Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

QUANDO É O ESTADO A PERSEGUIR A SANTA MADRE IGREJA

 Napoleão auto coroado

  • Sobre a dissimulada mas real perseguição à Igreja sob a forma de liberdade e de igualdade ouçamos o papa Pio VII, que viveu as conseqüências da revolução francesa: “Sob a igual proteção de todos os cultos, esconde-se e disfarça-se a mais perigosa perseguição, a mais astuciosa que seja possível imaginar, contra a Igreja de Jesus Cristo e, infelizmente, a melhor combinada para nela lançar a confusão e mesmo destruí-la, se possível fosse às forças e astúcias do inferno prevalecer contra ela”.
  • Eram palavras em vista sa separação  da Igreja do Estado, como a alma do corpo e este entregue aos delírios e erros do igualitarismo e liberalismo religiosos. Parecia previsão da futura abertura de uma nova Igreja ao liberalismo, que dando livre curso ao erro, persegue a verdade que lhe se opõe. Eis a obra da declaração da Liberdade Religiosa do Vaticano 2º, em ato já há meio século para a demolição da Igreja de Jesus Cristo.

 

 *

 *   *   *

 O ESTADO COMO BRAÇO SECULAR DA SANTA MADRE IGREJA

 

Poder papal

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

 

Debrucemo-nos sobre as seguintes passagens da Bula “Unam Sanctam” promulgada pelo Papa Bonifácio VIII, em 1 de Novembro de 1302:

« O Evangelho nos ensina que há na Igreja, e no poder da Igreja, dois gládios, o espiritual e o temporal. Quando os Apóstolos disseram: Há dois gládios aqui; – aqui, significa na Igreja. O Senhor não respondeu: É demais – mas sim: É suficiente. Certamente, aquele que nega que o gládio temporal esteja no poder de Pedro, desconhece a Palavra do Senhor: Coloca a tua espada na bainha. Portanto um e outro gládio estão no poder da Igreja – o espiritual e o temporal – mas o primeiro deve ser operado pela Igreja, e o segundo para a Igreja; o primeiro pela mão do sacerdote, o segundo pela mão dos reis e soldados, mas segundo o consentimento e a vontade do sacerdote. Entretanto, é necessário que o gládio esteja subordinado ao gládio, a autoridade temporal ao poder espiritual, pois o Apóstolo diz: Não há poder que não venha de Deus, e tudo o que existe é ordenado por Deus; ora esta ordem não existiria, se um dos gládios não estivesse subordinado ao outro, e enquanto seu inferior, pelo outro vinculado à categoria suprema, porque segundo São Dionísio: A Lei da Divindade é que as coisas inferiores sejam vinculadas âs superiores pelos intermediários. Não é pois conforme à harmonia do Universo que todas as coisas sejam RECONDUZIDAS À ORDEM DE FORMA PARALELA E IMEDIATA, MAS SÓMENTE AS MAIS ÍNFIMAS PELOS TERMOS MÉDIOS, AS INFERIORES POR TERMOS SUPERIORES. Porque o poder espiritual vence em dignidade e em nobreza todo o poder temporal, nós devemos reconhecê-lo com tanta mais evidência, o quanto as coisas espirituais sobrepujam as realidades temporais. O pagamento, a benção, bem como a santificação dos dízimos, a colação do poder, bem como a própria prática do governo, o fazem ver claramente com os nossos próprios olhos. Porque em testemunho da verdade, PERTENCE AO PODER ESPIRITUAL INSTITUIR O TEMPORAL, BEM COMO JULGÁ-LO, SE NÃO FOR BOM. Assim se verifica, no que toca ao poder eclesiástico e à Igreja, o oráculo de Jeremias: Eu vos estabeleci hoje sobre as Nações e sobre os Reinos.
Se portanto o poder espiritual se extravia, SERÁ JULGADO PELO PODER ESPIRITUAL; SE O PODER ESPIRITUAL SE EXTRAVIA, A INFERIOR SERÁ JULGADA PELA SUPERIOR, E SE FOR O PODER ESPIRITUAL SUPREMO – SERÁ JULGADO SÓ POR DEUS. O PODER ESPIRITUAL NÃO PODERÁ SER JULGADO PELO HOMEM, TAL COMO O ATESTA O APÓSTOLO: O HOMEM ESPIRITUAL JULGA DE TUDO, E ELE PRÓPRIO NÃO É JULGADO POR NINGUÉM. (1)
Ora esta autoridade, ainda que conferida a um homem, e exercida por um homem, não constitui uma autoridade humana, sendo antes um poder Divino, conferido a Pedro, pela boca do mesmo Deus, a Pedra estabelecida firmemente, para ele e seus sucessores, no Cristo, que Pedro, quando o Senhor disse ao próprio Pedro: Tudo o que ligares na Terra será ligado no Céu.
Assim, quem quer que resista ao Poder constituído por Deus, resiste a Deus, a menos que pense, segundo o maniqueísmo, que há dois princípios, o que nós julgamos como falso e herético. Porque segundo o testemunho de Moisés, não foi nos princípios, MAS SIM NO PRINCÍPIO, que Deus criou o Céu e a Terra. Consequentemente, nós afirmamos, declaramos e definimos, QUE ESTAR SUBMETIDO AO ROMANO PONTÍFICE, É PARA TODA A CRIATURA HUMANA UMA NECESSIDADE PARA A SUA SALVAÇÃO.»

