Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A FILOSOFIA DE DONOSO CORTÉS, DUGIN, OLAVO… e SEU INVERSO CONCILIAR

Ratz e o Corão

Bento 16 recebendo alegre o Alcorão

Arai Daniele

O interesse de quem segue este sito, espero, é de seguir uma visão católica dos eventos atuais, que é radicalmente contracorrente. Visão esclarecida pelo conceito pelo qual quem não orienta a vida segundo o reto pensar que deriva do íntegro crer, acaba por crer como pensa e pensar como vive. Será o modo de vida casual a reger o seu pensar e crer; uma opção cômoda, subjetiva, mas falsa de sua realidade e fim como ser humano.

Isto se aplica para todos e para todas as atividades do homem, hoje, ontem e sempre, e pode-se dizer que é essencialmente a visão religiosa da vida do ser humano criado com um corpo material e uma alma espiritual imortal, cujo fim, não podemos deduzir por nós mesmos. Dai a necessidade de crer no que nos foi revelado por Deus. Por mais que o homem indague sobre as verdades relativas à sua vida: quem è, sua origem e fim, as respostas só podem ter a direção do Criador para a criatura, da Causa para o efeito. Dai que o senso da verdadeira ciência, Filosofia e Teologia tem uma só direção, que é a da Pistis, a fé, cujo inverso é a gnose espúria: «conhecimento» segundo opções humanas e pessoais, do subjetivismo que, embaralhando o pensamento, desnorteia o agir humano.

Lembrada esta visão da qual parte o catolicismo autêntico, ABC da história humana para entender os eventos históricos de sempre, venhamos aos nossos autores, ligados à vida política que se desenrola nos nossos dias, da guerra na Síria e os tumultos da Ucrânia, aos múltiplos conflitos mundiais de origem ideológica como religiosa.

Para isto ouçamos o genial escritor católico Donoso Cortés, que inicia seu ensaio sobre o “Catolicismo, o Liberalismo e o Socialismo” dizendo: “M. Proudhon há escrito en sus “Confessiones de un revolucionario”estas notables palabras: «Es cosa qué admira el ver de qué manera en todas nuestras cuestiones políticas tropezamos siempre con la teología»! Nada hay aqui que puede causar sorpresa, sino la sorpresa de M. Proudhon. La teologia, por lo mismo que es la ciencia de Dios es el océano que contiene y abarca todas las cosas. Todas ellas estuvieran antes de que fueran y están después de creadas en el entendimiento divino; porque, si Dios las hizo de la nada, las ajustó a un molde que está en El eternamente.” Como estamos hoje longe deste reto pensar!

A revolução anticristã, no meio tempo, devorou multidões de almas, até católicas, as quais, aderindo à síndrome do progressismo modernista, descartaram até mesmo o semi-revolucionário Proudhomme, como já o tinha feito Marx e companheiros. Até Voltaire e o seu deísmo era demais para o relativismo absoluto hegeliano que ocupou a Cidadela da Fé com o modernismo conciliar de Roncalli a Ratzinger, Se para este a verdade era relativa, para o atual post-post-modernismo – versão Bergoglio – a verdade é irrelevante.

Sim, porque não seria mais necessário a conversão à Verdade única, vinda da autoridade de Deus, o importante seria a união dos homens segundo a religiosidade ecumenista de cada um… segundo sua preferência! Para quem não percebe o salto da visão religiosa geral para a cegueira religiosa de nossos tempos, pergunto se pode ser outro o salto que obscurece a política do mundo, privando-a das referências universais, demolidas pelo relativismo modernista. Por esta razão assinalei que nos debates de Olavo de Carvalho com Orlando Fedeli ou com Alexander Dugin sem pôr a crise religiosa da consciência humana em primeiro lugar, o discurso erudito e até interessante torna-se evanescente.

Ao deixar a Teologia e a Religião na poeira das sacristias, até a mesma Filosofia e senso da História vai para o obituário das autópsias intelectuais, onde a história é dissecada para elucubrar a necessidade de uma cultura para aquela nova ordem mundial que, emancipada da verdade sobre o homem, é apenas desordem. Seu leit motiv é a evolução da «realidade laicista» em relação à tradicional Ordem cristã; só serve ao curso do pensamento nefasto que despontou nos tempos do iluminismo de Voltaire. Assim é que este, hoje em dia, pasmem, está no programa prioritário até de Bento 16. Veja-se seu discurso obsceno aos muçulmanos, por exemplo no dia 26 de dezembro de 2006, cujo «aggiornamento» consiste em aconselhá-los a aderirem à «filosofia das luzes» como fez o Vaticano 2º, que “incorporou as conquistas de 200 anos de iluminismo”!

Eis a liquidação de princípios do Direito natural por via religiosa; o exato contrário do que ensinava a Igreja Católica e expõe Donoso Cortés para uma reta política européia. Mas isto também inverte o pensamento moral cristão ortodoxo que parece ser o de Dugin e de Putin, inimigos do indecente liberalismo ocidental atual. Assim, devemos dizer que o «pensamento conciliar» também se contrapõe ao senso do que o Olavo de Carvalho explica no seu ilustrativo «A Filosofia e seu inverso», onde se pode apreciar justamente a «direção» do autêntico pensamento filosófico desde Platão.

