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A ADORAÇÃO DA VERDADE E AS APARÊNCIAS SOCIAIS

Neblina

A ADORAÇÃO DA VERDADE E AS APARÊNCIAS SOCIAIS

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Procedamos à leitura das seguintes passagens do Livro do Profeta Isaías:

«Espantai-vos! Ficai pasmos! Ficai sem visão! Ficai cegos! Embriagai-vos, mas não com vinho, ficai tontos, mas não com bebida forte. Porque o Senhor derramou sobre vós um estado de torpor. Fechou os vossos olhos, os Profetas, e cobriu as vossas cabeças, os videntes.
Mas a Revelação de todas essas coisas é para vós como as palavras dum livro lacrado: Entrega-se a alguém que sabe ler, dizendo-lhe:- Lê isto – e ele dirá: – Não posso, porque está lacrado-. Se o livro é entregue a quem não sabe ler, dizendo-lhe:- Lê isto – ele dirá:- Não sei ler-.
O Senhor disse: Porque este povo se aproxima apenas com a sua boca, e LOUVA-ME APENAS COM SEUS LÁBIOS, ENQUANTO O SEU CORAÇÃO ESTÁ LONGE DE MIM, E O TEMOR PARA COMIGO SE BASEIA NUM MANDAMENTO HUMANO, por isso continuarei a agir com esse povo de maneira espantosa e assombrosa. A sabedoria dos seus lábios perecerá, e a inteligência dos seus inteligentes sumirá.
Ai dos que se escondem do Senhor para dissimular os seus planos e realizar as suas obras no escuro. Eles dizem:- Quem nos verá? Quem nos conhecerá?- Que perversão a vossa! Como se a argila fosse semelhante ao oleiro, e a obra pudesse dizer ao seu fabricante: Ele não me fez. Ou o vaso a seu oleiro: Ele não sabe nada.» Is 29, 9-16