A nossa existência de homens sobre a Terra, criaturas em que a alma espiritual constitui a forma da própria entidade material; habilitadas para assimilar princípios inteligíveis, precisamente a partir dos dados materiais que as envolvem; É UMA EXISTÊNCIA OBJECTIVA. Na realidade, tudo o que existe é objectivo, isto é, possui um acto metafísico próprio, independentemente de ser ou não conhecido, ou do sujeito, e do acto, pelo qual eventualmente venha a ser conhecido.
Quanto mais ser, mais unidade, mais verdade, mais bondade, possuir um ente, mais universal e objectivo também será.
Deus Uno e Trino possui uma objectividade infinita POIS É POR SI MESMO.
Ora se a realidade humana é plenamente objectiva, A RAZÃO DE SER DESSA REALIDADE, NÃO PODE CIRCUNSCREVER-SE A UM CAMPO SUBJECTIVO DE CARÁCTER SENTIMENTAL E VITALISTA. NÃO SE PODE EXPLICAR O MAIS PELO MENOS.
O pensamento subjectivista é essencialmente irreal, poético, volúvel, contingente em extremo, completamente cego para as grandes verdades filosóficas e teológicas do Catolicismo.
O relativismo dos chamados sofistas, pré-socráticos, difere profundamente do relativismo da actual civilização, com sua falsa Igreja anti-Cristo. É que há vinte e cinco séculos a humanidade, pese embora o pecado original, ainda dispunha de recursos naturais e Sobrenaturais, POIS NÃO HAVIA AINDA RENEGADO A NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. Mas após cinco séculos de negacionismo os referidos recursos encontram-se totalmente esgotados.
O poder anti-Cristo não pode escapar à dramática alternativa: ou a Santa Religião Católica é verdadeiramente OBJECTIVA, e então torna-se imperioso que dessa mesma realidade transcendente decorram consequências políticas e sociais PROPORCIONADAMENTE TAMBÉM OBJECTIVAS; ou então, se excluimos, por princípio, que o poder coactivo do Estado envolva matérias religiosas, facultando-lhes plena cobertura legal, então é porque as doutrinas religiosas NÃO SÃO NADA, A NÃO SER POESIA E CONTOS DE FADA. Não existe terceira via para esta questão.
Neste quadro conceptual se compreenderá então como o Direito Público externo Eclesiástico sempre considerou dever constituir o Estado, precisamente, o braço secular da Mãe Igreja, consignando esta tese um Magistério permanente, durante toda a peregrinação da Santa Madre Igreja, até ao negregado concílio de Roncalli e Montini, QUE NÃO FOI UM CONCÍLIO DA SANTA IGREJA, MAS UM LATROCÍNIO MAÇONICO.
É certo que o poder de César possui uma autonomia própria, todavia essencialmente subordinado à Cátedra de São Pedro. QUEM PODE O SOBRENATURAL, PODE O NATURAL, EM ORDEM AO SOBRENATURAL.
Mas não só. Os mesmos Papas, sobretudo desde São Gregório Magno (590-604), procuraram constituir um território próprio, onde fossem titulares de soberania internacional. Já Voltaire dizia que o Papa privado de soberania temporal própria se tornaria um simples capelão do Imperador.
Todavia o problema da soberania temporal reduz-se a uma questão estritamente teológica e filosófica. A Revolução de 1789 possuía como objectivo privatizar a Fé Católica, não apenas em França, mas nos restantes países católicos da Europa e América Latina; pretendia, em síntese, consagrar polìticamente a nefasta obra da Reforma. E se admitia que os indivíduos continuassem, a título puramente privado, a praticar a Fé Católica, NÃO ERA EM ATENÇÃO À QUALIDADE INTRÍNSECA, OBJECTIVA E TRANSCENDENTE, DESSA MESMA FÉ, MAS SIM COMO TRIBUTO AOS DIREITOS HUMANOS DOS HOMENS EM GERAL – POIS QUE SÒMENTE O HOMEM EXISTIA.
