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Fátima e a Paixão da Igreja

A CULTURA DA MORTE E O JUÍZO CATÓLICO SOBRE SEUS JUDAS

Judas

Arai Daniele

A «cultura da morte» alastra-se hoje na Bélgica num delírio de abjeção com a lei da eutanásia infantil.

De fato, dia 12 de fevereiro o parlamento federal belga, depois de meses de ásperas polêmicas manifestadas até nas praças, votou pela primeira vez na História a extensão do «direito à eutanásia» aos menores sem limites de idade.

E foi com uma incrível maioria, pois os votos a favor foram o dobro dos contrários: 86 contra 44 e 12 abstenções, sobre o texto já aprovado no Senado em dezembro último.

Dia 3 de março a última possível resistência à iniqüidade, que seria o veto de um rei católico, revelou-se faltante. Assim a desgraça assumiu o status legal porque nem este obstáculo real à lei suicida vacilou em apor sua assinatura no documento iníquo.

Décadas antes, o rei Balduíno, avô do atual monarca e reinante de 1951 a ’93, para não assinar a lei do aborto aprovada pelo Parlamento belga, encenou a abdicação por alguns dias, privando-se dos poderes reais para não ser cúmplice da iníqua lei do aborto contra o seu povo.

Agora, Bruxelas e o rei superam até a libérrima Holanda, único Estado que promulgou tal «lei da eutanásia infantil», mas pondo o limite de 12 anos, abaixo dos quais até eles vêem essa «eutanásia» como uma liberalidade condenável. Mas os belgas conseguiram superá-los no desprezo por todo princípio católico e no mais insano modernismo com que países, outrora cristãos, forjam agora suas leis, o que redunda na pura e simples chacina espiritual de um povo que aceita o extermínio de seu mundo infantil.

Como entender o que ocorre nesta «civilização moderna», que agora adota o suicídio infantil, sem considerar a atual rejeição dos princípios cristãos pelo mundo Ocidental?

Certamente esta primeira alienação diz respeito à fé em Deus Pai.

Trata-se de um mundo «progressista» que se ufana de ter «esclarecido» a verdade sobre Deus nas ondas da sua «filosofia modernista». Agora que uma opinião subjetiva sobre a verdade, mesmo sem negar a divindade, «evoluiu» na indiferença ecumenista sobre a religiosidade, tudo é possível. Qualquer crença vale porque a verdade seria relativa, segundo cada consciência, cada ambiente social e seu tempo. Assim, a verdade, depois de relativizada, deixou de ser relevante. Crê-se como se pensa e se pensa conforme de vive. E basta. A verdade não é mais do que a vontade de viver como se prefere.

A segunda alienação é a da alma imortal na qual se cria desde os tempos primordiais, assim como numa vida depois da morte física,. Mesmo antes da Encarnação do Verbo, pela reta razão, já Sócrates, Platão e Aristóteles e não só, acreditavam na imortalidade da alma.

Hoje, na pretensão de racionalidade, se crê só no que se pode apurar com os sentidos do corpo, o que leva a uma visão materialista da vida presente e futura neste mundo.

E se é assim para os adultos, cedo ou tarde isto afeta a vida dos mais jovens.

A terceira alienação é a da negação do livre arbítrio, que afeta a responsabilidade humana diante da vida e de Deus.

Pretende-se que o comportamento humano, sendo condicionado tanto pela genética como pelo ambiente social, físico e químico que nos envolve e do que ingerimos, não seria verdadeiramente livre. E assim, seríamos só muito parcialmente responsáveis e nosso horizonte de liberdade se limitaria às nossas escolhas civis, religiosas e… democráticas.

Como se vê tudo isto concerne profundamente à alma humana; é de cunho religioso e diz respeito à mesma atitude diante da verdade. Trata-se então de alienações no âmbito espiritual e portanto de verdades ignoradas, alteradas, ou esquecidas no âmbito da mesma Religião.

Como, porém, a boa orientação católica depende de guias religiosos enviados por Deus, segundo uma hierarquia instituída sob um chefe, o Vigário de Cristo, a questão chave de nossos tempos é reconhecer a sua ausência para implorar a sua restauração. Mas quando, ao contrário, se reconhece a presença pontifical de quem deve representar Deus na terra só pela aparência – mesmo contraditória – como seria possível invocar a vinda do Papa autêntico, cuja autoridade apostólica e divina não depende de nossas ilusões?

Eis a importância vital de um testemunho católico baseado na Lei da Igreja.  Neste sentido reconheço as palavras de um preclaro Juiz, que demonstram firme intenção católica.

Trata-se do breve discurso de posse do novo membro da Academia Cristã de Letras, o Desembargador Ricardo Henry Marques Dip.

Começa por citar seu imediato antecessor na Cadeira, o Professor SAMUEL PFROMM NETTO da Universidade de São Paulo. Escritor, psicólogo, pedagogo, historiador, que havia dito numa entrevista de março de 2002, contemplando o processo ruinoso da civilização contemporânea, que “a sociedade acabou por engendrar influências, condições e situações que estão criando à larga pequenos Frankensteins… fabricando os Frankensteins de amanhã, em meio à indiferença, à inconsciência, à irresponsabilidade e à amoralidade de boa parcela de anunciantes, dirigentes e pessoal da mídia, cegos e surdos à escalada da insensatez, violência e indecência na TV.”

