Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

PODERÁ DEUS SOFRER PELOS NOSSOS PECADOS?

Getsemani

Escutemos o seguinte trecho do Livro do Profeta Jeremias:

«Palavra que o Senhor dirigiu a Jeremias nos termos seguintes:
Põe-te em pé, à porta da casa do Senhor, e prega aí estas palavras, e diz: Ouvi a palavra do Senhor, vós todos, óh filhos de Judá, que entrais por estas portas para adorardes o Senhor. Eis o que diz o Senhor dos exércitos, Deus de Israel: Tornai bons os vossos caminhos e os vossos afectos, e Eu habitarei convosco neste lugar. Não ponhais a vossa confiança em palavras de mentira, dizendo: É este o Templo do Senhor, o Templo do Senhor, o Templo do Senhor! Porque se dirigirdes bem os vossos caminhos e os vossos afectos, se fizerdes justiça aos que pleiteiam entre si, se não oprimirdes o estrangeiro, o orfão e a viúva, nem derramardes o sangue inocente neste lugar, e se não andardes após os deuses estrangeiros, para vossa própria desgraça, Eu habitarei convosco neste lugar, nesta terra que dei a vossos pais, pelos séculos dos séculos.
Mas eis que vós confiais, para vosso mal, em palavras de mentira, que não vos servirão de nada; furtais, matais, adulterais, jurais falso, sacrificais aos ídolos, e ides atrás dos deuses estranhos, que não conheceis; e depois vindes apresentar-vos diante de Mim nesta casa, onde o Meu Nome foi invocado, e dizeis: Estamos livres (de todo o mal), ainda que tenhamos cometido todas estas abominações. Logo esta Minha casa, onde foi invocado o Meu Nome diante de vossos olhos, está convertida num covil de ladrões? EU, EU QUE SOU, EU VI, diz o Senhor.»  Jer 7, 1-12

Recordemos a sacrossanta definição dogmática do Sagrado concílio de Calcedónia – 22 de Outubro de 451:

« Na sequência dos santos Padres, nós ensinamos de forma unãnime que nós confessamos um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, O Mesmo perfeito em Humanidade, e O Mesmo perfeito em Divindade, O mesmo verdadeiro Deus e verdadeiro Homem; composto de uma alma racional e de um corpo; consubstancial ao Pai, segundo a Divindade, e consubstancial a nós, segundo a Humanidade; em tudo semelhante a nós, excepto no pecado; antes de todos os séculos, gerado pelo Pai, segundo a Divindade, nos dias derradeiros, gerado, por nós e por nossa salvação, no seio da Santíssima Virgem, segundo a Humanidade. »

Deus Uno e Trino é metafìsicamente Eterno e Imutável. A Eternidade não á a Imutabilidade; mas em Deus Nosso Senhor, a Sua Eternidade é a Sua Imutabilidade; pois em Deus, as propriedades encontradas nos entes finitos – SUBLIMAM-SE NO INFINITO.
A Eternidade é um presente perpétuo, e a posse total e absoluta do ser e do tempo, este consistindo numa forma degradada de duração, na qual o ente, ontològicamente, se dispersa na sucessão e no número. Deus Uno e Trino não tem princípio, nem fim, Ele É o Seu próprio Ser, e É a Sua Eternidade. Para Deus, o mundo, com todas as suas épocas, todas as suas mudanças e evoluções, ESTÁ ETERNAMENTE PRESENTE, POIS TODO O SER DO MUNDO ESTÁ VIRTUALMENTE PRESENTE NA ESSÊNCIA DIVINA.
Deus Nosso Senhor não decidiu criar o mundo, assim como os homens decidem os eventos da sua vida, tal suposição encerra um horrível antropomorfismo; A DECISÃO DIVINA DE CRIAR O MUNDO É LIBÉRRIMA, MAS ETERNA; O PRÓPRIO ACTO CRIADOR É ETERNO, EMBORA O MUNDO POSSUA UM INÍCIO NO TEMPO. Neste quadro conceptual, e tendo em conta qua a relação de Deus com o mundo, é da parte de Deus, uma relação de razão, pois todo o ser do mundo reside VIRTUALMENTE em Deus; é evidente QUE O ACTO CRIADOR NÃO PRODUZIU QUALQUER ALTERAÇÃO NA IMUTABILIDADE DIVINA, NEM O GOVERNO DO MUNDO IMPLICA UMA SÉRIE DE ACTOS CONTINGENTES EM DEUS. Em Deus há um único ACTO INFINITO DE INTELIGÊNCIA, que inclui o necessário conhecimento de Si mesmo, bem como o conhecimento do mundo, com absoluta definição, até à particularidade mais mínima; e um único ACTO INFINITO DE  VONTADE, pelo qual Deus Se quer e ama necessáriamente a Si mesmo, e quer e ama todo o Bem que há no mundo, assim incluindo, nesse único acto de vontade, virtualmente, todas as vicissitudes do governo do mundo.
O mal que existe no mundo, Deus o conhece, por oposição transcendental e metafísica, à Sua Essência Incriada e infinitamente Verdadeira e Boa, pois o mal, metafísica e teològicamente, não é ser, mas privação qualificada de ser.
O sofrimento Divino é pois real, mas tem de ser concebido, não como uma paixão acidental e contingente, mas como uma relação Eterna que Deus mantém com o mundo criado.
Deus Uno e Trino criou este mundo, no qual, sem dúvida, o peso quantitativo de mal moral sobrepuja imensamente o Bem, mas que foi Divinamente pensado como um Todo, e nesse Todo o triunfo final será, necessàriamente, do Bem, porque a condenação Eterna dos maus glorifica formalmente a Deus.
Sem dúvida que Deus poderia ter criado um mundo edénico, onde o Paraíso terrestre nunca seria obliterado por um pecado original, onde os Anjos não tivessem pecado – MAS ESSE MUNDO NÃO SERIA O NOSSO. E por mais excelso, preternatural e Sobrenaturalmente, que o mundo fosse, seria sempre contingente, necessitado da conservação no ser, de concurso Divino para as operações da natureza, bem como de governo Providencial. O selo da finitude implica sempre uma tendência metafísica para recair no nada, a qual só pode ser suprida pelo Poder Infinito de Deus.
Só o Bem pode ser objecto formal da Vontade Divina, o Bem Incriado e o Bem criado; o mal particular, por muito frequente que seja, É PERMITIDO POR DEUS, SÓ ENQUANTO POSSA CONTRIBUIR PARA O BEM DO TODO.  Na exacta medida em que muitas vezes o Bem resplandece, não apenas em si mesmo, mas por contraste com o mal.
Portanto o mal moral deste mundo, os nossos pecados, fazem sofrer Deus, no SENTIDO EM QUE, COMO PRIVAÇÃO QUALIFICADA DE SER, SE OPÕEM METAFÌSICAMENTE À ESSÊNCIA DIVINA, INFINITAMENTE PERFEITA; NÃO FEREM A IMUTABILIDADE DIVINA, PRECISAMENTE PORQUE SENDO ETERNA A DECISÃO DE CRIAR, E ETERNO O PRÓPRIO ACTO CRIADOR; TODOS OS MALES DA CRIAÇÃO FORAM ETERNAMENTE ASSUMIDOS POR DEUS.
Uma situação de definição muito diferente concerne aos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O Dogma Católico da União Hipóstática, definido solenemente no Sagrado Concílio de Calcedónia, em 451, ensina-nos que a Pessoa do Verbo subsiste em duas Naturezas realmente distintas; a União entre a Natureza Humana e a Natureza Divina, não se efectivou nas próprias Naturezas, que permaneceram distintas, MAS SIM NA ADORÁVEL PESSOA DO VERBO.
Consequentemente, O VERBO DE DEUS SOFREU, NA NATUREZA HUMANA,  TODAS AS DORES DA PAIXÃO, NOMEADAMENTE A AGONIA MORAL DE SABER O COMO O SEU SANGUE SERIA INEFICAZ PARA TANTAS ALMAS.
Se a Pessoa do Verbo de Deus não sofresse, real e verdadeiramente, não teria havido Redenção.
A Natureza Humana do Senhor, permanecendo em Si mesma completa como Natureza, foi hipostáticamente elevada a uma existência substancialmente Divina, pois tal Natureza subsiste na, e pela, Pessoa do Verbo, e não por Si mesma.
Os modernistas gostam de blasfemar, afirmando que a Natureza Divina, enquanto tal, não pode sofrer, e portanto Deus seria indiferente aos nossos pecados. É certo que a felicidade Divina, não é, nem pode ser, interrompida pelo pecado das criaturas; MAS ENQUANTO CRIADOR, DEUS É ETERNAMENTE SOLIDÁRIO COM A SUA OBRA; A NATUREZA DIVINA É, SEM DÚVIDA, IMPASSÍVEL; MAS EXTRÌNSECAMENTE, ETERNAMENTE, AO MEDIR TRNASCENDENTALMENTE O MUNDO CRIADO, NELE MEDE UMA PRIVAÇÃO DE SER MORAL, DA QUAL, DEUS, NÃO POSSUI IDEIA ALGUMA EM SI MESMO.
Por isso o pecado faz mal a Deus, pois na medida em que, Eternamente, decidiu criar o mundo, aceitou, também Eternamente, que esse mesmo mundo, em muitas facetas de ordem moral, constituísse igualmente uma negação da Verdade e do Bem Infinito e Incriado.
Uma derradeira questão: Nossa Senhora e os santos, no Céu, sofrem com os nossos pecados?
Os Bem-Aventurados, bem como as almas do Purgatório, embora morando já na Eternidade, até ao fim deste mundo corruptível, SÃO AINDA EXTRÌNSECAMENTE MEDIDOS PELO TEMPO DO MUNDO, E PORTANTO SÃO ACIDENTALMENTE AFECTADOS PELAS VICISSITUDES TERRENAS – NO BEM, E NO MAL. Por isso se pode e deve afirmar que eles sofrem com os nossos pecados, emnbora, insiste-se, a título EXTRÍNSECO E ACIDENTAL.
Rendamos contìnuamente Graças a Deus, pela magnífica coerência do Dogma Católico, verdadeira participação no Pensamento Divino, Nutrimento Sobrenatural, e Tesouro indefectível de Salvação, sempre ao dispor das almas fiéis.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 16 de Novembro de 2014

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