Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A CONVERSÃO DAS PESSOAS E A CONVERSÃO DAS NAÇÕES

baptism da Rus

  • A cristianização da Rus de Kiev ocorreu no final da década de 980, quando Vladimir, o Grande, foi batizado e batizou a sua família e toda a população de Kiev num evento que ficou conhecido como Batismo de Kiev. No local do batismo está hoje a Catedral de S. Vladimir. Dai a cristianização continuou na Rússia.

*   *   *

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em excertos de algumas das suas alocuções e mensagens:
«A Missão da Igreja e de cada um dos seus fiéis tem sido sempre a mesma: conduzir de novo a Jesus Cristo toda a vida, a privada, e a pública, não dar tréguas enquanto que a Sua Doutrina e a Sua Lei não tenham informado e renovado plenamente toda a vida.
Os tímidos e os escondidos estão muito perto de converter-se em desertores e traidores. Desertor e traidor é todo aquele que preste a sua colaboração material, os seus serviços, a sua capacidade, a sua ajuda, o seu voto político, a partidos e a poderes que negam a Deus, que substituem o Direito pela força, a liberdade pela ameaça e pelo terror, que forjam mentiras, conflitos, levantamentos de massas, como armas da sua política, e que tornam impossível a paz interior e exterior das Nações».
Discurso à juventude Romana – 8 de Dezembro de 1947

«É inadmissível, que um cristão, mesmo com o objectivo de manter o contacto com os que estão em erro, se comprometa de qualquer modo com esse mesmo erro. Esse contacto não deixará, por outro lado, de estabelecer-se e manter-se entre os cristãos, e com todos aqueles que leal e humildemente buscam a Verdade».
Carta Pontifícia às semanas sociais-10 de Julho de 1946

«De todas as maneiras, a hora presente exige dos crentes, que com todas as suas energias, façam render à Doutrina social da Igreja o seu máximo de eficácia, e o seu máximo de realizações. É alimentar ilusões, crer, como alguns, que se poderia desarmar o anti-clericalismo e a paixão anti-católica RESTRINGINDO OS PRINCÍPIOS DO CATOLICISMO AO DOMÍNIO DA VIDA PRIVADA; esta atitude “minimista”não lograria mais do que facultar novos pretextos aos adversários da Igreja. Os católicos manterão e aperfeiçoarão as suas posições segundo a medida do valor que eles coloquem em transformar em actos as suas convicções, no campo completo da vida – PÚBLICO E PRIVADO».
Carta às semanas sociais – 18 de Julho de 1947

«Este não é o momento de discutir, de buscar novos princípios, de assinalar novos ideais e metas. Uns e outros são já conhecidos e comprovados na sua substância, porque foram ensinados pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, iluminados pela secular elaboração da Santa Igreja, adaptados às circunstâncias actuais pelos últimos Pontífices Romanos, já só esperam uma coisa – a sua realização concreta.»
Discurso à União Internacional de Associações femininas Católicas – 1947

A natureza humana, tal como Deus Nosso Senhor a criou, na sua espiritualidade racional, possui, ou devia possuir, no mais íntimo do seu ser, o anelo por algo que faculte sentido à vida, não apenas à sua existência puramente pessoal, mas igualmente ao Mundo e ao Universo no seu todo.
Antero de Quental, no seu testamento filosófico, legou-nos o dramatismo que pode revestir essa busca de sentido, quando frustrada. Aliás o seu suicídio constituiu o exemplo acabado do denominado “suicídio filosófico”. Efectivamente, se uma pessoa não consegue encontrar um mínimo de sentido inteligível, mesmo puramente natural e filosófico, para o Mundo em geral, e pior ainda, para a sua vida particular – essa pessoa encontrará lamentàvelmente no suicídio o sentido racional que lhe está faltando.

Evidentemente que este é um exemplo limite, raríssimo de encontrar na realidade concreta, pelo motivo de que A GRANDE MASSA DAS PESSOAS NÃO É COERENTE, NEM NO BEM, NEM NO MAL. A massa vive geralmente de estímulos mimético-nominalistas, incapazes de uma expressão ontológica própria; mas mesmo estes necessitam de invocar um determinado sentido, estritamente subjectivista, para as suas vidas, ainda que concebido e ordenado de forma medíocre.

