Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

CINZAS – «Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris!» E não avilte o homem o que é sagrado!

Tristeza dos Sagrados Corações

  • “A grande miséria da civilização ocidental, uma das suas chagas mais profundas, foi precisamente ter tornado a morte uma realidade obscena…
  • “Ao pretender eliminar a morte, é a vida, rectamente concebida, e operativamente ordenada, que estamos subvertendo, pois que na presente condição de natureza elevada, caída e remida, é de alguma maneira a morte que deve facultar sentido à vida, e por outro lado, é a vida, moralmente edificada, que deve outorgar sentido à morte; tudo no quadro da Revelação Sobrenatural e da sã filosofia.”

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COMO O SAGRADO SE TORNOU OBSCENO

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos a Palavra Divina no seguinte excerto do Livro do Eclesiástico:

« Uma grande preocupação foi imposta a todos os homens e um pesado jugo carrega sobre os filhos de Adão, desde o dia em que eles saem do ventre da sua mãe, até ao dia da sua sepultura, em que eles entram no seio da mãe comum de todos. Os seus cuidados, os sobressaltos do coração, a apreensão do que esperam, e o dia em que tudo acaba, perturbam-nos a todos, desde o que está sentado sobre um trono de glória, até aquele que jaz abatido na terra e na cinza: desde aquele que está vestido de púrpura e traz coroa, até ao que se cobre de linho cru. Tudo é furor, inveja, inquietação, perplexidade, temor da morte, rancor obstinado, e contendas. Até no tempo em que repousa na cama, o sono da noite lhe faz perturbar a imaginação. Breve ou quase nenhum é o seu repouso, e ainda no seu mesmo sono está como uma sentinela de dia. É perturbado pelas visões da sua fantasia, como quem foge no dia da batalha; quando se imagina salvo, desperta, e admira-se do seu vão temor. Isto acontece a todos os viventes, desde os homens até aos animais, mas para os pecadores é sete vezes pior. Além disto, a morte, o sangue, as contendas, a espada, as opressões, a fome, a ruína dos países e os outros flagelos; todas estas coisas foram criadas para os maus e por causa deles veio o dilúvio. Tudo o que é da terra tornar-se-á em terra, como todas as aves voltam ao mar. Toda a dádiva para corromper, e toda a iniquidade perecerá, porém a rectidão subsistirá eternamente.» (Eclo 40,1-12)

Perante a grande miséria da condição humana, causada pelo pecado original e pelos pecados actuais, constitui princípio de sabedoria a meditação Sobrenatural nos Novíssimos, isto é, nas derradeiras realidades que sucederão ao homem: Morte, Juízo, Céu e Inferno.
O Juízo particular tal como o Juízo Universal serão instantâneos; o primeiro identifica o homem como entidade particular, o segundo consubstancia o aspecto necessàriamente social e público da personalidade humana. Portanto seremos julgados e sancionados em perfeita analogia com o nosso percurso terreno e mortal. Todavia, na Eternidade, as categorias correlativas particular e público serão ESSENCIALMENTE, ABSOLUTAMENTE SUPERADAS.
A beatitude do Céu e os tormentos do Inferno não devem ser considerados como uma realidade formalmente extrínseca às boas ou más disposições operativas do sujeito; efectivamente A RECOMPENSA PARA QUEM AMA SOBRENATURALMENTE A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS – É O PRÓPRIO DEUS; O CASTIGO PARA QUEM DESPREZA A DEUS – É A PRIVAÇÃO DE DEUS, EM ASSOCIAÇÃO À PENA DO FOGO, DESTINADA A PUNIR O APEGO DESORDENADO À CRIATURA.
Mesmo no plano filosófico, o conceito de sanção implica sempre uma confirmação judicial suprema àquilo que o sujeito efectivamente é, como resultado transcendental do exercício do seu acto de ser.
O homem chamado “normal” não medita nos Novíssimos, até porque nem sabe o que isso significa; e não sabe porque, em primeiro lugar, ninguém lho ensinou. A maldita Igreja conciliar “não tem Novíssimos” pois tais são totalmente incompatíveis com o imanentismo sentimentalista, relativista e irreal.

Todavia, na exacta medida do declínio irreversível da Fé Católica nos últimos cinco séculos, a concepção e a consideração dos Novíssimos foi paralelamente debilitando-se PERDENDO O SEU CARÁCTER ABSOLUTO, pois que a corrupção do conceito de Deus inquina proporcionalmente a recta conceptualização de todas as outras realidades. Fundamentalmente, SÓ NA FÉ, E PELA FÉ, TEOLOGAL, SOBRENATURAL, É POSSÍVEL PENSAR E MEDITAR NOS NOVÍSSIMOS, EXTINTA A FÉ, SÓ RESTAM OPINIÕES HUMANAS, PENSAMENTOS HUMANOS.

