Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A GRAÇA DE DEUS E O GOVERNO INTERIOR

Luz ds Fé

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos São Pio X, em excertos da sua encíclica “E Supremi Apostolatus”, de 4 de Outubro de 1903:

«Entendemos por Deus, não aquele inerte e descuidado das coisas humanas, imaginado pelos sonhos dos materialistas; mas o Deus vivo e verdadeiro, Uno na Natureza e Trino em Pessoas, Criador do Mundo, Sapientíssimo, ordenador de cada coisa, legislador Justíssimo, que premeia os virtuosos e pune os malvados.
Ora não é necessário procurar qual seja o caminho para encontrar a Cristo – é a Santa Igreja.(…)
Vede então, veneráveis irmãos, qual seja enfim o dever que a nós e a vós é imposto: chamar à disciplina da Igreja o consórcio humano, distanciado da Sabedoria de Jesus Cristo; a Igreja submetê-lo-á a Cristo, e Cristo a Deus. O que, se por benignidade de Deus, nós levarmos a bom termo, estaremos felizes por ver o mal dar lugar ao Bem, e ouviremos, para nossa felicidade,”Uma grande voz do Céu que dirá: Agora realizou-se a salvação o poder e a grandeza do nosso Deus, e a autoridade do Seu Cristo.”
Porém, para que tudo isso se obtenha, conforme o desejo, é necessário que com todo meio e fadiga nós façamos desaparecer redicalmente a enorme e detestável maldade, própria do nosso tempo QUE SUBSTITUI DEUS PELO HOMEM; depois disso hão-de ser remetidos à antiga honra as Leis Santíssimas e os conselhos do Evangelho: afirmar as verdades ensinadas pela Igreja e a sua Doutrina a respeito da Santidade do Matrimónio, a educação e ensinamento da juventude, a posse e o uso dos bens, os deveres para com os que dirigem o Estado; por último, restituir o equilíbrio entre as diversas classes da sociedade, em conformidade com os usos e costumes cristãos.»

