Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A DESATENÇÃO AO «CORPO DE DEUS» REFLETE HOJE A «HECATOMBE PAPAL» DO SEGREDO DE FÁTIMA

S.Pio X procissão Corpo de Deus

 

Na Festa do Corpo de Deus: Ó bom Pastor e alimento verdadeiro dos que apascentas, ó Jesus, tende piedade de nós. Alimentai-nos e defendei-nos e fazei que mereçamos fruir da vossa glória na Terra dos vivos.

 Arai Daniele

Acima vemos São Pio X na procissão desse dia especial, que hoje não é mais dia de festa na Cristandade. Foi adiada para o domingo seguinte. Mesmo assim não há Papa a guiá-la, conhecendo-se a sua longa ausência. E o Vaticano atual até comunicou a ausência de seu «papa Bergoglio»!

Corpo de Deus, ou Corpus Christi é a grande festa católica de 60 dias após a Páscoa, na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade. Nela se comemora a instituição da Santa Eucaristia por Jesus no Cenáculo na véspera de Sua Paixão e morte. Pela sua importância a Igreja volta a comemor nesta data especial o que ocorreu na Quinta Feira Santa, para acentuar a centralidade desse Sacramento em tudo mais na Igreja.

A célebre procissão de Corpus Domini em Roma, guiada sempre pelo Sumo Pontífice, o foi heroicamente até o fim, por São Pio X, reconhecido na história da Igreja como o Papa da Eucaristia.

Em Portugal, o Corpo de Deus foi um feriado nacional móvel até 2012.

Quando na Mensagem de Nossa Senhora de Fátima é apontado o flagelo dos erros que a Rússia espalhará pelo mundo, com isto indica também a paixão da Igreja no abatimento das defesas do Cristianismo contra novos males, a fome de fé em escala mundial.

Isto ficou claro no plano internacional com a Grande Guerra de 1914-18, então em curso, e a vitória da Revolução bolchevista na Rússia, para abolir a Cristandade. Mas para o plano interno, do Papa e da Igreja para o qual era dirigido o Segredo, este flagelo ficou indicado na forma condicional, de profecia secreta na sua terceira e última parte, que hoje se conhece como a visão da hecatombe do Papa com seu inteiro séquito.

Basta rever as palavras: “se fizerem o que eu vou pedir”, e os outros “se”, para entender que havia condições para evitá-lo. Hoje, quando falar de questões religiosas parece inútil, há que lembrar ainda mais este aviso profético, porque contem os elementos vitais do curso da história segundo divinos desígnios para o bem humano no nosso tempo.

A Profecia é aviso que concerne a liberdade humana, no caso dos consagrados da Igreja, é sinal para conhecer qual seja a vontade de Deus a fim de evitar grandes males que pendem sobre a Cristandade.

Nesse sentido, tenho dedicado meus escritos sobre os males presentes, desde o meu «Entre Fátima e o Abismo», sobre o liberalismo e o pérfido modernismo que infetavam a Igreja do Reino de Cristo.

Estas pestilências depois reapareceram com a democracia-cristã, que completou a demolição promovendo a separação da Igreja do Estado e a abertura ao naturalismo e ao cientismo.

Podem estes progredir no desconhecimento da origem e do fim da vida?

Como tal conhecimento não pode ser decifrado por nós mesmos e nenhuma sabedoria humana pode provar o destino da alma, ele precisava ser revelado pelo Criador. De fato, qual cultura humana universal, à busca de nossa origem, do que somos e para onde vamos, poderia ignorar essa voz posta nas consciências para guiar todo ser humano? Qual ciência poderia descobrir fonte equivalente para explicar-nos o sentido da vida?

“Nenhum povo até hoje se organizou baseado nos princípios da ciência e da razão. Isto não ocorreu nenhuma outra vez senão num certo instante histórico, e por tolice.  Razão e ciência, hoje e desde o início dos tempos, só desempenharam funções secundárias e adjuntas; e assim será até a consumação dos séculos. Os povos se constituem e são movidos por uma força que os impele e rege, de origem desconhecida e conhecimento inacessível” – Os Demônios, Fedor Dostoievski).

Mas os demônios revolucionários justamente queriam fazer esquecer o limite humano, até, ou especialmente na Igreja de Deus. E esta, como se viu estava sob ataque. Na era moderna, o orgulho humano tentou inventar o contrário do que os povos sempre creram naturalmente: a origem e o fim sobrenatural do ser humano.

Assim, só criaram a anti-cultura da demolição religiosa sistemática segundo sofisticadas ideologias gnósticas e socialistas modernizantes.

Em tempos recentes este movimento intelectual para uma reviravolta cultural com base «científica» avançou com a Escola de Frankfurt e o pensamento de Antônio Gramsci.

O reputado autor que descreve hoje esse processo em português é o Olavo de Carvalho, que, porém, se dedica mais à análise política que ao seu aspecto de devastadora inoculação de uma falsa cultura na Religião.

Ora, Gramsci sabia que na Itália o comunismo podia avançar na crista de um crescente «modernismo cristão» e que “o socialismo é a religião que abaterá o cristianismo” (Audácia e fé, em Avanti! e Sotto la Mole, 1916-20, Einaudi, Turim, 1960). “A filosofia da praxis – é o nome com que Gramsci indica o materialismo dialético e histórico – pressupõe todo este passado cultural, o Renascimento e a Reforma, a filosofia alemã e a Revolução francesa, o Calvinismo e a economia clássica inglesa, o liberalismo laico e o historicismo que está na base de toda concepção modernista da vida. A filosofia da praxis é a coroação de todo este movimento de reforma intelectual e moral […]. Corresponde ao nexo: reforma protestante + revolução francesa […]”.

A idéia demo-cristã foi essencialmente inversão da relação entre política e religião: o homem (a política) no lugar de Deus (a religião), contrapondo a religião do homem àquela de Deus: a «cultura» das aberturas políticas teve grande penetração com Gramsci, o ideólogo comunista do que fazer para chegar ao poder: fomentar a colaboração com a «democracia cristã» do Partido Popular demo-cristão

Na data de cuja fundação escreveu (“Ordine Nuovo”, 2.11.1919): “O Catolicismo reapareceu à luz da história, mas bastante modificado e reformado […]; os Populares representam uma fase necessária do processo de desenvolvimento do proletariado italiano para o comunismo. O catolicismo democrático faz o que o socialismo não poderia fazer: amalgama, ordena, vivifica e suicida-se”. O plano deste estrategista da filosofia da práxis era: “envolver os Católicos na colaboração conosco e depois liquidá-los” (Qc. Quaderni del carcere).

Isto aconteceu com a política clerical do sucessor de João 23, João Batista Montini, futuro Paulo 6º, sobre o qual vimos o que foi publicado do «Pacto Montini – Stalim».

Como se vê a ideologia de Gramsci avançou com passos de gigante e galgou na esteira da «democracia cristã» até os píncaros do Vaticano conciliar de Paulo 6º. Notória foi sua homilia «queixosa» a Deus por não ter atendido seu pedido para evitar o assassínio pelas Brigadas Vermelhas de seu amigo demo-cristão Aldo Moro, em vias de concluir o «compromisso histórico» com o comunismo para o governo da Itália.

Essa escalada era o máximo que qualquer «revolução cultural» poderia imaginar. Mas será que os católicos, enredados por noções de um falseado «papismo», poderiam perceber que a «monarquia absoluta» da Igreja podia ser abusada para a promoção da nova ordem segundo os «princípios iluministas» dos últimos séculos?

Apontamos Olavo de Carvalho como um reputado autor que analisa o processo político da anti-cultura. Quem o lê e ouve sabe que ele parte de uma base religiosa, até mariana, afim ao tradicionalismo católico, por exemplo de Corção. Por isto vale sempre a pena ouvir quem ataca as questões com inteligência, coragem e um vigor que não salva o linguajar, em que não faltam as mais caricatas obscenidades.

Parece, porém, que foi em vão ter-lhe assinalado a importância de observar o aspecto religioso do gramscismo que o ocupou. Resta que a chave de todo problema da sociedade civil têm sempre origem religiosa; vêm de um nível superior: espiritual, ao inferior: político!

Sem essa justa visão as mega crises que, já há mais de meio século, vêem crescendo, ocorrem porque deixam de ser reconhecidas não só no plano político, mas religioso; não só na América, mas em Roma.

Por esta razão continuo a pensar que devemos aprofundar a questão crucial do falso ideológico religioso, de suma importância para todo o mundo, porque vai além da decadência do governo de qualquer país em particular, por maior que seja o seu peso, concerne a humanidade.

Ninguém se admire, assim, que o Vaticano de Bento 16 pregava um cristianismo globalista até numa encíclica; que recomendasse aos islamitas a necessária adesão ao iluminismo (22.12.2006). Isto já superou as fases precedentes da abertura a um comunismo religioso e iluminado de João 23 – que deu azo nada menos que às teologias de libertação!

E não se diga que se trata de questões separadas, porque esta última, criticada pelas cúpulas conciliares de ontem, hoje é apoiada por Bergoglio (ver http://wp.me/pWrdv-1f0). Estas «autoridades» seguiram a política dos pequenos passos, que ao avançar abatem fundamentais princípios católicos como o da contradição de uma liberdade no erro. A evidência de tal erro tem sido demonstrada abundantemente desde há décadas.

Hoje ela revive com um ligeiro sobressalto devido a estudos de abalizados professores que acusam as pretendidas «hermenêuticas» de continuidade do Vaticano 2 (artigo Gherardini), com a sua clara e deliberada ruptura «iluminista», com a Tradição.