Assim a Fé Católica se via reduzida a um sentimento subjectivo, um capricho individual, um acaso cultural, de qualquer forma, absolutamente incomensurável com a normatividade coactiva e objectiva do Estado Positivo, saído da referida revolução.
Foi o Protestantismo, com suas tendências anárquicas, seguido pelo sensorialismo iluminista, que prepararam o Estado Positivo, para o qual só as realidades palpáveis e tangíveis contam.
Mas então qual é a diferença entre positivo e objectivo?
A Fé Católica é totalmente objectiva, pois não depende das vicissitudes inerentes às criaturas, mas não é positiva. As ciências, os fenómenos em geral, sim, são objectivos e positivos, quer dizer, impõem-se, por si mesmos, aos nossos sentidos e à nossa inteligência, conformando-os, necessàriamente. Os “Preambula Fidei” são “ex ratione” e “cum voluntate”; a Fé Teologal é “ex voluntate” e “cum ratione”; ou seja, como dizia Garrigou-Lagrange, se Deus fosse um fenómeno positivo entre outros, isso significaria que não seria Deus, mas criatura; mesmo na Ordem Natural e filosófica o processo, caracterizadamente racional, que conduz a Deus tem que possuir uma orientação determinada da nossa vontade, do nosso acto de ser, orientação essa, que é EMINENTEMENTE MORAL. Já no acto de Fé Teologal, ele é realizado “ex voluntate,” quer dizer, embora o conteúdo material da Fé seja plenamente racional, não é essa racionalidade, que avassalando a razão, a impele a crer; É A VONTADE, RECTAMENTE FORMADA, E SOBRENATURALMENTE SUSTENTADA, QUE IMPERANDO SOBRE A INTELIGÊNCIA, ESTA TAMBÉM SOBRENATURALMENTE ILUMINADA, A LEVA A CRER NOS CONTEÚDOS COGNITIVOS DA FÉ TEOLOGAL.
Ora o Estado Positivo só acredita naquilo que vê, naquilo que sente, A SUA ESFERA NORMATIVA SÓ ABRANGE OS FENÓMENOS, SÓ AVALIA O QUE DE ALGUMA FORMA É MENSURÁVEL E ENVOLVENTE DA VIDA HUMANA. TUDO O MAIS É COMO SE NÃO EXISTISSE, OU ENTÃO É ESSENCIALMENTE DIMINUÍDO PARA PODER SER REDUZIDO A FENÓMENO POSITIVO – TAL É O CASO DA FÉ CATÓLICA.
Se a Fé constituísse apenas mais um fenómeno positivo, que mérito seria o nosso?
São Pio X fustigou o “Sillon” precisamente na base desta naturalização da vida humana, SEGUNDO O ÓBVIO POSITIVO, que mais não é do que o UTILITARISMO, o qual reconduz a actividade do estado a uma aritmética dos prazeres e das dores, à maneira de Epicuro; todavia, como já afirmámos, o epicurismo moderno é essencialmente pior do que o antigo – POIS RENEGOU A NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. É evidente que uma civilização que não crê em nada pode com relativa facilidade tentar estabilizar-se na base do positivismo naturalista e da tolerância universal – TENTA, MAS NÃO CONSEGUE, COMO O DEMONSTRARAM, TERRÌVELMENTE, AS DUAS GUERRAS MUNDIAIS DO SÉCULO XX.
A razão humana, privada da razão Divina Sobrenatural, fracassou, e sempre fracassará, na edificação de um mundo sem Deus Nosso Senhor.
O Estado, constituído como braço secular da Igreja, salvaguarda os verdadeiros direitos dos cidadãos, criando-lhes as condições para se desenvolverem como bons chefes de família, bons professores, bons funcionários, e sobretudo BONS FILHOS DE DEUS, HERDEIROS DO CÉU. Sustentando um muito forte autoritarismo, imagem e participação da autoridade Divina, o Estado verdadeiramente Católico não é contudo totalitário, pois respeita e consagra o legítimo espaço de existência para o foro doméstico, corporativo e municipal, numa concepção estritamente orgânica e essencialista da sociedade.
Nunca olvidemos que quando se estabelecem instituições realmente cristãs, mesmo num território muito pequeno, logo as Graças Sobrenaturais se multiplicam, abençoando tudo e todos, e robustecendo extrìnsecamente a própria vida natural.
É que os mistérios de Deus são infinitamente ricos e ilustram a felicidade Sobrenatural dos Anjos e Santos.
Nem mesmo se pode afirmar que as instituições verdadeiramente cristãs, quando constituídas, possuem mérito por si mesmas; DEUS NOSSO SENHOR É QUEM TUDO FACULTA, NA ORDEM NATURAL E NA ORDEM SOBRENATURAL.
O mérito Sobrenatural dos homens, quando existe, é real; mas o seu único fundamento reside em Deus, no mistério da Predestinação.
Manifesta-se aqui, precisamente, o SEGREDO INACESSÍVEL de Deus Nosso Senhor como SENDO infinitamente acima dos fenómenos positivos, dos quais é Autor, por Criação. Só Deus pode predestinar, isto é, apenas Deus pode constituir o mérito Sobrenatural das criaturas; quanto mais Deus age, mais meios Sobrenaturais proporciona às criaturas, para elas mesmas agirem Sobrenatural livre e meritòriamente. Daí, esta dupla e maravilhosa Verdade: O nosso mérito é real, mas o seu único e exclusivo fundamento reside em Deus.
E o demérito? Já observámos como o mérito em sentido positivo, promana de uma acção Sobrenatural predestinante de Deus; o demérito não possui fundamento em Deus, a não ser negativamente, traduz-se por uma não Predestinação.
Então, será lícito produzir a asserção de que Deus Nosso Senhor quis a apostasia geral dos Estados, bem como a defecção da face humana do Seu Corpo Místico?
Deus Nosso Senhor, na Sua Inteligência Infinita e Eterna, concebeu, também eternamente, o plano do mundo no seu Todo, que tal é a Providência; ora o Todo vale por si mesmo, embora encerre muitas coisas más, que sendo privação qualificada de Ser, não resultam da acção positiva de Deus. Essas coisas más, Deus não as quer por si mesmas, mas enquanto parte do Todo, e em função desse mesmo Todo. Como é que Deus podia querer a obra do anti-Cristo, enquanto tal? Evidentemente que não, todavia é o mal que muitas vezes constitui ocasião, e até condição extrínseca providencial, para o mérito dos bons; pois neste nosso pobre mundo tudo se encontra anàlogamente hierarquizado e intìmamente relacionado, possuindo como causa final – A GLÓRIA EXTRÍNSECA DE DEUS; pois foi ela que suscitou a operação dos santos e de todos aqueles que tanto, tanto, amaram sobrenaturalmente a Deus, que tudo sacrificaram pela nossa Eterna Salvação.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

NOTA-1 – O Código de Direito Canónico de 1917, no canon 1556, diz: A Cátedra Suprema por ninguém é julgada. Isto é – O Papa, enquanto Papa, só por Deus pode ser julgado pelos crimes de delito comum que cometa, bem como pela sua indignidade pessoal. Pessoalmente sustentamos, que se acaso resignasse, a dignidade da Cátedra Suprema, conceder-lhe-ia, em princípio, imunidade vitalícia, não para defender o homem, mas a função.
Lisboa, 19 de Agosto de 2014

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: