Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A INFELICÍSSIMA SITUAÇÃO MATRIMONIAL DOS CATÓLICOS FIÉIS

SERPENTE
Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Procedamos à leitura das seguintes passagens da encíclica “Arcanum Divinae Sapientiae,” promulgada pelo Papa Leão XIII, em 10 de Fevereiro de 1880:

«Na verdade, quando Cristo Senhor começou a executar o mandato que o Pai Lhe tinha confiado, logo, eliminando o vetusto, conferiu a todas as coisas uma beleza e uma forma novas. Efectivamente, sarou as feridas que o pecado do progenitor tinha causado à natureza humana; reconciliou com Deus todos os homens, por natureza filhos da ira, reconduziu à Luz da Verdade os que estavam oprimidos por erros inveterados; renovou no candor de toda a virtude os que jaziam no lodo de toda a impureza; e tendo-os reconduzido todos à herança da felicidade sempiterna, deu-lhes a esperança certa de que o seu corpo mortal e caduco, um dia seria feito partícipe da imortalidade e da glória celeste. (…)
(…) Se bem que esta renovação Divina, que referimos, principal e directamente, dissesse respeito aos homens, constituídos na Ordem da Graça Sobrenatural, contudo, os frutos preciosos e salutares dela reverteram largamente, também na Ordem Natural. E daí, tantos os homens individualmente tomados, quanto a família humana universal, conseguiram em todas as partes uma perfeição não mediocre. Com efeito, logo que foi estabelecida no mundo a religião cristã, a todos e cada um dos homens foi oferecida a sorte feliz de conhecer a Providência paternal de Deus, de acostumar-se a repor nela toda a sua confiança e a nutrir aquela esperança que não confunde, isto é, a da ajuda celeste, da qual derivam a fortaleza, a moderação, a constância, a imperturbabilidade de espírito, e finalmente, muitas belas virtudes, e acções heróicas. (…)
 (…) Eis então que finalmente foi aprontado pelo Céu o socorro e o remédio a tantos vícios e tantas ignomínias – Nosso Senhor Jesus Cristo – reparador da dignidade humana e aperfeiçoador das Leis Mosaicas, ofereceu nem o mais pequeno nem o último cuidado ao Matrimónio. Com efeito, Ele enobreceu, com Sua presença, as bodas de Caná, tornando-as memoráveis com o primeiro de Seus milagres (Jo 2,2);  motivo pelo qual, desde aquele dia, parece que começou a brilhar uma santidade nova nos matrimónios dos homens. Em seguida, restabeleceu o matrimónio na nobreza da sua origem primitiva, quer reprovando o costume dos hebreus de abusarem no número das esposas e na faculdade do repúdio, quer sobretudo determinando que ninguém tivesse a ousadia de desfazer o que Deus uniu com o vínculo perpétuo da união.»

