Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

IDENTIFICAR E ACUSAR O SUMO ANTICRISTO É PROVA DE FÉ, no ideário de Mons. Fulton Sheen e de W. J. Strojie

 O Anticristo de Luca Signorelli

Arai Daniele

Longa é a lista dos livros que procuram identificar o Anticristo, mas naturalmente a base desse juízo é sempre a Sagrada Escritura, quando trata de quem ataca a Fé em Jesus Cristo.

O católico, espantado pelas repetidas provas da ação do Anticristo no mundo atual, em que são aclamados falsos cristos que alteraram a Fé em nome da Igreja de Jesus Cristo. Diante do cargo e poder clerical que estes ocupam, os fiéis hesitam sobre qual testemunho prestar, pois envolve prelados e especialmente a Sede do sumo pontífice. A resposta deve ser procurada à luz da Fé nos Evangelhos; vem do Salvador que instou no Seu «Discurso escatológico para que, diante desse sinal do tempo final, não se caísse em engano: “Muitos virão em meu nome e dirão ‘Eu sou o Cristo’ e enganarão a muitos” (Mt. 24, 4-5; Mc. 13, 3-4; Lc. 21, 8). “Surgirão falsos profetas e farão prodígios e maravilhas, ao ponto de, se possível, enganar até os eleitos. Vede que vos preveni de tudo isto(Mt. 24, 23-24; Mc. 13, 21-23).

Trata-se do maior engano e portanto, grave questão de fé e também de caridade, discernir e testemunhar a presença e a ação de anticristos, demolidores da Fé e da ordem cristã no mundo. O plural e o fato que desde o início era de casa, está em São João. De fato, no sulco do aviso de Jesus os Apóstolos os Evangelistas escreveram sobre esse engano presente numa realidade de aparente continuidade religiosa, mas de verdadeira oposição e ruptura com o único Evangelho de Jesus Cristo.

O « Anti » que aparece nas Epístolas de São João, já pertencia à Tradição quando este Apóstolo falou disso em suas cartas: «Filhinhos, na última hora, como tendes ouvido, chegará o Anticristo; mas já agora muitos se tornaram anticristos… De nós saíram, mas não eram dos nossos. Quem é o falsário, senão quem nega que Jesus seja o Cristo? Esse é o Anticristo. Todo o que nega o Pai e o Filho, esse é o Anticristo» (Jo 2, 18-23):

«Caríssimos, não creiais em qualquer espírito, antes examinai se são de Deus, porque muitos falsos profetas surgem no mundo… todo espírito que não confesse a Jesus, esse não é de Deus, é do Anticristo, de quem ouvistes que está para vir, mas que se encontra já no mundo».Na II Epístola (v. 7): «Agora surgiram no mundo muitos sedutores, que não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este é o sedutor e o Anticristo».

Ora, não parece que os chefes conciliares hoje neguem que Jesus seja o Cristo. É um fato, porém, que aceitam e abraçam quem nega tanto Jesus Cristo quanto que fora da Sua Igreja não haja salvação. Em verdade nem este dogma parecem negar, porque consideram uma super igreja aberta ao mundo das religiões, onde todos se salvam, confessem ou não o Pai e o Filho que veio em carne.

O engano se manifesta, portanto, mais que tudo numa falaz duplicidade religiosa . E a sua dimensão depende dessa capacidade de ser confundido com a suma autoridade de Jesus Cristo. São João descreve, no Apocalipse, a dupla espécie do espírito anticristo, com o nome de primeira e segunda Besta. A caracterização de cada uma das Bestas se dá no cap.13:

A primeira é a que sai do mar, e lhe foi dado fazer guerra aos santos e vencê-los.

A segunda emerge da terra e tem dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, mas cuja linguagem é a do Dragão.

A chave da sedução está nestas palavras do Apocalipse referentes à segunda Besta: “tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, mas falava como o Dragão” (13, 11). Aqui podemos citar Lacunza: “Os dois chifres denotam a força da potestade espiritual; potência mansa e pacífica que goza de amor e confiança dos povos e, por isso, é infinitamente mais poderosa que a primeira Besta. Através do mais sórdido engano a duplicidade da Besta visa ser introduzida na Sede da Verdade.

