Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

«PAPAS» MODERNOS OU FALSOS PROFETAS DE GNÓSTICAS UTOPIAS?

Porta para o Anticristo

 

Testemunhar esta abertura é o mínimo que se pode fazer em relação aos «papas conciliares», sucessores de João 23, do assim chamado «papa bom» que foi o primeiro «concierge» dessa operação ecumenista de engano, que entregou a Igreja de Deus aos seus inimigos.

Arai Daniele

Neste Domingo recebo do leitor Felipe Marques Pereira a seguinte mensagem; Sr. Arai Daniele venho acompanhando alguns artigos seus ao longo dos anos principalmente pelo site promariana.wordpress.com. movido pelo seu zelo pela tradição e sua consciência dos problemas que enfrenta a Igreja desde o CVIII do qual compartilho até certo ponto. Mas apesar de o senhor se declarar sedevacantista não encontrei uma definição do qual decorresse uma aplicação pratica em seus textos. Gostaria que o senhor me explicasse exatamente o porquê do sedevacantismo: é legitimo e como ele é legitimo com a sede de São Pedro ocupada. Agradeço cordialmente e certo de que apenas estou tentando conhecer melhor sua posição, me despeço.

Devo agradecer ao amigo Felipe este pedido de explicação, mesmo porque considero dever de quem assume uma posição pública tão extrema como seja o que chamam de «sedevacantismo» de explicar-se; se esse testemunho nasce da Caridade, então sua explicação clara e contínua faz parte da mesma Caridade que lhe deu vida.

De fato, deveria aparecer quase como um cabeçalho de tudo o que é publicado aqui.

Isto é feito, mas limitadamente ao Vaticano 2º, que está na origem dessa inversão doutrinal, que é a matriz da grande apostasia presente; o resto está contido nas centenas de artigos que vimos publicando e atualizando nestes últimos cinqüenta anos.

O que pode e deve ser repetido deles é a linha católica que os orienta todos e que pode estar sobre o nome genérico de «anti-modernismo». Sei que seria melhor apresentar-se a favor de algo de sublime do que contra algo de pervertido e adulterado como seja esse hoje imperante e devastador «modernismo». Mas nisto não entendemos fazer mais nem diversamente que seguir docilmente na luta o exemplo de nossos maiores, ou seja dos Papas e em especial de São Pio X, exemplo insuperável de defensor da Fé. Não é pois casual que seu santo nome encabece quase sempre essa santa luta de nossos tempos.

E aqui temos já uma sua sentença lapidar a seguir: “O modernismo é a síntese de todas heresias da história”.

Como explicar o assim chamado «sedevacantismo» através desse juízo perene? Parece elementar: encontrando elementos de modernismo nos «papas conciliares». Como fazê-lo, porém, sem ir a fundo dessa mesma criminosa inversão mental que deve remontar, se é realmente universal, aos albores da história do pensamento humano?

Já lembrei, em escritos anteriores, como mesmo filósofos idealistas e liberais sabiam reconhecer e explicar porque as razões religiosas do Santo Papa liquidavam à luz da lógica todas as pretensões de racionalidade progressista dos modernistas de então. Sim, porque a sólida estrutura do pensar só pode reforçar-se em certezas, não em utopias e devaneios. E as certezas só podem vir do que nos precede como a nossa origem e razão de ser e jamais do que nossa vontade prefere crer e a moda de nossos tempos impõe.

Por esta razão costumo repetir sempre a frase que o explica: – deve-se viver como se pensa e pensar como se crê, para não terminar por crer como se pensa e pensar segundo se vive. Isto é, que deveria ser o «pensar aggiornato» aos tempos a determinar o «bom», o justo e o verdadeiro. Note-se, não se trata de simples desvio do senso do pensar, mas sim de sua inversão. É questão de direção oposta.

Nem se trata de cancelar o conteúdo cristão do pensamento. Mostrei que Rudolf Steiner enquadrava o mesmo Cristianismo na versão própria dele. Era o gnosticismo que pensa Deus», não no que foi revelado, mas no que é intuído e repensado por uma elite de «iniciados». E Steiner dizia ser preciso obter um papa para esse «repensamento». Pela sua influência sobre Roncalli e Wojtyla parece que o plano do seu antroposofismo obteve o resultado almejado.

