Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

CORPUS DOMINI in MYSTICI CORPORIS

MYSTICI.Corporis.

AS SETE FONTES DE SANTIDADE

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, num excerto da encíclica “Mystici Corporis”, de 29 de Junho de 1943:

« E como o corpo humano nos aparece dotado de energias especiais, com que provê à vida, saúde e crescimento seu e de todos os seus membros, assim o Salvador do Género Humano providenciou admiràvelmente ao Seu Corpo Místico, enriquecendo-o de Sacramentos, que com uma série ininterrupta de Graças, amparam o homem desde o berço até ao último suspiro, e ao mesmo tempo provêem abundantìssimamente às necessidades sociais da Igreja. Com efeito, pelo Baptismo, os que nasceram a esta vida mortal, não só renascem da morte do pecado e são feitos membros da Igreja, senão que, assinalados com o carácter espiritual, se tornam capazes de receber os outros Dons Sagrados. Com o santo Crisma infunde-se nova força nos fiéis, para conservarem e defenderem corajosamente a Santa Madre Igreja e a Fé que dela receberam. Pelo Sacramento da Penitência oferece-se aos membros da Igreja caídos em pecado uma medicina salutar, que serve não só a restituir-lhes a saúde, mas a preservar os outros membros do Corpo Místico do perigo de contágio, e até a dar-lhes estímulo e exemplo de virtude. E não basta. Pela Sagrada Eucaristia alimentam-se e fortificam-se os fiéis com um mesmo alimento, e se unem entre si, e com a Divina Cabeça de todo o Corpo com um vínculo inefável e Divino. Finalmente, ao leito dos moribundos acode a Igreja, Mãe compassiva, e com o Sacramento da Extrema Unção, se nem sempre se lhes restitui a saúde do corpo, por Deus assim o dispor, dá-lhes às almas feridas a medicina sobrenatural, abre-lhes o Céu, onde como novos cidadãos, e seus novos protectores, gozarão por toda a Eternidade da Divina Bem-Aventurança.
Às necessidades sociais da Igreja proveu Nosso Senhor Jesus Cristo de modo especial com dois Sacramentos que instituiu: com o Matrimónio em que os cônjuges são recìprocamente ministros da Graça, proveu ao aumento externo e bem ordenado da sociedade cristã, e o que é ainda mais importante, à boa e religiosa educação da prole, sem a qual o Corpo Místico correria perigo; com a Ordem dedicam-se e consagram-se ao serviço de Deus os que hão-de imolar a Hóstia Eucarística, sustentar a grei dos fiéis com o Pão dos Anjos e com o alimento da Doutrina, dirigi-la com os Divinos Mandamentos e conselhos, e purificá-la com o Baptismo e a Penitência, enfim fortalecê-la com todas as Graças celestes.»

A Santa Madre Igreja é uma sociedade perfeita em sentido eminente; isto é: prossegue objectiva, hierárquica e eficazmente a plenitude de todos os fins humanos, e encerra em si mesma, de Direito, os meios necessários para os atingir. Os Estados são sociedades perfeitas em sentido deficiente, porque se encontram essencialmente subordinados à Santa Igreja, muito embora mantendo a sua autonomia no plano temporal.
Existe um único fim humano pròpriamente dito: O ANÚNCIO FORMAL, OBJECTIVO, RACIONAL, SOBRENATURAL, DA GLÓRIA EXTRÍNSECA DE DEUS. Tudo o mais ou constituem fins secundários, ou então são meios. Na realidade, para a alma abismada na Graça Divina, no amor Sobrenatural a Deus sobre todas as coisas e ao próximo por amor de Deus, para uma alma, vivendo na Terra, mas toda do Céu, processa-se uma plena unificação espiritual e Sobrenatural na qual, em tudo o que opera, interior e exteriormente, a alma fá-lo em Deus, por Deus, com Deus, para Deus, E SÓ EM DEUS.
Existe uma proporção muito elevada entre a Glória de Deus e a salvação das almas, mas em absoluto, a primeira finalidade é superior à segunda.
Adão e Eva, no Paraíso terrestre, já constituíam, em semente, a Igreja Católica, porque já possuíam a Fé Católica, a Graça Santificante, embora não dispusessem, nem necessitassem, no estado de Justiça original, de Sacramentos; efectivamente, os Sacramentos, em sentido estrito, são constitutivos da acção, ontològicamente conjunta, de uma causa eficiente principal – Deus; e de uma causa eficiente instrumental – elementos humanos e terrenos; enquanto produtores e ministradores da Graça Sobrenatural, a qual sendo filosòficamente um acidente, é criada por Deus com o apoio ontológico da causa instrumental. Deus não pode, por impossibilidade metafísica, facultar à criatura o poder de criar substâncias, mas sendo a Graça um acidente, o qual só pode existir na substância e pela substância, Deus pode enxertá-la na substância da criatura com o apoio da criatura; no caso da criação de substâncias nunca pode existir uma causa instrumental, nem mesmo angélica, porque esta, sendo finita, não possuiria algo de proporcionadamente contingente para se apoiar na sua acção. Deus também não pode, por impossibilidade metafísica, criar substâncias sobrenaturais, o que seria equivalente a criar “outro Deus”, só pode criar acidentes sobrenaturais, os quais, precisamente, elevam a substância espiritual à participação na Natureza Divina. Por outro lado, não é a mesma coisa Deus criar, só Ele, a Graça na criatura espiritual, e criá-la com o concurso instrumental de causas contingentes; a primeira forma é metafìsica e ontològicamente proporcionada ao estado de Justiça original; a segunda forma é fundamentalmente comensurável com o estado da criatura elevada, caída, e remida.
No Antigo Testamento não havia Sacramentos em sentido estrito, mas sòmente sinais de Justiça exterior e legal, tais como a circuncisão, o cordeiro pascal, os sacrifícios de animais, a consagração dos sacerdotes, os pães da proposição; estas cerimónias não produziam a Graça “ex opere operato”, mas constituíam a figura dos futuros Sacramentos, em sentido estrito, instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo.
O Baptismo era figurado, fundamentalmente, pela circuncisão, pois que esta consubstanciava anàlogamente um ritual de integração numa determinada comunidade religiosa, todavia só o Baptismo de água imprime carácter, e só este apaga o pecado original, os pecados actuais, e a própria pena temporal do pecado; não olvidemos que o povo bíblico foi por Deus constituído o depositário da Revelação, e que só o deixou de ser, por haver rejeitado e morto o Messias, em função do Qual toda a Religião Vetero-Testamentária estava ordenada. Todavia a Graça do Novo Testamento é muito mais abundante, pois flui das sete fontes que são os Sacramentos, como causa instrumental secundária e deficiente, que por sua vez irradiam de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem; enquanto Verdadeiro Deus, Nosso Senhor é causa eficiente principal da Graça; enquanto verdadeiro Homem, Nosso Senhor é causa eficiente instrumental em sentido primário e eminente da mesma Graça.
Nosso Senhor Jesus Cristo é Sacerdote pela Sua mesma Encarnação, e o é SUBSTANCIALMENTE; ao passo que os sacerdotes humanos são-no a título ACIDENTAL, em virtude do carácter impresso pelo próprio Sacramento da Ordem.
O carácter impresso pelos Sacramentos do Baptismo, da Confirmação e da Ordem, define-se como um poder acidental, instrumental, espiritual, Sobrenatural, um parentesco especial com Nosso Senhor em ordem à santificação própria e do nosso próximo. Constituindo o santo Baptismo a porta de entrada para todos os outros Sacramentos, tal significa que ao recebê-los, o carácter do nosso Baptismo coopera instrumentalmente com esses mesmos Sacramentos na produção da Graça. E na recepção VÁLIDA de um Sacramento não iterável, se por falta das disposições necessárias, o sujeito não puder ser beneficiado com a Graça Sacramental, logo que tais disposições sejam adquiridas, o Sacramento revive, isto é, produz a Graça que não produziu antes; assim a Confirmação administrada em estado de pecado mortal, ou o Baptismo de um adulto, sem Fé, ou sem atrição dos pecados; nestes casos é o próprio carácter do Sacramento que permanece como o penhor instrumental da revivescência.