O grande problema da massa é uma carência constitutiva de objectividade, de onde decorre uma enorme limitação de ordem moral no governo das suas vidas. O sentido último do Mundo e da existência do Homem é ignorado, E NÃO É NEM MESMO COLOCADO, pela grande massa, em todas as latitudes e em todas as épocas.
A política, nas suas vertentes Teológica, Filosófica, e sócio-cultural, consiste precisamente em edificar, ou reconhecer, um sentido último eminente para a vida em comum, cimentando teleològicamente a sociabilidade natural do Homem, e em nome desse sentido último moderar a actividade dos particulares. Tal implica a constituição de uma forma político-social-coactiva que eficazmente reconduza e unifique a pluralidade de meios em função de um único Fim. Desde logo uma questão se coloca: Esse fim será imanente à sociedade polìticamente organizada, ou será transcendente?
Um fim imanente é um fim humano, terreno, mutável, relativo às épocas e às circunstâncias, constitui uma forma vazia que, por princípio, pode enquadrar toda a espécie de conteúdos. Está na base da evolução da Civilização Ocidental nos últimos quinhentos anos. Nem mesmo se pode afirmar que o comunismo postula um fim último de certa forma transcendente, pois aquilo que PARECE transcendente no dito comunismo CONSTITUI NA REALIDADE UMA ELUCUBRAÇÃO HUMANA SATÂNICA; pois apresenta um povo eleito – o proletariado; um redentor – o partido comunista; um paraíso escatológico – a sociedade comunista; são tudo fantasias humanas, destinadas a ser substituídas por outras – como estamos aliás a verificar.
Há apenas um fim transcendente para toda a Humanidade – QUE É O ANÚNCIO DA GLÓRIA EXTRÍNSECA DE DEUS NOSSO SENHOR. ESSA GLÓRIA DEVERÁ SER ANUNCIADA PELOS INDIVÍDUOS PESSOAS E PELOS ESTADOS.
O século XIII terá assistido na Europa ao cume da Cristandade Medieval, com as Nações submetidas à Tiara de São Pedro; os costumes eram rudes, por vezes bárbaros, MAS A FORMA POLÍTICO-COACTIVA ORDENADORA DAS SOCIEDADES ERA CATÓLICA.
É redondamente falsa a asserção segundo a qual a sociedade constituiria a soma mecânica dos indivíduos; o Todo, formalmente considerado, é sempre qualitativamente maior do que a adição material das suas partes componentes. Isto acontece, porque as essências contigentes, fragmentadas pela Criação numa riqueza de pluralidade analógica, TENDEM ONTOLÓGICA E METAFÌSICAMENTE A RECOMPOR A UNIDADE ORIGINAL, SOBRETUDO PELO CONHECIMENTO E PELO AMOR. Neste quadro conceptual não basta actuar sobre os indivíduos, enquanto tais, é necessário qualificá-los religiosamente como componentes da sociedade enquanto tal.
Para que uma Nação se converta, não é necessário que se convertam todos os seus cidadãos, BASTA QUE A FORMA RELIGIOSA E POLÍTICO-SOCIAL, POSSUA VIGOR COACTIVO SUFICIENTE PARA ORDENAR EFECTIVA E EFICAZMENTE A SOCIEDADE EM CAUSA NO SENTIDO DA VERDADE E DO BEM. Ora tais condições, nem mesmo a Espanha de Franco as conheceu, não por falta de vigor coactivo, mas em consequência da enorme descristianização do povo e das elites, bem como da sociedade em geral, começando aliás pela monarquia, grandemente infectada pelo liberalismo, como reconhecia o Cardeal Tedeschini (1873-1959), que desempenhou o cargo de Núncio em Madrid entre 1921 e 1936.
Não existe finalidade transcendente para as sociedades, senão a da Fé Católica; só Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, Criador e Redentor nosso, pode facultar os princípios Sobrenaturais que devem conformar, unificar, sublimar, as condutas humanas, individuais e colectivas, ordenando-as à Verdade e ao Bem Infinito, que é Ele próprio Nosso Senhor; Diz o Salmista: “Porque junto de Ti Senhor reside a Fonte da Vida, na Tua Luz vemos a Luz” (Sl 36,10).