Foi esta última idéia que impregnou, seja a mentalidade seja a vontade dos «homens modernos» por causa e a partir de algumas grandes descobertas»! Era o triunfo de um gnosticismo infiltrado até na Religião para tentar invertê-la segundo os homens.

Esta tendência foi se acelerando depois da «obscura» Idade média, cuja base era a estabilidade do crer para o bem pensar e o justo proceder segundo as leis espirituais reveladas, que na sua perpetuidade e universalidade guiavam a uma harmonia de vida dentro do possível para as sociedades humanas conscientes da queda original.

Havia que conformar-se à Vontade do Criador seguindo o que fora ditado e era interpretado pelos santos Padres que consagravam suas vidas a melhor reconhecer a vontade divina no Livro da Palavra revelada que cabia em primeiro lugar ao Pontífice apostólico interpretar.

Da Revelação deriva o Decálogo de princípios para guiar a vida humana no mundo, ao qual todos devem submeter-se como verdadeira Lei no direito natural e divino. A qual outra lei poderia a criatura humana estar ligada senão a estabelecida pelo seu Criador? A qual outra ordem poderia estar sujeita a natureza humana senão à sobrenatural?
A este ponto, poderia parecer que nosso vôo em direção às questões ideais nos estariam afastando cada vez mais da explicação demandada sobre a tragédia da «sede vacante». Ora, para quem entende que estamos tratando do que é capital para a vida e o governo dos homens, é justamente o contrário porque pertence à Sede do Pontífice apostólico guira ao nível supremo do reto pensar que o homem precisa para conhecer e realizar a sua razão de ser e salvar a sua alma; é sempre para este Vértice que deve dirigir-se nossa devota atenção. E isto porque sua autoridade procede imediatamente de Deus, que a esta Sede confia a Verdade.

Dai a veneração que devemos ter pelo Papa católico e o horror pelos «falsos cristos e falsos profetas e pastores», como nos ensinou o mesmo Jesus, Deus feito homem.

Pois bem, tudo o que foi dito até agora do que seja esse abjeto modernismo passou a infiltrar-se na Sede suprema através de clérigos eleitos para serem papas, que de modo sorrateiro inverteram o pensar religioso. Isto foi feito, não abolindo a Tradição, pois isto seria por demais escandaloso para os fiéis, mas «aggiornando» esta aos novos tempos e novos poderes e descartando o que representava a Religião de sempre.

Continuo tomando como maior exemplo disso o modo como trataram e tratam até hoje a Mensagem profética de Fátima. Mas aqui vamos ao âmago de sua visão, pela qual o Papa católico foi virtualmente «eliminado» junto a todo o seu séquito fiel.

Vejamos como reconhecer esse evento que pode bem simbolizar a desnaturalização do Papado católico através de inovadores de reconhecida tendência, ou pelo menos ampla simpatia pelo modernismo e pelos poderes do iluminismo gnóstico e maçom.

A abertura e amizade de João 23 (o «papa bom»!) e sucessores por expoentes do deísmo iluminista é uma realidade histórica, também para o novo Vaticano, por exemplo, na nova política para com a ONU, a UNESCO, a Maçonaria, o Rotary, as lojas e as sinagogas do mundo, que negam a divindade de Jesus Cristo. Seria para convertê-los? Nunca, pois isto os ofenderia, mas foi para desculpar o passado da Igreja de Deus, que impunha seus princípios ao mundo.

Nos tempos modernos deveria vigorar una liberdade absoluta, até para a religião e as consciências; estas não deveriam mais seguir princípios precedentes às pessoas e às sociedades, mas escolher entre o que a vida moderna livre oferecia de novo; era o «pensar segundo se vive», que a nova «autoridade» papal, na sua nova «bondade e humildade», não se sentiria mais de poder julgar, invertendo vistosamente sua função de juiz, própria ao Chefe da Igreja, Jesus Cristo, que o Papa apenas representa como Vigário. Mas, ao contrário, os novos papas consideraram-se juízes de novas doutrinas ecumenistas e igualitárias, até em matéria de Fé. Em suma, capazes de elaborar uma «religião mais universal»!

Aqui, para concluir este parcial arrazoado sobre a falsa identidade papal dos assim chamados «papas conciliares», diga-se que de quase tudo o que se falou aqui como inversão da santa Tradição, foram eles mesmos a proclamá-lo e cada vez mais sem filtrar as palavras suspeitas no novo contexto de «liberdade» a despeito da Verdade, de uma «igualdade» mesmo religiosa no desprezo da unicidade da verdadeira Fé, e de uma nova «fraternidade» que dispensando a Santíssima Trindade, dispensa o único Padre Eterno.