São Paulo descreve o sumo Anticristo «homem da iniquidade e filho da perdição, que se opõe e vai contra tudo o que se disse Deus ou é adorado, até sentar-se no Templo de Deus» (II Ts 2, 4).Mas ele só conseguirá escalar essa Sede quando o «obstáculo» (Katéchon) for «eliminado». Para São Tomás este rege a união e submissão à Igreja Romana, sede e centro da fé católica. Até quando a sociedade permanecerá fiel ao Império espiritual romano, o Anticristo não pode aparecer. Com esta Ordem subvertida nessa Santa Sede da Verdade, a figura do «obstáculo» papal e do subversor identificam-se na mesma pessoa de um falso cristo.

Na verdade, o antagonismo perpétuo entre Satã e Cristo faz-se especialmente virulento com o disfarce da manifestação do Anticristo e de seu instrumento satânico cujo veneno fatal será a sedução de um super apóstata que, entronizado na Sede de São Pedro, pretenderá suplantar Jesus Cristo em humildade, bondade e universal sabedoria, mas renovendo Sua Ordem.

Pode parecer inacreditável tanta iniqüidade em pessoas de posição consagrada como seja a dos grandes prelados que, com uma máscara de piedade sublimada pelos elogios conferidos pela grande comunicação social, cancelam nos fiéis em geral a visão que distingue entre verdadeiros e falsos profetas.

“O Anticristo não será conhecido em quanto tal; pois, do contrário, não teria seguidores”“Deve-se descrevê-lo, ao contrário, como um anjo e como guia deste mundo, cuja mensagem consiste em dizer-nos que não existe nenhum outro mundo além deste. Foi-nos dito que inclusive enganaria aos eleitos; ora, com a imagem grotesca que nos é dada, seguramente, não poderia enganar os eleitos. Apresentar-se-á, pois, como um grande amigo dos homens. Falará de paz, bem-estar e de abundância, não como meios para ir a Deus, mas como um fim em si. Será tolerante, indiferente quanto ao justo e ao injusto, a verdade e o erro. Apelará para a religião para destruí-la. Dirá que Cristo foi o maior dos homens que já existiu… Terá todos os sinais e marcas da Igreja, mas privados de seu conteúdo divino e salvífico”.

Isto dizia Mons. Fulton Sheen que, porém, também reconheceu e aderiu aos «papas conciliares», os «anticristos no Vaticano» com quem três dos bispos da Fraternidade de Mons. Lefebvre quiseram e querem tratar! Isto já dá uma idéia do nível intolerável do engano que o mundo vive no olvido da advertência de Nosso Senhor: “Muitos virão em meu nome e dirão ‘Eu sou o Cristo’ e enganarão a muitos… falsos profetas que farão prodígios e maravilhas, ao ponto de, se possível, enganar até os eleitos. Vede que vos preveni de tudo isto”.

Passemos então ao testemunho católico – do horror à presença do Anticristo. Vejamos o autor W. J. Strojie, citado pelo prof. Tello Corralizza (v. «Segredo de Fátima ou perfídia em Roma» tratando dos sinais evangélicos que de recente passaram a ser parte da conjuntura atual e desde o Vaticano 2º condicionam os eventos históricos presentes.)

«Com este autor, chegamos ao ponto culminante do multissecular processo exegético do tema que nos ocupa. Este católico secular norte-americano (R.I.P.), que residia em Lebanon (Oregon), à luz do terremoto do Vaticano e da crise eclesial, sem precedentes, que é sua seqüela, começou a escrever e a distribuir com freqüência entre amigos e conhecidos cartas (newsletters) contendo reflexões e chegando a conclusões sobre os temas que estamos tratando. Uma, escrita em 1976, foi publicada em alemão, na revista Einsicht VII (2) Julho de 1978, sob o título: «Falsacher Papst und Antichrist», isto é, «Falso Papa e Anticristo».

O autor, sem o menor alarde bibliográfico, se vale do raciocínio, baseado nos textos bíblicos, ajudado por uma excelente formação doutrinal católica. Ele foi, talvez, o primeiro a pegar o touro pelos chifres… “Demonstrei – disse – que não só vivemos uma vacância da Santa Sé (isto já estava demonstrado vários anos antes), mas também nos encontramos na presença de uma ação corruptora no trono de Pedro. Trata-se de uma presença inimiga de Cristo, que não é outra que a do Anticristo”.

