Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

PODERÁ EXISTIR CONTRADIÇÃO PRÁTICA ENTRE OS DIVERSOS ASPECTOS DOS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS?

 Mandamentos

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Apóstolo São Paulo na sua Epístola aos Filipenses:

«Irmãos: Alegrai-vos incessantemente no Senhor. Repito-o: Alegrai-vos. Que a vossa boa disposição seja reconhecida de toda a gente; o Senhor está perto. Mandai para longe as preocupações. Em vez disso, manifestai a Deus as vossas necessidades, dirigindo-Lhe orações, súplicas e acções de Graças. E que a Paz de Deus que está acima de toda a compreensão humana, guarde o vosso coração e o vosso espírito em Nosso Senhor Jesus Cristo. Enfim, irmãos – tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é amável e de bom nome, qualquer virtude, qualquer acto digno de louvor – isto sim, que deve ser objecto dos vossos pensamentos. O que aprendestes, o que recebestes, ouvistes e vistes em mim, ponde-o em práctica, e o Deus da Paz habitará convosco.» Fil 4,4-9

A unidade da Virtude Moral deve corresponder à unidade da Fé, Esperança e Caridade, na exacta medida em que a Virtude Moral constitui a face operativa da Fé Teologal, Sobrenatural, formada pela Caridade.
A Lei Moral, quer Natural, quer Sobrenatural, nunca é produto arbitrário da Vontade Divina, pois é intrìnsecamente conforme à própria Natureza e Verdade Incriada.
Uma contradição teórica ou práctica entre os diversos aspectos dos Mandamentos da lei de Deus, É METAFÍSICA E TEOLÒGICAMENTE IMPOSSÍVEL.
Existe sempre, necessàriamente, uma solução, quer teórica, quer práctica, para todas as situações, denominadas de perplexidade, em que parece ser impossível não pecar, pois obedecendo a um Mandamento se desobedeceria a outro e vice-versa.
Os atributos, denominados, um pouco impròpriamente, negativos, de Deus Uno e Trino, tais como a Simplicidade, a Unicidade, a Infinitude, a Imutabilidade, a Eternidade, a Imensidade, são assumidos pela Essência Metafísica de Deus, ou seja pela Asseidade, com absoluta homogeneidade, com absoluta unidade. A Eternidade não significa o mesmo do que a Imutabilidade ou a Simplicidade; mas em Deus, a Sua Eternidade é a Sua Simplicidade e a Sua Imutabilidade; a Sua Unicidade é a Sua Infinitude. Pois que em Deus Nosso Senhor constitui-se uma sublimação infinita e absolutamente unificante de toda a pluralidade contingente.
Com razão o Tomismo considera a Asseidade como essência Metafísica de Deus; pois o possuir em Si mesmo a Razão do Seu Ser, É fonte de irradiação da plenitude radicalmente ilimitada dos atributos.
Neste quadro conceptual, não há pois lugar para qualquer fragmentação do Ser, para qualquer perda de unidade, para qualquer contradição.
As Virtudes Morais, naturais e Sobrenaturais, constituirão assim como que o resultado da refracção da Unidade da Luz Infinita de Deus na multiplicidade da operação do ente finito e espiritual.
As próprias Virtudes Teologais, constituem o reflexo Sobrenatural, nas faculdades criadas, do INFINITAMENTE FECUNDO DIÁLOGO TRINITÁRIO, PELO QUAL DEUS SE CONHECE E AMA A SI MESMO.
Quanto mais a alma ascende no amor Sobrenatural a Deus, sobre todas as coisas, e ao próximo por amor de Deus, maior proporção existirá entre as suas diversas Virtudes: Não se pode ser verdadeiramente Justo, sem ser realmente Prudente, Forte e Temperado.
Mesmo na Ordem Natural se verifica essa proporção, mas em grau menor.
É que as Virtudes Morais devem ser distinguidas umas das outras, MAS NÃO SEPARADAS. Assim como o Dogma deve ser distinguido, MAS NÃO SEPARADO DA MORAL.
É a Graça Santificante, fundamentalmente, que operando a formalização última do nosso organismo Sobrenatural, faculta à nossa inteligência e à nossa vontade a capacidade de unificar,  simplificar e facilitar, A VIDA CONTEMPLATIVA PRÒPRIAMENTE DITA, em função da qual, o Dogma e a Moral constituem UM ÚNICO AMOR SOBRENATURAL A DEUS NOSSO SENHOR SOBRE TODAS AS COISAS.