Acenam ainda ao bem do «iluminismo», dizendo mesmo que a ele almejava a religião do Vaticano 2º, a fim de incorporar bens, vejam-se direitos humanos» que o velho Cristianismo havia ignorado. Aliás, isto deve ser indicado também para o Islã, como o fez Bento 16 no discurso de 22.12.2006, e outros a líderes muçulmanos.

Então vou concluir citando os termos de um livro italiano recém publicado que, embora mantendo uma posição moderada sobre a possível obrigatória verificação da vacância papal, nessa Apologia do Papado, não pode evitar de concluir sobre o que lhe é contrário, respondendo à pergunta: se o que era proibido pela Igreja hoje é arquivado, senão posto em ato por obra dos «papas conciliares», o que são estes realmente?

  • “Se isto acontece, significa, como ensina o dogma, come explica Santo Alfonso de Liguori e antes dele muitos outros, de  santo Antônio a são Roberto Bellarmino, e negá-lo significa ser hereges, que os sujeitos individualizados não são Papas, eles não receberam nunca a Potestade de Jurisdição porque há um impedimento, portanto não é admissível nenhuma forma de «communicatio in sacris», segundo as palavras dio Apóstolo, e se é certo que os usurpadores paganizaram a SANTA MISSA: «Quid ergo dico? Quod idolothytum sit aliquid? Aut quod idolum sit aliquid? Sed, quae immolant, daemoniis immolant et non Deo; nolo autem vos communicantes fieri daemoniis. on potestis calicem Domini bibere et calicem daemoniorum; non potestis mensae Domini participes esse et mensae daemoniorum. An aemulamur Dominum? Numquid fortiores illo sumus?».
  • Entendemos: 1) que não existe um papa herege, ou apóstata, ou cismático; 2) que se isto acontece tal individuo não é papa; 3) que reconhecer o Primado de Jurisdição a um herege e cismático significa NÃO reconhecer o Dogma sobre o Primado de Jurisdição; 4) que já da simples visibilidade se compreende que tal individuo não é papa, visto que ele ensina e governa de modo NÃO uno e NÃO santo; 5) que há um estado de necessidade a resolver usando o Direito, e explico precisamente como na «Apologia del Papato» [Apologia do Papado é o livro em questão]; 6) Entretanto o fiel plenamente consciente peca se se comunica com o herege, com o apóstata o com o cismático. Quem não está consciente, não por sua culpa, não se separa da fé, justamente como ocorreu nos tempos do Cisma do Ocidente; 7) que quem ensina o contrário, rejeita a Pastor Aeternus, portanto, rejeita a fé católica.”

Diante do desastre planetário de ver falsos Cristos e falsos pastores demolirem com palavras enganosas a Igreja de Deus, como se tivessem recebido algum mandato para fazê-lo, e sem encontrar oposição real devido a apostasia geral que promoveram, sejamos, como católicos, ao menos zelosos do testemunho desta realidade apocalíptica

Isto para não incorrermos na perfídia de um falso testemunho que, aceitando os falsos Cristos como enviados de Deus, assim fazendo por conveniência ou covardia se venha a desonrar a santa Mãe Igreja, à qual temos a graça de pertencer e na qual queremos morrer como filhos fiéis.

 

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4 Respostas para “«PAPAS» MODERNOS OU FALSOS PROFETAS DE GNÓSTICAS UTOPIAS?

  1. Felipe Marques Pereira junho 18, 2014 às 1:50 pm

    Prezado senhor Arai Daniele.
    Salve Maria!