Cita os textos de São João, em suas epístolas, em que fala de muitos Anticristos… Previu um tempo em que a oposição a Cristo alcançaria sua Perfeição na Imperfeição e, certamente, concentrada em um único homem. São Paulo fala dele como o Homem do pecado e o Filho da perdição, que surgiria dentre nós no tempo final. Após uma breve enumeração dos maiores e mais horríveis crimes cometidos na história da humanidade, pergunta se é possível que um homem só possa superar os pecados dos maiores criminosos do passado. Sua resposta é afirmativa segundo o seguinte raciocínio:

“O homem do pecado, só pode merecer essa denominação a título de seu ofício singular, que lhe permite a possibilidade de consumar o maior mal espiritual possível. A ordem espiritual é muito mais excelente que a carnal; por isso, os pecados contra o Espírito Santo são muito mais graves que os que se cometem contra o corpo, contra o Direito natural ou contra a ordem temporal. Segundo a doutrina católica, a ruína de uma só alma é mais significativa que a destruição do universo. Não pode, portanto, tratar-se simplesmente, de um homem extraordinariamente malvado… Esta pessoa deve ser única quanto ao ofício espiritual que desempenha. A Desolação na Cidade santa.

Quem pode, portanto, em seu mais estrito sentido teológico, exercer o ofício de um Anticristo? Só pode tratar-se de alguém que se oponha eficazmente aos Vigários de Cristo precedentes… assim como ao verdadeiro culto de Deus, pela supressão do Sacrifício perpétuo. Com outras palavras, só pode se tratar de alguém que possa, juridicamente, fazer oposição a Cristo, Cabeça invisível da Igreja; de alguém que, em virtude de seu ofício usurpado, seja o único capaz de levar a cabo a Desolação na Cidade Santa. O sentido espiritual da Escritura. Quem poderia – pergunta-se –, como pessoa particular, instalar-se na Cidade santa e mudar todas as leis, como se fosse Deus? Deixemos de lado a letra que mata. Muitos eruditos e um número maior de idiotas tentaram identificar algum político, perseguidor ou tirano ao Anticristo. 

São João o identifica com a cifra 666, símbolo da Perfeição na imperfeição. Conhecido é que, na Bíblia, o número 7 significa a perfeição, assim como o 6 a imperfeição… A expressão «Perfeição na Imperfeição» é precisa e significa o conjunto de todas as condições, que se devem cumprir para que esse número encontre seu cumprimento. E não se pode esquecer que seu significado é inequívoco, com o fim de que em toda época pudesse ser entendido.

A descrição ou identificação simbólica do Anticristo deve ser exata pois são numerosos os homens profundamente perversos que no transcurso da história foram reputados falsamente como anticristos, por não ter em conta a univocidade do simbolismo dessa cifra; da máxima iniqüidade ou maldade. A Perfeição na Imperfeição, que São João profetizou, se realiza em um único homem… E isto deve entender-se no sentido de que a máxima iniqüidade se encontrará em um homem, o que só é possível se ele estiver situado na mais alta esfera. Para conseguir tal perfeição e infectar a todo o mundo é necessário um homem investido da mais alta dignidade de um ofício espiritual. Em seguida, lança a seguinte pergunta: Poderia alguém imaginar um homem investido de um cargo, que pudesse causar uma ruína espiritual e moral maior que um Papa? Ou de outro modo: Poderiam as forças e potências unidas do mundo causar um desastre espiritual tal, como o que hoje vivemos… produzido por um só homem, detentor do Poder espiritual supremo? Duplicidade, mentira, armas de Satanás. A maldade perfeita devia progredir e se expandir com o engano, não com a violência, que é o meio comum para executar a maldade na esfera mundana. As Lojas de nossos antigos inimigos se propuseram o objetivo de corromper a massa dos católicos e anular toda a resistência. «Dai-nos só o mindinho papal – é o Plano da Alta Venda – e teremos em mãos toda a Cristandade».

Ora o católico deve partir do primeiro sinal que descerra enganos sem precedentes na Fé, detectar quem é portador do vírus letal injetado na mais alta Sé da Verdade. Tais enganos nem sempre transparecem das palavras, mas nas deturpações sacrílegas da Fé, como ocorrem desde há meio século e podem ser resumidas na liberação  das consciências diante da Lei de Deus: estas teriam o «direito» de escolher a própria religião e portanto a própria «verdade», como se a Redenção e a Igreja não contasse para defini-la.

O duplo engano implica a liberdade, de um lado de quem propõe a nova doutrina tentadora da «liberdade religiosa» em nome da Verdade; de outro das multidões que aplaudem tais profetas e aceitam até a justificação do vodu por João Paulo 2º e o reconhecimento blasfemo que os judeus não precisam de Jesus Cristo para se salvar. Tudo segundo o engano da «redenção universal» do «cristão adulto» que «dispensa» todos da conversão à Fé porque pela«nova teologia teosófica» já teríamos em nós o sobrenatural (Surnaturel, H. De Lubac).

Desse modo, que cada um manifeste a própria religiosidade e culto humano, como ocorreu no espírito de encontro das «religiões do mundo» para a falsa paz de Assis! É a falsidade da fé subjetiva; cada um com a sua!

Eis o apostolado «perfeitamente» adverso ao verdadeiro, inspirado pelo Espírito Santo.

Da percepção atualizada do Anticristo no nosso mundo ocupa-se o nosso livro «Segredo de Fátima ou perfídia em Roma» tratando dos sinais evangélicos que de recente passaram a ser parte da conjuntura atual e desde o Vaticano 2º condicionam os eventos históricos presentes.

Como se viu, já constavam da Revelação e faltava somente conhecer a sua hora.

Cremos que a terceira parte do Segredo de Fátima foi dada para assinalar esse momento crucial que a história atual registrou. De fato, há notável “coincidência providencial” entre a data inicial da emblemática demolição eclesial e o subsequente “conclave” que elegeu João 23. Ele é quem, em 1960, já havia aberto a Igreja à todo engano e apostasia, depois de censurar a descrição da “liquidação” do papa católico com o seu inteiro séquito fiel, como nos mostra a visão do “Terceiro Segredo de Fátima” que, como hoje sabemos, nessa data indicada por Nossa Senhora (v. artigos precedentes), seria “mais claro”.

Todavia, contra esse discernimento insurge também um decadente aparato clerical com a objeção que as aparições marianas de nossa era são apenas revelações privadas.

Podiam negar que se um aviso celeste antecipa a data de fatos realizados na história do mundo e da Igreja com isto prova a sua origem profética? Por exemplo: mesmo quem duvida do valor da Mensagem de Fátima de 1917, pode negar que este «aviso» foi dado na vigília da revolução que difundiria no mundo os «erros da Rússia»?

Eis um evento público e mundial por nada privado, assim como não o é a «liquidação virtual» do Papado católico pouco antes de 1960, mais claro com a eleição dos de João 23 a quem seguiram os «papas» modernistas, autênticos vigários da mentalidade maçônica, que promoveram entre outros enganos a «nova teologia» (De Lubac, Congar, Von Balthasar, feitos cardeais por João Paulo 2º).

Não havia que discernir nisto um verdadeiro atentado para a penetração do Anticristo?

Esta conclusão aqui é posta para ser verificada por cada consciência à luz do que nos foi ensinado sobre a elevação máxima do poder de um anticristo no fim dos tempos. Mas podemos ignorar ao invés de agradecer a divina Providência que nos avisa de tal realidade extremamente falaz, revelada pela obra de demolição da Doutrina evangélica, única dada por Cristo?

Se vê que a mais alta traição diabólica é a outra condição para que se cumpra a ‘Perfeição na Imperfeição’, própria do Anticristo:  iniqüidade que consiste, senão na negação plena e oficial de Cristo da parte de um homem que foi eleito como seu Vigário na terra, na negação que a Sua Fé, pela qual padeceu a Paixão, seja indispensável para a salvação; outras tantas religiões do mundo seriam igualmente salvadoras!

É o ato mais ‘perfeito’ de perversidade de que é capaz um clérigo que passa por católico.

Na dúvida sobre a importância do aviso, erros e heresias das falsas autoridades são acolhidos pela multidão devido ao insuperável poder de sedução de tais clérigos revestidos do aparente carisma de pontífices de uma fé universal.

Assim, um inteiro povo é levado a amar alegres imposturas, embora a prova da presença de anticristos no Vaticano, como foi testemunhada por Mgr Lefebvre, esteja ao alcance de todo católico. Mas quantos são os que hoje não querem saber em que esses clérigos alteram a Fé? Uma massa humana sem fim! Que Deus tenha piedade de nossa geração!

 

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