Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A FÉ CATÓLICA COMO REALIDADE INFINITAMENTE ACIMA DAS COISAS DESTE MUNDO

O tempo de NOSSA MÃE e SENHORA das DORES

O Papa São Pio X fixou a data de 15 de setembro no calendário litúrgico para que  seja de Nossa Senhora das Sete Dores, dores de Maria, ou Virgem Dolorosa.

Assim honramos a dor aceita por Maria na obra da Redenção cumprida na cruz, junto da qual a Mãe de Deus crucificado tornou-se a Mãe do Corpo Místico nascido do lado de Jesus Cristo.

Como cristãos, nascemos do Sacrifício do Filho de Deus participado no amor materno de Maria que o oferece como Mãe de Deus e nossa à meditação fiel.

  • Nunca, nunca olvidemos, que só levaremos deste pobre mundo o que possuir UM VALOR ETERNO, valor esse que só pode promanar da Cruz de Nosso Senhor, que todos temos de ajudar a transportar, como Nossa Senhora das Dores, e na qual encontraremos a verdadeira e única Paz – A PAZ SOBRENATURAL.

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Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos São Pedro na sua primeira Epístola:

«Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na Sua grande misericórdia nos regenerou pela Ressurreição de Jesus Cristo, dentre os mortos, para uma esperança sempre viva; herdando a glória incorruptível, sem pecado, que nos está reservada nos Céus, que o poder de Deus vos guarde para a salvação pela Fé, prestes a manifestar-se no momento derradeiro.
Com este pensamento rejubilareis, se bem que vos sejam ainda necessárias, por algum tempo, diversas provações, para que a vossa experimentada Fé, mil vezes mais preciosa do que o ouro, o qual, apesar de submetido ao fogo, se corrompe, constitua motivo de louvor, glória e honra, na Revelação de Jesus Cristo.
Vós O amais sem nunca O terdes visto; vós acreditais n’Ele, sem O conhecerdes; exultareis, portanto, cheios de glória, na certeza de alcançardes o prémio da vossa Fé, a salvação das vossas almas.
Esta salvação tem sido objecto de meditações dos profetas, cujas predições anunciam a Graça que vos estava destinada; Eles procuravam descobrir qual o tempo, e quais as circunstâncias, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles residia, e que previa os sofrimentos reservados a Cristo, e a Glória de que seriam seguidos.
Foi-lhes revelado de que não se tratava de si próprios, mas de vós, a quem anunciariam estas coisas, ditadas pelo Espírito Santo, descido do Céu: Mistério profundo, onde os anjos desejariam mergulhar os seus olhares inquisidores.»  1Pd 1,3-12

Todo aquele que, pela Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, possui o Amor Sobrenatural a Deus, sobre todas as coisas, e ao próximo, por Amor de Deus, contempla sempre com enorme tristeza, a inconsideração, a displicência e a acídia, com que o mundo, a começar pelo nominalmente católico, trata e sempre tratou, os interesses da sacrossanta Fé Católica.
As pesadas consequências do pecado original, impulsionam as almas para o mimetismo de fachada social, um formalismo sem conteúdo algum, um ritualismo habitudinário, e tudo isto com o Sagrado Nome Católico. Observando os ímpios, o quão malbaratada é a Fé, por aqueles mesmos que se dizem crentes, mais se obstinam na própria impiedade. É neste quadro conceptual, que se deve tentar compreender, como foi possível, no espaço de uma geração, liquidar, sem qualquer resistência popular, a Santa Madre Igreja como realidade social e cultural.
Nunca se afirme porém que a Santa Madre Igreja, ao ser demolida na sua face humana, perdeu igualmente a sua visibilidade – Reduziu-a essencialmente, enviando-a para as catacumbas, mas não a anulou.
Nos primeiros séculos, até Constantino Magno, a Santa Igreja, cruentamente perseguida pelas autoridades do Império, mesmo nas catacumbas, era visível, PARA QUEM A QUERIA VER.
Anàlogamente, nestes nossos ominosos tempos, em que o Nero das almas ocupa o Lugar Santo, o Santo Sacrifício continua, apesar de tudo, sendo celebrado, e recordemos que uma só Missa possui um VALOR INFINITO; o Céu PARECE encerrado, mas não está, nem pode estar; haverá sempre almas consagradas pela Graça, almas tocadas pelo celeste perfume; não olvidemos que o Bem é tendencialmente silencioso e o mal tendencialmente ruidoso. O Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo está vivo, na Fé, na Esperança, e na Caridade, o Corpo social e terreno é que foi destruído.
Mas então – questionar-se-á – se a Santa Igreja como realidade, institucional, social, desapareceu, e o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo é indissociável da sua expressão normativa institucional, visível, indefectível, e que além disso consubstancia um perene motivo de credibilidade, como harmonizar tudo isto com as promessas do Redentor?
A expressão normativa, institucional, referida é TRANSCENDENTALMENTE indissociável do Corpo Místico, mas ONTOLÒGICAMENTE (1) pode sofrer as vicissitudes da História; Nosso Senhor não prometeu que, EM CONCRETO, a edificação HISTÓRICO-JURÍDICA do Corpo Místico, não pudesse ser atacada e usurpada a partir do exterior, como de facto foi.
Mas então, e a visibilidade da Santa Igreja? E a sua função como motivo de credibilidade?
Não se nega que a visibilidade da Igreja haja sido essencialmente diminuída, consequentemente, a função de motivo de credibilidade também foi essencialmente diminuída – mas não anulada. TAL CONSTITUI UM CASTIGO EXTRAORDINÁRIO PRÉ-ESCATOLÓGICO À HUMANIDADE. Na realidade, hoje as almas condenam-se AOS MILHÕES, segundo a própria expressão de Monsenhor Lefebvre. E Nosso Senhor referia-se à nossa pobre época, privada institucionalmente da Verdade e da Santidade, quando afirmou: “E se não fossem abreviados esses dias, criatura alguma poderia salvar-se, mas por causa dos eleitos eles serão reduzidos” (Mt 24,22).
A função normativa, institucional, terrena, do Corpo Místico foi cancelada pelo poder anti-Cristo, mas esse poder não é absoluto; necessàriamente criou, cria, e criará cada vez mais, os mais eficazes anti-corpos; será através dessas almas, a grande maioria anónimas, que a Providência Divina, agiu, age, e agirá progressivamente, com mais eficácia Sobrenatural.
Pertence à infinita irradiação Sobrenatural do Corpo Místico, a faculdade deste recriar o seu organismo terreno e social – ainda que em regime de catacumba.
Mas qual a razão profunda de tudo isto?
A razão mais profunda reside, na analogia, mas concomitantemente, na incomensurabilidade entre a Ordem Natural e a Ordem Sobrenatural, bem como no carácter absolutamente gratuito desta última. Só Deus Nosso Senhor, que possui a chave das Essências, a chave da Criação, só Deus pode compreender a suprema sabedoria da ideia Providencial que harmoniza e integra maravilhosamente o Natural e o Sobrenatural.
Todavia, a alma elevada em Graça, pode de alguma forma, descobrir em si mesma, essa incomensurabilidade: Sabemos que o caminho Sobrenatural para Deus, é o caminho do Calvário iluminado pelo Tabor; mas sendo mortal, a alma sentirá, a todo o tempo, o peso do corpo, o peso da Terra, QUE NOSSO SENHOR, NA SUA VIDA MORTAL, TAMBÉM SENTIU; os sofrimentos da alma provêm do mundo natural, ainda que perfeitamente iluminados e ilustrados pela Graça. Para imergir naquela Paz que não é deste mundo, a alma tem de aprender a “COLOCAR-SE” sobrenaturalmente À LUZ DE DEUS, numa certa metamorfose interior, sempre auxiliada pela Graça e pelos Dons do Espírito Santo; sem Deus, sem o Seu concurso, nada lhe seria possível; com Deus, pode SOBRENATURALMENTE tudo.
A ascensão para Deus implica, sem dúvida, uma certa aprendizagem, QUE NÃO É NATURAL, MAS ESTRITAMENTE SOBRENATURAL. Certas fases espirituais de aridez e secura interior devem-se, sem dúvida, ao facto da alma ainda “não saber,” com perfeição, dar-se a Deus Sobrenaturalmente.
Não olvidemos que a Graça é, filosòficamente, um acidente, pelo qual somos, acidentalmente, Aquilo que Deus É Essencialmente.
E voltando ao início: É trágico ver como as pessoas do mundo, os políticos do mundo, em todas as épocas, DESCONHECERAM EM ABSOLUTO A ORDEM SOBRENATURAL. Pràticamente, só os Imperadores e Reis canonizados, é que prescindiram de utilizar a Religião Católica como puro instrumento de coesão político-social – QUE TAMBÉM É, SEM DÚVIDA, MAS É INFINITAMENTE MAIS DO QUE ISSO.
A própria Inquisição Medieval, a mais santa de todas, porque estritamente vinculada ao Papa, foi constituída para salvaguardar a recta apreciação e castigo dos crimes de heresia, subvertida que estava pelo poder civil, que apenas prosseguia interesses políticos, puramente terrenos.
Uma das insuficiências da Santa Madre Igreja, ao longo dos séculos, foi não se ter dado eficazmente conta de que a grande massa dos baptizados era, quando adulta, puramente nominal, de fachada social – TERRÍVEL CONSEQUÊNCIA DO PECADO ORIGINAL E  DO PECADO ACTUAL.
Mas para os chefes políticos, tal era indiferente, visto que o nominalismo mimético-social PRODUZ TREMENDOS EFEITOS DE ORDEM POLÍTICA:
Os “baptismos” (INVÁLIDOS) de judeus realizados à força, no tempo de D. Manuel I de Portugal; as “Dragonadas” de Luís XIV, de França; o “Paris vale bem uma Missa” de Henrique IV de França; a política fraudulenta de Napoleão III, também em França; o oportunismo de Mussolini, mas do qual, Pio XI se soube aproveitar com inteligência.
Desgraçadamente, na História Universal e na vida dos povos, a Fé Teologal, Sobrenatural, foi quase sempre  considerada  uma realidade terrena, ao serviço de ambições terrenas.
Nunca, nunca olvidemos, que só levaremos deste pobre mundo o que possuir UM VALOR ETERNO, valor esse que só pode promanar da Cruz de Nosso Senhor, que todos temos de ajudar a transportar, e na qual encontraremos a verdadeira e única Paz – A PAZ SOBRENATURAL.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 10 de Setembro de 2014

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

NOTA – 1 – Após a morte, a nossa alma permanece, ONTOLÒGICAMENTE, separada do corpo, mas TRANSCENDENTALMENTE, vinculada a ele.

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