Quando a sociedade política em que vivem, enquanto tal, rende glória a Deus Uno e Trino, mais fàcilmente os particulares reconhecerão, não apenas um sentido transcendente para a realidade do Mundo, mas também uma razão de ser para as suas vidas pessoais. O oposto é igualmente verdadeiro, ou seja, o ateísmo de estado perturba essencialmente o governo interior dos cidadãos; exactamente por isso, nos últimos cinco séculos, proporcionalmente ao desenvolvimento das ciências da natureza, aliás legítimo, assistimos à decadência dos valores do espírito, da filosofia, da arte, e sobretudo da família, bem como da harmonia social em geral. Por sua vez, a defecção dos Bens Sobrenaturais nos indivíduos, tendencialmente influirá o rumo do governo das Nações.

Enquanto na cultura e na sociedade medieval, o homem encontrava uma plena comensurabilidade do Todo com as partes, uma inteligência e simpatia profundas brotavam suavemente da hierarquia da realidade, na Ordem Natural e na Ordem Sobrenatural; não existiam as solidões individuais de tipo romântico, as quais constituem o fruto amargo da dissociação dos dados do espírito e consequente atomização do social, que caracterizam a Idade Moderna e Contemporânea.
O marxismo reconheceu esse descaminho, essa pulverização religiosa, política, social e cultural, e pretendeu operar uma reconstituição a nível ontológico – MAS FALTAVA-LHE A RAZÃO DIVINA E POR ISSO SÓ AGRAVOU A JÁ MÍSERA CONDIÇÃO EM QUE O PROTESTANTISMO E O LIBERALISMO HAVIAM DEIXADO A CIVILIZAÇÃO.
A chamada “escatologia marxista,” ou seja, a sociedade comunista, na qual se processaria a plena integração entre a natureza e a cultura, sendo o homem assimilado à natureza, e a natureza assimilada ao homem, constitui uma CONTRAFACÇÃO MONSTRUOSA DA ETERNIDADE CELESTIAL, E MUITO SE ASSEMELHA À GRANDE APOSTASIA DO REINO MILENARISTA, QUE HODIERNAMENTE É DESGRAÇADAMENTE REVIVIDA, QUER POR EX-CATÓLICOS, QUER PELAS CHAMADAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ.
A Ordem Sobrenatural, por sua própria virtude, qualifica e eleva extrìnsecamente a Ordem Natural, quer no plano intelectual, quer no plano moral; o oposto é anàlogamente verdadeiro, a privação dos Bens Sobrenaturais deprime extrìnsecamente a Ordem Natural.
Quanto mais vigorosa é a forma religiosa e político-social coactiva das Nações, mais eficaz é a bondade das Leis, quando essa forma é deficiente, muitas Leis nem mesmo podem ser cumpridas, porque ao tentar fazê-lo provocar-se-ia mais mal do que bem. Era precisamente o que acontecia na França dos séculos XVII e XVIII, perante a prostração intelectual e moral da aristocracia, das classes médias e de parte do povo. Por isso mesmo a dita “enciclopédia” foi publicada numa quase legalidade, e com poderosas protecções; os próprios enciclopedistas viveram sempre confortàvelmente, quando numa sociedade verdadeiramente católica, justìssimamente, teriam sofrido a pena máxima, pelos seus terríveis crimes contra Deus Nosso Senhor e contra as almas.
Perante o que foi dito, é ÓBVIO QUE A RÚSSIA NÃO SE CONVERTEU AINDA, porque a sua fina-flor permanece ímpia, e a sua forma político-social é materialista. A conversão da Rússia só se efectivará mediante o trânsito da sua fina-flor representativa para a Fé Católica, bem como através da constituição de um Estado forte e verdadeiramente católico (e não ortodoxo), embora o povo continue pagão. Infelizmente nessas paragens o aborto é utilizado como forma usual de control de natalidade. De qualquer forma é de elogiar a forma como Putin procura limitar os estragos oriundos do culto ocidental da sodomia.
Deus Nosso Senhor, na Sua Infinita Misericórdia, saberá providenciar, na Sua Cruz, as condições Sobrenaturais mais adequadas, para que a cloaca de satanás em que se tornou este pobre mundo, possa pelo menos testemunhar, nesta vida, o ressurgir parcial da Verdade e do Bem, de que é única depositária a Santa Madre Igreja, fora da qual não há salvação.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 27 de Junho de 2014

Uma resposta para “A CONVERSÃO DAS PESSOAS E A CONVERSÃO DAS NAÇÕES

  1. Felipe marques pereira junho 29, 2014 às 8:11 pm

    Amigo Salve Maria!
    Muito interessante as reflexões que suscita principalmente nesse ano de eleições, parabéns.

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