Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

MARTÍRIO CRUENTO E MARTÍRIO INCRUENTO

 

Mosul last MassNão há lugar para cristãos em Mosul, hoje no novo «Califado do Profeta»

*

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Procedamos à leitura de alguns excertos da Carta aos Coríntios de São Clemente Romano, papa (88-97) e mártir, foi o terceiro sucessor de São Pedro: « Porfiai, irmãos, e rivalizai, acerca do que é conveniente à vossa salvação. Haveis-vos iniciado na Sagradas Escrituras, que são verdadeiras, que foram inspiradas pelo Espírito Santo. Sabeis muito bem que nada de injusto e falso nelas se contém. Ora bem, não encontrareis escrito que os homens justos foram alguma vez rechaçados pelos homens santos. Foram sim, homens justos perseguidos, mas pelos  iníquos; foram encarcerados, mas pelos ímpios; foram apedrejados, mas pelos transgressores da Lei; foram finalmente mortos, mas por quem lhes havia nutrido abominável e injusta inveja; sofrendo todas estas coisas, suportaram-nas gloriosamente.

Porque, o que diremos irmãos? Será que Daniel foi arrojado à cova dos leões por aqueles que temiam a Deus? Ananias, Azarias e Misael, foram acaso encerrados no forno ardente por aqueles que praticavam a religião magnífica e gloriosa do Altíssimo? De maneira nenhuma. Quem foram pois os que assim procederam? Foram homens cheios de ódio e transbordantes de toda a maldade, os quais se inflamaram a tal ponto de furor que lançaram nos tormentos àqueles que serviam a Deus com santo e irreprovável propósito. E é que ignoravam que o Altíssimo é defensor e escudo de quem, com pura consciência, adora o Seu Nome Santíssimo. A Ele seja a glória pelos séculos dos séculos. Amen. Mas os que esperam com confiança, foram por Deus exaltados, e ficaram inscritos na Sua recordação pelos séculos dos séculos. Amen.(…)

Roguemos pois que nos sejam perdoadas quantas faltas e pecados tenhamos cometido pelas ciladas do nosso adversário. Aqueles efectivamente que procedem em sua conduta com temor e Caridade, preferem sofrer eles mesmos, do que ver sofrer os outros. (…)
Obedeçamos, pois, ao Seu Santíssimo e glorioso Nome, fugindo das ameaças preditas pela Sabedoria contra os inobedientes, a fim de que confiadamente ponhamos nossa tenda no Sacratíssimo Nome da Sua Magnificência.»

A Verdade de Deus Uno e Trino, a Verdade da Fé Católica, é necessàriamente totalitária, não evidentemente em sentido marxista, mas no de integral subordinação de todo o espírito criado à Verdade do seu Criador. Na ideologia marxista, o finito contingente não possui acto metafísico próprio, constituindo apenas um momento na vida do “infinito”, sendo este a evolução imanente da Ideia, tornada materialismo dialéctico. Pelo contrário, na Teologia e Filosofia  Católica, o finito contingente, nomeadamente espiritual, possui acto metafísico próprio, é pessoal, tendo sido criado para conhecer, amar e servir a Deus Uno e Trino neste mundo, para ser admitido eternamente na Família da Santíssima Trindade.
Nunca é demais assinalar que quando as filosofias do mundo falam de “infinito,” tal não corresponde, em absoluto, ao Infinito Católico, constitutivo da Verdade, da Santidade, da Asseidade, de Deus Uno e Trino. O “infinito” Hegeliano é uma sombra irreal, assustadoramente triste, vazia, mas que está na base das monstruosas teorias de Teillard de Chardin, e dos seus epígonos no Vaticano 2; no fundo, tudo se reduz a um panteísmo, mais ou menos ornamentado, da “Ideia” Hegeliana. Com tais “filosofias,” quem se pode surpreender de que a seita anti-Cristo se esteja também a tornar numa multinacional pederasta?

Sòmente a Verdade Sobrenatural pode facultar uma forma moral Eterna ao nosso operar; só aquilo que realizamos EM UNIÃO SOBRENATURAL COM NOSSO SENHOR JESUS CRISTO pode produzir frutos para a Eternidade, porque as nossas obras são materialmente, intrìnsecamente, finitas, e mesmo quando concretizadas segundo uma intenção humana, terrena, naturalmente boa, não perdem a sua precariedade, a sua contingência essencial; só os méritos Infinitos da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo podem ministrar às nossas pobres acções esse carácter Divino, porque com a nossa inteligência, a nossa vontade, e todo o nosso ser, sobrenaturalmente elevado, participamos acidental, mas realmente, dos Bens da Santíssima Trindade, possuimos algo que é exclusivo de Deus, que tal é o segredo da Sua vida íntima Trinitária.
A Ordem Moral não pode ser separada da Fé Teologal, pois constitui a face operativa desta. Só no tempo se podem produzir actos Sobrenaturais que nos vão identificando, acidentalmente, cada vez mais com a essência Divina e Incriada; o Juízo Divino, em mais não consiste senão na ratificação objectiva das nossas disposições sobrenaturais – ou da sua falta.
O nosso testemunho de Nosso Senhor Jesus Cristo deve durar uma vida inteira, em todos os nossos pensamentos, palavras e acções deve estar presente o Sacrifício da Cruz, como causa exemplar, eficiente e meritória da nossa vinculação a Deus Nosso Senhor. Todavia é sempre a Caridade que constitui a medida da nossa santidade, evidentemente, quanto mais amor Sobrenatural a Deus possuímos, mais sacrifícios estamos dispostos a arrostar por Seu amor.