Uma das mais graves consequências do pecado original filia-se na alienação social da personalidade humana individual (não individualista).
Da necessidade ontológica, da unidade individual, que é um animal racional, espiritual, se integrar no corpo social, não decorre, a dissolução psicológica, cultural e moral, dessa mesma unidade, na orgânica que a envolve.
São Tomás de Aquino nunca ensinou a auto-mutilação da pessoa humana no que ela possui de mais nobre: a sua imagem de Deus, na Ordem Natural, e a sua semelhança participativa com o mesmo Deus, na Ordem Sobrenatural.
A sociedade humana, segundo uma concepção essencialista, católica, da realidade, deve criar as condições, naturais e Sobrenaturais, necessárias para que a pessoa humana, integrada na sua família, na sua corporação laboral, na sua paróquia, na sua diocese, na sua Nação, se desenvolva harmònicamente como bom católico, bom filho adoptivo da Santíssima Trindade, criado que foi para conhecer, amar e servir a Deus, neste mundo, e contemplá-lo beatìficamente na Eternidade.
Mas, e quando a sociedade, no plano civil e religioso, constitui um sistema de estímulos e de coerções que possuem como objectivo precipitar o cidadão no Inferno?
Nós sabemos, que nos últimos cinco séculos, no plano do Direito, e no plano de facto, as sociedades caminham inexoràvelmente, precisamente, no sentido do Inferno. E mesmo em épocas de Cristandade, e no plano de facto, a vida da grande maioria dos cristãos, sobretudo os homens, SALVAGUARDADAS AS APARÊNCIAS SOCIAIS, esteve sempre muito afastada dum ideal de Santidade.
Desde Adão e Eva que a Revelação assumiu um carácter essencialmente institucional, hierárquico, e portanto social; quando o Livro do Génesis (4,26) nos diz que Enós, filho de Set, e neto de Adão, começou a invocar o Nome do Senhor, tal foi sempre interpretado pelo Magistério da Santa Madre Igreja como o início do Culto Público. Ao longo de todo o Antigo Testamento a Religião revelada possuiu sempre um carácter eminentemente social, institucional, público.
Nosso Senhor Jesus Cristo fundou uma Igreja Institucionalmente Hierárquica, portanto quis que a Verdade Revelada fosse tutelada por uma autoridade Sobrenatural, sem dúvida, por um Magistério de Direito Divino, mas SOCIAL E JURÌDICAMENTE ENRAÍZADO E ORGANIZADO. O Corpo Místico, do qual Nosso Senhor constitui a Cabeça, é uma realidade fundamentalmente Sobrenatural, mas que neste mundo, enquanto durar este pobre mundo, TEM QUE TER OS PÉS NA TERRA.
Desgraçadamente, as tristes consequências do pecado original, desde sempre têm projectado a grande massa dos homens, a sucumbirem mimèticamente à representação momentâneamente mais forte, QUALQUER QUE ELA SEJA. Num tal enquadramento, a “verdade” constituirá então uma realidade essencialmente social, que da sociedade emana, por ela se desenvolve e referencia, e nela se resolve.
A fulminante condenação da vivência puramente social e exterior da religião encontra-se assìduamente no Antigo Testamento, sobretudo nos Profetas, e veio a constituir um veio fundamental do Magistério de Nosso Senhor Jesus Cristo. Efectivamente, o anátema de Jesus é bem mais vigoroso contra os fariseus e dissimulados em geral, do que contra os adúlteros e as meretrizes.
Quem escreve estas linhas sofreu um dos grandes desgostos da sua adolescência, precisamente ao verificar como A RELIGIÃO É QUASE SEMPRE VIVIDA COMO PURA FACHADA SOCIAL, PRETEXTO DE FESTAS E FESTAROLAS, COMO NOS BAPTISMOS E CASAMENTOS, SOBRETUDO NA BURGUESIA URBANA DOS PAÍSES DE ANTIGA TRADIÇÃO CATÓLICA; A ASSISTÊNCIA À MISSA DOMINICAL TRANSFORMADA NUMA PASSAGEM DE MODELOS, OU PURO ENCONTRO SOCIAL, SEM QUALQUER ESPÉCIE DE CONTEÚDO RELIGIOSO.
A sociedade que hoje temos constitui o corolário de séculos de privação de um ambiente verdadeiramente, intrìnsecamente, Sobrenatural, muito agravado pelo nunca suficientemente amaldiçoado Vaticano 2, e suas consequências, e ainda pelo desaparecimento da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, como corpo de combate.
Além disso, não podemos olvidá-lo, e há que proclamá-lo bem alto: A SANTA MADRE IGREJA, NAS DÉCADAS IMEDIATAMENTE ANTERIORES AO MALDITO CONCÍLIO, ESTAVA NOTÒRIAMENTE MUITO DEBILITADA NA FACE HUMANA (CLERO E FIÉIS) DO CORPO MÍSTICO.
É falso proclamar-se que o desaparecimento do apoio do braço secular, com a Revolução de 1789, e revoluções suas derivadas, teria constituído um bem para a Santa Igreja. Não. De maneira nenhuma. Ao permanecer desprovida de cobertura e sanção temporal eficaz para as decisões da sua autoridade Sobrenatural, a Santa Mãe Igreja viu-se amputada
de uma arma, a arma temporal, que é parte integrante da sua Divina Constituição, AINDA QUE A TÍTULO EXTRÍNSECO; consequentemente, o Magistério eclesiástico, AINDA QUE INTRÌNSECAMENTE FIEL, sofreu, sublinha-se, extrìnsecamente, UMA CERTA PERDA DE OBJECTIVIDADE. As raízes do modernismo histórico, condenado por São Pio X, na encíclica “Pascendi,” encontram-se exactamente aí, como consectários concretos da perda do apoio do braço secular pela Santa Igreja Católica.
A Fé Católica não é um palpite sentimental, uma “fèzada”, não é aquela negra e cega superstição que, hoje como ontem, arrasta para Fátima a grande maioria das pessoas, não, a Fé Católica é a VERDADE OBJECTIVA, O BEM OBJECTIVO, É ESSA VERDADE E ESSE BEM QUE, NECESSÀRIAMENTE, METAFÌSICAMENTE, MEDEM, E PORTANTO ORDENAM, TODA A VERDADE E TODO O BEM QUE PODEM EXISTIR NESTE MUNDO.
A nossa vida terrena deve pois constituir, de alguma maneira, uma imagem da Eternidade, contemplando as essências imutáveis da realidade, sem nos deixarmos conduzir pela contingência dispersiva das coisas que passam. O nosso ser de animais racionais, constitui uma síntese ontológica qualificada entre a forma espiritual, intrìnsecamente, imortal, imutável, e o corpo material, submetido à duração do tempo. Santo Agostinho, nas suas “Confissões,” dedica belas passagens a este tema; efectivamente, há em nós algo de verdadeiramente imutável, cuja duração, mesmo na Ordem Natural, denominada “Evo” pelos teólogos, está situada essencialmente acima da sucessividade do tempo. Infelizmente, a maior parte dos homens soçobra invariàvelmente sob o fluxo corruptível do tempo, nem reparando na raiz Imortal, Eterna e Imutável do seu ser. Ora, se mesmo na Ordem Natural, os homens são incapazes de se encontrarem a si próprios, como poderão desabrochar para a Vida Sobrenatural da Graça?
Neste quadro conceptual, também não nos devemos surpreender com o facto da grande maioria dos homens pautar o seu comportamento, NÃO PELA ESSÊNCIA IMUTÁVEL E OBJECTIVA DAS COISAS, MAS SIM PELA DESORDENADA CONSIDERAÇÃO DO SEU PRÓPRIO EGO, ESTÙPIDAMENTE REPRESENTADO COMO ÚNICO PADRÃO DE OPERAÇÃO.

O tristíssimo espectáculo das anti-canonizações não nos deve surpreender. As massas, completamente privadas, quer da luz natural, quer da luz Sobrenatural, demencialmente aplaudindo os maçons deicidas, palhaços do Inferno, na sua obra vil de promoção de demónios à categoria de “santos”.
A maçonaria internacional, no seu plano de destruição da face humana da Santa Madre Igreja, sempre teve em alta conta a triste condição da falta de personalidade, de estrutura, da grande maioria dos homens.
A razão profunda dessa miséria, reside na ferida da Natureza, PROVOCADA POR ADÃO E EVA NO SENTIDO DE DESTRUÍREM, COMO DESTRUÍRAM, A SUA CONDIÇÃO ALTAMENTE PRIVILEGIADA, NATURAL, PRETERNATURAL E SOBRENATURAL. Ao obliterarem, pelo pecado, essa condição, QUE OS INCLINAVA SOBREMANEIRA PARA O BEM, como chefes do Género Humano que eram, reconduziram a humana condição para um estado em que o mal e o erro constituem a norma, e a virtude, arrancada em geral com esforço, constitui a excepção.
Imploremos quotidianamente a Deus Nosso Senhor, com a santíssima mediação de Nossa Senhora e São José, a faculdade, de com o auxílio da Graça, podermos sempre vencer as consequências miseráveis do pecado original, contemplando, nos Místérios Sobrenaturais da Revelação, AQUELA LUZ INFINITA E INCRIADA, QUE EXPLICANDO-SE A SI MESMA, NOS ARREBATARÁ EFICAZMENTE DAS TORPEZAS DESTE MUNDO.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 4 de Maio de 2014

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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