A Fé Teologal, constitui um hábito operativo que eleva a nossa inteligência à Ordem Sobrenatural, capaz de produzir espécies Sobrenaturais, sob o imperativo formal da vontade, também sobrenaturalmente elevada. PORTANTO O OBJECTO DA FÉ SÓ PELA FÉ PODE SER FORMAL E ADEQUADAMENTE CONHECIDO.
A grande miséria da civilização ocidental, uma das suas chagas mais profundas, foi precisamente ter tornado a morte uma realidade obscena. O desenvolvimento do processo já é muito anterior ao maldito concílio de Roncalli e Montini, pois que se iniciou com a revolução industrial urbana e consequente estiolar dos valores espirituais e até mesmo dos valores puramente humanos – MAS SÓ A MALDITA IGREJA CONCILIAR VEIO RATIFICAR ESTA “PORNOCRATIZAÇÃO” DA MORTE. É que a total desintegração sobrenatural, espiritual, moral, intelectual, da dita civilização pós-cristã, não apenas dessacralizou a morte, o que já seria muito grave, MAS OCULTA-A COMO ALGO VERGONHOSO, OFENSIVO PARA OS BONS COSTUMES – E EM ÚLTIMA ANÁLISE, LÒGICAMENTE – ORDENA A SUA INCINERAÇÃO.
Ora a morte constitui uma realidade Sagrada, e o corpo do defunto é uma “Res Sacra,” precisamente pela sua relação transcendental com a alma. A morte é o preço do pecado, introduzida neste mundo pela desobediência de Adão e Eva, e consequente perda dos dons Preternaturais e Sobrenaturais. É pela morte que devemos nascer para Deus, libertos finalmente deste vale de lágrimas, onde tanto se sofre para servir a Deus.
Esta miserável atitude ateia perante a morte corre paralelamente com o desprezo das crianças e dos velhos. É evidente que uma civilização assim não pode subsistir; mas desta vez, a tragédia extraordinária, é que as energias morais e religiosas da Humanidade encontram-se esgotadas, aniquiladas, no total desaparecimento da Santa Madre Igreja como realidade social e cultural.

Ao pretender eliminar a morte, é a vida, rectamente concebida, e operativamente ordenada, que estamos subvertendo, pois que na presente condição de natureza elevada, caída e remida, é de alguma maneira a morte que deve facultar sentido à vida, e por outro lado, é a vida, moralmente edificada, que deve outorgar sentido à morte; tudo no quadro da Revelação Sobrenatural e da sã filosofia.

Tal como no mundo físico existe a lei da acção-reacção, no mundo moral as realidades subsistem segundo um determinado equilíbrio ontológico, em que a amputação dum membro compromete irremediàvelmente a existência do conjunto. Nunca é impunemente que se viola a Lei de Deus, mesmo nos seus mais diminutos pormenores.
Neste quadro conceptual, e transitando agora para a Ordem Sobrenatural, é necessário reafirmar que aqueles que negam o Inferno, já não possuem sequer o Céu. Por isso mesmo a maçonaria internacional, na sua torpe estratégia de destruição da Santa Madre Igreja, urdiu sempre a manutenção das aparências de Céu e de Inferno, mas com paralela exaltação dos direitos humanos, de tal forma, que esses mesmos direitos, assim endeusados, elidiriam, necessàriamente, subliminalmente, o dogma do Inferno,
num primeiro momento, e ulteriormente demoliriam o Céu, bem como toda a ideia de imortalidade da alma.
O LIBERALISMO CONSTITUI O MAIS PODEROSO VENENO PARA DESTRUIR A FÉ TEOLOGAL, SOBRENATURAL, A PARTIR DA DISSOLUÇÃO DOS NOVÍSSIMOS.
Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo redimir os homens, sem dúvida, mas também ilustrá-los quanto à sua triste condição, elevando-os para as belezas infinitas do mundo Sobrenatural.

Nosso Senhor Jesus Cristo, padecendo morte ignominiosa, e simultaneamente vencendo gloriosamente essa mesma morte, iluminou singularmente a nossa própria morte, na exacta medida em que o católico, na Graça de Deus, em nenhum outro momento se identifica tanto com o Mistério do Calvário como aquando da sua própria morte.
O Mistério da Cruz deve constituir, necessàriamente, a sabedoria dos justos; é da Cruz que se derramam as copiosas Graças da nossa Predestinação, da nossa salvação; é da Cruz que promanam os Dons do Espírito Santo, nos quais Deus Nosso Senhor opera em nós, a mais elevada, a mais excelsa, contemplação Sobrenatural, e de tal forma, que os Dons do Espírito Santo PERMANECEM NA ETERNIDADE; é da Cruz que irradia aquela Luz fulgurante, aquela Luz que não é deste mundo, aquela Luz Sobrenatural, puríssima, que vence as trevas mais profundas e as dores deste vale de lágrimas. Nós, deste pobre mundo só levaremos aquilo que adquirimos com os Infinitos méritos do Sacrifício do Calvário, isto é: só levaremos bens Sobrenaturais, CUJO VALOR É ETERNO, E QUE ABSOLUTAMENTE NINGUÉM NOS PODERÁ ARREBATAR.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 4 de Março de 2014

Uma resposta para “CINZAS – «Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris!» E não avilte o homem o que é sagrado!

  1. Rubens Nobre abril 17, 2014 às 3:55 pm

    Olá, sou Nobre, Rubens, brasileiro residente no Rio de Janeiro. Estou muito impressionado com o seu texto. Reflexões muito profundas, ainda que em alguns momentos eu tenha me indagado se isso de fato condiz com os pensamentos da Santa Igreja de Cristo. De qualquer maneira, todas as ideias apresentadas são muito bem postas neste tempo eclesial ‘a Semana Santa’. Parabéns, que os Anjos te protejam

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