Os Sacramentos constituem assim UMA REALIDADE OBJECTIVA, UM PROLONGAMENTO DA ACÇÃO REDENTORA E SANTIFICADORA QUE NOSSO SENHOR DESENVOLVEU NESTE MUNDO.
A Sagrada Eucaristia é o Sol Sobrenatural deste pobre mundo, pois desde a Ascensão de Nosso Senhor, o Seu Sacrifício renovado, a Sua Presença Eucarística, constitui a mais elevada realidade Sobrenatural que pode neste mundo existir – pois que NÃO SÓ NOS É FACULTADA A GRAÇA, COMO O PRÓPRIO AUTOR DA GRAÇA. É ALGO QUE PODERIA TRANSFORMAR, RADICALMENTE, ABSOLUTAMENTE, O MUNDO, SE FOSSE CRIDO. No Antigo Testamento, é o Cordeiro Pascal, consumido em refeição sagrada, em comemoração da libertação do jugo egípcio, que constitui a mais fecunda figuração da Eucaristia, Sacrifício e Sacramento.
Os sacrifícios expiatórios do Antigo Testamento figuram o Sacramento da Penitência, ainda que os primeiros se aplicassem igualmente à purificação por faltas involuntárias. Os estados de impureza da Lei Mosaica derivados de factos naturais, por exemplo – o parto, devem ser enquadrados na triste condição em que a queda de Adão e Eva mergulhou o Género Humano; o parto dá à luz um ser NASCIDO SEM A GRAÇA SANTIFICANTE – HAVERÁ MAIOR INFELICIDADE? No Novo Testamento desapareceram essas prescrições legais, PORQUE INCOMPATÍVEIS COM O ZÉNITE DE GRAÇA E DE VERDADE QUE IRRADIAM SOBRENATURALMENTE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.
Os santos Sacramentos não ministram a Graça de forma indistinta, não, eles iluminam sobrenaturalmente os diversos estados da nossa vida com Graças actuais especìficamente distintas: O estado matrimonial, no qual o Género Humano se deve propagar de forma ordenada e sobrenaturalmente qualificada, e o estado sacerdotal, no qual se consagram aqueles que deverão disseminar sobre a Terra os Bens do Céu, necessitam de auxílios Sobrenaturais ontològicamente muito diferentes; a Confirmação, para além de todos os socorros actuais apropriados a um soldado de Jesus Cristo, outorga copiosamente os Dons do Espírito Santo. Todavia a Graça Santificante, bem como as virtudes Teologais e Morais e os Dons, enquanto tais, possuem sempre a mesma natureza específica, em Adão e Eva, em Abraão, e em nós, pois que a Graça Santificante adere à essência da alma, como que possibilitando que a Santíssima Trindade Se contemple, com intimidade Sobrenatural, em nós.
Tal como o Baptismo nos introduz na infinita riqueza do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo, assim a Extrema-Unção nos prepara para a partida definitiva para a Casa do Pai, não possuindo todavia um carácter milagroso, integra-se este Sacramento, como aliás todos os outros, na economia ordinária da Providência, podendo perdoar os pecados a quem já se não possa confessar, desde que tenha atrição; mas em princípio é um Sacramento de vivos, isto é, deve ser recebido em estado de Graça.
Na vida Eterna a essência última e objectiva dos Sacramentos será contemplada (mas não totalmente compreendida, sobretudo o Santo Sacrifício e a Presença Real) à Luz da visão beatífica; então todos os eleitos, isto é, o Corpo Místico glorificado, em união imarcescível, imperecível, com Jesus Cristo, Rei e Senhor, proclamarão para todo o sempre o triunfo final da Cruz.
A nunca suficientemente amaldiçoada Igreja conciliar, a seita anti-Cristo, deicida, genocida de almas, ao dissolver no liberalismo todos os Dogmas, toda a Moral, e toda a sã Filosofia, evidentemente que transformou os Sacramentos em estímulos organizados socialmente para nutrirem as subjectividades dos fiéis; quer dizer, em vez de constituírem sinais sensíveis instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo para comunicarem objectivamente ao Homem a Sua Graça, os Sacramentos são rebaixados a temas poéticos para a edificação criativa de verdades imanentes. É conhecido como o maldito concílio equiparou a presença Eucarística à presença moral de Jesus na Sagrada Escritura, tudo para destruir, o que conseguiu plenamente, o Dogma católico de Presença Real em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
É inútil acrescentar que, neste quadro conceptual, os sacramentos da seita anti-Cristo são inválidos, incluindo o baptismo, pois para administrar válidamente um Sacramento é necessário possuir a intenção formal, objectiva, de fazer o que faz a Santa Madre Igreja; ora o “baptismo” conciliar em mais não consiste do que num ritual de entrada numa seita festivaleira, totalmente prostituída ao mundo, ao demónio e à carne.
Que Deus nos defenda de tal seita!

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 18 de Junho de 2014

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