Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

OS CAMINHOS DA SANTIDADE NA IDADE PÓS-CRISTÃ

 

 

Missões

 

  • Ontològicamente o homem só pode ser aquilo que Deus quis que ele fosse, e que ele realmente é. Não há, nem pode haver, descontinuidades científica ou polìticamente orientadas, nem paraísos na Terra, nem utopias, pois que a condição humana, determinada pelas consequências do pecado original, não é compaginável senão com os caminhos da Divina Providência, consubstanciados com o Mistério da Predestinação e das Fontes Sobrenaturais da Graça.

 

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos Pio XII, em alocução ao Centro Italiano de Estudos para a Reconciliação Internacional – 13 de Outubro de 1955:

«Anunciar aos homens a mensagem de Cristo, é a razão de ser da Igreja, o seu primário dever, que ela não poderia descurar, sem se enganar a si mesma, e sem enganar aqueles que para ela se voltam, afligidos pelas preocupações da vida terrestre. Para o desempenho desta função, vive, viveu, e viverá sempre a Santa Igreja. Ora a mensagem de Cristo, luminosa como o Céu de onde procede, universal como a Igreja a que é dirigida, não é, em substância, outra coisa, senão o apelo Divino à reconciliação, primeiro, dos homens com Deus, e depois dos homens entre si; numa palavra: é uma mensagem da mais profunda paz. Trata-se, por isso, de investigar agora de que modo a Igreja, como pregoeira da mensagem de Cristo, ao estender-Lhe e perpetuar-lhe o eco, contribui para a concreta reconciliação dos povos.
A mensagem de Jesus Cristo é dupla: A mensagem da Palavra e da Doutrina; e a mensagem do facto e da vida.
Que a «Mensagem da Palavra e da Doutrina» é apta para remir os homens e os povos, não tem necessidade de especial declaração. Consiste, de facto, em anunciar a ORIGEM ÚNICA, e o ÚNICO FIM ÚLTIMO de todos os homens e povos; o Deus único e Pai de todos; o único e unificador preceito do amor de Deus e do próximo; o único Redentor, e a Igreja por Ele formada para todos os povos, a fim de que haja um só rebanho e um só Pastor. Tal mensagem inspirada – na origem, nos meios e no termo – pelo conceito da unidade das criaturas num Deus único, é evidentemente pacificadora e unificadora.
Depois, a «Mensagem do facto e da vida» é a aplicação da primeira, tão multiforme quanto pode ser o facto e a vida de uma ideia, que tudo domina – é em primeiro lugar a Caridade Cristã, ou seja a Caridade de Cristo, praticada e vivida, de Cristo que toma como feito a Si o que se faz ao próximo por Seu Amor. É a Caridade de Cristo, nas suas múltiplas formas, nos hospitais, nos sanatórios, nas casas para velhos, nos jardins de infância, nos refúgios para os abandonados, transviados, atrasados, e alienados mentais. É a Caridade de Cristo, que não espera que a miséria a venha procurar, na Pátria, ou mesmo em terra estrangeira».    

