Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A SOBERANIA DOS CORAÇÕES DE JESUS E MARIA COMO ÚNICO FUNDAMENTO DA ORDEM SOCIAL

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Procedamos à leitura dos seguintes excertos da encíclica “Diuturnum Illud,”promulgada pelo Papa Leão XIII em 29 de Junho de 1881:

« As Doutrinas inventadas pelos modernos sobre o Poder Político causam aos homens grandes calamidades, e é de se temer que tragam para o futuro os males extremos; pois o não querer derivar da Autoridade de Deus o Direito de mandar, outra coisa não é do que arrancar da política seu esplendor mais belo e tirar-lhe suas forças maiores. E quando a fizerem depender do arbítrio da multidão, primeiramente afirmam uma opinião enganadora, e em segundo lugar apoiam o principado num fundamento demasiado fraco e instável. Com efeito, as ambições populares como que estimuladas por aquelas opiniões, insurgir-se-ão com maior audácia e fàcilmente decairão em tumultos cegos e sedições abertas, com grande ruína da coisa pública. De facto, depois daquela que chamam “Reforma,”cujos promotores e chefes combateram, com doutrinas novas, o poder Sagrado e civil, surgiram tumultos repentinos e rebeliões ousadas, especialmente na Alemanha, e isto com tanto incêndio de guerra doméstica, e com tanta carnificina, que parecia não haver lugar livre de tumultos e não manchado de sangue.
Daquela heresia se originaram no século XVIII a falsa filosofia e aquele direito a que chamam “novo,” a soberania popular, e aquela licença que não tem limites e muitos julgam sòmente como liberdade. Disso se passou às pestilências do “socialismo” e do “comunismo,” e também do “niilismo”, males horrendos e quase a morte da sociedade civil. Contudo, muitos esforçam-se por ampliar a violência de tantos males, e sob o disfarce de aliviar a multidão, suscitam grandes incêndios e ruínas. (…)
(…) Como ensina egrègiamente São Tomás de Aquino, “o temor constitui fraco fundamento, porque os que estão submetidos pelo temor ao se apresentar uma ocasião em que possam esperar a impunidade, insurgem-se contra os que presidem, tanto mais ardentemente, quanto mais contra sua vontade eram refreados sòmente pelo temor” (1).
Por isso é necessário encontrar um motivo mais elevado e eficaz para a obediência, e estabelecer com firmeza que a própria severidade das leis não pode ser frutuosa se os homens não são conduzidos pelo dever e pelo salutar temor de Deus.»

Nota 1- De Regimine Principum livro 1, c 10

O Homem é um animal racional, não é um espírito encarnado; a diferença filosófica é essencial: na primeira tese, de raiz Aristotélica e Tomista, as diferenças individuais, incluindo o sexo, constituem prerrogativa da matéria, e a forma, ou seja a alma espiritual, confere sòmente a unidade específica, a qualidade compreensiva definidora da espécie; além disso, só o composto corpo-alma constitui verdadeiramente uma pessoa; pois que Deus não cria a alma isoladamente para depois a unir ao corpo, não, por uma sorte de “recriação”das formas sensiveis ministradas pelos pais, Deus cria o composto unitário corpo-alma;  na segunda tese, de raiz Platónica, Agostiniana e Escotista, as diferenças individuais são constitutivas da forma, ou seja da alma espiritual, que as imprime na matéria; neste caso, a alma separada constitui, por si mesma, uma pessoa, e já não haverá lugar para a criação unitária do composto corpo-alma.  A tese Tomista é absolutamente preferível à tese Agostiniana.
Não é pois para surpreender que na tese Tomista o princípio da sociabilidade humana surja mais ontológica e metafìsicamente fundamentado, como uma realidade transcendentalmente intrínseca à própria natureza humana, e não como algo operativamente necessário à subsistência da espécie.
A Santa Madre Igreja sempre reafirmou que o mundo natural e a natureza humana possuem uma dignidade ontológica própria, na exacta medida em que foram criados por Deus; por isso mesmo deverá igualmente existir uma ordem hierárquica natural, consubstanciada num poder político dotado de atributos homogéneos com a sua matriz.
Depois do pecado de Adão e Eva, a grande tendência para o mal da espécie humana, determinou, pela própria natureza da realidade, a necessária existência dum poder coactivo, que possuísse aliás o direito exclusivo ao uso da força. Se não existisse essa tendência original para o mal, ainda assim EXISTIRIA NA SOCIEDADE UMA ORDEM HIERÁRQUICA, SÓ QUE NÃO COACTIVA.
Não existe pois qualquer contrato social de natureza puramente histórica, racional e humana. É a LEI ETERNA, PRINCÍPIO INCRIADO DE ORDEM EM TODA A NATUREZA CRIADA OU POSSÍVEL, que rege todos os mecanismos naturais da vida humana, quer os homens queiram, quer não. O próprio livre-arbítrio individual, considerado na Ordem Natural, é hieràrquicamente indissociável do ordenamento teleológico universal concebido eternamente por Deus.
O HOMEM SÓ PODE AGIR DENTRO DO ENQUADRAMENTO PROVIDENCIAL TRAÇADO POR DEUS. POR MAIS QUE PRETENDA EXCLUIR DEUS, MATERIALMENTE, ENCONTRA-SE SEMPRE NO SEIO DA LEI ETERNA.
O único contrato social, portanto, quer na Ordem Natural, quer na Ordem Sobrenatural, depende essencialmente da Sabedoria Omnipotente de Deus Uno e Trino, QUER COMO CRIADOR, QUER COMO REDENTOR.
Mesmo na Ordem Natural, TODO O PODER VEM DE DEUS, só que através das leis da natureza (por Ele criada) e não mediante uma Revelação Sobrenatural.
Mas uma vez que aprouve a Deus Nosso Senhor elevar, de forma totalmente gratuita, as suas criaturas espirituais à Ordem Sobrenatural, então todos os legítimos ordenamentos da Ordem Natural deverão assim, extrínsecamente, sublimar-se no plano Sobrenatural.
De Deus Uno e Trino viemos, para Ele devemos voltar, não existe destino cego, existe a Providência, a Sabedoria Divina, no Seu Eterno Conselho, elegeu de entre as essências Metafísicas, aquela que corresponde à Criação efectivamente realizada, essa eleição é Eterna, como Eterna é a Providência, a qual consiste  numa Ideia infinitamente fecunda do Todo Universal, e de cada ente em particular, conhecido com profundidade também Infinita.
Se as Leis Naturais definem e constituem a função política no plano natural, as Leis Sobrenaturais possuem análoga virtude na Ordem Sobrenatural.
Mas o que é a política?
Já conhecemos como existe um vínculo de sociabilidade inerente à própria natureza humana. Todavia um tal vínculo exerce-se, nobilita-se, incorporando-se qualificadamente na mesma natureza, cultivando-a em sentido eminente, ordenando-a teleològicamente. A vida em sociedade tem de possuir um sentido, um objectivo, que enriqueça a própria actividade dos seus membros, bem como o próprio vínculo social em si mesmo. Um tal objectivo de maneira nenhuma se exaure na satisfação das necessidades materiais do corpo social, pois se assim fosse, uma tal sociedade não seria verdadeiramente humana, sendo precisamente isto que acontece com as nossas sociedades actuais, sobretudo desde a revolução de 1789, mas duma forma geral já desde a chamada “Reforma”; é absolutamente imperioso que a hipóstase social ascenda a finalidades que transcendam o plano terreno da própria sociabilidade; não basta uma definição de cultura que apenas elabore intelectual, técnica e artìsticamente a materialidade sensível do terreno existir, não, é necessária uma verdadeira sublimação espiritual e moral desse existir, na Ordem Natural, e um AMOR SOBRENATURAL SOBRE TODAS AS COISAS A DEUS UNO E TRINO, E AMOR AO PRÓXIMO POR AMOR DE DEUS.