O Juiz prossegue acusando o espírito que gere a demolição da Cristandade até em Roma:

“Quando faleceu, em 17 de novembro de 2012, o Professor PFROMM tinha mais do que confirmada essa diagnose pontual abonada por uma imensa e vistosíssima crise do mundo contemporâneo: já se estendiam os tapetes vermelhos para a recepção dos Frankensteins, e eram estes ruidosamente saudados com uma sinistra e gráfica divisa: “ad delenda Christianitatis”. Crise tenebrosa, de fato, esta em que vivemos. Ainda que, em outras épocas da história humana, se haja a Cristandade afligido de misérias, insídias e ataques, sempre havia a Igreja docente: Roma locuta causa finita;  já agora, e como nunca, diante de intensa e sistemática hostilidade contra as verdades da Fé e da Moral, desfilando-se diante de nossos olhos espantados milhares de crianças assassinadas diariamente no ventre materno, o crescente número e aterrador de suicídios de jovens em vários países do mundo, a prática frequente da eutanásia, a destruição da família −já pela trágica aversão à sua realidade natural, já pela insidiosa moléstia do divórcio…, já agora, e como nunca, tamanhas sendo todas essas agressões a bens e princípios que, tal o disse BENTO XVI, são princípios e bens “iscritti nella natura umana stessa e quindi (…) comuni a tutta l’umanità”, já agora, e como nunca, o mais insólito dessa crise está em que a tudo se agregue o quarto de hora da Igreja Militante. Nosso Senhor perguntara a seus discípulos, se quando o Filho do homem voltar, encontrará por ventura a Fé sobre a Terra − inveniet fidem in terra?, e o Magistério da Igreja, no “Catecismo” de JOÃO PAULO II, vem confirmar-nos que, “antes do advento de Cristo, a Igreja deverá passar por uma provação final que sacudirá a fé de numerosos crentes”: a glória do Reino exige uma derradeira Páscoa, mas esta última Páscoa da Igreja impõe que siga ela seu divino Fundador, na Morte e na Ressurreição; à glória do Reino a Igreja não se elevará, disse JOÃO PAULO II, “sem passar por esta última Páscoa, em que seguirá seu Senhor em sua Morte e Ressurreição” −Eius Morte Eiusque sequētur Resurrectione”. Tempos difíceis os nossos, o da Paixão da Igreja, dilacerada num drama agudíssimo que tão bem resumiu PAULO VI, quando, em célebre discurso ao Seminário lombardo, acusou na crise o processo de auto-demolição da Santa Igreja: também ela não pode deixar de ter seus Judas Iscariotes, sua Sexta-Feira Dolorosa.

“Bem gostava pessoalmente de encerrar este brevíssimo discurso proclamando minha firme esperança de que demain, le Pape −para usar o título de valioso artigo do saudoso JEAN MADIRAN−, de que demain, le Pape aplicará as santas sábias medidas que o Papa PAULO IV deixou ditado de modo perdurável na célebre Bula Cum ex apostolatus officio. A militância católica pequenina de minha menoridade habitual, elevada graciosamente a esta egrégia Academia, traz guardada in corde a arma da confiança de que não nos faltará a Providência e que, demain, le Pape reconstruirá sua autoridade e restituirá a saudosa inteireza da doutrina que sempre e em toda parte ensinou a Santa Igreja… porque senha indefectível da sobrenatural grandeza do Pontificado romano sempre foi e sempre o será a sólida fidelidade papal na custódia da tradição, na vanguardista conservação da doutrina que semper et ubique tenuit Ecclesia, porque DEUS não muda.”

 Papa Paulo IV

Papa Paulo IV de profética memória

Neste discurso, a coragem de citar a hostilizada Bula papal que marca a relação direta na sociedade cristã entre a posse da autoridade e os princípios fundados no Direito natural e divino, é a coragem de indicar a única solução para toda crise humana.

Esta consiste no retorno àquela autoridade derivada da Verdade que nos precede determinando toda ordem e justiça neste mundo.

Qualquer outra «autoridade», complacente com as desvairadas novidades terrenas, só invoca a traição dos Judas da cultura de morte, perfidamente justificados por uma «liberdade de consciência» de marca iluminista, que é o discurso próprio dos «falsos cristos e falsos profetas» e dos pastores mercenários que, no silêncio da verdadeira liberdade dada por Deus ao homem, acobertam todo crime.

A Bula citada é fruto da mais límpida cultura do direito cristão, fundado sobre a Verdade que estabelece a Autoridade divina neste mundo, absolutamente incompatível com toda «cultura de morte» e depravação herética; é juízo católico para que aos Judas dessa perversa «cultura», sejam eles de extração religiosa, seja civil, não seja reconhecida nenhuma autoridade, a fim de que não continuem a perder as almas.

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