    Antes de tudo quero agradecer a atenção que o senhor deu a minha pergunta e a dedicação na elaboração da resposta que me esclareceu muitas duvidas (e me gerou outras).
    O texto é muito bom, sem duvida o senhor é um erudito no assunto, O senhor tem alguma formação universitária? Em algumas entrevistas suas que ouvi o Sr. afirmava ter conhecido o gigante na fé, Monsenhor Lefebvre e também o querido professor Orlando Fedeli.
    Eu que sou apenas um jovem, e que dispondo de tão poucos meios de influência, admiro o seu vigor ainda no combate pela verdade do qual o senhor é com certeza reconhecido.
    Os seus trabalhos parecem refletir uma vida inteira de amor e dedicação a igreja. O que nos uni é o desejo de nos subordinarmos à verdade e de conformarmos a nossa vontade a vontade do criador (seja feita vossa vontade).
    Eu não havia me apresentado, tenho 26 anos estudei teologia na PUC/PR onde também fiz um curso de história da Igreja católica, dei aula durante algum tempo no sistema municipal de educação da cidade onde nasci e moro (Itajaí/SC). Humildemente gostaria de fazer alguns comentários, seguido de algumas perguntas que surgiram da leitura do texto.
    Tentando acreditar que o Francisco é um Papa legitimo, me sinto como o personagem do livro 1984 de G. Orwell, o Winston tentando acreditar que 2+2 podem ser cinco. E aceito a posição sedevacantista em outras situações que, NÃO SÓ A MORTE OU RENUNCIA DE UM LEGITIMO PAPA, MAS NÃO SEI SE PODE SER APLICADA NA SITUAÇÃO PRESENTE.
    “Ora, para quem entende que estamos tratando do que é capital para a vida e o governo dos homens, é justamente o contrário porque pertence à Sede do Pontífice apostólico guia ao nível supremo do reto pensar que o homem precisa para conhecer e realizar a sua razão de ser e salvar a sua alma; é sempre para este Vértice que deve dirigir-se nossa devota atenção. E isto porque sua autoridade procede imediatamente de Deus, que a esta Sede confia a Verdade.”
    Sim, cabe ao sumo pontífice, o construtor de pontes, dirigir a subordinação da ordem natural a sobrenatural, e o poder temporal ao poder espiritual, somente construindo pontes entre o natural e o sobrenatural pode ser construído uma ponte entre os seres humanos na verdadeira unidade fraterna que só se realiza quando nos subordinamos a verdade confiada por nosso senhor a Igreja
    Católica Apostólica Romana.
    Todos podem observar certa ambiguidade nas atitudes dos papas desde João XXIII, mas para mim sempre pareceu que essa ambiguidade é fruto de duas coisas, a primeira delas é criação da ONU.
    Como chefe de estado em seus acordos internacionais o papa precisa dialogar com outros lideres que em grande parte não são católicos. Sejamos sedevacantistas ou não devemos reconhecer que é uma saia justa, a situação ficou ainda mais difícil depois da criação da ONU (como bem observou o senhor) em que se proclamando quase uma Virgem Maria, rainha da paz e medianeira de todas as graças, a ONU com o pretexto de mediar conflitos amarrou a mão dos países e esta uniformizando as legislações, comprometendo os países uns com os outros através de acordos de todo o tipo. [1] Em uma tentativa de instrumentalizar a igreja como fizeram quase todos os governos Marxistas, agora ela pretende transformar a igreja em um instrumento de suas políticas pró-aborto e homossexualismo, chegando a propor que o Vaticano revisse sua interpretação tradicional das escrituras em relação ao homossexualismo, do qual o Francisco tem sido muito simpático.
    A segunda causa é a influência do clérigo modernista tentando modificar a Igreja a partir de dentro e tentando adaptar sua doutrina ao estado atual das ciências, revendo seus posicionamentos tradicionais e remodelando de acordo com o relativismo e o pluralismo religioso. Apoiados em documentos como GAUDIUM ET SPES que vai dizer que as alegrias do homem moderno são também as alegrias dos discípulos de Cristo.* Claro que essas duas causas não são suficientes para explicar a complexidade do atual estado em que se encontra a igreja nem a dupla atitude de João XXIII e seus sucessores que enfrentam um dilema, de um lado o papa ele se vê como líder da única igreja que possui os meios de salvação e do outro a possibilidade de liderar uma nova religião, fruto de uma síntese dos elementos comuns a todas as outras religiões. Mas para isso acontecer ele deveria negar gradualmente todos os dogmas para aceitação e acomodação das seitas. Essa filtragem reduziria não só o catolicismo, mas todas as religiões a um fundamento comum. [2]
