dogmático”. SE A CANONIZAÇÃO É FALSA, O “PAPA” QUE A PROCLAMA TAMBÉM É FALSO.
Assim se manifesta, irrefragàvelmente, a natureza hierárquica, analógica, gradativa, do conceito de Infalibilidade; é necessário o auxílio da Graça  para proceder a uma abstracção teológica e filosófica de suficiente magnitude para ilustrar o significado último da INFINITA RIQUEZA DA REVELAÇÃO, BEM COMO DA ELEVAÇÃO AO ESTADO SOBRENATURAL, como fundamentos da participação das instituições humanas de Direito Divino na própria INFALIBILIDADE E ETERNIDADE DE DEUS.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 15 de Fevereiro de 2014

Uma resposta para “INFALIBILIDADE E CONTRADIÇÃO

  1. Mason Moore fevereiro 16, 2014 às 10:03 pm

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