Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A LIBERDADE CONCILIAR DE CANONIZAR SEUS «DIVOS»: de João 23, da «Pacem in terris», a João Paulo 2º, da «Redemptor hominis» !

J23 Maç   Jp2 Korao

 

 Novos    «santos» ecumenistas e mações, abertos à gnose do mundo!

*   *   *

This «religious freedom» can be traced back to the whisper of the original temptation.

Cette «liberté religieuse» peut être retracée au murmure de la tentation originelle.

Esta “libertad religiosa” se puede hacer remontar al susurro de la tentación original.

Questa «libertà religiosa» può essere fatta risalire al sussurro della tentazione originale.

 

 

Arai Daniele

Nas três partes da Profecia de Fátima, apesar de todas as manipulações para alterá-las, ficaram bem claras: a visão do Inferno, a instância de conversão, e o abatimento do Papa, que muito tinha que sofrer, com todo o seu séquito católico.

Caminho de conversão é o termo com que a Mensagem nos empenha!

Nestes dias em que o mundo assiste a uma igreja que deixou de lado essas palavras e canoniza, portanto santifica justamente os «papas» que alteraram o sentido que a Tradição católica dá a esta necessidade espiritual, deve-se indagar em que consiste tal estranha – verossimilmente iníqua – alienação do sinal profético para nossos tempos.

O exame objetivo da questão já passou por teólogos que constataram nos documentos conciliares e encíclicas de tais «papas» essa incrível alteração a favor de uma liberdade humana. Mas não parece que isto foi bastante entendido porque o desvio vem de cima, de uma hierarquia modernista, que para as suas deturpações se vale do fato que muitos vejam nisso um fato secundário, que não implica o ensino infalível da Igreja!

Certamente o erro, a adulteração e a perfídia são o contrário da palavra infalível do Papa verdadeiro, mas é um sofisma para desculpar simulacros papais pensar que se estes evitam envolver nos seus desvios a infalibilidade restam preservados de suspeita!

Faz-se da abstenção do uso do poder pontifical uma prova de sua posse!

Mas não basta. Agora que o atual «papa conciliar» usa esse poder para canonizar seus predecessores, a turma dos «desculpistas» elabora estudos sofisticados para justificar o direito do simulacro de representar a Vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Note-se que a Igreja estabeleceu a necessidade do milagre para certificar a Vontade divina numa canonização, milagre depois da morte do novo santo, para que não se assuma a vontade humana no lugar da divina. Mas hoje a igreja conciliar, proclamadora do direito natural da liberdade de religião e de consciência, quer superar tais «limites» proclamando santos canonizados segundo essa mesma liberdade de seus falsos profetas.

Aqui vamos rever à luz do bom senso as doutas explicações teológicas para entender como chegaram a este desvario religioso, consagrado nas adulterações conciliares, que são letais para a conversão e salvação das almas, e por isto, como essas canonizações envolventes estes espantosos desvios, só podem ser propiciadas por outro falso pastor.

Há que começar pela mentalidade religiosa inoculada na «Igreja» conciliar, que é o fruto da nova doutrina do Vaticano 2º, em ato já desde há meio século na obra dos «papas conciliares». Desta, os dois «novos divos» foram, respectivamente, João 23, o iniciador que insinuou uma falsa «liberdade de consciência» na sua «Pacem em terris», e João Paulo 2º que introduziu uma «redenção universal» (e automática) na «Gaudium et Spes» do Vaticano 2º e na sua «Redemptor hominis».

Comecemos então pelo ponto da Doutrina Católica pelo qual a verdadeira liberdade, sinal de salvação, só se alcança na formação da consciência convertida à Verdade, segundo a Palavra: “Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres” ( Jo 8, 32).

O ensinamento contrário é o livre exame do que a consciência pode optar ser verdade! Esta sutil alteração estava no programa do Vaticano 2º para agradar os protestantes.

Trata-se da justificação de uma «autonomia» da consciência, já insinuada por Erasmo, precursor da abertura «teológica», ensinando que “cada homem possui em si a teologia” e é “inspirado e guiado pelo espírito de Cristo, quer seja escavador ou tecelão”.

