Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

SÓ SUPERANDO A DESUNIÃO OS CATÓLICOS PODEM VENCER A DESORDEM MODERNA

coetusrp9

Arai Daniele

Os movimentos empenhados na luta para a defesa da Ordem cristã contra a desordem do mundo moderno lembravam questões definidas em termos sempre ensinados pela Igreja Católica. Assim, uns apelam-se aos lemas de Deus, Pátria e Família, outros, e a nossa bem conhecida TFP, de Tradição, Família e Propriedade.

Diante da crise profunda atravessada pela Igreja e por todo o Ocidente, há que firmar-se na essência desses valores pela simples razão que certamente seus inimigos, que tem por inspirador um espírito astuciosíssimo, os conhece melhor que os «filhos da luz». Sim porque parece que os cristãos em geral, enquanto houver aparência de cristianismo nas instituições atuais, dão por descontado que este ainda subsista para impedir a vitória total da Revolução sobre a superioridade da Ordem tradicional cristã.

Ora, essa Ordem é de fato superior e imperecível enquanto criada por Deus para um fim, conforme nos ensina a Tradição. Bem entendido, o é na ordem sobrenatural como na natural. No seu aspecto natural temos o que é inerente ao ser humano, animal social ou seja a Família. E para confirmá-lo nestes tempos, se preciso fosse, esta é o principal alvo dos inimigos da Ordem, que a estão sistematicamente arruinando. Assim, na hora presente, tanto a natureza como o fim desta Ordem são ignorados plenamente, mesmo quanto à família.

Já se viu como o liberalismo, como ainda mais o socialismo, são contrários à Família, como entendida na Ordem cristã, porque esta encerra em si uma ordem hierárquica natural que permeia toda autêntica estrutura humana. Nela a liberdade é balanceada pela justa autoridade; onde há o pai que equilibra a responsabilidade do sustento com a da defesa de sua ordem interna e o seu respeito; onde há a mãe que mantêm o sentimento unitivo entre todos no amor recíproco. E os filhos que se moldam numa fecunda ordem familiar até ganharem a independência para formarem suas próprias famílias.

Hoje todas estas palavras parecem exageradas se não perdidas no tempo para as maiorias. A sociedade moderna criou a família nuclear, onde predomina o casal democrático do homem conformado à idéia da mulher emancipada que divide funções com o marido. E de recente veio o adaptação da Igreja conciliar no sentido de confirmar no seu direito as duas finalidades do matrimônio, pondo a par da criação da prole a companhia dos esposos.

Como se vê essa nova «crença conciliar» tem problemas sérios com princípios gerais do mais elementar filosofar, por exemplo, com o que seja a primeira finalidade; pretende democratizar este termo para abrir à liberdade, fraternidade e igualdade de fins, que tornados múltiplos podem até serem alterados! Note-se como, negada a prole como fim do matrimónio, este pode servir – com a mesma palavra – até às uniões gay!

Mas em matéria de primeira finalidade da vida humana, alienada pelas novidades de cunho conciliar, temos diversas afirmações do Vaticano 2º para rematar o novo culto, explicitado nos sacramentos e na nova missa (NOM). Tudo agora para este «culto» tende para a nova entidade a cultuar: o ser humano, que seria “o único que Deus criou para si mesmo”. Então não seria criado para cultuar a Deus acima de todas as coisas, como reza o Primeiro Mandamente? Erigiu-se assim a igreja do «culto do homem», como nova finalidade, no mínimo a par do Culto a Deus. Não é acaso o que se vê predominar nesse famigerado NOM? E depois o grande respeito pelas ideologias, fruto do «pensar moderno» até iluminista e ateu! Todos tendo em comum o grande ideal da «liberdade religiosa», que foi finalmente aprovada pelos ideólogos do Vaticano 2º e aprovada por Paulo 6º, que se apresentava em Nome de Cristo!