    Claro que os modernistas vão encontrar materiais e apoio primeiro no Papa João XXIII e no Concilio do Vaticano II, mas tanto João XXIII quanto seus sucessores não declararam dogmaticamente a liberdade de consciência ou de religião nem o ecumenismo, e o Concilio do Vaticano II não é dogmático e sim pastoral. O que não põe em discussão a infalibilidade dos mesmos como declarada pelo Concilio do vaticano I, SENDO A INFALIBILIDADE APENAS EM QUESÕES FÉ E MORAL EM DECLARAÇÕES EX CATHEDRA. [3]
    Que os papas desde o concilio do vaticano II declararam, escreveram e publicaram afirmações flagrantemente contrarias a tradição, chegando a negar o dogma de que Fora da igreja católica não há salvação (Por exemplo, João Paulo II no Novo catecismo da Igreja católica afirma que os muçulmanos podem ser salvos, o mesmo catecismo afirma que, “O homem é capaz de Deus”, Gnose?) todos podem constatar afirmações equivalentes, inclusive no Código de direito canônico de 1983 e o missal de Paulo VI.
    Mas o CVI condena aqueles que negarem ter sido o primado instituído pelo próprio Cristo, e também aqueles “QUE NEGAM SUA SUCESSÃO PERPETUA” [3]
    “1825. [Cânon] Se, portanto, alguém negar ser de direito divino e por instituição do próprio Cristo que S. Pedro tem perpétuos sucessores no primado da Igreja universal; ou que o Romano Pontífice é o sucessor de S. Pedro no mesmo primado – seja excomungado”
    Também é contrario a fé, afirmar que S. Pedro não te perpétuos sucessores, esse não é o seu caso, em nenhum dos seus textos ou artigos identifiquei essa negação, mas as coisas começam a complicar aqui.
    Se levarmos o sedevacantismo (em todas as suas variantes) as consequências de sua lógica interna e reconhecendo como antipapas todos os “Papas” desde João XXIII gradualmente bispos não seriam validamente ordenados e consequentemente com o tempo seria impossível ordenar validamente também padres, e a apostasia vinda do topo seria na verdade um tombamento em que a estrutura hierárquica da Igreja desapareceria. Aceitando então que todos os que ocuparam a sede de Pedro desde João XXIII eram usurpadores, todo o patrimônio humano e material da igreja teria sido roubado. Admitindo então que o magistério atual não é o verdadeiro, pois o verdadeiro é infalível, deveria ser eleito um novo papa? O senhor acha válida uma eleição papal independente? Ou a sede voltará a ser novamente ocupada por um papa legitimo? Existira atualmente um magistério infalível não subordinado aos “Pseudo-papas”.
    Se admitirmos que a igreja possa sobreviver e continuar sua missão peregrina neste mundo sem um papa legitimo e, portanto sem um clérigo subordinado a um, estaremos admitindo o conceito da igreja invisível e quase congregacional descrita no documento do CVII Lumen Gentium, da igreja como um sacramento, que sem defini-la e somente comparando-a, deu abertura para tantos abusos.[4]
    Tendo o código de Direito canônico de 1917 suspendido toda a censura para os efeitos da eleição do romano pontífice e, portanto a Bula de Paulo IV “Cum ex Apostolatus Officio” do ano 1559 revogada, não seria legitima as eleições dos papas conciliares?**
    “Pela promulgação do Código de Direito Canônico no ano de 1917, conforme a seu cânon 6. 2). Por seu cânon 160: “A eleição do Romano Pontífice se rege unicamente pela Constituição de Pio X Vacante Sé Apostólica, do 25 de dezembro de 1904…” 3) Esta Constituição de São Pio X foi modificada por Pio XII em 8/12/ 45. Ambas, em seu Título II, Capítulo I, Número 29 E 34, respectivamente, dizem: “Nenhum Cardeal fica excluído da eleição ativa ou passiva do Sumo Pontífice por motivo de excomunhão, suspensão, ou interdito. Suspendemos toda censura e excomunhão somente para os efeitos dessa eleição; elas conservam seus efeitos para o restante”.[5]”
    Então são muitas implicações decorrentes dessa posição, acredito que o senhor já tenha enfrentado essas perguntas antes inclusive de pessoas com maio preparo para discutir sobre elas, eu sou hoje um simples autodidata e aproveitando que o senhor me chamou de “amigo” espero continuar me comunicando com o senhor.
    Juntos nos corações. Doce coração de Maria sede nossa Salvação.

    Felipe marques pereira.

    * 1. “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.” CONSTITUIÇÃO PASTORAL GAUDIUM ET SPES
    SOBRE A IGREJA NO MUNDO ACTUAL.
    **Paulo IV acusava Felipe II de Espanha, filho de Carlos V, de ser suspeito de heresia, por não fazer jejum e abstinência nos dias determinados pela Igreja.
    [1]PIO XI, MORTALIUM ANIMOS. 1928.
    [2]SANAHUJA, Juan. PODER GLOBAL E RELIGIÃO UNIVERSAL. Ed. ECLESSIAE e FERRY, Luc, Nova Ordem Ecológica. 1994.
    [3] CONCILIO DO VATICANO I. CAP II CANÔN, 1825.
    [4]CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA LUMEN GENTIUM http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html
    [5] R. P. João Carlos Ceriani, Monsenhor Lefebvre e a Sé Romana

    • Pro Roma Mariana junho 18, 2014 às 7:12 pm

      Caríssimo Felipe, salve Maria!
      Eu não creio que se possa tratar ao caso de Jorge Bergoglio como de decadência da função papal, porque sendo o problema original a infecção modernista de que são afetos os «papas conciliares», por causa do V2º, eles são radicalmente suspeitos desde o início: João 23 por favorecê-la, Paulo 6º por proclamá-la como católica, e os demais por implementá-la como obrigatória para nossos tempos.
      Quanto ao problema da ONU e outros organismos mundialistas, ele reside nos princípios que os regem. Ora, esses «papas» aderindo a eles demonstraram de que são infetados e de querer sistematicamente promovê-los. Veja-se a apologia do iluminismo feita explícita e especialmente por Bento 16, até para com os muçulmanos.
      Quando se diz caber «ao sumo pontífice, o construtor de pontes, dirigir a subordinação da ordem natural a sobrenatural, e o poder temporal ao poder espiritual, somente construindo pontes entre o natural e o sobrenatural pode ser construído uma ponte entre os seres humanos na verdadeira unidade fraterna que só se realiza quando nos subordinamos a verdade confiada por nosso senhor a Igreja Católica Apostólica Romana», reconhecemos tratar-se do Reino de Cristo. Justamente este foi alijado pelos conciliares, como acusou Mgr Lefebvre,
      Aqui a ambigüidade observada nas atitudes desses «papas» demonstra-se de fato uma cobertura para abrirem aos princípios agnósticos e anti-cristãos da ONU, e não se trata de diálogo, mas de iniciativas unilaterais, como a de Paulo 6º declarando ser esta «a última esperança da humanidade»! Isto significou uma tentativa de instrumentalizar a Igreja que partiu de dentro dela. Francisco tem sido muito simpático, e não só a essas manobras. Assim, dou-lhe razão sobre o segunda causa do desastre: a vasta influência de clérigos modernistas que tentam modificar a Igreja a partir de dentro segundo o estado atual de suas ciências… revendo e remodelando sua posição de acordo com o novo relativismo e o pluralismo religioso, apoiado em documentos do V2º.
      Tais causas, sendo também efeitos de desvios, não são suficientes para explicar a complexidade do atual estado em que se encontra a Igreja, mas revelam a dupla contradição que gerou o conciliábulo ecumenista de João 23. Uso os algarismos arábicos e não romanos para acentuar a diferença deles com os Papas católicos.
      O Felipe diz que os «papas conciliares» enfrentam um dilema: de um lado se vêem como papa e «líder da única igreja que possui os meios de salvação e do outro a possibilidade de liderar uma nova religião, fruto de uma síntese dos elementos comuns a todas as outras religiões.» Se tiveram este dilema já incorriam em contradição na Fé, pois «deveria negar gradualmente todos os dogmas para aceitação e acomodação das seitas. Essa filtragem reduziria não só o catolicismo, mas todas as religiões a um fundamento comum.» É a contradição ecumenista à raiz do V2º.
      Quando, como modernistas, quiseram chegar a declarar a liberdade de consciência ou de religião e o ecumenismo, precisaram de um concilio não dogmático mas sim pastoral. O que, pensaram, não poria em discussão a infalibilidade de sua autoridade. Acontece que nomearam-no «ecumênico» e todos os 20 Concílios ecumênicos são dogmáticos e assistidos pelo Espírito Santo, conforme os mesmos Papas (1). Então aqui, num concílio dessa dimensão, pode-se entender que «dispensaram» o Espírito Santo, porque podiam resolver os graves problemas modernos com a própria ciência, também sem continuar o que o Concilio do Vaticano I já havia elaborado e ficou suspenso, mormente sobre a mesma natureza da Igreja, que os inovadores precisavam mudar a favor da nova seita.
