Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

OS ESPINHOS CRAVADOS NOS SAGRADOS CORAÇÕES

Sagrados Corações

Arai Daniele

Cada espinho no Coração de Jesus e no de Maria corresponde a um mau pensamento de quem ignora, despreza ou contraria a verdade da salvação, pela qual Cristo sofreu o Sacrifício de Amor que funda Sua Igreja.

Esta verdade foi pregada ao mundo todo a partir do Ocidente cristão, mas na segunda metade do século XX justamente ai passou a predominar um novo espírito que se estende a toda a terra. E assim, mais e mais pastores da Igreja comprometeram-se direta ou indiretamente com o ateísmo e os erros que a Rússia difundiu no mundo, como foi advertido na mensagem de Fátima, na qual foi pedida sua consagração ao Imaculado Coração de Maria, para a obtenção da paz no mundo.

Depois desse período não se tratou mais das guerras no Ocidente, que haviam favorecido o governo soviético, no tempo de Bento XV e Pio XI. Até então, porém, os princípios cristãos não eram tocados.

Com a Ostpolitik do novo Vaticano, ao contrário, o comunismo, sempre condenado como doutrina satânica, deixou de sê-lo. E já esse fato – de ser admitido por muitos clérigos – era um reconhecimento da legitimidade de seus governos ateus e perseguidores da Igreja, fato que ninguém ousaria propor no tempo de Pio XII. E Montini (futuro Paulo 6º) encontrou-se com Stalim, mas secretamente, para pactuar o que, ainda não se sabe.

Desse clero só poderiam vir idéias espúrias e perigosas que alterariam os frutos do apostolado católico e faziam prever incríveis desvios clericais. De fato, queriam que estes passassem a ser até institucionais a partir da onda de compromissos conciliares alheios à Fé, almejados pelos novos pastores em vista de para uma «histórica», abertura ao mundo com a «liberdade religiosa» ecumenista varada pelo Vaticano 2º. Este evento, promovido por João 23, condicionado pelo comunismo, levou à censura de Fátima e de sua mensagem ordenada à defesa da Fé.

E assim chegamos à «crise horrorosa» que a Igreja vive e que fora profetizada por Nossa Senhora em La Salette. De quem é a culpa? A culpa geral é dos pecados de Seus filhos nesses tempos. Mas a culpa especial é dos consagrados que poderiam evitá-la, mas só fizeram aumentá-la.

Nenhuma Sede na terra é mais própria para enfrentar a crise da sociedade e da Igreja, com os sagrados Princípios divinos, que a Sede papal de Roma. Mas esta se revelou alheia, ou antes, oposta aos recursos divinos de conversão dos povos, razão porque, de fato, já desde há muito a Sede está vacante de uma Autoridade católica.

Quem a ocupa hoje é contrário à Tradição confiada ao Papa católico, e alheio à ajuda de Fátima que foi oferecida à Igreja. Assim, a Profecia trazida pela Mãe de Deus para ajudar Seus filhos a superar males espantosos dessa nossa época, infelizmente não devidamente acolhida por Bento XV, Pio XI e Pio XII, hoje é até mesmo distorcida e arquivada.
E a conseqüência desastrosa disso foi o advento dos «papas conciliares»; verdadeiros anticristos que deturparam a Fé e tentam abolir Fátima: João 23 com a censura do 3º Segredo, e os seguintes, cujas manipulações levaram à sua adaptação ao culto da personalidade de João Paulo 2º.

Foi a atitude negativa perante um desígnio divino, que faz vislumbrar esse castigo mais devastador para a Fé da Igreja que as duas guerras mundiais e a revolução comunista; castigo que começou a tornar-se claro em 1960 e que atinge a dimensão de uma real hecatombe para a Fé e o Papado.
O que ainda podem os católicos contrapor a essa tremenda demolição eclesial? É o que se deve sempre lembrar, porque pela mensagem de Fátima sabemos que na devoção aos Sagrados Corações reside a fundamental defesa da Fé no mundo hodierno.

A Fé e a Esperança, porém, são mortas sem a Caridade, e esta, devido à multiplicação da iniqüidade e à sedução dos falsos profetas, desviando da glória de Deus segundo Sua vontade, foi severamente resfriada também pelo não cumprimento do pedido de Fátima.

Maria Santíssima com a mensagem, que começa apontando o maior perigo para os homens, que é a perdição eterna, o inferno, convocou maternalmente a Hierarquia dizendo: “Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz.” Esse apelo é reservado aos bispos e ao Papa. A que mais poderiam aspirar estes e o Santo Padre?

Os termos da mensagem mostram conformidade ao pedido de Bento XV de 5 de maio. De fato, a carta do Papa invocava o Santíssimo Coração, e o amor de Jesus, pela Medianeira de todas as graças, a Mãe de Deus. Pedia que cada um se purificasse de modo que a Igreja pudesse reparar e pedir, na união de todos os bispos, a intercessão da Rainha da Paz; invocação ordenada pelo Papa  a fim de que pelos séculos se preste glória ao poder de mediação de Maria Santíssima para o triunfo do Bem e da Verdade.

Sua resposta veio no 13 de maio com a 1ª aparição em Fátima, cuja Mensagem encerra o desígnio divino da devoção aos Sagrados Corações.

Anos mais tarde a vidente Lúcia confirmará esse desígnio com a explicação dada por Nosso Senhor a ela sobre a razão pela qual não operaria a conversão da Rússia sem que houvesse o Papa para fazer a consagração pedida: “Porque quero que toda a Minha Igreja reconheça essa consagração como um triunfo do Coração Imaculado de Maria, para depois estender o Seu culto e pôr, ao lado da devoção do Meu Divino Coração, a devoção deste Coração Imaculado.” Documentos de Fátima, P. Antonio Maria Martins, S. J., Porto, 1976, p. 415 (em três linguas, com aprovação eclesiástica).

Tudo isto está não só em conformidade com o modo em que foi feito o pedido por Bento XV, mas também com a linguagem de sempre da Igreja. Há continuidade devocional com mensagens dadas aos santos de épocas precedentes. Há uma estreita ligação entre os pedidos do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria. Ambos seguiam e seguem o curso dos eventos da história humana.

Sobre isto é surpreendente o que relatamos em outro escrito sobre o rei da França, assim como é extraordinário o elo entre Fátima e o Apocalipse, fato prenunciado também por santos anteriores às majestosas aparições de Maria como é o caso de São Luís Maria Grignion de Montfort.

Pela Mensagem saberemos qual é o epílogo das guerras e perseguições de nossos tempos tenebrosos: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

Na crise atual da Igreja isto pode parecer um fato tão incrível como a conversão do Império romano ao Cristianismo no tempo de Constantino. Mas assim será, e nesse triunfo muitas almas se salvarão e a Cristandade será restabelecida.

Ao reino dos Sagrados Corações chega-se hoje por meio dessa mensagem que, representando a vontade de Nosso Senhor, deve atrair-nos antes de tudo, segundo o que foi ensinado: Procuremos primeiro o Reino de Deus e sua Justiça e o resto nos será dado por acréscimo.

Pelo amor e dedicação à mensagem maternal de Maria, cujo conhecimento integral e divulgação universal queremos promover, estaremos perseverando na fé, esperança e caridade católicas que testemunham o poder mediador de Nossa Senhora, único pelo qual Deus quer conceder paz ao mundo.

Neste amor devemos intensificar nossas orações, rosários e penitências. Tudo isto não é mais que uma gota de reparação num espantoso incêndio de ofensas a nosso Divino Salvador, às quais se juntou o descaso pela Profecia salvadora da Mãe de Deus dada há quase um século e ainda incompletamente conhecida, honrada e amada.

