Pro Roma Mariana

Fátima e a Paixão da Igreja

A sanha revolucionária final é “contra tudo o que toca o CULTO” (cf. 2Ts, 2, 4)

 

O «MOVIMENTO LITÚRGICO ESPÚRIO» QUE INVERTEU O CULTO VERDADEIRO

O Céu

  • L’homme étant créature, est fait pour adorer ; et plus il est homme, plus profondément il a besoin d’adorer. S’il s’aveugle sur Dieu, il lui faut adorer le monde, ou lui-même, ou les mythes, quelque chose enfin qui n’est pas Dieu, et c’est la cause de toutes les catastrophes. Cardeal Journet
  • O homem, sendo criatura, é feito para adorar; e, quanto mais humano, mais profundamente tem necessidade de adorar. Se ele se cega a respeito de Deus, lhe é necessário adorar ao mundo, ou a si mesmo, ou a mitos, qualquer coisa, enfim, que não seja Deus; eis a causa de toda catástrofe.

 

Arai Daniele

De fato, nada para o homem, mesmo no dia-a-dia dos problemas da vida civil, pode prescindir do conhecimento de seu fim último, que só a Fé que conhecemos pela Religião divina pode revelar. Este fim é o Culto a Deus sobre todas as coisas, “em espírito e verdade” que é culto da suma Bondade do Amor divino.

Contra o verdadeiro Culto, que é uno, segundo a Vontade de Deus conhecida desde o início e gravada por exemplo no Levítico e nos Profetas, manifesta-se a pluralidade de cultos. A citação do Levítico, que para os Católicos parece hoje de sentido obscuro, é para lembrar a verdade de que o Culto divino é aquele estabelecido em todas suas partes por Deus mesmo, até o Santo Sacrifício de Seu Filho para a salvação dos homens.

A pluralidade dos cultos humanos ocorreu segundo as muitas vontades decaídas dos homens. Vão das idolatrias até o deísmo maçônico dos tempos modernos. E como surgem contra a unicidade do verdadeiro Culto, para a Religião desse Culto, tal pluralismo corresponde inevitavelmente a uma geral apostasia. Trata-se da modernista e maçônica operação ecumenista, almejada por uma «nova ordem» mundial para uma religiosidade «mais universal»!

Essa realidade de nossos tempos, que começou a aparecer a muitos em 1960 no seu mais sinistro aspecto, também social, tinha a ver com a Rebelião universal que, após abater virtualmente o poder do Papa Católico junto ao seu séquito fiel, galgou o vértice do Vaticano com o espírito maçônico e modernista de que estava possuído João 23.

O fato que a terceira parte do Segredo de Fátima, na sua visão do Papado abatido e da Cristandade arruinada, tenha sido então censurada pelo mesmo ocupante desse vértice é indicativo de que lado ele estava na escalada predita na Epístola aos Tessalonicenses. Portanto, o «Segredo» ajuda a desvelar como aconteceu a ocupação do «Lugar santo» por um artífice do «culto do homem», que sentou-se no Templo de Deus depois que o Papa católico e seu séquito, que era obstáculo para a manifestação do Anticristo, foi tirado do meio (II Ts 2).

Ora, este falso Cristo que ocupou a «Sede santa» da Autoridade divina, tinha que alterar a defesa do Culto de modo velado para não levantar suspeita em quem compreende que censurar a Mensagem de Maria, com quem está sempre o Senhor, é uma iniqüidade. Mas seu autor fora eleito papa e dispunha então de um poder para convocar um concílio de tortuosa ruptura com a Tradição do Culto divino desagradável ao mundo. Qual outro alvo podia ter essa revolução modernista clerical senão o mesmo Santo Sacrifício da Missa? Fato é que este foi em seguida alterado, de modo cada vez mais indecente e finalmente substituído pelo seu simulacro, aparentado à «ceia protestante».

Tudo estava ideado para o novo «culto conciliar do homem» que agrada a revolução iluminista e ateia da deusa razão, em ódio ao Culto a Deus Uno e Trino! Não deve surpreender, pois, que após o novo culto humano desviado ter feito o seu curso de devastação espiritual, os autores desse atentado fossem cultuados no lugar dos santos com o aplauso dos mações! Assim a «beatificação» e a «canonização» de todos estes «papas conciliares» serve a consagrar uma nova igreja de culto humano, produto da mais rematada revolução, porque operada no âmbito religioso de nome católico!

Eis que esse culto desviado aos «anticristos no Vaticano», que trouxeram um novo evangelho dispensador de conversões e promotor do relativismo ecumenista de todo culto, corresponde ao culto do homem do pecado: na Carta de São Paulo é o culto do Anticristo que abateu o poder que impedia a sua elevação no Templo de Deus – o Papa católico. E pasme, o único culto que não sofreu declino, aliás foi reforçado, serve para elevar aos altares inovadores dessas mutações ao nível do culto das seitas.

Sim, esses falsos papas estão sendo sistematicamente canonizados! O que pode significar, à luz dos avisos evangélicos, o «culto» a estes desviados? Não significa, talvez, culto à obra deles?

A revolução consumada na complacência dessa grande apostasia tem por nome «abominação da desolação no templo de Deus»! Ela partiu de uma inversão litúrgica. Sim, porque o «movimento litúrgico espúrio» começou por inverter o autêntico Movimento Litúrgico promovido por São Pio X, que apoiou nisso Dom Guéranger. É o culto do homem promovido por quem se diz servo de Deus!

