Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

O CARÁTER SOBRENATURAL DO MAGISTÉRIO DA IGREJA

catedral católica

Magnífico exemplo da arte religiosa que evoca o sobrenatural

  • Deus serve-se dos homens para comunicar Seu ensino perfeito de salvação. Como, porém, a comunicação humana se faz através de uma inevitável imperfeição de linguagem, comumente esta suscita dúvidas sobre o caráter sobrenatural do Magistério da Igreja. Mas tal caráter é assegurado, tanto na autoridade conferida ao verdadeiro Papa, como no poder de infalibilidade de que este pode dispor. Como, porém, a perfeição não é própria deste mundo natural, tal poder e infalibilidade só pode ser do plano sobrenatural.
  • De fato, esse poder infalível da Igreja só pode proceder de Seu Chefe Jesus Cristo, cuja autoridade sobrenatural o Seu Vigário deve representar fielmente, mesmo através de atos e gestos no sentido do Magistério de salvação da única Fé confiada à Igreja católica. Isto identifica a sua autenticidade perante os fiéis, pois não pode ter autoridade na Igreja de Deus quem, ao contrário, com seus atos perverte com a heresia ecumenista esta unicidade da Fé católica que procede da Palavra do Salvador.
  • O Vaticano 2º, cujo «magistério» ensina erros que desviam da unicidade sobrenatural – sempre ensinada pela Igreja -, corrompe o seu múnus de salvação. Demonstra sua inautenticidade católica e só pode ser autoridade de outra igreja, oposta aos dogmas da Igreja de Jesus Cristo. É o que se depreende de suas idéias ecumenistas inter-religiosas para aperfeiçoar uma religião comum, mas oposta à católica. «Quem as segue atribui autoridade a uma falsa religião cristã, deveras distante da única Igreja de Cristo» (cf. Mortalium animos).

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A SANTA MADRE IGREJA CONSTITUI UM ENTIDADE SOBRENATURAL

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da sua encíclica “Satis Cognitum”, de 29 de Junho de 1896:

« Ainda que Deus possa operar por Si mesmo, com Seu Poder, o que opera a natureza criada, contudo Ele quis, com benigno conselho da Sua Providência, servir-se dos homens para ajudá-los; e como na Ordem Natural, serve-se da obra e contribuição do homem para comunicar às coisas a perfeição conveniente, assim também procede para conceder a santidade e a saúde (Sobrenatural) ao homem. Ora é sabido que não pode haver nenhuma comunicação entre os homens a não ser mediante coisas externas e sensíveis. Por isso assumiu a natureza humana e “possuindo a condição divina, esvaziou-Se a Si mesmo, assumindo a condição de servo, tomando a semelhança humana” (Fl 2,6-7); e assim, morando na Terra, ensinou Pessoalmente a Sua Doutrina e os preceitos da Lei.
E como era conveniente que a Sua Missão Divina fosse perene, reuniu à Sua volta alguns discípulos da Sua Doutrina e tornou-os participantes do Seu Poder, e tendo chamado do Céu sobre eles o Espírito da Verdade, mandou-lhes percorrer toda a Terra, pregando fielmente o que lhes tinha ensinado e mandado, para que todo o Género Humano pudesse conseguir a santidade na Terra e a felicidade Eterna no Céu.»

