Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

JESUS CHOROU!

 

JESUS CHOROU! na morte de Lázaro

  • “Porque Cristo chorou, senão para ensinar aos homens que deviam chorar”.  Disseram então os Judeus: – Vede como o amava! Mas que significa dizer – o amava? Não veio para chamar os justos, mas os pecadores, para que fizessem penitência. O Evangelista repete intencionalmente que Nosso Senhor chorou e gemeu, para manifestar-nos que realmente se revestiu da natureza humana.”  (S. Agostinho).
  • A agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto constitui, de certo modo, o maior Mistério da nossa Redenção. Nosso Senhor, enquanto Homem, contemplou na visão beatífica, bem como nas ideias infusas, de forma absolutamente eminente, todas as dores morais do Homem, todos os abandonos, todas as ingratidões, todas as apostasias, todos os deicídios, toda a inutilidade consequente dos Seus sofrimentos para tantos homens. A Pessoa Divina do Verbo sofreu realmente na Sua Natureza Humana.

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

EVANGELHO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO SEGUNDO SÃO JOÃO:
« Quando a viu chorar, e vendo também chorar os Judeus que vinham com ela, Jesus comoveu-Se profundamente e perturbou-Se; depois perguntou: – Onde o pusestes? – E eles responderam:- Senhor vem e vê – JESUS CHOROU. Disseram então os Judeus: – Vede como o amava – mas alguns deles disseram: – Não podia ele, que abriu os olhos aos cego, fazer também com que este não morresse? – De novo, intìmamente comovido, Jesus chegou ao sepulcro. Era uma gruta, e tinha uma pedra posta à entrada. Jesus disse: – Tirai a pedra – Maria, irmã do defunto, disse-lhe: – Senhor, já cheira mal, pois já tem quatro dias – Jesus respondeu-lhe: – Não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus? – Tiraram pois a pedra. E Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: – Pai, graças Te dou por Me haveres ouvido, Eu bem sei que sempre Me ouves, mas disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que Tu Me enviaste – tendo dito isto, bradou em alta voz: – Lázaro, sai para fora – e o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o rosto envolto num sudário. Disse-lhes Jesus: – Desligai-o e deixai-o ir.»   Jo 11,33-44

Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, Criador e Redentor nosso, constitui, ou deveria constituir, o verdadeiro Sol Sobrenatural das nossas vidas, quer na fase terrena, quer na fase Eterna e Celestial.
É absolutamente falso que o Verbo de Deus, ao encarnar, tenha assumido todo o homem; não, o Verbo assumiu uma Natureza Humana em particular, filosòficamente uma substância incompleta, embora completa como Natureza, hipostàticamente unida à Pessoa do Verbo, ou seja, a união da Natureza Humana com a Natureza Divina não se operou nas próprias Naturezas, que permaneceram distintas, mas sim na Pessoa adorável do Verbo de Deus.
Nosso Senhor apenas assumiu as limitações próprias da espécie humana, ENQUANTO NÃO INTRÌNSECAMENTE FERIDA PELO PECADO ORIGINAL; portanto Nosso Senhor, EXTRÌNSECAMENTE, estava submetido às condições gerais de um mundo ferido pelo pecado original. Por isso Nosso Senhor, aliás como Nossa Senhora, por si mesmos, não poderiam morrer, como não poderiam sofrer; Nossa Senhora não sentiu, nem poderia ter sentido, dores de parto, porque estas são INTRÌNSECAMENTE incompatíveis com a ausência de pecado original. Todavia admite-se que Nosso Senhor Jesus Cristo, mesmo que não tivesse morrido de morte violenta, teria, de qualquer modo morrido, em virtude de qualquer causa natural, pois como já se afirmou, estava EXTRÌNSECAMENTE EXPOSTO ÀS CONDIÇÕES ONTOLÒGICAS GERAIS DE UM MUNDO FERIDO PELO PECADO ORIGINAL. Se Nosso Senhor Jesus Cristo não tivesse assumido as limitações gerais da natureza humana NÃO SERIA VERDADEIRO HOMEM.
Os Escotistas concebem a União Hipostática de forma muito mais atenuada do que os Tomistas; estes últimos sustentam que em Nosso Senhor há só uma Existência – a Divina; enquanto que os Escotistas afirmam que em Nosso Senhor há uma existência humana ao lado da existência Divina. A tese Tomista é absolutamente preferível
Nosso Senhor é SUBSTANCIALMENTE SANTO, TAL COMO É SUBSTANCIALMENTE SACERDOTE, mas possui igualmente, tal como nós, a Graça acidental criada, quer a Graça Santificante, quer a Graça actual, bem como os Dons do Espírito Santo.
Embora Nosso Senhor tenha assumido uma Natureza Humana em Si mesma limitada, a Sua dignidade é Infinita, pois é a dignidade do Verbo de Deus feito Homem; embora limitada pela definição da própria essência específica, a Natureza Humana do Senhor é imensamente mais perfeita do que a de qualquer homem, visto que é elevada à própria existência do Verbo, como já se afirmou. Por isso mesmo, NOSSO SENHOR JESUS CRISTO SOFREU IMENSAMENTE MAIS DO QUE QUALQUER SER HUMANO PODE SOFRER NESTE MUNDO, FÍSICA E MORALMENTE; MAS TAMBÉM A SUA FELICIDADE E GOZO SOBRENATURAL INTERIOR FOI IMENSAMENTE MAIOR DO QUE A DE QUALQUER SER HUMANO SOBRE A TERRA; E O FOI, NÃO PRÒPRIAMENTE PELA VISÃO BEATÍFICA, PORQUE ESTA NÃO SE REPERCUTIA ONTOLÒGICA E QUANTITATIVAMENTE, ATRAVÉS DA ESSÊNCIA DA ALMA DO SENHOR, EM TODO O SEU SER, MAS SOBRETUDO PELA GRAÇA SANTIFICANTE E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO, QUE INUNDAVAM A ALMA DO SENHOR, PARA QUE ELE CONSTITUÍSSE CAUSA EXEMPLAR E MERITÓRIA DOS SOFRIMENTOS E DAS ALEGRIAS SOBRENATURAIS DOS SEUS SANTOS, ATRAVÉS DOS SÉCULOS.
Note-se que empreguei o advérbio “imensamente,”e não “infinitamente”- porquê? Porque a Natureza Humana do Senhor, sendo em Si mesma finita, não pode possuir predicados infinitos; portanto, FÌSICAMENTE, as dores e alegrias Sobrenaturais do Senhor, NÃO PODIAM SER INFINITAS; todavia, PELO SEU VALOR MORAL, podem e devem considerar-se tal.
No que concerne à visão beatífica do Senhor, ela era plenamente real, e imensamente mais profunda do que a de qualquer santo, e até mesmo do que a de Nossa Senhora, mas a Santíssima Trindade, na Sua Eterna Providência, operou a União Hipostática de tal forma que, ontològicamente, a visão beatífica não impedisse as dores físicas e morais da Paixão do Senhor.
A agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto constitui, de certo modo, o maior Mistério da nossa Redenção. Nosso Senhor, enquanto Homem, contemplou na visão beatífica, bem como nas ideias infusas, de forma absolutamente eminente, todas as dores morais do Homem, todos os abandonos, todas as ingratidões, todas as apostasias, todos os deicídios, toda a inutilidade consequente dos Seus sofrimentos para tantos homens. A Pessoa Divina do Verbo sofreu realmente na Sua Natureza Humana. Não houve qualquer violação do princípio da imutabilidade Divina, visto que a decisão da Encarnação é Eterna, como Eterno é o acto da Encarnação activa.
Nosso Senhor, sem deixar de ser Deus, foi um Homem perfeito, teve os seus amigos, conviveu com eles, assistiu e participou em banquetes de casamento, NÃO FOI PURITANO – FOI SIMPLES, INOCENTE E PURO. Nosso Senhor sentiu, como verdadeiro Homem que era, a morte de Lázaro, nisso demonstrando a LEGITIMIDADE  dos afectos humanos, DESDE QUE PERFEITAMENTE SOBRENATURALIZADOS.
O Jansenismo, condenado severamente pelo Papa Clemente XI, em 1713, na bula “Unigenitus,”é que subvertia a analogia hierárquica entre a Ordem Natural e a Ordem Sobrenatural, AO PRETENDER ANIQUILAR A PRIMEIRA COMO INDIGNA, ACABAVA POR DESTRUIR AMBAS. A Ordem Sobrenatural não força, nem violenta, a natureza, nela se enxertando, de forma analógica, MAS TOTALMENTE GRATUITA. Ensina-nos a História, mas igualmente a Teologia e a sã Filosofia, que todos os dualismos tombaram nas piores aberrações morais.
A dor de Jesus pela morte de Lázaro, reflecte a reacção normal da natureza perante a rotura da unidade de existência entre dois entes que se amam, por mais infrangíveis que se radiquem as convicções Sobrenaturais de quem fica. Nosso Senhor era Homem, mas também era Deus, era o Autor e Criador da vida, da morte, e da ressureição – no entanto CHOROU; e fê-lo não como uma carpideira, o que seria impossível em Nosso Senhor, onde não há, nem pode haver, qualquer dissimulação, qualquer hipocrisia, NÂO, Nosso Senhor chorou porque sentiu profundamente aquela morte na Sua sensibilidade imensamente rica, imensamente perfeita, e como já se afirmou – DE VALOR MORAL INFINITO.
A vida mortal de Nosso Senhor deve constituir exemplo perfeito para os Seus santos – E NO CÉU SÓ HÁ SANTOS – que através das vicissitudes inesperadas e frequentemente trágicas da vida neste pobre mundo, devem prosseguir uma identificação, o mais perfeita possível, entre a Lei Divina Sobrenatural, que deve governar a razão elevada pela Graça, e as virtudes morais, que deverão, por sua vez, governar a sensibilidade, Nosso Senhor nunca ensinou um “espiritualismo absoluto,” com desprezo pela matéria e pela vida natural – SÓ DESPREZA A MATÉRIA E A VIDA NATURAL QUEM AS NÃO CONSEGUE GOVERNAR RECTAMENTE. A Graça Santificante, os Dons do Espírito Santo constituem a mais firme garantia desse governo, pois devem subordinar e ordenar, eficazmente, todos os elementos da vida do homem – E ORDENANDO-OS, SANTIFICAM-NOS.
Só a Fé Católica, íntegra e pura, nos faculta um perfeito equilíbrio de vida, cultivando todas as virtudes, com notável moderação no comportamento exterior, e sem hipertrofias enviesadoras da existência.
O verdadeiro católico nunca pode ser um “fanático.” Fanáticos são os muçulmanos, assassinos e violadores, grande parte deles. O fanático é um criminoso de delito comum, não tem ideais, apenas um culto descomunal de si mesmo. O católico verdadeiro não procura senão a Glória extrínseca de Deus, amando-O Sobrenaturalmente, Objectivamente, sobre todas as coisas. Por maiores que sejam os seus sofrimentos, físicos e morais, TUDO OFERECE A DEUS, porque a maior felicidade, a mais inexplicável felicidade Sobrenatural, RESIDE PRECISAMENTE EM TUDO SACRIFICAR, PARA EM DEUS TUDO GANHAR.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 15 de Julho de 2014

 

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