      Note-se que o fato de não terem usado a nota da infalibilidade não quer dizer que dispusessem dela, pelo contrário, simplesmente descartando o que modernisticamente não se adapta aos tempos, revelam nada a ver com ela. Especialmente quando se pensa gnosticamente que “O homem é capaz de Deus”, etc.
      Claramente o Concílio Vaticano «condena aqueles que negarem ter sido o primado instituído pelo próprio Cristo, e também aqueles “QUE NEGAM SUA SUCESSÃO PERPETUA”, o que nós católicos cremos firmemente. E crer na sucessão perpétua não significa, nem que o primado da Igreja universal possa cessar com a morte de um Papa, nem que esta sucessão do Romano Pontífice seja sempre imediata.
      Vejamos então onde as coisas começam a se complicar.
      «Se levarmos o sedevacantismo (em todas as suas variantes) as consequências de sua lógica interna e reconhecendo como antipapas todos os “Papas” desde João XXIII gradualmente bispos não seriam validamente ordenados e consequentemente com o tempo seria impossível ordenar validamente também padres, e a apostasia vinda do topo seria na verdade um tombamento em que a estrutura hierárquica da Igreja desapareceria. Aceitando então que todos os que ocuparam a sede de Pedro desde João XXIII eram usurpadores, todo o patrimônio humano e material da igreja teria sido roubado. Admitindo então que o magistério atual não é o verdadeiro, pois o verdadeiro é infalível, deveria ser eleito um novo papa?»
      Aqui se trata de reconhecer um fato objetivo: se estes introduziram heresias para mudar a Igreja a favor de outra, a desgraça é imensa, mas nada no mundo pode fazer que uma verdade deixe de sê-lo nem que o magistério atual passe a ser verdadeiro pelo temor da falta deste, da hierarquia ou pelo temor dessa real devastação, ainda não sustada. Esta só poderá sê-lo por um Papa católico, cuja eleição depende da suficiente consciência do problema e de suas soluções pelos remanescentes consagrados da Igreja. A situação é pior que a do antigo Cisma do Ocidente, mas está nas mãos de Nosso Senhor.
      Quanto ao «Código de Direito canônico de 1917 ter suspendido toda a censura para os efeitos da eleição do Romano Pontífice e, portanto a Bula de Paulo IV “Cum ex Apostolatus Officio” do ano 1559 revogada, não seria legitima as eleições dos papas conciliares?»
      Vejamos: “Pela promulgação do Código de Direito Canônico no ano de 1917, conforme a seu cânon 6. 2). Por seu cânon 160: “A eleição do Romano Pontífice se rege unicamente pela Constituição de Pio X Vacante Sé Apostólica, do 25 de dezembro de 1904…” 3) Esta Constituição de São Pio X foi modificada por Pio XII em 8/12/ 45. Ambas, em seu Título II, Capítulo I, Número 29 E 34, respectivamente, dizem: “Nenhum Cardeal fica excluído da eleição ativa ou passiva do Sumo Pontífice por motivo de excomunhão, suspensão, ou interdito. Suspendemos toda censura e excomunhão somente para os efeitos dessa eleição; elas conservam seus efeitos para o restante”.
      As excomunhões dos hereges não podem ser suspensas porque estes por si mesmos se separaram da Igreja e o mesmo quanto aos cismáticos em geral. Logo não serão nunca candidatos
      Quanto à Bula «Cum ex» do Papa Paulo IV, nela só pode perder valor o que não seja de Direito Divino e seria deveras falso, como no caso acima, pensar que o crime perante Deus, e no caso especial contra a Sua Autoridade na Igreja, possa ser apenas de Direito eclesiástico, como «pontificam» alguns.
      Espero ter respondido satisfatoriamente às dúvidas. Se não o fiz, continuo a disposição para o que esteja ao meu alcance. No mais, restemos em união de orações juntos aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. Que sejam a nossa Salvação.

  2. FELIPE MARQUES PEREIRA junho 20, 2014 às 4:38 pm

    FELIPE MARQUES PEREIRA junho 20, 2014 às 4:37 pm O seu comentário aguarda moderação.
    Senhor AraÍ daniele.