Uma recta concepção da natureza íntima e do valor ontológico e moral da vida humana sobre a Terra depende, essencialmente, da verdadeira e objectiva concepção que possuamos sobre Deus Uno e Trino.
Efectivamente, a Revelação Sobrenatural, permanecendo, em si mesma, perfeitamente gratuita e infinitamente acima das coisas naturais, ilumina-as contudo extrìnsecamente, providenciando-lhes um sentido, uma compreensão, uma finalidade, que de outro modo ficariam inalcançáveis para nós. Este enriquecimento do nosso conhecimento natural por sua integração racional com o conhecimento sobrenatural denomina-se em Teologia «conclusões teológicas».
O carácter vão da ciência quando procura exaustivamente uma explicação para o Universo, PRESCINDINDO DE DEUS, será uma das grandes conclusões teológicas a extrair; na exacta medida, em que nunca inteligência alguma criada (Anjo e Homem) poderá alguma vez exaurir a inteligibilidade da Criação no seu todo, e vencer totalmente a opacidade do real;
mesmo o Anjo de Ordem superior, com o seu formidável, mas contingente intelecto, é incomensurável com a fecundidade ontológica da Criação no seu todo, e a razão profunda é esta: O Anjo não é o seu ser, não pode dizer – eu sou o meu ser; ora se não possui a chave metafísica de si mesmo, tão pouco possuirá a chave da Criação.
A unidade profunda, física, moral e psicológica, anti-evolutiva, do Género Humano constitui outra conclusão teológica, da maior consequência: ONTOLÒGICAMENTE O HOMEM SÓ PODE SER AQUILO QUE DEUS QUIS QUE ELE FOSSE, E QUE ELE REALMENTE É. Não há, nem pode haver, descontinuidades científica ou polìticamente orientadas, nem paraísos na Terra, nem utopias, pois que a condição humana, determinada pelas consequências do pecado original, não é compaginável senão com os caminhos da Divina Providência, consubstanciados com o Mistério da Predestinação e das Fontes Sobrenaturais da Graça.
A corruptibilidade intrínseca do espaço, do tempo, e da matéria, constitui igualmente uma conclusão teológica fundamental, fonte de irrisão para todos os que acreditam numa imortalidade neste mundo, o que representa uma verdadeira e própria contradição, visto que o tempo, tal como o espaço, são necessàriamente finitos, porque numeráveis e dispersivos; SÒMENTE A ETERNIDADE PODE SER ETERNA.
A Revelação enriquece assim extraordinàriamente a nossa visão do Mundo, da História, e da verdadeira Ciência; é nesse sentido que não existem disciplinas puramente profanas; podem sê-lo a título intrínseco, mas não a nível extrínseco, pois que nada se pode furtar à Caridade Divina.

A maldita Igreja conciliar, o tenebroso poder anti-Cristo, conspirou letalmente para isentar a ordem temporal e civil das Fontes da Caridade Divina, da Revelação Divina; e procedeu assim, porque não concebia a Ordem Divina de modo objectivo, real, transcendente, mas sim como um sentimentalismo cego e imanente.
Certos teólogos, mesmo clássicos, consideraram como uma das provas da existência de Deus – o consenso universal. Uma tal posição é francamente errada e de consequências nocivas, visto numerar as mais aberrantes concepções de Deus, que são, e sempre foram a grande maioria, com a única verdadeira e católica. Efectivamente, como adicionar o torpe politeísmo com o Teísmo Providentemente Sobrenatural Católico? Como adicionar o ídolo carnalão alá com a Santíssima Trindade? Até mesmo a concepção protestante clássica de Deus é totalmente incompatível com a Santíssima Trindade, visto reduzir Deus Uno e Trino a um servo das misérias humanas; menos ainda o antropoteísmo modernista, que deve ser considerado uma forma de ateísmo.
É necessário afirmá-lo com todo o vigor: NESTA NOSSA IDADE PÓS-CRISTÃ, PRIVADA INSTITUCIONALMENTE DE TODO O SOCORRO SOBRENATURAL E ATÉ SIMPLESMENTE DE SOCORRO, SÃO, NA ORDEM NATURAL; O PERMANECER NA GRAÇA DE DEUS CONSTITUI JÁ UM VERDADEIRO MILAGRE MORAL. Todas as fontes de Graça estão envenenadas; acreditamos que a Fraternidade QUE FOI DE SÃO PIO X, ainda administra vàlidamente os Sacramentos, na exacta medida em que são as chefias que constituem as fontes do veneno; e além disso ainda existem energias sacerdotais sãs no seu seio – TODAVIA A DITA FRATERNIDADE, INSTITUCIONALMENTE, É CÚMPLICE DO PODER ANTI-CRISTO.
Nosso Senhor Jesus Cristo, hoje, como em qualquer outra época, continua a só admitir no Céu os seus santos; isto é, os que possuem a Graça Santificante; PARA ENTRAR NO CÉU É PRECISO AMAR A DEUS, SOBRENATURALMENTE, SOBRE TODAS AS COISAS. Mas então, dir-se-á: E aqueles que só são capazes de atrição, isto é, arrependimento dos pecados, motivado não pela Caridade perfeita, mas pelo santo temor do castigo eterno? Responde-se, afirmando que quem possui atrição – a qual constitui já um princípio de amor SOBRENATURAL a Deus, segundo as definições do Sagrado Concílio de Trento – é obrigado a receber o Sacramento da Confissão para obter a Caridade perfeita e a Graça Santificante. Recordemos que a Graça Santificante constitui uma virtude entitativa, que possui como sujeito substancial de inerência a essência da alma; e a Caridade constitui uma virtude teologal operativa que possui como sujeito de inerência a faculdade da vontade. De qualquer maneira, quem recebe o Sacramento da Confissão, possuindo como disposição a Caridade imperfeita da atrição, é logo pela absolvição beneficiado com a Graça Santificante e a Caridade perfeita, embora ainda como um principiante que triunfa na sua via purgativa; MAS JÁ PODE ENTRAR NO CÉU. Todavia recordemos que a ATRIÇÃO NÃO É UM ACTO HUMANO, É, E TEM DE SER SOBRENATURAL, NO SEU PRINCÍPIO E NO SEU FIM, porque eficazmente operado pela Graça Actual.