Fazer render os talentos que Deus nos deu, custa por vezes muito, mas nunca ninguém se santificou sem muito sofrer.
O martírio cruento, atroz, é em princípio rápido, mas implica uma longa e áspera preparação pelo sofrimento moral, que nos acrisola, desbastando qualquer afecto menos ordenado; mas um tal martírio introduz-nos imediatamente no Céu.
Nos primeiros dois ou três séculos da Igreja, compreende-se que menos atenção tenha sido dispensada aos confessores da Fé, pois que a realidade do martírio se impunha por si mesma, nas terríveis condições políticas e sociais em que os cristãos tinham que subsistir. Nunca se considerava mártir aquele que não procurava evitar a morte, racionalmente, e sem ultrajar, directa ou indirectamente, a santa Fé; igualmente não se considerava mártir aquele cuja imolação já havia sido definitivamente ratificada, e que mesmo assim não se conformava com o seu fim.

O testemunho do sangue é em si mesmo tão elevado, TÃO COMENSURÁVEL, MATERIALMENTE, COM O MISTÉRIO DO CALVÁRIO, que canònicamente pode deixar de lado uma investigação mais apurada sobre o conjunto da vida do mártir, assim fique provado o mesmo martírio, quer materialmente, o próprio facto atroz, quer formalmente, ou seja – quer a intenção sobrenatural do mártir, ao sofrê-lo, quer a intenção malvada de impô-lo, por ódio à Fé, ou a alguma virtude cristã.
Os santos inocentes, mortos por Herodes, na tentativa de eliminar Nosso Senhor, são mártires em sentido simples, pois ainda não haviam atingido a idade da razão; assim foram, infalìvelmente, admitidos no Reino dos Céus, com todos os justos do Antigo Testamento, quando a morte de Nosso Senhor libertou as almas que jaziam no “seio de Abraão”, pois antes do Redentor ninguém podia franquear as portas do Céu.

Nos primeiros três séculos de História da Santa Igreja, até à Paz de Constantino,  constituía matéria da competência do Bispo local a comprovação do martírio, quer materialmente, quer formalmente considerado, caso a sentença fosse favorável, concretizava-se uma beatificação, ou o equivalente a uma beatificação, visto que a distinção rigorosa, teológica e canònicamente considerada, entre beatificação (autorização de culto, sentença não definitiva) e canonização (preceituação de culto, sentença definitiva) só ficou estabelecida no Pontificado de Urbano VIII (1623-1644).

Ulteriormente, os Bispos das Dioceses em que se venerava tal ou tal beato, comunicavam eclesiàsticamente a outras Dioceses o culto que praticavam, o qual podia ser aceite ou não; quando, por esta tramitação, o culto de determinado beato alcançava eficazmente a totalidade da Igreja, COM APROVAÇÃO DO ROMANO PONTÍFICE, tornava-se santo, ou seja, era canonizado. Este processo de elevação aos altares durou cerca de mil anos.
Foi o Papa Alexandre III (1159-1181) que procedeu à avocação à Santa Sé de todos os processos de beatificação e canonização. Ele próprio canonizou São Tomás de Cantuária, Santo Eduardo o Confessor, Rei de Inglaterra, e São Bernardo de Claraval.
A confissão heróica da Fé, ou martírio incruento, implica um testemunho de uma vida inteira, ou de, pelo menos, parte considerável dela; Santo Agostinho (354-430), por exemplo, esteve muito longe de prestar testemunho de fidelidade católica durante toda a sua vida, e talvez por isso mesmo tenha aparecido a certo doutor envolvido nas polémicas posteriores à morte de São Tomás de Aquino (1274) e que contestavam a obra deste, disse Agostinho a esse Doutor: « A Doutrina de Tomás é melhor do que a minha, porque é a doutrina de um homem virgem».
É por vezes mais difícil afrontar, na Fé, na Esperança e na Caridade, uma vida inteira de grandes sofrimentos morais, e às vezes físicos, do que sofrer a morte, num momento, por amor sobrenatural a Nosso Senhor Jesus Cristo.
A maldita Igreja conciliar, a seita anti-Cristo, possui um conceito de “santidade” eminentemente laico e ateu; para ela os verdadeiros mártires serão então, por exemplo, as chamadas vítimas da Santa Inquisição, e de uma forma geral todos aqueles que se sacrificaram em prol do utilitarismo social, do socialismo e até do comunismo.

Efectivamente, se o único “deus” consiste na humanidade em evolução, rumo à total emancipação, coincidente com a plena “divinização”, ontològicamente inseparável da plena “encarnação”, então os santos, os mártires, serão os construtores privilegiados desse processo: Marx, Lutero, Voltaire, Roncalli, Wojtyla, Sartre.

As ditas “canonizações” da seita anti-Cristo constituem uma monstruosa, uma infernal paródia à Santidade da Mãe Igreja e um insulto tenebroso à memória e ao culto dos santos do Céu.
Sòmente na Verdade imutável da Fé Católica pode haver Santidade. Sòmente da Cruz Salutar de Nosso Senhor Jesus Cristo podem jorrar o sangue dos mártires e as agonias morais dos confessores; sòmente a Sua Graça reconstitui a vida Eterna onde os homens malvados trucidam os corpos e atormentam as almas; sòmente a sublime Doutrina de Nosso Senhor constitui bálsamo Sobrenatural para as almas, bom porto de abrigo e bússola serena e imarcescível da existência.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 1 de Julho de 2014

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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