    Às vezes temos um pudor exagerado quando tratamos das autoridades, o que nos impede de denunciarmos sua má administração e seus erros de todo o tipo, vejo isso até em grupos que combatem o modernismo há anos. Falo em especial da Associação MONTFORT (que admiro muito), e que parece fazer um esforço (louvável até certo ponto) para interpretar o que o Francisco escreve ou pronuncia de uma maneira sempre positiva e que vá de encontro com a tradição ou moral católica, quando não deixam de divulgar declarações embaraçosas dele quando a interpretação dessas de acordo com a Tradição ou a Moral católica é impossível, bem não posso afirmar qual o motivo da omissão, nem se ela é intencional, mas tenho a impressão que faziam a mesma coisa com Bento XVI, eu os compreendo porque é muito triste para nós termos que admitir que João XXIII e seus sucessores caíram repetidas vezes em heresia.

    Francisco não quer ser reconhecido como Papa freqüentemente ele se apresenta apenas como “Bispo de Roma” e diz “Que apenas mudou de diocese” e eu já ouvi ele se perguntar varias vezes “quem sou eu para…?” “quem sou eu…?” acho que até ele duvida da legitimidade do seu papado.

    O senhor tem razão, a oposição da ONU ao Vaticano pós CVII é só aparente e em apenas questões secundarias e de pouca importância. Os interesses das doutrinas do CVII vão de encontro às políticas da ONU e a moral relativista, ELAS CONVERGEM. Bem, então a única maneira de manter a legitimidade do Papado de João XXIII e seus sucessores seria os aceitando como infalíveis, mas os reconhecendo como hereges. O CDC de 1917 e se vacante Sé Apostólica de Pio X não parece reconhecer o herege, enquanto herege, como possível candidato? Então o fato de ser herege não entraria em contradição com a infalibilidade? E o Código de direito canônico então contradiz a “CUM EX”?
    Se ainda insisto no assunto Sr. Araí, não por orgulho ou tentativa de negar a realidade, mas porque eu não domino o tema do sedevacantismo.

    Juntos nos sagrados corações de Jesus e Maria, que sejam nossa salvação.
    Felipe Marques pereira.

    • Pro Roma Mariana junho 20, 2014 às 6:00 pm

      É verdade que há esse «pudor exagerado», por vezes escrúpulos desordenados quando se constata erros e heresias objetivos das «autoridades». É o caso presente na Igreja, e já de há décadas. Para ter certeza basta pensar que são estas mesmas «autoridades» a escrever e agir segundo o que os condena. E se são eles a declarar o direito à liberdade religiosa, como aplicar esta contradição em relação a eles mesmos? Assim nada mais nos impede de denunciarmos seus erros e iniciativas modernistas de todo tipo.
      O Fedeli foi meu amigo; distanciou-se porque minha posição lhe era incômoda; teve sempre preocupação política herdada da TFP, e até era considerado pelo Lenildo Tabosa do Estadão o Plínio IIº. Fez algum bom trabalho, mas no essencial ficou em acrobacias ilógicas para interpretar os Bergoglios no poder. Não saem disto, como se este não promovesse TUDO o que justamente condenam. E o mesmo para os outros desde João 23. É uma pena. Não digo exatamente que os falsos cristos caíram repetidas vezes em heresia, isto é evidente. Penso e digo, junto a meus maiores (Bispos, etc.) que eles são hereges adotando em cheio o Vaticano 2º. Da legitimidade de seus papados eles mesmos podem duvidar, e note que efetivamente o alteraram, ainda não completamente na letra, mas na representação atual que é abertamente descontínua com o Magistério. Veja-se o caso do anglicanismo. Quanto à oposição da Doutrina com a ONU, não será o Vaticano 2º a cancelá-la, pois a adota na operação ecumenista e outras em que CONVERGEM. Bastaria isto para confirmar a heresia e os hereges que não são papas. Já não eram candidatos, mas se foram eleitos foi por ignorância ou cumplicidade dos eleitores, apenas isto descoberto, pelas obras dos ditos cujos, a eleição foi nula. Não vejo contradição, mas concordância entre Código de Direito Canônico (1917) e a “Cum ex” do Papa Paulo IV. Há trabalhos a respeito que lhe recomendo, porque dominar o essencial sobre o tema de quando a Sede se torna vacante faz parte de nossa Fé. E tenha certeza, quem o faz são os que mais honram o verdadeiro Papado, que não pode cair em mãos dos que entendem transformar a santa Igreja de Deus. Rezemos unidos aos Sagrados Corações de Jesus e Maria, para que socorram a Igreja e sejam a nossa salvação. Salve Maria!

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