Erasmo pôs os ovos, Lutero os fará eclodir”. Eram crias do sussurro sedutor para que a consciência humana se emancipasse da Verdade, desta vez em nome do “espírito de Cristo”. Essas idéias eclodiram nos últimos séculos para gerar a mentalidade da atual revolução ecumenista conciliar, que começa por dispensar o Espírito Santo.

Com astúcia o «bom» João 23 relançou na sua Pacem in terris a ambigüidade erasmiana, que, sendo a referência da declaração sobre a liberdade religiosa do Vaticano 2º, «Dignitatis humanae» (Dh), contem claramente a frase chave da mutação conciliar sobre os conceitos de conversão, de dignidade humana e de liberdade religiosa.

 

Da «Pacem in terris» (Ptr) à «Dignitatis humanae» (Dh)

João 23 ativa a bomba a tempo de Erasmo. “Cada um tem o direito de honrar a Deus seguindo a justa norma de sua consciência e de professar a sua religião na vida privada e pública”, (AAS 55, 1963, p. 260). É a frase chave desse documento sobre o qual vejamos o resumo crítico no texto do Padre carmelita Joseph de Sainte-Marie, publicado pelo «Courrier de Rome» (Maio 1987) e «Itinéraires», n° 315.  

«A Pacem in terris (Ptr) e o Vaticano II vão ao ponto de pôr em causa os mesmos princípios católicos. Exatamente nisto consiste a novidade e a gravíssima questão posta no texto conciliar com a afirmação de um direito à liberdade religiosa no foro externo inscrito na natureza humana e na «ordem mesma estabelecida por Deus», direito que se quer limitado unicamente pelas exigências de ‘ordem publica’.

«Note-se ainda, porque é fato de máxima importância, outra semelhança entre a encíclica de João XXIII e a declaração do Vaticano II: nos dois casos estes textos, de conseqüências tão pesadas na história recente da Igreja, assim permanecem para o juízo desse magistério. Estamos diante de uma ambigüidade. Sabemos que a moral católica reconhece o direito e proclama o dever, para todo homem, de seguir o juízo da «consciência reta»: conscientia recta. Entende-se com isto o julgamento de uma consciência formada segundo as normas da virtude da prudência e que se conformou à verdade… A consciência perde a sua dignidade no momento que adere ao erro por negligência culposa. A ambigüidade da Ptr aparece já na redação latina do texto. Este fala da rectam conscientiae suae normam, isto é da «norma reta da consciência».

«Deve-se entender que se trata da norma da «consciência reta» ou dessa «norma reta» que seria todo juízo em consciência? Cada um pode entendê-lo como quiser, nisto consiste a ambigüidade. Cada um a usará no sentido que quiser… a Ptr é um evento que, para os historiadores futuros, marcará uma reviravolta na história da Igreja… uma tomada de posição nova vis-à-vis do mundo moderno… A Ptr é esboço que se serve de ambigüidades para introduzir a «novidade almejada». Mas isto não é mais esboço depois que na Dignitatis humanae (Dh), título da declaração conciliar, foram mantidas voluntariamente esta ambigüidades; onde há princípios que também foram alterados. Os textos mostram quanto os testemunhos a evidente a irrefutável continuidade na mudança. O sofisma que se repete nos dois textos consiste em passar indevidamente da afirmação inegável, evidente e fundamental, da liberdade essencial do ato de fé, liberdade pela qual toda pressão sobre este ato destrói a sua mesma natureza, à afirmação negada sempre pela Igreja, de uma liberdade igualmente essencial e ilimitada a priori em matéria de exercício público de qualquer culto religioso.