A Santíssima e indivisível Trindade, no Seu Eterno Conselho, determinando a Criação do Mundo, não pretendeu reduzi-lo a uma Ordem puramente Natural, a qual de si mesma já anunciaria magnìficamente a Glória extrínseca de Deus. Quis o Criador elevar, todavia, na Sua Bondade Infinita, a Sua obra espiritual (Anjo e Homem) ao estado Sobrenatural. Cumpre assinalar que a Inteligência, bem como a Vontade Divina, são Eternas, as decisões de Deus não se processam no tempo, mas sim na Eternidade, não possuem um antes e um depois, simplesmente SÃO -ETERNAMENTE; o tempo constitui uma forma degradada de duração, e durar é persistir no Ser. Deus é imutável, n’Ele não há acidentes, nem sombra de variação; portanto e na medida em que Deus quis livremente o mundo, é necessário que o queira sempre, e sempre livre e Eternamente.
A Revelação existe EM PLENA COMENSURABILIDADE ONTOLÓGICA E TEOLÓGICA com a elevação da criatura espiritual ao estado Sobrenatural. Num estado meramente natural, a única “revelação” seria a da mãe natureza, enquanto matéria e enquanto espírito, porque não se processaria qualquer intervenção positiva de Deus na História humana, Este seria conhecido e amado, mesmo sobre todas as coisas, pelas faculdades naturais do espírito. Não haveria ressureição da carne, porque tal constitui um privilégio essencialmente integrante da Ordem Sobrenatural. Igualmente não existiria visão beatífica, a qual constitui uma participação, estritamente Sobrenatural, na Natureza Divina; o Céu consistiria num estado de imortalidade natural da alma, numa beatitude de carácter filosófico, iluminada intelectualmente pelos Anjos, consequência da ratificação das disposições moralmente boas da vida mortal, as quais só poderiam repousar no cumprimento da Lei Natural, reflexo da Lei Eterna; o Inferno seria precisamente o contrário, pois não possuiria uma realidade positiva (o fogo) que integra apenas a Ordem Sobrenatural. Os próprios Anjos, não tendo sido elevados ao estado Sobrenatural, não teriam pecado. Uma Humanidade no estado natural, a qual nunca existiu, constituiu tema genérico das “utopias” de São Tomás Moro (1478-1535), (canonizado como mártir e não como confessor) e de Tomás de Campanella (1568-1639), que escreveu a “Cidade do Sol”e esteve trinta anos preso pela ousadia do seu pensamento.
Na Revelação, Deus comunica o Seu pensamento à Humanidade, através de homens escolhidos como causa instrumental, enriquecendo essencialmente, Sobrenaturalmente, a própria História da Civilização, com um fulgor Divino que infinitamente a supera. Essa mesma Revelação processou-se gradualmente, pedagògicamente, hieràrquicamente, mas sempre ordenada a Nosso Senhor Jesus Cristo, O Qual constitui o zénite da mesma Revelação, bem como o Sol Sobrenatural de toda a Criação.
A Santa Madre Igreja foi fundada, HISTÒRICAMENTE, por Nosso Senhor Jesus Cristo, que lhe conferiu uma CONSTITUIÇÃO DE DIREITO DIVINO, cujo único fundamento, e único fim, é a Fé, a Esperança, e a Caridade. A Mãe Igreja não foi edificada para tutelar um movimento filosófico que se devesse aperfeiçoar no decorrer dos séculos, NÃO, a Santa Igreja foi instituída como única Depositária de um Pensamento Divino Imutável, proporcionado a todos os homens, de todas as épocas, e que, sob pena de condenação Eterna, deve ser assimilado e vivido pelas almas através de um organismo Sobrenatural, absolutamente gratuito, e transcendentalmente vinculado a essa mesma Revelação.
A Santa Madre Igreja, na unidade da sua Pessoa Moral de Direito Divino, É UMA INSTITUIÇÃO ESTRITAMENTE SOBRENATURAL, ainda que integrada por elementos humanos.
O orgão supremo desta Pessoa Moral de Direito Divino é igualmente Sobrenatural, quer na essência da sua função, quer pelo seu instituidor que foi Nosso Senhor Jesus Cristo. O orgão constitui o enquadramento e o apoio material de uma função; por isso Nosso Senhor providenciou para que o Bispo de Roma fosse o Chefe da Igreja Católica, e não o contrário; pois que São Pedro, como Bispo de Roma, capital do Império, já fundara uma estrutura, e procedido à erecção, do berço da Cristandade, do qual irradiaria a Jurisdição Universal; por isso a Romanidade da Sé Apostólica é de Direito Divino, mesmo que acidentalmente dela esteja, o Chefe da Igreja, geogràficamente separado, como durante o chamado cativeiro de Avinhão (1307-1377).
A unidade da Santa Madre Igreja NÃO É A UNIDADE DO GÉNERO HUMANO, na exacta medida em que a forma fundamental da primeira é SOBRENATURAL, e a forma fundamental da segunda é NATURAL, mesmo que toda a Humanidade fosse baptizada, os termos e as definições suprareferidas não se alterariam.
Evidentemente, para quem desgraçadamente concebe a revelação como a progressiva consciência da relação com o divino, adquirida pela Humanidade, (proposição expressamente condenada pelo decreto “Lamentabili sane”- 1907) lògicamente, acabará por identificar “deus” e o homem como integrados numa mesma evolução vital.
Porque a unidade da Santa Igreja, a sua transcendência objectiva, não constitui senão a unidade da Revelação, a unidade do Pensamento Divino, a unidade da Verdade de Deus comunicada ao Homem, para sua salvação.
Dizia Santo Agostinho: « Prestai bem atenção ao que haveis de evitar, e olhai para o que deveis observar, olhai para o que haveis de temer. No corpo humano, ou melhor, quando do corpo humano se corta algum membro, uma mão, um pé, um dedo, será que a alma segue o membro cortado? Quando estava unido ao corpo vivia, cortado perde a vida; exactamente assim, o homem cristão é católico enquanto vive no corpo da Igreja, cortado, torna-se herege, ora o Espírito não segue um membro amputado» (Sermão 267 n.4).
É pela unidade Sobrenatural, substancial, da Igreja Católica, Apostólica, Romana, pela sua mesma Santidade, que é afinal o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele próprio, substancialmente Deus e substancialmente Homem, possuindo uma Verdadeira Santidade substancial, é por essa mesma unidade Santa, que nós, homens naturais, somos enxertados na Videira da Salvação, pelos méritos infinitos da Cruz. Nosso Senhor o disse: « Eu Sou a videira verdadeira e Meu Pai é o agricultor, toda a vara que em Mim não dá fruto, Meu Pai corta-a, e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto» (Jo 15,1).
Todo e qualquer elemento “religioso” colhido fora desta arca de Verdade e de Santidade, identifica algo de espúrio, de infecto, e enquanto tal, só pode constituir um obstáculo positivo para a Salvação.
A suprema unidade Sobrenatural da Santa Madre Igreja encontra-se infinitamente acima das pobres contingências terrenas, as quais SÃO ESSENCIALMENTE MEDIDAS E ILUSTRADAS PELA TRANSCENDÊNCIA OBJECTIVA DA PRIMEIRA.
Desviar-se da Mãe Igreja é desviar-se do Ser, e desviar-se do Ser é mergulhar no nada.
É monstruosamente falsa a asserção de que primeiro hão-de consolidar-se os bens naturais, para depois acolher mais eficazmente os Bens Sobrenaturais; QUEM POSSUI A NOSSO SENHOR JESUS CRISTO POSSUI TODAS AS RIQUEZAS SOBRENATURAIS, E POSSUIRÁ POR ACRÉSCIMO TUDO O QUE LHE FOR REALMENTE NECESSÁRIO NA ORDEM NATURAL. Nunca nenhum santo, buscando antes de tudo o Reino de Deus e Sua Justiça, foi alguma vez privado pela Providência daquilo que realmente necessitava, em cada momento da sua vida, e segundo o seu estado, para prosseguir glorificando a Santissima Trindade, aprofundando os abismos inefáveis da Verdade Sobrenatural e do Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por Amor de Deus.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 9 de Junho de 2014

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