Passemos à leitura do reto sentido da vida como exposto acima e que se explica nesse livro que cita Eric Voegelin (p. 37): “Platão criou seus pares de conceitos no curso da sua resistência à sociedade corrupta que o rodeava… O lado positivo dos seus pares tornou-se a «linguagem filosófica» da civilização ocidental, enquanto o lado negativo perdeu seu status de vocabulário técnico… por ex. no par philosophos e philodoxos… e como o termo platônico que os designava se perdeu, referimo-nos a eles como filósofos. No uso moderno, portanto, chamamos de filósofos precisamente as pessoas contra as quais, como filósofo, Platão se opunha. E uma compreensão da metade positiva do par se tornou hoje praticamente impossível, exceto para uns poucos eruditos, porque, quando falamos em ‘filósofos’, pensamos em filodoxos. (Op. cit., pp. 119-120).

Olavo de Carvalho continua: “Mas o filodoxo não se define só por sua oposição à pessoa do filósofo, e sim, ainda que sem percebê-lo, ao próprio fundamento último da filosofia platônica (e, por extensão, de toda a filosofia cristã): “Platão, explica Voegelin, fala do filodoxo como o homem que não pode suportar a idéia de que ‘o belo, ou o justo, ou o que quer que seja, sejam um e o mesmo.” (Id., ibid.) Voegelin lembra a sentença de Xenófanes: “O Um é o Deus”. Podemos também evocar os “transcendentais” de Duns Scot, Unum, Verum, Bonum, que se convertem uns nos outros. Tanto em Platão quanto em Aristóteles ou em toda a filosofia escolástica, o Supremo Bem não é um “valor”, muito menos uma “criação cultural”, mas a realidade suprema, o ens realissimum, fundamento primeiro e objeto último de todo conhecimento.

“A repulsa que isso desperta na sensibilidade moderna é notória. Desde Kant, a separação abissal e intransponível entre “realidade” e “valor” consagrou-se como um dogma incontestável da mitologia universitária, sem que ninguém perceba que ela se auto-anula no momento em que, professando expressar um dado incontornável da realidade, se consagra como um valor cultural.

“Max Weber, hipnotizado pela visão do abismo intransponível, mas ansiando por encontrar um fundamento moral que justificasse sua busca da verdade científica, chegou a cair numa crise de paralisia nervosa, ficando cinco anos inutilizado num sofá, por não conseguir escapar do engano trágico que fazia de uma situação histórica passageira um princípio fundante de todo conhecimento científico. A “independência entre as esferas de valores”, como ele a chamava, é o dogma central da filodoxia. Ela não resulta da natureza das coisas, mas do fato de que, apegados a suas identidades sociais de professores, de cientistas, de artistas ou de pregadores, muitos indivíduos, em certas épocas, se vêem incapacitados de descer à profundidade interior em que se revela a unidade da experiência humana: confundindo a incompatibilidade entre suas linguagens profissionais respectivas com uma separação ontológica objetiva entre os domínios da realidade, não têm sequer a hombridade weberiana de reconhecer que estão doentes. Realizam, assim, a profecia de Heráclito, segundo a qual os homens despertos vivem num mesmo mundo, ao passo que os adormecidos refluem para seus respectivos mundos mutuamente incomunicáveis. Vários sintomas assinalam essa patologia. Um deles é o que denomino “moral arbitrária”: o sujeito proclama que os valores morais não têm nenhuma base científica nem defesa racional possível, mas continua agindo exteriormente como se acreditasse no bem e na virtude, ou naquilo que ele assim denomina. Sugere, assim, que sua conduta ética, ou aparentemente ética, não deriva do Supremo Bem, mas da sua própria, misteriosa, arbitrária e inexplicável bondade pessoal. É a forma de autobeatificação mais querida dos intelectuais céticos e materialistas.”

Tudo isto é indiscutivelmente real, falta só aplicá-lo ao plano dos políticos da democracia liberal americana e ocidental, que Dugin detesta, mas sem apontar a sua causa religiosa.

O sentido cristão da História

Para o Cristão o curso da história da humanidade segue o curso bíblico da luta entre o bem e o mal; entre a verdade e a impostura da luta espiritual entre a Cidade de Deus e a Cidade de Satã, como o interpretou Santo Agostinho sistematicamente no De Civitate Dei.