«Com quais seqüelas? – A primeira concerne a autoridade do magistério: – se a Igreja ensina solenemente hoje o contrário do que havia ensinado até 1963, significa que se enganou antes. Se enganou-se, porém, é falível; o é hoje como foi ontem. Que razão haveria então para crer nela hoje mais do que ontem? – A segunda é que ao proclamar hoje como princípio absoluto o direito natural à liberdade religiosa, a «declaração» conciliar representa uma condenação maciça não só do ensino anterior da Igreja, mas também do seu modo de agir; o que põe em causa não só sua potestas docendi, mas sua potestas regendi. A negação conciliar de direitos e poderes em matéria religiosa da Igreja na sociedade civil é a condenação implícita de todos os papas dos últimos séculos: teriam assim agido ignorando e ultrajando direitos naturais da pessoa humana. – Pior ainda, com a concepção não só leiga, mas laicista da declaração conciliar é negado o direito de N. S. Jesus Cristo sobre a sociedade civil, o que contradiz não só o ensino constante da Igreja, mas também as verdades mais fundamentais da doutrina cristã da Redenção. Há uma impiedade nisto, no sentido próprio do termo, se não explicitamente, devido à sua iniludível implicação imediata. […] Enfim, para voltar ao plano da ordem natural, essa separação indevida e falsa do que concerne à religião revelada, da ordem da sociedade civil reverte na ruína total dos fundamentos mesmos desta ordem.

«A exaltação do Estado como realidade suprema e última é o resultado extremo a que levam os princípios expostos. Não será talvez este a julgar das exigências da ‘ordem pública’, em nome da qual foi indicado a regulamentar a liberdade da religião?».

Qual será esta «ordem pública»? Completa o Juiz Carlo Alberto Agnoli: «Esse Estado, fora e acima das religiões é necessariamente o Estado laico e ateu. Pela experiência histórica dos últimos dois séculos no curso dos quais se afirmou o laicismo, a qual ‘ordem pública’ alude o Vaticano II? À comunista, do KGB e do gulag? Ou à demo-liberal que garante a legalização do aborto, da pornografia e da droga?»(«La Crisi della Chiesa moderna alla luce della fede e il problema della libertà di religione», Civiltà, Brescia, 1984).

Pois bem, hoje pode-se dizer que a «Ptr» está na raiz de toda a liberalidade dominante que cancela a necessidade de conversão a Deus para divinizar a democracia humana pela qual se pode votar para aprovar o adultério, o aborto, a eutanásia, a reprodução artificial, e a própria perdição pessoal e social.

A pérfida idéia que esse «santo» promoveu desde uma posição de «autoridade» que se assume «apostólica» representa a «chave» que abriu o poço do abismo!

Da encíclica Mirari Vos do papa Gregório XVI, contra: “O delírio do indiferentismo religioso … pelo qual em qualquer profissão de fé pode a alma conseguir a salvação eterna, conformando-se ao que é justo e honesto… O erro venenosíssimo de que se deva admitir e garantir a cada um a liberdade de opinar, a liberdade de consciência, diante da religião… Removidos os limites que contêm no caminho da verdade os homens, que pela sua natureza propensa ao mal já estão atraídos ao precipício, podemos dizer que em verdade foi aberto o poço do abismo, do qual São João viu sair um tal fumo que obscureceu o sol, saindo dele incontáveis gafanhotos para devastar a terra.”

Trata-se do conceito moderno de liberdade religiosa e direitos humanos, sancionado pelo Concílio Vaticano II e apregoado na Igreja desde então. Seu resultado no plano da sociedade humana é o rumoroso descalabro moral que vivemos. Mas no plano religioso sua devastação é ainda pior, embora silenciosa. Desvelou-se na igreja conciliar onde hoje até se assume a infame liberdade de canonizar os demolidores da Igreja Católica.

“Coisas espantosas e estranhas aconteceram nesta terra: os profetas profetizavam a mentira, e os sacerdotes aplaudiram-nos com suas mãos; e o meu povo amou essas coisas. Que castigo não virá, pois, sobre esta gente no fim de tudo isto?” (Je 5,30).

“E o Senhor destruirá num só dia a cabeça e a cauda de Israel, os que obedecem e os que governam. O ancião e o homem respeitável são a cabeça, e o profeta que ensina a mentira é a cauda. E os que chamam ditoso a este povo, enganando-o (…) serão precipitados na ruína”. (Isaías, 9, 14).

“Assim diz o Senhor” — Ai dos profetas insensatos que seguem seu próprio espírito sem ter visto nada! “Ai, Senhor Deus! É possível que tenhas permitido (aos falsos profetas) que enganem este povo de Jerusalém dizendo: — tereis paz! E eis que a espada penetra até a alma.” (Je 4,10).

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