Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

II – A RAZÃO DA ENCÍCLICA HUMANI GENERIS DE PIO XII no ideário do P. Paulo Ricardo

Ratzinger_Congar-au-Concile

Arai Daniele

Esta é a razão explícita desta Encíclica: acusar «opiniões falsas que ameaçam a Doutrina Católica». Mas para o P. Paulo Ricardo foi o de amordaçar as «verdades da nova teologia» que triunfou no demolidor Vaticano 2º. Isto já pode demonstrar como este seja a base de uma outra Igreja, com um outro magistério.

Ora, estas «opiniões falsas que ameaçam a Doutrina Católica» foram nos últimos tempos elaboradas pela assim chamada «nova teologia», escola de pensamento da «intelligentzia» centrada em Louis Daniélou, Henri de Lubac, e outros quais Yves Congar, Chenu, Hurs Von Balthasar, que fizeram discípulos pelo mundo. Tudo em nome do que se auto-proclamava retorno às «verdadeiras fontes» da Fé, ou «ressorcement». O problema é tais teólogos, vujo pensamento foi acusado por Pio XII como desviado, foram depois convocados como consultores do Vaticano 2º e promovidos cedo ou tarde ao cardinalato, senão por Paulo 6º, por João Paulo 2º.

O caso que os enquadra entre nós e portanto nos interessa de perto é traçado pelo card. Paulo Evaristo Arns, como descrito no artigo do Dr. Arnaldo Xavier da Silveira (Cinco Cardeais e a nouvelle théologie, 11-10-2013, : «1] Em artigos recentes publicados neste site, expus o caráter heretizante do Vaticano II e sua ruptura com a Tradição. Em ambos os casos, ficava claro que o Concílio se inspirou na nouvelle théologie, corrente de orientação inconfundivelmente modernista, condenada por Pio XII em 1950 na Encíclica Humani Generis. Minha argumentação nesse sentido fundava-se, em parte, em artigo publicado em 12 de abril último no Osservatore Romano pelo Cardeal Walter Kasper, intitulado “Um Concílio ainda em Caminho”». Isto demonstrava a origem ontem e a continuidade hoje da «nova teologia» que originou e impôs o espírito heretizante do Vaticano 2º.»

A Encíclica de Pio XII já denunciava o que estava atrás de um elaborado «retorno às origens», mas digamos em outros termos do que se tratava e o qual era o alvo do ataque. Qual, senão todo o Magistério da Igreja e sua Teologia fundamental que deu origem ao que foi chamado em tom depreciativo de excesso de «manualística» baseada num neo-tomismo leonino, porque ilustrado e aprovado sob o Papa Leão XIII. Isto é o que repete entre nós o P. Paulo Ricardo, educado em Roma nessa linha e portanto ferrenho discípulo de Ratzinger/Bento 16.

A Revelação dada com a autoridade de Deus é na Teologia o objetivo principal do conhecimento. É o conhecimento que todos precisam para seguir nos caminhos do Bem e da verdade na vida pessoal e social. A poluição dessa fonte de conhecimento essencial, que é o princípio da autoridade, é letal para o governo dos homens. O que aconteceu com a Reforma Protestante é agora ampliado com uma “nova teologia”, já condenada pela Humani generis (1950).

Entre os promotores da nova e estranha “teologia” havia o Padre Henri de Lubac, alvo do veredicto de Pio XII, mas elevado a cardeal por João Paulo 2º. Os termos desta “teologia”, também foram acusados pelo cardeal Siri (Gethsemani), mas estão na Gaudium et Spes do Vaticano 2º e nos documentos de Karol Wojtyla. Resumimos aqui a sua noção com o nome de “antropocentrismo fundamental” *. E ‘a própria noção de Revelação que é alterada por essa teologia, ou melhor, antropologia. Para ela (Gl 1: 15-16) de fato, Deus revela o seu Filho no homem. Com isso, o homem é levado a descobrir uma sua própria dignidade que ainda desconhecia: “Através de Cristo, a pessoa é adulta, o Homem emerge definitivamente do universo” *. O resultado é a sua redenção universal, a sua emancipação, a evolução de sua capacidade de distinguir o bem do mal autonomamente e se tornar senhor e legislador de seu destino. Ele terá uma ética e moralidade, não de acordo com a ordem divina, mas ao nível da sua dignidade. Consciente desta pode ser casto e honesto. Os líderes religiosos e os reis só terão que recordar que o princípio da lei é a dignidade humana, em vez de autoridade divina.