O mesmo Ratzinger falou do Vaticano 2º como o anti-Syllabus que adotou o principio da Revolução. Disse que “a Igreja se abriu às doutrinas, não nossas, mas provindas da sociedade”… sim, dos princípios de 1789, os Direitos do homem promovidos pela Igreja conciliar do V2 com a Dignitatis humanae sobre a liberdade religiosa diante de Deus.

Já se viu que esta invertia o que fora definido desde sempre pela Igreja com respeito ao direito à verdade; verdade não adaptável aos tempos e às ideologias, como quer o Modernismo e as novas culturas anti-cristãs.

A Palavra e os sinais de Deus passam a ser a variável na fórmula em que a «autoridade conciliar» seria a constante! Tudo como se o Papado não existisse para confirmar o que foi revelado, mas para seguir a evolução dos tempos, com «papas modernistas» para autenticá-la!

Foi a mentalidade da ruptura preparada «culturalmente» e que hoje é a norma da Igreja conciliar, com a agravante da hipocrisia, pois Bento 16, contra toda evidência, insistiu, na sua «hermenêutica da continuidade», no engano que atrela quem lhe atribui divina autoridade para implementar a nova ordem mundial, ecumenista e anti-cristã.

Uma «autoridade católica» não pode ministrar veneno com deliberadas ambigüidades contra a Fé, esta certeza pertence à mesma Fé. “Maldito o homem que confia no homem” (Je 17, 5). É absurdo e ofensivo a Deus aceitar enganos e até heresias cobertos com aspecto católico e «divino»! Assim é com o veneno de marca conciliar ministrado há décadas pelo Vatican 2º! Mas o veneno é reconhecido, não os seus ministrantes coroados como «papas conciliares». E dizem ter a mente apurada pelo tomismo!

Eis o flagelo profetizado pela «eliminação do Papado» por um longo tempo, que muitos católicos não querem ver, embora saibam e até previnam outros desses graves erros acusados que ficam sem resposta, enquanto multidões afogam no pântano conciliar.

E tudo continua invertido e vai de pior em pior devido a essa perigosa incongruência, que aparece como a mais disfarçada das heresias. Sim, porque desculpam-se dizendo que a Igreja, Sociedade perfeita, estaria desprovida de qualquer lei contra essa prevaricação sacrílega para acusar e depor tais desviados de nossos tempos obscuros.

Assim, estes continuam intocáveis em postos de honra como heróis que merecem até ser beatificados e canonizados! A empulhação assume o nível de um demoníaco ludíbrio metafísico, com doutas cumplicidades!

Pode-se então falar de um «sono católico» ou seria melhor usar o termo «catalepsia»?

Este grave e misterioso distúrbio do mundo natural, que impede o doente de reagir apesar de continuarem suas funções vitais, pode bem ser figura posta pelo Criador do mal ocorrente na esfera espiritual humana. Assim, nestes tempos terminais para a Fé da Igreja, em tal «catalepsia católica» Jesus manifestaria a espantosa realidade religiosa presente, que faz ver a última perseguição revestida de um tremendo engano; esta poderia perder até os escolhidos, se não houver a graça de um despertar divino in extremis.

Certo é que acolher falsos cristos e falsos profetas é engano público que implica o imenso perigo de ser arrastado pelas consequências deles aos abismos deste mundo e do outro! Que cada um examine com a sua consciência católica, se o seu atual silêncio diante dos «falsos cristos» profetizados por Nosso Senhor não é letal para a própria fé, favorecendo indiretamente os anticristos no Vaticano! A «prova» do engano extremo de falsos cristos nos tempos finais é de ordem evangélica.

Poderá a perfídia conciliar vingar por muito tempo na presença de Maria? Nâo, porque mesmo se a precária resistência devida à felonia apóstata e à «catalepsia católica» fenecer diante dos «anticristos no Vaticano», restará sempre alguém para implorar, também publicamente, a mediação da Mãe Imaculada, e honrar o Corpus Christi. Deste Santo Sacramento deriva tudo na Igreja de Deus, Mystici Corporis, sobre o qual não prevalecerá a sanha destruidora do Inimigo.

Mas para invocar a defesa e alcançar as promessas divinas, que Maria confirmou em Fátima, é dever testemunhar sem medo que Roma deve voltar à Fé e que é urgente a volta do Papa que, com a Autoridade de Jesus Cristo e a Caridade de Seu Sagrado Coração, aponte ao mundo, os princípios para o retorno ao Reino da Ordem cristã.

Só então, por fim, poderemos regozijar-nos pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria, para o triunfo do bem neste mundo e a salvação no outro. Laudetur Jesus Christus!

 

2 Respostas para “A DESATENÇÃO AO «CORPO DE DEUS» REFLETE HOJE A «HECATOMBE PAPAL» DO SEGREDO DE FÁTIMA

  1. felipe marques pereira junho 23, 2014 às 4:54 pm

    Ótimo texto, parabéns senhor Arai! E obrigado por tudo.

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