Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

INFALIBILIDADE E INERRÂNCIA

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Leão XIII, em excertos da encíclica “Providentissimus Deus”, promulgada em 18 de Novembro de 1893:

«É claro que a luta teve de ser travada antes contra aqueles que, baseados no seu próprio juízo particular, e repudiando as Tradições Divinas e o Magistério da Igreja, afirmavam que as Escrituras constituíam a única fonte de Salvação, e o árbitro supremo da Fé. Agora a luta é contra os racionalistas, os quais, COMO FILHOS E HERDEIROS DOS PRIMEIROS, BASEANDO-SE IGUALMENTE NO PRÓPRIO JUÍZO, REPUDIAM, DA MANEIRA MAIS ABSOLUTA, ATÉ ESSES ELEMENTOS DE FÉ CRISTÃ, RECEBIDOS DOS PAIS. Efectivamente, eles negam completamente, quer a Revelação Divina, quer a Inspiração e a Sagrada Escritura, e andam dizendo que outra coisa não são senão artifícios e invenções dos homens, que não contêm verdadeiras narrações de coisas que realmente aconteceram, mas fábulas inúteis e histórias mentirosas.
(…) Apresentam esses erros graves, com os quais julgam poder destruir a sacrossanta verdade dos Livros Divinos, como sentenças decisivas de uma nova ciência livre. Porém, essas sentenças parecem a eles mesmos tão incertas, que são obrigados a substituir muito frequentemente as suas opiniões sobre as mesmas questões. Entre eles não faltam os que, não obstante, pensem e falem tão ìmpiamente de Deus, de Cristo, do Evangelho, bem como de toda a Sagrada Escritura, contudo querem passar por teólogos, cristãos e evangélicos, procurando encobrir debaixo de um nome sedutor, a temeridade de engenho insolente. (…)Nunca poderemos lastimar o bastante, como essa luta vai aumentando cada dia mais, e tornando-se sempre mais encarniçada. (…) Espalham, por entre o povo inculto, o seu veneno mortífero, com livros, opúsculos e diários, já invadiram quase todos os campos, mantendo em suas mãos muitas escolas de jovens, subtraídas da tutela da Santa Igreja, nas quais são corrompidas, miseràvelmente, suas mentes ainda dóceis e crédulas, sendo levadas ao desprezo pelas Escrituras, SERVINDO-SE PARA ISSO MESMO TAMBÉM DO ESCÁRNIO E DE BRINCADEIRAS OBSCENAS.»    

Por mais mentiroso que seja um homem, o conceito de Verdade, mais ou menos inconscientemente, é para ele estruturalmente basilar. Filosòficamente, o fundamento da mentira é – A VERDADE; não existem mentiras absolutas, como não existe o mal absoluto; para se acreditar numa mentira, esta tem de possuir algo de verdadeiro; tal como o mal, só pode existir, como corrosão operativa do ser pelo não ser.
A inteligência só pode constituir-se pela Verdade e para a Verdade, por muito subvertidas que estas noções se apresentem. Os ditos “filósofos” do absurdismo só podem conceituar uma privação radical de sentido e de compreensão do ser, como um defeito no próprio ser, que enquanto tal, é pensável. O absurdo absoluto, nem sequer é pensável, PORQUE É NADA!
Neste nosso mundo verificamos que todos os entes atingem o seu próprio fim; as leis físicas possuem uma magnífica unidade: A inclinação do eixo da Terra proporciona uma variedade de estações do ano, de notável interesse para a agricultura; a existência de oceanos fornece uma bomba de calor que ajuda a estabilizar as temperaturas, evitando os extremos; a vida vegetal fornece oxigénio à atmosfera e é fonte de alimentos para homens e para animais; estes por sua vez, seguindo infalìvelmente os seus instintos, servem a natureza no seu todo, e servem o homem, em função do qual estão ordenados.
Se a mil vezes maldita Igreja conciliar tivesse razão, então o Homem seria o único aborto da Criação; porque a sua inteligência e a sua vontade permaneceriam privadas, quer do seu objecto proporcionado, quer do seu objecto adequado, que tais são, a inteligibilidade do mundo sensível, bem como o próprio princípio do Ser enquanto Ser, passos necessários para alcançar Deus – A EXISTÊNCIA DO HOMEM NÃO POSSUIRIA, ASSIM, QUALQUER FINALIDADE.
Embora o Homem, mesmo na Ordem Natural, possuísse já um sentido perfeitamente definido para o seu ser e as suas faculdades; aprouve a Deus, na Sua Infinita Bondade, elevá-lo à Ordem Sobrenatural, para que participando da Natureza Divina, gozasse da própria felicidade de Deus Uno e Trino.
Desde Adão, até ao maldito concílio vaticano 2, a Verdade e o Bem sempre dispuseram, ao longo da História, de um sustentáculo institucional que os defendesse: os Patriarcas ante-Diluvianos, Abraaão, o Pai dos crentes, Isaac, Jacob, Moisés, Josué, Samuel,
toda a dinastia de David, a Reforma centralizadora do culto em Jerusalém do rei Josias, os grandes Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, os heróicos chefes Macabeus. Ou seja: A Revelação do Antigo Testamento possuiu sempre um sujeito institucional infalível.
A Revelação define-se  como: UMA INTERVENÇÃO, POSITIVA, OBJECTIVA, ESSENCIAL, DE DEUS NA HISTÓRIA HUMANA, ILUSTRANDO-A SOBRENATURALMENTE COM O LUME DA SUA VERDADE PROVIDENCIAL.
Inspiração não é o mesmo que Revelação; consiste numa moção Sobrenatural com que Deus, como causa eficiente principal, conduziu os autores sagrados, como causa instrumental, a consignarem fielmente tudo o que Deus lhes ordenava, assitindo-lhes positivsmente em todo o processo.
Em muitos casos, o hagiógrafo podia já ter conhecimento, por vias naturais, do objecto próprio da Revelação; nesse enquadramento, a verdade natural ERA FORMALMENTE, SOBRENATURALMENTE, ELEVADA À DIGNIDADE DE VERDADE DE REVELAÇÃO, POR ACÇÃO DA DIVINA INSPIRAÇÃO.
Toda a Revelação é sempre Sobrenatural, mas não é milagrosa. Efectivamente, o texto Bíblico DEPENDE IMEDIATAMENTE TODO DE DEUS, E TODO DO HOMEM; DE DEUS COMO CAUSA PRINCIPAL E DO HOMEM COMO CAUSA INSTRUMENTAL. Deus, sem deixar de agir Sobrenaturalmente, acomoda-Se às faculdades do autor Sagrado, desenvolvendo-lhe a Luz intelectual natural, agindo sobre a cogitativa e sobre a memória; todavia a acção Sobrenatural pròpriamente dita sobre a inteligência e a vontade, age de forma semelhante à dos Dons do Espírito Santo; com a grande diferença de que os Dons são facultados, formalmente, EM ORDEM À SANTIFICAÇÃO DA ALMA, E A INSPIRAÇÃO SOBRENATURAL ESTÁ ORDENADA À CONSIGNAÇÃO DA REVELAÇÃO.
Em Malaquias 1,11 lemos:”Porque desde o nascer do Sol até ao poente, o Meu Nome é grande entre as Nações, e em todo o lugar se sacrifica e se oferece em Meu Nome o incenso de uma Oblação pura”. Ora o Profeta, inspirado por Deus, vivendo 450 anos antes de Nosso Senhor Jesus Cristo, refere-se ao Santo Sacrifício da Missa, como ao Sacrifício Universal, de valor infinito, que viria a substituir os sacrifícios da antiga Aliança; e fá-lo segundo os conceitos Sobrenaturais que recebia de Deus, como Causa Eficiente principal – o conceito de Sacrifício, o conceito de superação absoluta, e o conceito de universalidade. Mas a Causa Principal, que é Deus, assume a causa instrumental, que é o Profeta, COM TODAS AS SUAS LIMITAÇÕES, PESSOAIS, INTELECTUAIS, SOCIAIS E CULTURAIS; se as não assumisse, não poderíamos falar de causa instrumental; ora a inteligência e cultura do Profeta concebia os sacrifícios segundo o modo do Antigo Testamento, por isso fala de incenso. Este é um caso paradigmático de como deve ser concebida a inerrância Bíblica, ou ausência de erro formal na consignação da Revelação Divina na Sagrada Escritura.
A Santa Madre Igreja sempre ensinou que nas Sagradas Escrituras existe UM SÓ SENTIDO LITERAL, EMBORA POSSA HAVER MULTIPLICIDADE DE OUTROS SENTIDOS. E ESTE SENTIDO LITERAL SÓ PODE SER ASSIMILADO ATRAVÉS DO ESTUDO DOS GÉNEROS LITERÁRIOS DAS ESCRITURAS; BEM COMO DO SENTIDO PLENO QUE O NOVO TESTAMENTO CONFERE AO ANTIGO.
A existência de causas instrumentais para a acção Divina fundamenta-se na denominada “potência obediencial”, ou seja, a capacidade que a natureza criada possui de ser elevada por Deus Nosso Senhor a fins Sobrenaturais.
Mas a Sagrada Tradição também constitui uma fonte da Revelação; e em certo sentido até é a mais importante, na exacta medida em que é pela Sagrada Tradição que nós sabemos quais os Livros que compõem o canon da Santa Bíblia; E É PELA MESMA TRADIÇÃO QUE NÓS, QUER DIZER A SANTA MADRE IGREJA, SABE COMO INTERPRETAR A MESMA BÍBLIA. Na Sagrada Tradição, também existe uma Causa Principal, que é Deus Nosso Senhor, e causas instrumentais que são os homens; mas neste caso, Deus Nosso Senhor não ordena que a transmissão dos dados da Revelação se processe, FORMALMENTE, POR ESCRITO. Tal acontece, precisamente, para que um MAGISTÉRIO VIVO E INFALÍVEL, possa, ao longo dos séculos, EXPLICITAR EFICAZMENTE TODA A INFINITA RIQUEZA OBJECTIVA DO DEPÓSITO DA REVELAÇÃO.
Ora o fundamento matricial desse Magistério vivo É A CÁTEDRA DE SÃO PEDRO, NAS SUAS PRERROGATIVAS FUNCIONAIS DE INFALIBILIDADE.
Neste quadro conceptual, a inerrância é constitutiva da própria Revelação Divina objectiva, pois Deus Nosso Senhor não pode enganar-Se, nem enganar-nos; Ele que É a própria VERDADE SUBSTANCIAL. A Infalibilidade, enquanto prerrogativa funcional da suprema Cátedra da Santa Madre Igreja, PARTICIPA FORMALMENTE DA INERRÃNCIA, MAS NÃO SE IDENTIFICA COM ELA; POIS QUE A INERRÂNCIA É CONSTITUTIVA DA REVELAÇÃO OBJECTIVA, A QUAL TERMINOU COM A MORTE DO ÚLTIMO APÓSTOLO, E A INFALIBILIDADE DEVE ASSEGURAR, ATRAVÉS DOS SÉCULOS, A EXPLICITAÇÃO ADEQUADA DO DEPÓSITO DE FÉ. A INFALIBILIDADE NADA PODE ACRESCENTAR À REVELAÇÃO; CONSEQUENTEMENTE, SE PARA O HAGIÓGRAFO É NECESSÁRIA UMA ASSISTÊNCIA DIVINA EMINENTEMENTE POSITIVA, PARA O ROMANO PONTÍFICE É SUFICIENTE UMA ASSISTÊNCIA NEGATIVA.
Os textos do maldito concílio, em particular a “Lumen Gentium”, é que confundem, intencionalmente, premeditadamente, a Revelação com a Magistério da Igreja primitiva, dando a entender que a mesma Revelação se prolonga indefinidamente.
Imploremos sempre a Nosso Senhor Jesus Cristo para que ministre à Sua Igreja todos os auxílios Sobrenaturais que lhe permitam explicitar, o mais santamente possível, os tesouros inefáveis, as riquezas infinitas, eternamente constitutivas da inauferível felicidade Trinitária.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 26 de Outubro de 2014 – FESTA DE CRISTO REI

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