Quando se afirma que no Céu só há santos, não é evidentemente em sentido canónico, mas em sentido teológico. Todas estas questões do pecado, da contrição e do Sacramento da Confissão, superam infinitamente todas as categorias terrenas, todas as ambições terrenas, todas as vicissitudes humanas; a Graça Santificante confere à alma a própria vida de Deus; a alma torna-se acidentalmente Aquilo que Deus é essencialmente.
Terá tudo isto alguma coisa a ver com a seita anti-Cristo, cujo “deus” é o homem?
Como se não poderá considerar a posse da Graça Santificante como um milagre moral?
Todavia, como já se afirmou, Deus Nosso Senhor continua a exigir no século XXI, no plano Dogmático e Moral, o que exigia no século XIII, porque a Sua Revelação, bem como os Seus Mandamentos, SÃO ETERNOS.
O Cristão Católico da Idade pós-cristã terá de interiorizar, muito sèriamente, que o seu caminho espiritual só pode ser UM CAMINHO DE ABANDONO.

É certo que para ascender bem alto nos Mistérios do Amor de Deus é sempre necessária uma certa solidão, tal como é necessário bastante sofrimento, fundamentalmente moral; ora a solidão afrontada em Nome e por Amor de Deus, constitui uma Graça extraordinária, na exacta medida em que a nossa purificação é radical, pois o nosso Divino modelo é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, que foi verdadeiramente O SÓ, por definição; e não apenas na Agonia no Horto, Nosso Senhor, em toda a Sua infinitamente rica vida mortal, desde a Sua Sagrada Concepção, até à Sua morte, sempre viveu, enquanto Homem, momentos de extrema e inexplicável solidão.

Neste enquadramento, o homem de Fé, Esperança e Caridade, do século XXI, terá de palmilhar a agridoce senda do abandono, porque não existe maior conforto do que o sentir-se sobrenaturalmente acompanhado pelo seu Criador e Redentor, pelo Qual se sofre, mesmo que falte todo o (legítimo) apoio humano. A escola espiritual do abandono foi frequentada por muitos santos, recordo, por exemplo, santa Bernadette (1845-1879), são Bento Labre (falecido em 1783), santo Afonso Rodriguez (falecido em 1617).
A Luz Sobrenatural de Deus é infinita, e constitui o único princípio de toda a santidade, a Predestinação é totalmente gratuita e absolutamente eficaz, pois que ATÉ O CORRESPONDERMOS À GRAÇA TEMOS DE AGRADECER A DEUS, POIS QUE ATÉ O CORRESPONDERMOS À GRAÇA POSSUI SEU FUNDAMENTO NA PREDESTINAÇÃO DIVINA.
Não temamos a Cruz de uma solidão que é constitutiva da maior Luz, da Luz Incriada da Eterna beatitude.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 26 de Julho de 2014

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