Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

BLONDEL, TEILHARD, DE LUBAC, SOB A LUPA DE ORLANDO FEDELI

Gnosi spuria 

Arai Daniele

No meu último artigo sobre o «sumo anticristo» escrevi algo que me pedem agora seja explicado: “O duplo engano implica a liberdade, de um lado de quem propõe a nova doutrina tentadora da «liberdade religiosa» em nome da Verdade; de outro das multidões que aplaudem tais profetas e aceitam até a justificação do vodu por João Paulo 2º e o reconhecimento blasfemo que os judeus não precisam de Jesus Cristo para se salvar. Tudo segundo o engano da «redenção universal» do «cristão adulto» que «dispensa» todos da conversão à Fé porque pela «nova teologia teosófica» já teríamos em nós o sobrenatural (Surnaturel, Henry de Lubac). Desse modo, que cada um manifeste a própria religiosidade e culto humano, como ocorreu no espírito de encontro das «religiões do mundo» para a falsa paz de Assis!

É a falsidade da fé subjetiva; cada um com a sua!”. Sim, a falsa paz da Dignitatis humanae, da igualdade e liberdade religiosa inaugurada pelo Vaticano 2º.

Ao contrário da ordem normal, aqui começo pela breve bibliografia que interessa.

Enc. Humani generis – Papa Pio XII, 1950;

Getsemani – Cardeal Giuseppe Siri, trad. de Gederson Falcometa para «Salve Regina»;

La Gnosi Spuria – P. Ennio Innocenti, Città Ideale, Prato, 2013;

La Gnose contre la Foi – Etienne Couvert, Editions de Chiré, 1989;

Montfort – Orlando Fedeli, “Jean Guitton e o Modernismo no Concílio Vaticano II: Resposta ao parecer de Brescia.
Comecemos pelo importante estudo deste último autor para chegar às recônditas raízes da reforma ecumenista conciliar e maçônica da nova igreja dos «papas conciliares».
A questão da AUTO DEMOLIÇÃO DA IGREJA PROMOVIDA PELAS DOUTRINAS MODERNISTAS NO VATICANO II versa sobre a afirmação de Jean Guitton: “Quando leio os documentos concernentes ao Modernismo, tal como ele foi definido por São Pio X, e quando os comparo com os documentos do Concílio Vaticano II, não posso deixar de ficar desconcertado. Porque, o que foi condenado como uma heresia em 1906,  foi proclamado como sendo e devendo ser doravante a doutrina e o método da Igreja.

Cita então Monsenhor Baudrillart: “O Protestantismo é o homem que não reconhece outra autoridade religiosa sobre ou fora dele mesmo, que retira da sua própria consciência a verdade religiosa da qual ele vive: o homem moderno é aquele que entende não depender senão de si mesmo, dito de outro modo, aquele que é Deus por si mesmo. De um lado e do outro, Vós o vedes, chega-se à doutrina da autonomia e da glorificação pessoal do homem. Este é o espírito moderno, tal qual ele, hoje, nos aparece constituído, e ele é radicalmente contrário ao espírito cristão” (Monsenhor Baudrillart, discurso citado, apud. Pierre Collin, op. cit., p. 46. O negrito é meu).

«Portanto, a Modernidade nasceu do Humanismo e do Protestantismo, que criaram o mundo moderno, antropocêntrico e oposto à cosmovisão teocêntrica cristã. No mundo Moderno, o homem se reconhece como Deus. A Revelação seria algo que nasceria no interior do homem. Exatamente como a definiu o Modernismo, que é filho do Protestantismo e de Kant.»

Cabe então a pergunta: e quais as recônditas raízes do Humanismo e do Protestantismo?

«É bem verdade que a Pascendi e o Decreto Lamentabili condenaram especialmente as teses de Loisy. Mas não condenaram apenas as suas teses. O ‘Princípio de Imanência’, tão querido por Blondel, um dos pais do Modernismo, esse princípio também foi condenado pela Pascendi, que fala diretamente desse princípio de odor gnóstico. Tanto isso é verdade que Blondel se sentiu visado pelo texto da Pascendi e ficou muitíssimo perturbado.» E aqui já menciona esse “princípio de odor gnóstico”.

«Blondel escreveu então ao modernista Laberthonnière, que, a seu tempo, também será condenado por São Pio X: “’O que foi condenado, é justamente a tese da eferência, a religião que surge do fundo da consciência. Fazendo isso, se nos quis visar. Subsidiariamente se acreditou realmente golpear-nos (…)” (M. Blondel, apud Virgoulay, op. cit. p. 232). E Wehrlé, respondendo a Blondel, lhe escreveu: ‘O senhor foi visado e com uma precisão que afasta qualquer dúvida. Tomaram-se cuidados para não condená-lo [nominalmente], mas o senhor é condenado sem remissão’ (Wehrlé a Blondel, carta em 18 de setembro de 1907).