Na verdade, com a Redenção o homem, auxiliado pela Graça, recuperou a capacidade de aderir ao Bem e à Verdade. A Redenção é aplicável a cada homem que com a conversão aceita a vontade de Deus para ser salvo. Para implementar os seus efeitos a Igreja sempre enviou seus missionários, muitos dos quais foram martirizados.
Uma «liberdade de religião», negando o dever do homem de aderir à Revelação e à redenção, acaba negando a Redenção em si o que não é um sinal de dignidade, mas uma negação da verdade. Uma «redenção» = revelação da dignidade humana, tem nisto o seu fim, invertendo a relação de fim/ meios; como uma «revelação do homem para o homem», elevando-o s fim de si mesmo, acima do verdadeiro Bem e do Redentor.
A última revolução que inverte assim a noção de Revelação, de Cristo-cêntrica para ser antropocêntrica, também inverte o conceito de autoridade, de acordo com a fé católica pela qual toda autoridade vem de Deus e Cristo revelou-se como rei dos reis da terra.
Entende-secomo a “nova teologia”, segundo a qual Deusrevela o homemao homem,é a base parauma novasociologia;para uma mudançaradicalna missão daIgreja.

É pois, emblemático o título dado por Henri de Lubac ao seu livro: “Catholicisme, les aspect sociaux du dogme” (Paris, 1947).

A revoluçãona históriaé a prova deque a Redençãonão temaplicaçãouniversal.

Como a humanidade “progride” a Redenção é menos acolhida devido a uma sua própria dignidade inata, deduzida, dizem eles, de seu anseio de eternidade e de sobrenatural.
“Quando o Filho do Homem voltará à Terra, encontrará ainda a Fé?” As Escrituras descrevem a recusa constante de redenção por parte dos homens. O povo escolhido rejeitou o Redentor; crucificaram-nO. Na era cristã a indiferença à Redenção tornou-se cada vez maior. Hoje, a rejeição se manifesta na grande apostasia instalada nos mesmos vértices da Igreja.

A idéia da justificação de Lutero somente pela fé, sem a vontade de agir de acordo com a lei de Deus, perturbou o mundo cristão. Hoje, a idéia de «redenção universal», pela qual todos, mesmo sem fé, são justificados se agirem em conformidade com a dignidade humana, uma dignidade que consistiria em não admitir a dependência de Deus e a conseqüente obrigação de observar a Sua Lei, é um engano ainda mais nefasto: refere-se na verdade a um mundo descristianizado, mas, apesar disso, igualmente justificado. João Paulo II pregou a redenção na medida da sua e da geral apostasia.

A nova idéia sobre a dignidade humana. Quem, diante da Revelação e da realidade revolucionária fala de redenção universal, que elevou toda a humanidade e para sempre, imagina uma dignidade utópica, uma variável independente da verdade.
O Senhor não disse que é a dignidade, mas a verdade que nos torna livres.

A verdade é o início da verdadeira liberdade, como a dignidade pessoal.
A dignidade absoluta pertence a Deus, que é a fonte de toda outra dignidade, criada para a melhoria no modo desejado pelo Criador para a pessoa humana, criada para a perfeição que pode ter com a inteligência e vontade livre de que foi dotada e, assim adquirir a dignidade de quem adere à vontade de Deus: verdade para a qual existe.

A dignidade do homem tem um duplo aspecto: I- potencial genérico da pessoa humana; II- ganha na elevação do pensamento e da vontade como um filho fiel de Deus.

A liberdade segue a dignidade em que o homem foi criado por Deus.

A liberdade de ser infiel à verdade e de aderir ao erro não é digno do homem. Por outro lado, o abuso consciente dessa liberdade degrada a dignidade do indivíduo.

O que é verdade na frente dos homens, no âmbito militar e civil, ainda mais o é diante de Deus. Usar a liberdade contra a verdade é indigno, especialmente no campo da Religião. O erro é inimigo da dignidade humana. É mais fatal de um crime, porque matriz de delitos degradantes.
Erro = falsidade = mal. Pode o mal ter direitos? A idéia de direitos humanos e da justiça e da paz, baseada não na verdade, mas na idéia de dignidade humana promovida pela Revolução Francesa, a ONU e agora pela Igreja conciliar, é um erro desastroso contra justamente a ordem social e no fim contra a própria dignidade pessoal. Falsas idéias sobre a dignidade e a redenção corrompem toda outra; corrompem a humanidade.

O Magistério da Igreja, em todas as suas formas, sempre teve essa preocupação.

«O Concílio do Vaticano ensinara que um dogma da fé é uma verdade que a Igreja encontra contida em qualquer uma das duas fontes da Revelação divina e que ela apresenta como revelação divina que os homens devem aceitar como tal. Ele especificou que essa apresentação pode ser feita tanto num juízo solene, como pelo magistério ordinário e universal da Igreja. A maioria dos manuais considerou que esse termo “universal” significa o ensinamento do colégio apostólico da Igreja Católica tal como ele se encontra espalhado pelo mundo todo. Noutras palavras, consideraram a palavra como aplicando-se a um magistério que era universal no sentido de que estava agindo na face da terra inteira ao mesmo tempo. Eles reconheceram que um tal magisterium universale et ordinarium poderia ser um órgão pelo qual um dogma da fé católica pode ser apresentado ao povo de Jesus Cristo, e eles apontaram para o dogma da própria infalibilidade da Igreja como um ensinamento que é proposto aos membros da Igreja militante exatamente desse jeito.

«Ora, é dogma da Igreja, apresentado como tal pelo próprio Concílio do Vaticano, que o Santo Padre desfruta da mesma infalibilidade em definir doutrinas sobre fé e moral que a Igreja universal (ou a inteira Ecclesia docens) possui. Logo, dado que a inteira Ecclesia docens (os bispos residenciais da Igreja Católica unidos com o seu cabeça, o Sucessor de São Pedro na Sé de Roma) pode definir um dogma tanto num juízo solene (quando estão reunidos em concílio ecumênico) ou de maneira ordinária (quando estão efetivamente residindo em suas próprias dioceses ao redor do mundo), segue-se que o próprio Santo Padre pode falar “ex cathedra” e definir um dogma tanto em juízo solene (como nos casos das definições da Imaculada Conceição de Nossa Senhora e de sua gloriosa Assunção corporal) ou por algum meio ordinário, como, por exemplo, numa carta encíclica.

«Num tal caso, o ensinamento do Santo Padre é universal. Ele exerce, conforme a constituição divina da Igreja, uma jurisdição verdadeira e episcopal sobre todos e cada um dos fiéis e sobre todos e cada um dos demais pastores no interior da Igreja militante. Portanto, não há nada que impeça o magisterium ordinarium do Santo Padre de ser considerado precisamente como um magisterium universale. É de fide que o magisterium ordinarium et universale da Igreja pode ser o veículo para a definição e apresentação de um dogma católico. É perfeitamente certo que esse mesmo magisterium ordinarium et universale pode também ser o veículo ou o órgão de uma definição dentro do campo do objeto secundário de ensinamento infalível da Igreja. As encíclicas do Santo Padre podem ser, e de fato são, declarações desse magisterium. Por isso, elas podem ser documentos nos quais um dogma é definido ou uma verdade certa da doutrina católica (a qual, no entanto, não é apresentada como revelada) é transmitida ao povo de Deus na terra.

«É sobre essa verdade que Humani generis insiste nesse ponto. E, já que o poder de impor autoritativamente aquilo que pode ser chamado de um assentimento interpretativamente condicionado (um assentimento que está definitivamente aquém da ordem da certeza real e, portanto, pertence ao domínio do opinativo) necessariamente acompanha o poder de pronunciar um juízo infalível, essa declaração da Humani generis carrega consigo a implicação necessária de que o Santo Padre pode ensinar, e ensina, autoritativamente em suas encíclicas quando ele deseja impor aos fiéis a obrigação de aceitar uma proposição que ele apresenta nem como de fide nem como teologicamente certa.

«A Humani generis, igualmente, adverte para o fato de que, quando uma pessoa atenta para o ensinamento autoritativo da Ecclesia docens, essa pessoa está na realidade atentando para a voz de Nosso Senhor mesmo. Novamente, ela toma essa medida para recordar-nos de que a Igreja não ensina neste mundo de outro modo que não como o instrumento e o corpo de Jesus Cristo. O homem que objeta acerca da autoridade doutrinal da Igreja está encontrando defeito, em última análise, no meio pelo qual Nosso Senhor transmite Sua verdade divina para os filhos dos homens. Não pode haver nenhuma apreciação inteligente sobre o Magistério da Igreja a não ser onde, e na medida que, esse fato primordial for levado em consideração.»

  • Mons. Joseph Clifford FENTON, A Humani Generis e o Magistério Ordinário do Santo Padre, 1951, trad. br. por F. Coelho, São Paulo, jun. 2012, blogue Acies Ordinata, http://wp.me/pw2MJ-19X

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