Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

SERÃO OS HOMENS, HOJE, MORALMENTE PIORES QUE EM ÉPOCAS PASSADAS?

castigo

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos São Lucas, no Livro dos Actos dos Apóstolos:

«Então Paulo, pondo-se de pé, no meio do Areópago, disse: Atenienses, em todas as coisas vejo que sois os mais religiosos. Com efeito, percorrendo e examinando os vossos monumentos sagrados, encontrei até um altar, sobre o qual estava escrito: “Ao deus desconhecido”. Aquele que vós, sem conhecer, honrais, Esse mesmo venho anunciar-vos. O Deus que fez o mundo, e todas as coisas que ele encerra, que é o Senhor do Céu e da Terra, não habita nos templos feitos pela mão do Homem, nem é servido pelas mãos humanas como tendo necessidade de alguma coisa, Ele dá a todos a vida, o sopro da respiração e tudo o resto; criou, de um só homem, toda a raça humana para habitar sobre toda a superfície da Terra, tendo fixado os tempos prescritos e as fronteiras da Sua habitação; a fim de que os homens procurem Deus, se na verdade eles O puderem sentir, e O  encontrem, e certamente não está longe de nós; porque n’Ele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dos vossos poetas disseram – pois nós somos também da Sua raça. Sendo pois da raça de Deus não devemos pensar que a Divindade seja semelhante ao ouro, à prata, ou à pedra que revelam a arte e o pensamento do Homem. Olhando então por cima destes tempos de ignorância. Deus agora anuncia aos homens todos, em toda a parte, que devem converter-se, porque fixou um dia em que deve julgar todo o universo em justiça por um Homem que designou, dando a todos como garantia a Sua Ressurreição dos mortos. Mas quando ouviram “ressurreição dos mortos,”uns chasqueavam, outros disseram: “Havemos de te ouvir falar sobre isso uma outra vez”. Assim Paulo retirou-se do meio deles. Alguns homens, aderindo a ele, acreditaram, entre os quais Dinis o areopagita, e uma mulher chamada Damaris, e outros ainda».  Act 17,22-34

Constitui uma asserção muito comum o proclamar-se a decadência moral, progressiva, da Humanidade, ao longo das idades, tendo nesta perspectiva, sido atingido o cume da depravação, precisamente, na nossa idade pós-Cristã.
Todavia é certo, que após o pecado original, NÃO HOUVE MAIS NENHUMA DESCONTINUIDADE ONTOLÓGICA NA CONDIÇÃO HUMANA.
Nunca se deve idealizar o passado; no plano de DIREITO não é sustentável a tese de que no passado os homens seriam moralmente melhores; a História da Igreja, bem como a História Civil, não apoiam, de forma alguma, tal tese. Em particular, não se deve idealizar a Idade Média. Sem dúvida que no plano de Direito as sociedades eram cristãs, todos as pessoas eram baptizadas, e a autoridade eclesiástica possuía uma magnitude moral e uma eficácia civil tendencialmente indiscutível; mas não é menos verdade que a corrupção moral era enorme, a começar nas classes superiores, incluindo o clero; as mancebias, a bigamia, o perjúrio, a opressão de orfãos e viúvas, os assassínios; pois não olvidemos, que nessa época não havia Estado, tal como hoje o concebemos, em virtude da fragmentação do poder político e da promiscuidade da esfera pública com a esfera privada; portanto, o senhor feudal podia cometer, impunemente, os piores crimes – e o que é facto é que os cometia.
Recordemos o século X, a época mais trágica e obscura da História da Igreja, até ao Vaticano 2, em que os assassinatos, políticos e não só, tingiram de sangue a Sé Romana, até ao ponto dos maiores especialistas não estarem de acordo sobre quais os Papas e quais os anti-papas.
Neste quadro conceptual, deveremos considerar que satanás, o príncipe deste mundo, inimigo de Deus e dos homens, corruptor da História, impotente para introduzir na humana condição uma nova descontinuidade ontológica (a primeira fora o pecado original) que afastasse ainda mais a Humanidade de Deus, optou por estabelecer verdadeiras sinergias diabólicas no mal efectivamente existente neste mundo, intensificando-lhe (ao mal) extraordinàriamente a eficácia. Portanto, o mal no mundo, em si mesmo, não aumenta, nem diminui, é sim engenhosamente trabalhado por satanás de forma a multiplicar-se-lhe a eficácia.
ENTÃO, E DEUS NOSSO SENHOR PERMITE TAL COISA?
A santa Providência é a ideia absoluta do Mundo, Eternamente presente na Inteligência Divina; Deus não quer, não pode querer, o mal em si mesmo, permite-o sòmente, para maior Bem total e Universal. Deus Nosso Senhor quer o mundo no seu todo, composto de Bem e mal, e o quer para Sua maior Glória, como finalidade primária e absoluta; e também para a felicidade Sobrenatural da criatura espiritual, como finalidade secundária e condicionada.
A Historia dos últimos cinco séculos é demonstrativa desse progressivo engenho diabólico,na condução dos acontecimentos e no manobrar dos homens, sobretudo dos homens revestidos de autoridade. Porque satanás sabe que a grande maioria dos homens é fraca, não possui estrutura própria, vontade própria, e pensa e age por puro mimetismo nominalista. Assim, um homem pervertido, numa função importante, pode multiplicar indefinidamente, incessantemente, o mal que nutre dentro de si.
Satanás soube aproveitar as invenções técnicas para se introduzir nas instituições e NAS ALMAS; a imprensa foi a sua primeira grande arma de destruição maciça; através dela logrou atacar o Santo Sacrifício da Missa e disseminar as blasfémias de Lutero, amplificando-as; conseguiu  difundir os pressupostos naturalistas dos chamados humanistas; e triunfou em  penetrar, paulatinamente, nos países que haviam permanecido católicos, sobretudo em França. Satanás foi o autor dos acordos de Vestefália (1648) nos quais o Romano Pontífice perdeu toda a influência internacional, e o próprio protestantismo foi reconhecido definitivamente como religião de Direito Público do Império.
Ulteriormente, satanás procedeu à dedução das consequências políticas da dita Reforma; com a maçonaria internacional como seu braço terreno, e com permissão de Deus, para castigo da Humanidade, satanás laicizou os estados ainda católicos, destruiu a família católica, através do casamento civil, do divórcio, e do ensino laico e obrigatório, aniquilou o conceito de legislação civil como braço secular da Santa Igreja, dissolveu os Estados pontifícios; TUDO EM NOME DA CHAMADA DIGNIDADE HUMANA, PROCLAMANDO COMO VALOR HUMANO O QUE NA REALIDADE PERTENCIA A DEUS UNO E TRINO.
Aproveitando-se dos novos meios de comunicação (rádio e televisão), satanás propagou a impiedade nos meios rurais mais profundos, que até aí haviam permanecido dela relativamente imunizados.
Enfim, sempre com permissão de Deus, e para castigo do oceano de pecados que é a Humanidade; satanás infiltrou-se na face humana do Corpo Místico – ocultando-o. Deste modo, a Verdade e o Bem cessaram històricamente de possuir existência institucional – caso absolutamente único desde Adão.
Satanás conseguiu que, ao contrário dos atenienses do tempo de São Paulo, A HUMANIDADE JÁ NEM POSSUA A CONSCIÊNCIA DE QUE PODE ESTAR IGNORANDO ALGO DE FUNDAMENTAL. Conduzida pela nunca suficientemente amaldiçoada seita conciliar, a massa humana já NÃO POSSUI NOÇÃO DO QUE IGNORA.
O conhecimento é uma operação simultâneamente ontológica e transcendental, mediante a qual uma forma detém a plasticidade de receber e assimilar objectivamente outras formas. Os Anjos, no acto da sua Criação, recebem directamente de Deus as espécies representativas do mundo sensível; QUANTO MAIS PERFEITO É O ANJO, MAIS CONCENTRA E APURA O SEU CONHECIMENTO NUM MENOR NÚMERO DE ESPÉCIES; NO LIMITE INFINITO, DEUS CONHECE POR UMA SÓ ESPÉCIE, QUE É A SUA PRÓPRIA ESSÊNCIA. O Anjo, na Ordem Natural, na sua própria essência espiritual, conhece directa e intuitivamente a Deus; mediante outras espécies, não infusas, conhece os outros Anjos, bem como as próprias almas separadas; não há, nem pode haver, Anjos ateus, mas sòmente Anjos que odeiam a Deus; pois que o Anjo, na ordem natural, é ontològicamente impecável.
Os homens, dada a sua constituição, assimilam o inteligível a partir do sensível, e não podem conhecer intuitivamente a Deus. Quanto mais perfeita é a forma espiritual, mais conhecimento inteligível assimila; os animais apenas podem adquirir conhecimentos sensíveis, que colocam ao serviço do instinto, pois possuem uma forma imaterial, MAS NÃO ESPIRITUAL.
O Juízo é o acto em que uma inteligência se compromete objectivamente com o verdadeiro e o falso, aplicando uma forma, de elevado grau de abstracção, a uma matéria.
É DA ANALOGIA INDUTIVA DO CONHECIMENTO QUE SURGE A IGNORÂNCIA; nesta, a inteligência reconhece que possui uma matéria não fecundada pela forma que lhe é proporcionada. PORTANTO, ATÉ PARA TER CONSCIÊNCIA DA IGNORÂNCIA É PRECISO CONHECER. QUANTO MAIS SE SABE, EM CERTO SENTIDO, MAIS SE IGNORA, PORQUE MAIS VASTO É O TERRITÓRIO INTELECTUAL QUE É ABRANGIDO COMO PRIVADO DE FORMA.
Neste enquadramento, conclui-se: A Humanidade actual ainda está mais afastada de Deus do que o mundo pagão de há dois mil anos, tão afastada, que nem concebe o “deus desconhecido”, pois o seu universo mental e moral está completamente anquilosado, desintegrado.
Satanás, com permissão de Deus, para castigo dos nossos pecados, soube ser o verdadeiro engenheiro do mal, pois que extraindo todas as sinergias do mal existente, soube amplificar extrordináriamente a sua eficácia, causando uma verdadeira descontinuidade religiosa, já que não pôde proceder a nova descontinuidade ontológica.
A descontinuidade religiosa que vivemos possui carácter pré-escatológico e só poderá ser totalmente reparada com a Parúsia de Nosso Senhor Jesus Cristo; até lá, cumpre aos verdadeiros católicos não desfalecerem na denúncia do mal absoluto (não em sentido metafísico) que representa a seita conciliar, bem como de todos os que ousarem com ela contemporizar.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

LISBOA, 3 DE OUTUBRO DE 2014

Uma resposta para “SERÃO OS HOMENS, HOJE, MORALMENTE PIORES QUE EM ÉPOCAS PASSADAS?

  1. Zoltan Batiz outubro 5, 2014 às 10:45 am

    «que satanás, o príncipe deste mundo, inimigo de Deus e dos homens, corruptor da História, impotente para introduzir na humana condição uma nova descontinuidade ontológica (a primeira fora o pecado original)»

    Mas tenho a “impressão” que mesmo assim, a “continuidade hermenêutica” (à la Ratzinger, coitadinho, rest in pieces) preservou-se. Mesmo se a continuidade ontológica não.

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