Neste enquadramento se verifica o absurdo de qualquer possibilidade de contradição entre aspectos dos Mandamentos da Lei Divina. A existir qualquer perplexidade desse tipo, tal só prova que essa alma não possui, de maneira nenhuma, a Graça Santificante.
Portanto, não há desculpa para aqueles, que invocando tal contradição, preferem não agir pùblicamente contra a seita conciliar, traindo assim as suas responsabilidades. Pensam eles que não agindo pecam menos do que agindo, já que, segundo eles, a situação actual do mundo, não iliba, nem pode ilibar, ninguém do pecado.
Mas aqui também incorrem no mesmo erro: Objectivamente nunca pode existir nenhuma situação em que tenhamos obrigatòriamente de pecar, ainda que venialmente, ou até mesmo proceder com maior ou menor imperfeição. Existe um só caminho, para todas as almas, em todas as circunstâncias – A SANTIDADE.
Quando não se possui a Graça de Deus, aí sim, a vida apresenta “becos sem saída”, cifras insolúveis, que os mundanos, evidentemente, não sabem como ultrapassar.
A Lei Moral Sobrenatural deve constituir como que uma forma analogante, que contemplativamente a alma vai aplicando aos objectos que a vida lhe suscita. Não pode ser concebida, nem como uma intenção pura e vazia que santifica automàticamente todo e qualquer conteúdo; nem como um conjunto de preceitos, materialmente concebidos de forma rígida, e em cuja consecução, gèlidamente rigorista e legalmente unívoca, a alma encontra a Graça da Salvação.  No cumprimento da Sagrada Lei Moral, existe necessàriamente uma coesão íntima e uma PROPORÇÃO TRANSCENDENTAL entre a matéria e a forma. Santo Agostinho e São Tomás tiveram exacta percepção dessa profunda unidade, a qual constitui um reflexo, também transcendental, da fecunda unidade entre o Dogma e a Moral. A desagregação ontológica dos dados do espírito, que se processou nos últimos cinco séculos de História Ocidental, é que produziu, mesmo em autores eclesiásticos clássicos, uma certa atenuação do sentido mais sublime dessa unidade.
É certo que os verdadeiros católicos enfrentam hoje problemas, julgados outrora IMPOSSÍVEIS DE COMPATIBILIZAR COM A INDEFECTIBILIDADE DA SANTA MADRE IGREJA. O próprio doutor Arnaldo Xavier da Silveira, em 1970, considerava que a generalização absoluta da apostasia dentro da Igreja,(que é o que vemos hoje) configuraria uma impossibilidade teológica.
Mas nunca olvidemos que o reinado do anti-Cristo, como castigo colectivo de Deus, está formalmente consignado nas Fontes da Revelação – A Sagrada Escritura e a Tradição. Anàlogamente, os tempos pré-escatológicos são aí apresentados como de total apostasia; logo esta é compaginável com o Dogma da Indefectibilidade da Igreja, ainda que socialmente oculta e usurpada.
Nada na Revelação nos autoriza a crer numa Santa Madre Igreja, social e culturalmente pujante , com visibilidade plena, até ao fim do Mundo; bem pelo contrário.
A virtude Sobrenatural da Prudência ordena-se precisamente para que EM TODOS E CADA UM DOS NOSSOS ACTOS GLORIFIQUEMOS MÀXIMAMENTE A DEUS, SEGUNDO TODOS OS ASPECTOS DA VIRTUDE.
Em Deus Uno e Trino, a Unidade, a Verdade, e a Bondade, sublimam-se e unificam-se com fecundidade metafísica e transcendental. A multiplicidade dos entes criados pluraliza e finitiza essa Verdade e essa Bondade, numa multidão de facetas. Compete à operação doe entes contingentes, racionais, como que reconstituir moralmente o ser assim aparentemente fragmentado, glorificando assim a Deus Nosso Senhor, pela manifestação irradiante com que a Infinita Luz do Mistério da Sua Asseidade  se consubstancia também numa inefável Simplicidade.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 1 de Novembro de 2014

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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