De fato, o quadro religioso descrito no relato de 1957 de Lúcia ao Padre Fuentes em pouco tempo demonstrou ser apenas um esboço. Os católicos que testemunharam as transformações da Igreja depois de Pio XII viram a vida eclesial degenerar sinistramente. Abandonou-se a oração e a penitência como desprezou-se a doutrina e a virtude, e, embora os perigos do mundo aumentassem em turbilhão e invadissem até a Igreja, ninguém mais convoca à defesa da Fé.

Se antes não se ouvira Fátima, depois tentou-se deturpá-la e ocultá-la.

A tristeza de Maria foi esquecida. E, enquanto crescia a indiferença para com os sinais do Céu, aumentava a invocação de obediência e respeito para com os projetos e transformações efetuados na Igreja. Nela, nunca antes se falou tanto em amor e compreensão para com os erros de toda ordem, enquanto a Graça da fé deixava de ser lembrada e defendida.

Certamente nos últimos 300 anos de História não faltaram as ajudas divinas; faltou, sim, a fé para acolhê-las. O rei da França não acolheu o pedido do Sagrado Coração e a revolução cresceu na França até varrer sua dinastia e infestar o mundo. No século passado não se deu atenção a Nossa Senhora, que apareceu chorando na montanha de La Salette, e a maçonaria com o liberalismo solaparam as defesas da Igreja e da sociedade cristã. Em nosso tempo, soluções conciliares foram antepostas ao caminho indicado por Deus em Fátima e o mundo se degradou.

Hoje, os compromissos espúrios são feitos em nome da mesma Igreja e pelos próprios padres, porque no Vaticano o verdadeiro Culto foi suspenso: «como o Rei da França», não se atendeu ao pedido de consagração dos Sagrados Corações, e o Papado o seguiu na desgraça (de uma «decapitação») segundo os termos de Nosso Senhor à Irmã Lúcia (ver http://wp.me/pWrdv-25).

A tristeza do Seu Divino Coração, junto ao Imaculado Coração de Maria, continuou a crescer porque foram ignorados Seus apelos de salvação.

Reconheçamos ao menos o silêncio divino diante de nossa decadência, irreparável sem a graça, e multipliquemos nossas orações impetrantes e nossas penitências reparadoras.

Para reforçar este testemunho indispensável dado no testamento de Fátima, que já em 1917 selava numa mensagem a descrição do estado lamentável a que chegaria a Cristandade, a «cidade meia em ruínas», por causa da indiferença e morte de tantas almas consagradas.

Merecemos hoje as palavras de Jesus aos fariseus que lhe pediam um sinal: “Esta geração perversa e adúltera será condenada pelos ninivitas no dia do juízo, porque eles se arrependeram com a pregação do profeta Jonas, e aqui está quem é mais que Jonas.”

Despertemos, católicos, o tempo fatal está cada vez mais próximo! Voltemos à Fé, ao nosso Rei Jesus Cristo, à Virgem Vencedora, à única Igreja da Redenção Divina, que só nos pode salvar. Já muito tempo passou depois daquele aviso precioso: “Se não atenderem a meus pedidos, [a Rússia] espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja.” Já muitos bons foram e continuam senso martirizados, enquanto muitas nações vão sendo aniquiladas, e sofreu e sofre o Papado católico.

Este é o testemunho indispensável que cada um pode prestar seguindo as devoções de Fátima a fim de que a mensagem de Maria Santíssima seja conhecida por inteiro e assim divulgada, honrada, cumprida e amada. Nisto está a vontade de Deus, que quer ver reconhecido o triunfo do Imaculado coração de Maria.

No testemunho fiel do Signum magnun de Fátima participamos do triunfo da Mãe, que tudo restaurará no amor e na paz de Cristo Rei.

«Cor Jesu, attritum propter scelera nostra, miserere nobis!»

 

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