«Portanto, não há dúvida de que o filósofo modernista, do qual fala a Pascendi, é Maurice Blondel, ainda que ele não seja pessoalmente citado na encíclica.»

«O tema passou pois à « ‘dignidade do homem‘, este é um princípio da Modernidade, que está no fundo da heresia modernista. A famosa dignidade do homem da qual tanto se fala de modo escorregadio, consiste, como ensina a Santa Igreja pela boca de Leão XIII, que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e que foi chamado a ser filho adotivo de Deus pelo Batismo.  Não por outra razão humanista ou modernista acerca da dignidade do homem, e, muito menos, por uma pseudo identidade com Deus. Imagem, repito, não é identidade. Mas, para a Modernidade e para o Modernismo, a dignidade do homem quer dizer que o homem é Deus. O Humanismo, um dos fundamentos da Modernidade anticristã, o Idealismo e o materialismo histórico colocaram o homem no lugar de Deus.»

Demos assim com duas questões, que nosso amigo Orlando tratava com competência, da gnose e da «dignidade do homem» que almeja ser como Deus!

E passa de Blondel a Teilhard de Chardin:

«Jamais se impedirá o esforço da humanidade para integrar Cristo em uma Cosmologia: de outro modo Jesus não seria o Verbo’ (Cfr. Carta de Maurice Blondel a J. Wehrlé, il 9 di Maio de 1904, in  Blondel e Teilhard de Chardin – Correspondência comentada por Henri de Lubac, Moraes Editores, Lisboa – São Paulo, 1968, p.59).

«Aquilo que domina crescentemente o meu interesse é o esforço para estabelecer dentro de mim mesmo e para difundir em torno de mim uma nova religião (chamemo-la, se você quiser, uma cristandade desenvolvida) na qual o Deus pessoal não seria mais o neolítico grande proprietário de terras dos tempos ultrapassados, mas a alma do mundo’ (Apud Padre G.H. Duggan, S. M., The Collapse of the Church in the West – 1960-2000. O negrito é meu).

«E que Teilhard de Chardin era um gnóstico até mesmo os neo modernistas o reconheciam: ‘…apesar de algumas críticas que dizem respeito mais à forma que ao conteúdo, De Lubac concorda plenamente com Teilhard. Contra ele [Teilhard], não são válidas [para De Lubac] as acusações de atualizar a antiga Gnose, acusações formuladas por Etienne Gilson, Jacques Maritain e Hans Urs von Balthasar. Teilhard é um ‘místico’ que se coloca na trilha de Orígenes e se encontra plenamente com Blondel. Todos os caminhos levam a Blondel. Ele é o ponto de partida e de chegada. De fato, a ‘cristologia cósmica’ [de Teilhard] já está em Blondel, bem como o eclípse, na Encarnação, do tema da redenção’ (Massimo Borghesi, O Itinerário de Henri de Lubac — A História como Mística, in 30 Giorni, ano VII, n o 1, Janeiro de 1993).

«Até o gnóstico Urs von Balthasar reconhece que Teilhard de Chardin era um gnóstico! E o Padre de Lubac, apesar de tudo, procura justificá-lo! Portanto, não há dúvida de que esta Nova Religião de Teilhard de Chardin é a velha Gnose. E esta nova fé humanística preconizada por Teilhard de Chardin foi admitida pelo  Concílio Vaticano II, quando Paulo VI proclamou que a Igreja tem o culto do homem.»

Orlando Fedeli localizou a existência desse esoterismo gnóstico introduzido por de Lubac na sua «teologia».

Vejamos agora isto com outros estudiosos de «gnose». Para tanto é preciso fazer um passo atrás na história e falar da expulsão dos Judeus de diversos lugares da Europa e a influência que tiveram no Humanismo «ecumenista».

Vamos vê-lo no livro La Gnose contre la Foi de Etienne Couvert (Editions de Chiré, 1989). “Em 1482 os Judeus são expulsos da Sicília e se refugiam em Florença. Foi lá que formaram Pico della Mirandola (1463-1494). Sob a direção de Elia del Medigo e de Jonachan Alemann… estuda a Kabala nas escrituras misteriosas trazidas do Oriente… mergulha na Kabala e na ciência dos números, pretendendo encontrar nela a encarnação do Verbo, a divindade do Messias, a Jerusalém celeste… E há também um retorno ao Platonismo por obra dos judaizantes. » (Cap. GNOSE ET HUMANISME, p. 52-53.)

LE CULTE DE L’HOMME DIVINISÉ (p. 64 ss)

O homem, essa centelha divina caída no mundo, é de natureza e de origem divina. É microcosmo imago mundi”no macrocosmo, isto é, a reprodução na Terra do mundo divino. Só ele é Deus.É ainda o cumprimento de toda a Natureza em sua perfeição. Os humanistas o têm repetido em todas as formas. “O homem, disse Leone-Battista Alberti, pode retirar di si tudo o que quiser.”

“A natureza do nosso espírito é universal”, diz MatteoPalmieri. “Nós nascemos nessa condição, disse Pico Della Mirandola, que nós sejamos o que queremos ser.”

«O homem, diz Marsilio Ficino… esforça-se de estar donde quer como Deus e de ser para sempre… » formulações tomadas de sua Theologia platonica, são comentários da obra «Eritis sicut dei», promessa da Serpente a Adão. Sente-se, no entanto, nestes textos uma surda cólera contra Deus. O Homem bem que gostaria de ser divino; mas é nele um “esforço” sobre o futuro, e não uma realidade presente. Esse culto do homem está num devir. Pico della Mirandola publica um Discurso sobre a dignidade do Homem. Para terminar a obra da criação, Deus fez o Homem, a fim de que conhecesse as leis que governam o universo, e lhe animasse a beleza, que lhe admirasse a grandeza.

[…] A partir do pensamento muito justo, que o homem foi colocado por Deus aos confins do mundo material e o mundo espiritual, Pico della Mirandola falsifica o plano divino.

«Deus nunca revelou a Adão que ele poderia um dia se tornar divino. Ele apenas pediu-lhe de reinar sobre a criação como um homem e de prestar homenagem ao seu criador no respeito da ordem por Ele desejada, ou seja, a ordem da vida e a distinção entre o Bem e o Mal, as duas árvores sagradas do Paraíso. Ora Pico della Mirandola pretende que Deus também tenha dado ao homem a capacidade de divinizar-se à sua vontade. Como poderia ele adquirir essa faculdade [sobrenatural], se ele não a possuía já, em sua própria natureza?»

Henry de Lubac convocado por João 23 para dar o tom ao Vaticano 2º

É justamente esse «sobrenatural» intrínseco à natureza humana que a «Nova Teologia», especialmente com Henri de Lubac, quer introduzir na Igreja, e pensa tê-lo feito com o Vaticano 2º. Mas ainda falta ver a estreita ligação entre o pensamento de Pico della Mirandola e de Lubac nesse «tom»; qual senão o da «Nova Teologia» (NT) condenada na «Humani generis» de Pio XII?

Vamos ver agora até que ponto esta NT vai cair nas duas questões citadas da gnose e da «dignidade do homem» que almeja ser como Deus! Para isto vamos nos valer do trabalho La Gnosi Spuria do Padre Ennio Innocenti, (Città Ideale, Prato, 2013).

As idéias do ambiente renascentista de Florença encontraram muita simpatia na França e deixaram uma marca que chegou até nossa época. Assim, o Jesuíta Henry de Lubac, inspirado em Pico della Miarandola escreveu o livro cuja tradução foi publicada na Itália com o título «L’alba incompiuta del Rinascimento» (A aurora não completada do Renascimento) Jaca Book, Milano, 1977. É a este livro que o Padre Innocenti vai se referir para mostrar como de Lubac, o principal autor da «Nova Teologia» remonta às elucubrações gnósticas de Pico, que mistura Kabala, magia e religião.

Nosso Autor documenta bem a questão, que precisa ser aprofundada pelos efeitos que teve na Igreja através dos desvios do Vaticano 2º onde triunfou a NT. De fato essa influência de teor gnóstico e que seguia as tendências de Teilhard de Chardin e da Antroposofia foram acentuadas pela adesão de prelados como Wojtyla e Ratzinger, que tornaram-se «papas conciliares». Da «Lumen gentium» à «Gaudium et Spes» apresentam essa clara marca do sobrenatural encarnado em toda alma com Jesus Cristo. E as palavras são as mesmas usadas na «Redemptor hominis» de João Paulo 2º, da «Redenção» universal atribuída a todos. Tudo em virtude da sobrenatural dignidade humana, a «Dignitatis humanae» que é o título da declaração da liberdade religiosa pela qual os conciliares reconhecem o direito de todos a escolher e praticar a religião que escolher, mesmo contra a Fé revelada por Deus!

Ora, como contraprova desse triunfo da NT na igreja conciliar, basta lembrar que seus principais autores, de Lubac, Congar, Urs Von Balthasar, Chenu e Ratzinger, tornaram-se todos mestres prestigiados, sendo os três primeiros elevados à dignidade de cardeais. Ratzinger já o era então e ocupava o cargo de Prefeito da Congregação para a Fé.

Em seguida vamos ver a influência da NT, condenada por Pio XII, na formação da nova leva clerical, como seja a do P. Paulo Ricardo Azevedo.

3 Respostas para “BLONDEL, TEILHARD, DE LUBAC, SOB A LUPA DE ORLANDO FEDELI

  1. Felipe marques setembro 9, 2014 às 12:19 am

    Senhor Araí, salve a bem aventurada Virgem Maria!
    A maneira como o senhor nos esclarece questões difíceis e nebulosas numa linguagem fácil e gostosa me impressiona, podemos perder horas lendo o que o senhor escreve sem pegar no sono. Ratzinger cita Lubac na Spe Salvi, é o universalismo fruto da concepção da “Igreja como um sacramento”. Estava debatendo com um infalibilista quando me deparei com o seu texto questionávamos a ruptura ou continuidade da NOSTRA AETATE e da DiGNITATIS HUMANAE, r o rapaz citava, Leão XII em seu favor, gostaria que o senhor lesse por favor minha réplica, pois suas observações são sempre muito interessantes, fique com Deus.http://ieamleaoxiii.blogspot.com.br/2014/09/sobre-o-governo-mundial-ecumenico-e-o.html

  2. Pro Roma Mariana setembro 9, 2014 às 2:06 pm

    Salve Maria puríssima! Felipe você observou bem ao seu amigo que o fato de na ‘Nostra aetate» o Islão e o Judaísmo terem sido colocados mais próximos do Catolicismo implicava o embuste seguinte: o de alegar que devido ao monoteísmo temos com eles o mesmo Deus! É claro que tudo e todos tem o mesmo Deus, mas pela Religião sabemos como Ele revelou-Se; um conhecimento único que vem de Deus para o homem. Ao contrário, pela ‘gnose’ de outras religiões ou da maçonaria deduz-se como Deus deve ser; um ‘conhecimento’ humano sobre Deus, no qual o Vaticano 2º quer incluir ecumenisticamente todos. Dai a matriz da apostasia como segue aqui que publiquei em alguma parte: João Paulo II, seguindo o Vaticano II, sustenta que o Espírito Santo está, «em algum modo», presente em cada uma das outras religiões, fazendo esquecer que o Espírito Santo é uma das Três Pessoas da Santíssima Trindade. Desse modo se confunde deliberadamente o sentimento religioso natural do homem com o que é para a Religião Cristã a presença divina do Espírito Santo nas almas dos batizados. Dizia, além disso, que há três religiões monoteístas, com o mesmo Deus, o que é uma mistificação. Essa idéia, aliás, é categoricamente rejeitada pelos judeus e pelos muçulmanos, os quais não aceitam absolutamente a identificação de suas respectivas divindades com o Deus Uno e Trino da Religião Católica. Não obstante tudo isto, João Paulo II beijou publicamente o Alcorão, para ser fotografado nessa atitude, quando deveria saber, por exemplo como foi asserido pelo Prof. Muhammad Kamel Hussein, reitor da Universidade do Cairo, que: «a Trindade … é o ponto mais importante da divergência entre as duas religiões; toda tentativa de forçar os textos para uma aproximação é fadada ao insucesso». Nesta ótica, é aviltada a visão da Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana a «Igreja de Roma, Igreja de Pedro e Paulo» (cfr. Ut Unum Sint, 5.5.1995).
    Tudo isto (segundo a Nostra aetate) lhe conferiu o pleno apoio da Maçonaria. Basta ler o discurso final pronunciado pelo Grão Mestre Armando Corona na Grande Loja, no Equinócio da Primavera, publicado em Hiram, o Órgão do Grande Oriente da Itália em Abril de 1987: «O nosso interconfessionalismo nos valeu a excomunhão por parte de Clemente XI. Mas a Igreja estava certamente no erro, se é verdade que, no dia 27 de Outubro de 1986, o atual Pontífice reuniu em Assis homens de todas as confissões religiosas para orar pela paz… Que mais procuravam os nossos irmãos quando se reuniam nos templos, senão o amor entre os homens, a tolerância, a solidariedade, a defesa da dignidade da pessoa humana, considerando-as iguais, acima dos credos políticos e religiosos…?» A ‘Nostra aetate’ foi a abertura da «igreja conciliar’ também à Maçonaria.

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