Neste quadro conceptual, o vínculo político das sociedades, em última análise, só é susceptível de se nobilitar pela FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE. A Ordem Sobrenatural confere assim à política o seu mais augusto e excelso significado. Aliás foi precisamente a Santa Madre Igreja que, ao longo da História, incessantemente facultou aos Soberanos temporais o conhecimento do CARÁCTER EMINENTEMENTE PÚBLICO do seu Principado.
O poder político dos chefes dos Estados não promana pois directamente de Deus Nosso Senhor, é acolhido, sim, desde a Santa Madre Igreja, na Pessoa do Romano Pontífice, este sim, recebe a sua instituição Divina do próprio Nosso Senhor Jesus Cristo.
Ao contrário do que ensinou Francisco de Vitória (1492-1546) e de acordo com a Bula “Unam Sanctam” (1302) do Papa Bonifácio VIII, o Romano Pontífice possui um poder temporal originário, sempre em ordem ao Espiritual, que recebe de Nosso Senhor Jesus Cristo, e que é, ordinàriamente, confiado a César. QUEM PODE O SOBRENATURAL, PODE O NATURAL, SEMPRE EM ORDEM AO SOBRENATURAL.
As civilizações pré-colombianas que até aí possuíam e prosseguiam um poder político próprio, deveriam pois submetê-lo à Autoridade Sobrenatural da Santa Madre Igreja, cujo braço secular era o Sacro Imperador Romano.
A Soberania dos Corações de Jesus e Maria sobre as sociedades confere-lhes o fundamento, o sentido e a finalidade última para a sua existência e para as suas vicissitudes. Os Corações de Jesus e Maria completam-se maravilhosamente no quadro da ECONOMIA CELESTE. Maria, Medianeira de todas as Graças, constitui, maternalmente, um elemento moderador Sobrenatural, por onde a Justiça e a Misericórdia do Seu Divino Filho irradiam de uma forma ONTOLÒGICAMENTE mais rica, já que os atributos Divinos, em Si mesmos, são sempre infinitamente ricos.

Efectivamente, Maria Santíssima não só é a Medianeira Universal, mas é também Corredentora, associada intìmamente com seu Divino Filho à Obra da Redenção; não como um poder independente, coordenado em Nosso Senhor Jesus Cristo e destinado a incrementar o Seu Poder Redentor, não, Nossa Senhora coopera na obra Redentora ENQUANTO REDIMIDA POR SEU DIVINO FILHO E POR VIRTUDE DA FORÇA SOBRENATURAL QUE DELE RECEBEU. (1)
CONTRA O PODER ANTI-CRISTO DA SEITA CONCILIAR  CHEFIADA POR BERGOGLIO, CONTRA AS APOSTASIAS TEÓRICAS E PRÁTICAS DE TODAS AS FRATERNIDADES RELIGIOSAS E SOCIEDADES CIVIS TRANSFORMADAS EM ANTE-CÂMERA DO INFERNO, PROCLAMEMOS A SOBERANIA DOS CORAÇÕES DE JESUS E MARIA COMO A CURA SOBRENATURAL DE TODOS OS MALES.

NOTA 1- Quando, pela Graça de Deus, os fiéis católicos voltarem a ter um Papa, um dos seus primeiros actos deverá ser a definição do Dogma de Maria Medianeira e Corredentora.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 1 de Abril de 2014

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