A história desta alteração está bem documentada no livro do P. Didier Bonneterre, apresentado por Mgr Lefebvre. A alteração vinha de longe e era muito subtil no início, mas visava uma inversão de finalidade do culto verdadeiro. Este tornar-se-ia a pastoral didática de um ‘aggiornamento’ doutrinal, entenda-se, ecumenista!

Os nomes salientes dessa «revolução litúrgica» são os de Dom Lambert Beauduin, Dom Odon Casel, Dom Pius Parsch, P. Louis Boyer, Romano Guardini, P. Yves Congar e finalmente seus membros que operaram em Roma, Mons. Annibal Bugnini, card. Daniélou, card. Lercaro, card. Augustin Bea. Além e acima destes vêm seus promotores vaticanos, in primis Roncalli, João 23, e depois dele com suas aberturas, todos os «papas conciliares», sem os quais não poderiam ter superado as barreiras postas pelos Papas Católicos.

Discípulos de Romano Guardini, de Lubac, Congar e cia.

Basta ver hoje como os últimos «papas conciliares» eram entusiastas dos suspeitos novos teólogos e de Romano Guardini. Por exemplo Ratzinger, que além de estar ligado a fundo com a intelligentzia da «nova teologia», tinha Guardini como seu mestre. Bergoglio então, até fez sua tese sobre este literato modernizante da liturgia.

Tudo ocorreu, também, na ilusão em que viviam e vivem até hoje tantos tradicionalistas. Estive com o P. Bonneterre em Albano para demonstrar meu apreço pelo seu trabalho, mas também com a intenção de lembrar que a revolução litúrgica é um ponto extremo da grande Revolução geral contra Deus, que tem por fim o rapto do Culto que Lhe é devido. Isto vai além do rito tradicional da Missa; está inscrito na mesma Revelação em que anjos e homens foram tentados a serem cultuados como deuses.

De modo que, quando se esquece que tudo na Religião tem por finalidade primeira o Culto a Deus sobre todas as coisas, nisto já se desvia da legítima Liturgia católica. Assim quando se diz que para a Igreja a primeira lei é a da salvação das almas, isto é justo no âmbito da sua missão e lei eclesiástica, mas estas, segundo o pensamento católico que parte do Primeiro Mandamento, tem por finalidade primeira, como a mesma Igreja onde tudo é ordenado, do Sacerdócio ao Papado, dos Sacramentos às devoções autênticas, tudo é ordenado ao Culto de adoração a Deus.

O Papado e os Sacramentos são para esse Culto e não o contrário. É a vontade de cultuar a Deus «em espírito e verdade» que não pode nos faltar. Esta vontade segue a Fé que é teologal, porque suscitada por Deus mesmo. O Rito da Santa Missa é pois para o Culto, não o contrário, pois nenhuma Missa identifica-se univocamente com o Culto. Este deve ser em «espírito e verdade» como agrada a Deus para a nossa salvação.

O fim precípuo do verdadeiro Culto sacramental é o de amar, adorar e esperar o agrado divino, não garantir externamente os sacramentos, sem visar a aprovação de Deus. Por isto deveria ser claro que a assistência a uma Missa, mesmo tradicional, mas celebrada «una cum» os inimigos do Santo Sacrifício da Missa, não pode ser culto agradável a Nosso Senhor que é a mesma Verdade e que aborrece todo erro e engano de um «consumismo litúrgico» indiscreto e egoísta.

Pode o Senhor ficar agradado se os filhos da Santa Madre Igreja contentam-se em obter seus sacramentos sem, porém, testemunhar com força a tempo e contratempo e de cima dos tetos o estado lastimável em que a reduzem os homens que ocupam suas sedes.

Eis a Revolução realizada no atentado à Autoridade da Fé em seu nível mais devastador. E eis porque Fátima é incontornável até no plano histórico! Saibamos portanto entender o que nos transmite a Mãe de Deus, do fundo de Seu Imaculado Coração pulsante junto ao Sagrado Coração de Seu Filho, que deu a vida para nos salvar da sanha desse mundo revolucionário. Neste, até o Templo de Deus foi ocupado e contaminado por impostores, que nenhum sacerdote católico consciente pode exaltar e desculpar sem ser cúmplice da grande apostasia por eles promovida!

Há que lembrar sempre que foi Jesus Cristo mesmo a profetizar entre os piores enganos dos tempos finais a manifestação de «falsos cristos», que enganariam, se possível, até os escolhidos? É engano pensar que o Culto devido a Deus dispensa a defesa da Fé que nos foi legada pelo Verbo de Deus, sem fazer acepção de pessoas contra os que a deturpam.

Aqui é bom ter sempre em mente que o verdadeiro Sacerdócio de Cristo está ligado à continuidade da Santa Doutrina do Santo Sacrifício, do qual derivam os Sacramentos. Assim os Sacramentos, desde o Batismo, são para o Evangelho da Vontade de Deus e não o contrário. Neste testemunho temos as palavras de São Paulo: “Porque Cristo não me enviou a batizar, mas a pregar o Evangelho, não com a sabedoria das palavras, para que não se torne inútil a cruz de Cristo.” (I Cor 1, 17)

 

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