Adão e Eva foram criados na Graça e na Verdade de Deus, a sua condição privilegiada constituía-os os chefes do Género Humano e primeiros titulares da Divina Revelação. A natureza profunda do matrimónio era parte integrante do tesouro Sobrenatural que lhes fora revelado; matrimónio monogâmico e indissolúvel ordenado formalmente para a propagação qualificada da espécie, o que para eles, na posse da Graça original, seria soberanamente fácil. Aliás, no referido estado de Justiça não haveria qualquer diferenciação moral entre matrimónio e celibato, precisamente porque, INTRÌNSECAMENTE, tão digno é o matrimónio, estatuído por Deus, como o celibato; é por causa da nossa tendência para o mal, introduzida pelo pecado original, que o celibato permanece um bem moralmente superior ao matrimónio, o qual de resto constitui um bem positivo e não um mal menor; E essa diferença moral é tanto menor quanto maior for a virtude Sobrenatural dos cônjuges.
Alguns dirão: mas se toda a humanidade provém de Adão e Eva, então os filhos de Adão e Eva tiveram de se consorciar uns com os outros. É uma dificuldade aparente, visto que a proibição do incesto, integrando o mais estrito Direito Natural, possuindo como objectivo salvaguardar a inocência e a intangibilidade dos mais puros e castos afectos familiares, NÃO SE APLICOU À PRIMEIRA FAMÍLIA, VISTO QUE NELA OS AFECTOS FAMILIARES ENTRE IRMÃOS ERAM ONTOLÒGICAMENTE INDISSOCIÁVEIS DA MISSÃO, RECEBIDA DE DEUS, DE PROPAGAR A ESPÉCIE HUMANA, MESMO DEPOIS DO PECADO ORIGINAL.
No povo de Israel, o matrimónio constituía, tendencialmente, uma realidade privada, embora submetido às Leis reveladas por Deus.
Na Ordem Natural, o matrimónio também constitui uma instituição sagrada, formalmente orientada para a procriação qualificada do Género humano, monogâmico e INTRÌNSECAMENTE indissolúvel; pode assim ser dissolvido, a favor da Fé, pela autoridade do Romano Pontífice, no chamado Privilégio Paulino, que é aliás de Direito Divino. Na verdade, foi o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, que ao restituir ao matrimónio a dignidade e pureza original lhe conferiu o estatuto, ontológico, Sobrenatural, de Sacramento. (1) Neste quadro conceptual, entre baptizados, não pode existir contrato matrimonial que não seja Sacramento; se este fosse, no acto da celebração, positivamente excluído, de Direito, por um dos cônjuges, o matrimónio  seria inválido. Igualmente seria inválido o matrimónio no qual um dos cônjuges, ao celebrá-lo, excluísse, de Direito, a procriação (que é a essência do matrimónio) ou excluísse igualmente, de Direito, qualquer das suas propriedades essenciais (unidade e indissolubilidade do vínculo).
O Sacramento do Matrimónio institui uma sociedade doméstica que possui como fim objectivo primário a propagação ordenada do Género Humano, e fim objectivo secundário o mútuo auxílio e apoio que os cônjuges devem reciprocamente ministrar nas dificuldades da vida, em ordem à consecução dum clima afectivo familiar, natural e sobrenaturalmente favorável à educação dos filhos.
A chamada “Reforma” destruindo a Fé e os Sacramentos, destruiu o matrimónio católico, sujeitando-o à autoridade civil, e introduzindo o divórcio. Lutero terá mesmo pessoalmente autorizado o grande senhor Filipe de Hessen a tomar legalmente segunda mulher, praticando verdadeira e própria bigamia.
A revolução de 1789 completou a obra de profanação da família humana, instituindo nos países de antiga tradição católica o registo civil para todos os acontecimentos capitais da vida do cidadão: nascimento, casamento e óbito.
Neste quadro conceptual, a maçonaria possuía como objectivo substituir o Santo Baptismo pelo registo civil, e o matrimónio católico pelo casamento civil, insistindo muito particularmente para que os baptizados abandonassem o casamento canónico. Uma vez secularizado o casamento, foi fácil introduzir o divórcio, o qual se espalhou como nódoa negra nos antigos países católicos tornados apóstatas.
Todavia a maldita maçonaria, inimiga de Deus e dos homens, ainda não estava saciada. Deste modo, a partir dos finais do século XX, começou a operar no sentido de obter o estatuto matrimonial pleno para os sodomitas (réus de pena de morte segundo a Sagrada Escritura e a justíssima Tradição Cristã Católica). E obteve-o, em vários países europeus, sem nenhum protesto da seita conciliar; pelo contrário, no caso português(2), o Vaticano condecorou até os chefes de Estado e de Governo, política e objectivamente responsáveis por tão nefanda lei.
Coloca-se a seguinte questão: os ministros do Sacramento do matrimónio são os próprios nubentes, todavia desde o Sagradp Concílio de Trento (decreto Tametsi) é obrigatória a celebração canónica, formal, sob pena de nulidade, salvo em situações excepcionais onde não se afigure possível a presença dum sacerdote. Por outro lado a Igreja conciliar NÃO É A IGREJA CATÓLICA, NÃO POSSUI PODER DA ORDEM, NEM PODER DE JURISDIÇÃO.
Por isso muitos fiéis consorciavam-se numa capela da Tradição, solicitando a presença dos funcionários do registo civil, a fim de assegurarem para o seu matrimónio os efeitos civis. Assim procedendo cumpriam as instruções da Santa Madre Igreja consignadas antes do maldito concílio.
Mas como é que agora uma pessoa pode aceder a uma forma jurídica que também serve regularmente a sodomitas?
Qualquer fiel católico sentirá uma repulsa inaudita, um nojo imenso, de concretizar um tal acto.
Quer dizer: agora os bons católicos, nos países em que existe essa monstruosa legislação anti-Cristo, ficam impedidos de assegurar efeitos civis à sua união.
Compreensìvelmente, nos tempos do anti-clericalismo, a Santa Madre Igreja autorizava os seus fiéis a comparecer perante o oficial civil, DESDE QUE REALIZASSEM A CELEBRAÇÃO CANÓNICA. MAS NUNCA SE SONHOU SEQUER COM UM TEMPO – O TEMPO DO REINADO DO ANTI-CRISTO – EM QUE O VÍNCULO CIVIL FOSSE PLENAMENTE APLICÁVEL A SODOMITAS.
Todos os sinais da Besta estão presentes: O QUE ESPERAM OS CHEFES DA FRATERNIDADE PARA PROCLAMAREM OFICIALMENTE A PRESENÇA CONCRETA NO MUNDO DO REINO DE SATANÁS ENCARNADO NA SEITA CONCILIAR?

NOTAS

1- No Paraíso terrestre as Leis matrimoniais foram promulgadas a título sobrenaturalmente absoluto. Perante a decadência da raça humana, e mantendo integralmente a essência do matrimónio (a procriação) a Autoridade Divina suspendeu (no plano de facto, por causa da dureza do coração dos hebreus, e porque a Revelação ainda não atingira o zénite) o rigor atinente às propriedades essenciais do mesmo matrimónio (unidade e indissolubilidade) o qual ficou assim reduzido de facto a um estado natural diminuído. Nosso Senhor Jesus Cristo, com Sua Divina Autoridade, reconstituiu o matrimónio na primitiva dignidade, elevando-o a Sacramento.
2- Em Portugal a lei anti-Cristo foi promulgada para festejar o centenário da lei republicana do divórcio.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 21 de Março de 2014

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