O sentido da História e, portanto, da vida humana, só ficou claro com a vinda de Jesus Cristo. Neste sentido é importante citar o sociólogo judeu Rosenstock-Huessy citado por Olavo que coloca “toda a história da raça humana sob o simples tema de como o amor se torna mais forte que a morte… e a história sublime canção… rima, ligação, que é a função dos homens na terra. Mas que esta seja a nossa função, apenas o conhecemos desde o nascimento de Cristo” . O amor se torna mais forte que a morte… quando conhecemos Cristo e a elevação na verdade como função primordial da vida. Que será do mundo sob o poder que opera para obstar ou banalizar a Verdade conhecida? Quem o impede é declarado inimigo de Cristo, seja judeu ou conciliar

A “presença” dessa Verdade na História é a um tempo certeza religiosa e realidade vital. Pouco ou nada restaria do sentido de uma história amputada da Revelação e da presença de Jesus Cristo, que foi e é determinante para a vida dos homens. Ao contrário, toda compreensão dos eventos de cada época depende do reconhecimento se estes são a favor ou contra a Fé no Filho de Deus encarnado.

Recuperar o sentido católico da História para entender o presente

Bastaria considerar os termos para o entendimento filosófico do «sentido» da História como curso dos eventos humanos no complexo curso das civilizações, para reconhecer que a História tem caráter sobrenatural. De fato, a filosofia considera a História para chegar à compreensão última do ser humano e do seu fim, que vai além da natureza material. Assim sempre entenderam os povos de todas as épocas e lugares, na espera de uma revelação divina.

Vejamos o que diz o historiador Arnold Toynbee diante desta revelação: “Pode-se realmente falar de uma «historia universal» (Weltgeschichte) que abrace o devir de todo o gênero humano segundo um plano de estrutura temporal, como reconhece Goethe afirmando que o único tema, aquele próprio e mais profundo, da Historia do mundo e da humanidade à qual todos os outros restam subordinados, é o conflito entre a fé e a incredulidade. A única historia então que importa para o homem é a «História sagrada» que reivindica para si o cumprimento definitivo da salvação do ser homem: o Cristianismo em quanto se apresenta como o único herdeiro legítimo das promessas divinas feitas a Israel, levantou as barreiras nacionais e raciais do judaísmo e abraça a história de toda a humanidade nos séculos cujo eixo é portanto representado pela Pessoa e obra de Cristo Salvador, como Filho de Deus feito Homem. […] Disto se compreende que somente no Cristianismo o tempo se estrutura no «desenvolvimento» das suas dimensões de presente, passado e futuro. Enquanto na concepção clássica o tempo é submetido à «necessidade» do fato e é disperso pela intangibilidade do «caso» na concepção revelada o presente constitui o ponto de consistência da historia em quanto o que ocorre, isto é o evento é sempre uma síntese de tempo e de eternidade, isto é, seu ponto de seu «encontro». […] O Cristianismo portanto reivindica para si a única interpretação válida da Historia porque é a única religião que promete e garante a definitiva libertação do mal, livre assim do processo de «desagregação» inerente às teorias dos ciclos: «O Reino de Deus, do qual Cristo é Rei, é incomensurável, com respeito a qualquer outro reino… Até onde esta Civitas Dei entra na dimensão-tempo, não é como um sonho para o futuro, mas como uma realidade espiritual que penetra o presente” [1].

Cristo Rei do Universo

Ora, O cristão sabe que: “Se a História não tivesse um sentido, a inteira humanidade, a presença do homem no mundo, seria reduzida a uma absurda e vã agitação de larvas; mas se a história, come cremos, tem um sentido, então essa mesma é linguagem, palavra; e o seu sentido não se pode identificar com o simples acontecer e continuar dos eventos” [2] Essa «Teologia da História» demonstra-se assim como o esclarecimento único da existência temporal do homem e daí da verdadeira “História” com os seus graves problemas atuais.

Vivemos tempos de enganosas teologias iluministas e de libertação que são, na verdade, libertações da Teologia e, portanto do sentido da História e de tudo que concerne a Fé e as almas.

À esta luz, vemos que nos nossos tempos não há só a perversão da filosofia pela «filodoxia», mas da Teologia por uma «teodoxia» que, invertendo a visão do fim da vida humana, inverte todas as retas visões políticas e morais.

Foi o Vaticano 2º a oficializar esse desvario, cuja maldita operação ecumenista obscurece todo o horizonte humano ao negar a oposição fundamental entre o Cristianismo da Igreja Católica com todos os erros humanos coligados para abatê-lo. Eis o desastre presente! Ao diluir ou negar esta verdade, avançam no horizonte da história os grandes males revolucionários que parecem insuperáveis.

Enquanto o Cristianismo é demolido por um nefasto ecumenismo, o Islão, que no lugar santo de suas orações não admite nenhuma outra religião, cresce continuamente e hoje, um quinto dos habitantes da terra segue as palavras de Maomé, seja quando estas invocam a paz como a guerra. Mas este mal está do lado de uma fé, justamente quando o Ocidente desmorona a sua para cair na mais abjecta incredulidade anticristã! Que Deus nos ajude nesta hora de trevas.

[1] – Arnold Toynbee, A Study of History, v. EC. p. 1380.

[2] – «Il Tempio del Cristianesimo», Attilio Mordini, Settecolori, 1979, p. 9.

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