Nosso Senhor Jesus Cristo deve ser considerado o grande ordenador da nossa alma; antes de tudo no plano Sobrenatural, e consequentemente, extrìnsecamente no plano Natural. A ORDEM NATURAL NÃO DEVE SER CONSIDERADA UMA PREPARAÇÃO PARA A ORDEM SOBRENATURAL, SENDO ESTA TOTALMENTE GRATUITA E TOTALMENTE OBRIGATÓRIA, É ELA QUE QUALIFICA EXTRÌNSECAMENTE A ORDEM NATURAL. Efectivamente, a Graça Santificante não pode possuir qualquer preparação que não seja, ela própria, Sobrenatural, neste caso a Graça Actual, e a própria Graça Medicinal.
A Santa Madre Igreja, na sua actividade pastoral, sempre teve um contacto palpável com os benefícios obtidos no plano natural e terreno, em consequência extrínseca da elevação ao estado sobrenatural das almas; o próprio Monsenhor Lefebvre sublinhou, por diversas vezes, essa realidade.
Em primeiro lugar, os progressos da inteligência natural: é certo que Deus Nosso Senhor não nos irá julgar pela nossa inteligência, concebida na sua raiz mais básica, de dádiva genética da natureza. Na realidade, Deus Nosso Senhor quando cria uma alma, cria-a já informando a matéria orgânica produzida pelos pais; Deus não cria as almas para posteriormente as infundir nos corpos, não, Deus Nosso Senhor como que “recria” a matéria orgânica, fazendo-a perder a forma sensível, que é virtualmente inorgânica e substancial, e reconstitui o conjunto, possuindo já como princípio de unidade, formalmente espiritual, e virtualmente sensível, inorgânico e substancial – a alma humana. Por isso todas as almas, em si mesmas, e em abstracto, são rigorosamente iguais, pois definem a unidade da espécie; as diferenças individuais, tais como o sexo, o temperamento e a inteligência de base, resultam da matéria, que confere à forma a faculdade de multiplicar a infinidade e variedade das riquezas da ideia que representa. Esta é a doutrina (filosófica) Tomista, a qual foi como que canonizada por São Pio X, em Julho de 1914, quando a Congregação dos estudos publicou as “Vinte e Quatro Teses Tomistas”.
Neste quadro conceptual, cada um de nós possui uma essência psico-fisiológica básica, da qual não é, nem pode ser responsável, exactamente porque é um ente contingente, E PORTANTO NÃO É O SEU SER; mas precisamente porque é um ente espiritual, elevado à Ordem Sobrenatural, PODE E DEVE MODERAR E ENRIQUECER EXTRÌNSECAMENTE O SEU EDIFÍCIO NATURAL MEDIANTE OS DONS INFINITOS DA ORDEM SOBRENATURAL.
Nos Anjos, os dons da Graça foram distribuídos em rigorosa proporção com as perfeições naturais; isto em virtude da extrema simplicidade da constituição ontológica angélica; todavia, nos homens essa proporção não seria possível em virtude das opacidades e assimetrias inerentes à composição de um animal racional.
Em Adão e Eva, tudo era perfeito, íntegro, como convinha aos chefes da raça humana num mundo ainda incontaminado pelo pecado, a vida Sobrenatural exercia perfeita hegemonia sobre todo o ser dos nossos primeiros pais, mas extraindo, ordenadamente, toda a riqueza própria da Ordem Preternatural e da Ordem Natural.
Assinale-se que muitas perfeições naturais podem constituir, no homem, condição extrínseca providencial da Graça Sobrenatural; e de facto encontram-se em muitos santos, como São Tomás de Aquino, São João Bosco, e o próprio São Pio X.
A mais grave consequência do pecado original é o desgoverno interior das almas, mesmo na Ordem Natural. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo ameaçou os ricos, proclamando que era mais fácil um camelo entrar pelo fundo da agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus, referia-Se exactamente à embriaguez que as riquezas provocam, às descompensações, às assimetrias de personalidade, bem como a todo um conjunto de tiques e aberrações do carácter que infelizmente constituem quase sempre a imagem de marca dos ricos. A riqueza em si não é um mal, o mal está na alma, na sua fraqueza moral congénita, na sua inércia.
A desordem interior, constitutiva das pessoas do mundo, É UM PRINCÍPIO RADICAL DE INFELICIDADE. Santo Afonso Maria de Ligório dizia: « Ah! Como seriam (os mundanos) grandes santos, se sofressem para dar Glória a Deus aquilo que sofrem para se condenarem. »
Na realidade, se muitos mundanos, conscientemente, se suicidam, é para desesperadamente encontrarem na própria morte, o sentido que, para as suas vidas, está faltando.
Mas será que não podem existir não-católicos (não em sentido nominal, mas em sentido real)  interiormente ordenados? Evidentemente que podem – MAS SÃO NECESSÀRIAMENTE MUITO POUCOS.
E a razão é que muito poucos homens possuem a robustez interior necessária à constituição moral de padrões ordenados, QUANDO OS PRINCÍPIOS PROFESSADOS SÃO AGNÓSTICOS, ATEUS, OU RELATIVISTAS, OU PIOR AINDA, QUANDO, COMO NA GRANDE MAIORIA DOS CASOS, NÃO EXISTEM PRINCÍPIOS DE ESPÉCIE NENHUMA, MAS SÒMENTE MIMETISMO NOMINALISTA DE FACHADA SOCIAL.
Assim se demonstra, mais uma vez, que só os Bens Sobrenaturais podem rectificar, não apenas a vida interior, mas por extensão e secundàriamente, toda a vida familiar, social e cultural.
A Graça Santificante, as Virtudes Teologais, as Virtudes Morais e os Dons do Espírito Santo constituem um organismo Sobrenatural unificante, mediante o qual, todo o nosso ser é ordenado e medido pelo Essencialismo Teocêntrico; como diz São Paulo:”Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Efectivamente, a nossa santificação exige uma plena hierarquização de meios e de fins, primários e secundários, que a princípio surgem perfeitamente individualizados em  diversos graus e variadas ramificações. Mas quando nos aprofundamos mais nos abismos inefáveis do amor de Deus sobre todas as coisas, e ao próximo, por amor de Deus, logramos unificar em poucas espécies inteligíveis Sobrenaturais, e em poucos actos de vontade, igualmente de grande riqueza Sobrenatural, O QUE ATÉ AÍ SUBSISTIA NUMA GRANDE PLURALIDADE DE INTELECÇÕES E VOLIÇÕES, NATURAIS E SOBRENATURAIS. Tal constitui um extraordinário progresso na EFICÁCIA SOBRENATURAL DA NOSSA VIDA QUOTIDIANA; POIS QUE LHE INTENSIFICA SOBREMANEIRA A SIMPLICIDADE E A SUAVIDADE OPERATIVA. Tudo isto acontece porque todo o nosso ser, em todas as suas camadas, físicas, psíquicas e espirituais, se encontra então PENETRADO E ORDENADO PELA ORDEM SOBRENATURAL, PELA PARTICIPAÇÃO NA NATUREZA DIVINA, NA INTELIGÊNCIA DIVINA, NA CARIDADE DIVINA; SOMOS DIVINIZADOS, NÃO SUBSTANCIALMENTE – O QUE CONSTITUIRIA PANTEÍSMO; MAS ACIDENTALMENTE.
Toda a vida mortal de Nosso Senhor Jesus Cristo estabeleceu o modelo de infinita perfeição e dignidade que deveria ser participado pelos santos através dos séculos. A infinita perfeição da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, não se mede, nem pode medir, QUANTITATIVAMENTE, mas sim como expressão moral qualitativa e integrada do conjunto das virtudes, cujo exercício operante, é encarnado nas diversas vicissitudes da vida. Sabemos que Nosso Senhor é SUBSTANCIALMENTE santo, pela CONSAGRAÇÃO DA GRAÇA DA UNIÃO HIPOSTÁTICA; mas o Salvador também possui a Graça Santificante, a Graça Criada, especìficamente igual à nossa, MAS DE UM VALOR INFINITO, não medido pela quantidade do acidente filosófico, mas sim pela sua qualidade moral Teológica, ou seja, pelo seu grau de participação na Natureza Divina, grau esse que corresponde ao de um Homem-Deus, de valor moralmente infinito, quando comparado com a Graça das criaturas.
De tudo isto lògicamente se infere que a Santidade nunca pode ser medida segundo a materialidade quantitativa das acções humanas (que é a medida dos fariseus hipócritas), mas sim de acordo com a qualidade moral integrada da comensurabilidade do jardim de todas as virtudes, cuja bondade moral é como que Sobrenaturalmente sublimada no dramatismo do quotidiano.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 1 de Agosto de 2014

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