O poder da família na ordem natural humana

Bastaria ver o que representou, mas ainda representa a família para a edificação dos impérios, das culturas, das artes, do saber e das fortunas; o que seria o Império Romano sem o «Pater familias». Ora, o poder da revolução também conhece a utilidade de seguir a mesma lógica com as sucessões dinásticas; no bem e no mal a ordem natural é a mesma, porque a oposição a ela é destrutiva, mas para os povos, que sempre terão um «paisinho», como era Stalim na Rússia soviética e como creio que muitos cubanos vêm Fidel Castro e os coreanos tinham o comunista Kim Il-Sung, que deixou o controle da Coreia do Norte em herança ao seu filho Kim Jong-Il. E neste caso, não parece que seja pelas suas dotes físicas ou mentais, mas pela «linhagem»!

Enfim, a verdadeira luta de classes parece consistir nestas duas classes, que continuam as mesmas ao longo da história: os que têm direito à família e a deixar heranças de todo jaez aos descendentes, contra os que perdem o direito a ter família em vista da cultura revolucionária que a quer abolida a favor da fraternidade e igualdade sem pai. Assim já os antigos distinguiam e cultivavam isto na linhagem dos chefes e patrões ao contrário do anonimato civil dos servos e escravos.

As trapalhadas marxistas sobre a família

Como já se viu em tantos outros escritos, o marxismo apontava para a liquidação de super-estruturas sociais, como sejam as religiosas, civis e familiares. Nisto se inclui a «Religião ópio do povo», a Propriedade e o Pai de família, como exemplo «ditatorial de direita»! Dai a idéia brilhante de Marx: abolir a propriedade para abolir esse tipo de família. Este foi um dos erros crassos desse profeta soviético. De fato, na ordem natural, criada por Deus, a família precede a propriedade; esta é para aquela e não o contrário. De modo que as revoluções culturais que seguiram o marxismo inicial, muito mais evoluídas na sua diabólica malícia, evitaram esses erros e dedicaram-se diretamente a minar a cultura tradicional centrada na sua célula original que é a família. Esta devia sofrer uma mutação interna e outra externa na sua estrutura e para isto seguiu-se à risca aquela alteração de que há muito falamos: alterar a mesma idéia do homem e da mulher, do pai e da mãe como Deus os criou, revelando-se mesmo como o Pai que está nos Céus. Este era o Culto supremo? Pois passou a ser reduzido até a extinção para dar espaço ao culto do homem e suas ideologias estapafúrdias, do homem que… desafiou o Concílio para a luta. A religião, que é o culto de Deus que quis ser homem, e a religião – porque o é – que é o culto do homem que quer ser Deus, encontraram-se. Que aconteceu? Combate, luta, anátema? Tudo isto poderia ter-se dado, mas de fato não se deu. Aquela antiga história do bom samaritano foi exemplo e norma segundo os quais se orientou o nosso Concílio. Com efeito, um imenso amor para com os homens penetrou totalmente o Concílio. A descoberta e a consideração renovada das necessidades humanas – que são tanto mais molestas quanto mais se levanta o filho desta terra – absorveram toda a atenção deste Concílio. Vós, humanistas do nosso tempo, que negais as verdades transcendentes, dai ao Concílio ao menos este louvor e reconhecei este nosso novo humanismo: também nós –  e nós mais que ninguém somos cultores do homem… Quanto aos “valores” do mundo atual contrário à transcendência, à família e à Ordem cristã: “foram não só respeitados, mas honrados, e todas as suas iniciativas apoiadas, e suas aspirações purificadas e abençoadas.” Eis o que foi o Vaticano 2º que se lê nas palavras de Paulo 6º, o «anticristo no Vaticano» de então, que viam como papa!

E eis o que aconteceu depois do Vaticano 2º: o que era condenado pelos Papas como desvio fatal, foi justificado por uma “liberdade religiosa” de perdição, justamente no sentido contrário ao Magistério, mas em nome do poder pontifício das chaves, que exalta a «dignidade humana» até de danar e perder-se!

O poder instituído por Jesus Cristo para conter “no caminho da verdade os homens, que pela sua natureza propensa ao mal são atraídos ao precipício” – é agora usado para abrir a toda falsa liberdade; ao liberalismo que cedo ou tarde levar o mundo inteiro ao abismo!

Nisto então encontramos uma convergência de todos os revolucionários com esse Vaticano, pela simples razão que não volveram o olhar para a Roma católica, mas almejaram um Babilônia liberal (I Pd 5, 10). E o que pode ser mais mortal para a alma que a liberdade do erro? Ora, não se entende o reto «pensamento ocidental» sem a referência, no bem e no mal, à Roma, capital da Cristandade, por cuja restauração os bons pensadores deveriam hoje lutar.

É claro que aqui o «pensamento ocidental» a restaurar de sua decadência teve por germe o «mal religioso» da mentalidade liberal da Roma conciliar, outrora capital da Cristandade, mas hoje ocupada por espíritos seduzidos pelo liberalismo mundialista.

Quando se enfrentam problemas políticos e sociais, é mister ter sempre presente a ordem natural em que o ser humano foi criado pois nela reside a força par enfrentar as desordens modernas. Trata-se justamente daquelas «aberrações liberais» que os fiéis tentam enfrentar, sabendo que devem volver o olhar para os princípios eternos que a verdadeira Roma sabia ensinar. Por isto, muitos começam a olhar para a Rússia, quase fosse a reserva do que no mundo sobrou de Cristianismo, mas principalmente porque este é o nome do país que a Mãe de Deus pronunciou em Fátima.

Hoje a Roma dos «anticristos no Vaticano» chegou ao ponto sem retorno com Jorge Bergoglio e a sua idéia de família e seus valores adaptados aos tempos. Com esta, vai por água abaixo a noção de chefe, de cabeça, de responsável e também de Papa, que é o chefe e cabeça visível responsável pela Igreja, em representação direta de Deus. Ora, visto que os homens e os povos se governam com o pensamento, é preciso saber o que fazer quando aparece uma falsa romanidade porque ai se urdiu a declaração da falsa liberdade do desregrado liberalismo introduzido na Religião. Isto equivale a uma renúncia tácita à Autoridade divina, o que torna Roma acéfala (visão profética da terceira parte do «Segredo» de Fátima, mais clara em 1960),

Para voltar à Ordem cristã será preciso banir essa ideologia conciliar aliada ao mundo inimigo de Deus. E para isto serão precisas armas potentes. Mas nada de que não dispomos. Estas se encontram na reconstituição da Idéia de Igreja e de Família e portanto de sua ordem interna, do chefe, do pai e da mãe, do homem e da mulher, como Deus os criou com o olhar voltado para a transcendência da Verdade segundo a ordem natural e divina. Uma Idéia cristã que foi e deve voltar a ser guia para a finalidade da vida, cuja prioridade primeira é o Culto a Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Atualmente parece impossível a restauração do Papado na Roma Católica. E porque «parece», a debilidade da Fé escorrega para a impossibilidade humana nesse processo. Isto é falso. A Igreja é de Deus, mas foi confiada aos homens. Absurdo é pensar que se deve só rezar para que Jesus retorne no Século para restabelecer as coisas em que os homens falharam. Basta pensar que se os Católicos unidos tivessem contestado a falsa autoridade liberal de Roncalli/João 23 e Montini/ Paulo 6º, já quando esta começou a se manifestar, hoje a situação da Cristandade seria outra.

É verdade que no sinal do «depois» tudo parece fácil. Mas uma coisa é certa, trata-se da única saída, válida então como hoje. Sem a união dos católicos sobre a questão principal a resolver: de banir os falsários, que Mgr Lefebvre chamou de «anticristos no Vaticano» e Dom Mayer de anti-papas, não há nem pode haver solução. Ora, assim como o Papa é vínculo de união entre todos os Católicos na Fé, do mesmo modo um falso papa é matriz de crescente desunião na Família da Igreja.

Possa unir-nos a lembrança de que pela Revelação sabemos que Deus reserva um lugar de filhos na Sua Família, já Sua neste mundo de Nosso Senhor: Que sempre seja louvado e amado!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

AMOR DE LA VERDAD

que preserva de las seducciones del error” (II Tesal. II-10).

Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

Radio Spada

Radio Spada - Tagliente ma puntuale

Catholic Pictures

Handmaid of Hallowedground

Hallowedground

Traditional Catholic Visualism

Acies Ordinata

"Por fim, meu Imaculado Coração triunfará"

RADIO CRISTIANDAD

La Voz de la Tradición Católica

%d blogueiros gostam disto: